This is our song

3 "It was the wicked and wild wind, blew down the doors to let me in" -Vila la Vida, Coldplay


Naquele dia à tarde eu tinha Inglês, e logo depois iria para a casa dos meus avós, que moravam junto com meus tios, e eu mal esperava para contar para a minha prima Jenna o que acontecera no meu dia.

Eu e Jenna éramos mais do que primas, eramos amigas. Todas as vezes que nós nos encontrávamos contávamos sobre nossos dias e coisas interessantes da escola. Mas, desde pequenas fora assim, a diferença é que crescemos brincando uma com a outra, de todos os tipos de brincadeiras. Atualmente, já havia um bom tempo em que não tocávamos em uma Barbie, ou inventávamos alguma brincadeira viajada.

Voltei para casa meio dia, almocei, e depois fiquei no celular até ir fazer os temas no Inglês. Às quinze para as duas fui para o Inglês com minha irmã, a pé. Ela sempre me largava lá no caminho para o trabalho. Às cinco e meia veio me buscar e me largou na casa dos meu avós enquanto ia para a Academia.

"Oi vó, oi vô" falei entrando na casa deles, e cumprimentei-os com um abraço. Senti o cheirinho de pão saindo do forno e perguntei: "Humm, está fazendo pão, vó?" "Estou" ela respondeu, "quando ficar pronto aí eu boto o café na mesa, ou está com muita fome?" ela perguntou. "Não, dá pra esperar" falei, sorrindo. "A Je está em casa?" perguntei. "Está na amiga" Meu avô disse. "Ah" falei, decepcionada.

"Ela disse que ia voltar às cinco e meia, então acho que se você quiser dá pra ir chamar ela" ele falou "ela mora pertinho, sei onde é". "Vamos" falei sem pensar duas vezes.

Enquanto meu avô pegava a chave do portão, desbloqueei meu celular e abri o App do WhatsApp. Não consegui parar de pensar na ideia de chamar Dean e dizer 'oi'. Mas, eu não podia dizer oi assim do nada, sem motivo nenhum... Então raciocinei, esse era a brecha, a desculpa que poderia usar.

No mesmo minuto, fui procurar ele nos contatos do Whats e cliquei nele. Logo depois, escrevi "Oi, não sei porque, mas me deu uma vontade de falar com você", logo depois, com um pouco de hesitação, eu mandei. Agora já estava feito, não tinha mais volta.

"Vamos?" meu avô disse. "Vamos" afirmei. Saímos de casa e começamos a andar pela rua larga e poluída que era. Não sabia se tinha sido a melhor coisa ter chamado ele, e se ele pensasse agora que estava desesperada para falar com ele de novo? Sei que várias vezes ele já me lançara olhares muito convictos, já havia me chamado no WhatsApp e dito que eu era bonita, mas, mesmo assim, na vida real ficávamos sempre na enrolação.

Nossos assuntos eram sempre os mesmos. Ou eram 'oi' ou alguma coisa sobre a aula. Rolava alguns olhares estranhos e alguns sorrisos tímidos, mas não tinham muito valor até que comprovassem alguma coisa.

Estremeci de pavor quando ouvi o som de notificação do meu celular. Quando abri o WhatsApp, vi sua resposta. "Oii, sabe que também estava com vontade de conversar contigo!" o alívio e a alegria que me invadia fez um sorriso surgir no meu rosto. Meu avô nem notara.