This is our song
4 Live and let die
Olhei para frente e estávamos dobrando uma esquina, bloqueei o celular e nós seguimos pela calçada, e depois atravessamos a rua. No outro lado, haviam três casas grandes e pátios extensos, até dobrarmos em outra esquina.
Esperava conseguir me segurar para responder só quando voltasse para a casa de minha avó novamente, mas infelizmente, a ansiedade e curiosidade falaram mais alto.
"Ah, que bom. Tudo bem?" mandei para ele, que respondeu prontamente: "Tudo sim, e com você?" "Tudo!" respondi.
"Lara" meu avô chamou, "esta é a casa", ele apontou para uma casa pequena com as paredes de madeira, e o telhado cinzento, o pátio relativamente pequeno. "Chama a Jenna" falou ele. "Jenna?" gritei, meio tímida.
Logo uma mulher baixa e com os cabelos castanhos, com alguns fios grisalhos amarrados em um rabo baixo apareceu, e falou: "Desculpe, quem?" ela disse. "A Jenna disse que vinha para a sua amiga, a Giulia" falou meu avô. "Ela está aí?" perguntou ele. "Giulia!" chamou a mulher, logo uma menina mais baixinha ainda apareceu, aparentando ter a minha idade. "A Jenna ta aí?" perguntou a mulher. "Ela veio, mas depois disse que ia para a Vi" falou Giulia.
"Obrigada" falei, sentindo meu celular vibrar no bolso. "Vamos na Vitória então" disse meu avô. "Ta bom" falei. Desbloqueei meu celular e vi a mensagem:
"Então, ta fazendo alguma coisa?" Dean disse. "Não, e você?" respondi. "Estou escutando música" ele falou. "Legal, qual música?" perguntei. "Live and let die, do Guns'n Roses, conhece?" ele respondeu. "Sim!" respondi "Gosto da letra" mandei, completando. "Também gosto" ele respondeu.
"Lara, chama ela" meu avô falou apontando para a casa da Vitória, onde surpreendentemente já havíamos chegado. Chamei Jenna, e logo ela apareceu na janela, depois, a vi saindo pela porta com a Vitória ao seu lado. Vitória era uma garota alta e loirinha, com o cabelo liso que descia até a cintura, orelhas de abano e um pouco de acne no rosto.
Já minha prima Jenna, era mediana, magra e esbelta. Os cabelos eram castanho claro, os olhos eram grandes e azuis, os cílios eram longos, mas retos, por isso não apareciam muito.
Jenna veio ao meu encontro, nos cumprimentamos, e quando vi, já estávamos na casa dela. Sua casa ficava no mesmo terreno que a da minha avó. Na entrada havia a cozinha e a sala, com bastante móveis. Depois, havia o corredor, onde havia a porta para o banheiro em um lado, um quarto no outro, o dos meus tios, e o no fim do corredor, de Jenna. Estávamos no seu quarto.
Comecei a contar sobre o meu dia na escola, mas principalmente sobre o recreio, e logo depois, a mostrei as mensagens de Dean. Logo depois, verifiquei a nova mensagem que ele me enviara havia pouco.
"Percebi um clima entre nós hoje" ele me mandara. Assim que li a mensagem, meu coração acelerou descontroladamente, e comecei a rir. Jenna dizia: "responde, responde" e foi o que fiz. "Haha, é verdade" eu disse. "Não sei se isso significa alguma coisa para ti" ele me enviou logo depois, eu já tremia. "Não sei, pra você significa?" respondi. "Talvez" ele disse. "Talvez então" falei. Depois disso, nenhum de nós falou mais nada, até que o avisei que meu celular estava ficando sem bateria e disse tchau, assim que enviei a mensagem, meu celular desligou.
[...]
No outro dia acordei de bom humor, me arrumei para escola, e quase em desespero de tanta ansiedade, fui checar meu celular. Tinha uma mensagem de Dean, como eu já esperava.
"Bom dia" ele me mandou. "Está frio né? Você gosta do inverno, ou prefere o verão?" mandara. Eram seis e meia quando ele me mandara tais mensagens, e agora já eram sete e dez.
"Bom dia, ah, eu prefiro o verão, mas nada contra o inverno!" respondi. Ele ficou online no mesmo minuto e disse: "Eu prefiro o inverno". Alguns segundos depois, eu já estava na escola.
Entrei na sala e logo fui cumprimentar minhas amigas. Hoje Maria havia comparecido à aula. "Oi garotas" falei animada chegando na mesa de Maria, onde ela estava sentada e as garotas estavam em volta. "Humm que bom humor é esse?" Lalá perguntou. "Isso é por causa do recreio de ontem?" perguntou Carol com um sorriso malicioso, não pude deixar de sorrir também.
"A Maria já sabe?" perguntei. "Sei" falou ela, "as garotas já me contaram" explicou. "Bocudas" as acusei, brincando. "Não só por causa do recreio, mas pelo dia de ontem, e por hoje também" falei com uma expressão sarcástica. "Ah, é?" elas disseram em coro, surpresas. "Pode contando tudo" disse Maria.
Desbloqueei o celular e mostrei a conversa no WhatsApp minha com o Dean, com todo cuidado para que ninguém mais olhasse, e depois, fui sentar no meu lugar. Quando virei para trás, lá estava ele sentado na cadeira. Quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu para mim. Seu cabelo estava meio úmido, e ele vestia um casaco azul marinho com alguns detalhes brancos, e um blusão de lã preto por baixo. Sorri também. "Oi Dean" falei. "Oi Lara" ele disse. "Já ouviu a música que eu estava escutando ontem?" ele falou, repentinamente. Mais uma vez, felizmente quebrou o gelo que provavelmente, iria se manifestar.
"Acho que sim" respondi. "Quer ter certeza?" ele disse, apontando para um fone de ouvido que só agora percebera que estava ali. "Claro" falei. Ele me deu um fone, que coloquei na minha orelha, o outro estava na dele, e o fio curto nos fez se aproximar, tendo que apoiar meus cotovelos na classe dele, meu rosto estava diretamente na direção do dele.
Ele deu play na música e começou a balançar a cabeça de acordo com as batidas da música. Sorri para ele, que ficava tão fofo com esse jeitinho sonhador, apreciando a música. "Gostou?" ele perguntou, de repente. "A música é boa" afirmei. "Que bom que gostou" falou ele. "A letra diz muito para mim, acho que está me servindo de conselho ultimamente" ele comentou. Comecei a me lembrar da letra, a mensagem que me passava era mais ou menos para simplesmente viver a vida, e deixar o resto para trás. Comecei a raciocinar, seria isso uma indireta?
"Acho que também pode servir de conselho para mim" comentei, lançando-o um olhar divertido, acompanhado de um sorriso.
[...]
No recreio, estava sentada com minhas amigas em uma área diferente da escola. Uma área fechada e perto dos banheiros e bebedouros, mas não tanto assim. "Parece que você e o Dean vão se acertar logo" disse a Carol. "Como assim se acertar?" perguntei. "Ah, você sabe" ela disse, sorrindo maliciosamente. "Falando nisso, olha quem está vindo para cá" falou Lalá. Mais à frente, em nossa direção vinham Matheus, Dean e Thiago.
"Oi meninas" falou Matheus, nós cumprimentamos-o. "Então" falou Dean olhando para mim, "queria falar contigo, Lara" ele disse, um sorriso de cachorrinho pidão invadia seus lábios. Comecei a suar, apesar do frio que fazia. Minhas mãos tremiam, e meus músculos insistiam em se tensionar. "Tudo bem" foi o que falei, me levantando. Ele começou a andar para um canto meio vazio da escola, um canto onde ficavam dois bebedouros meio velhos e enferrujados.
"O que foi?" falei, a voz surpreendentemente calma. "Matheus me disse uma coisa" ele disse, e eu já estremeci, "que me deixou feliz" ele falou, com o olhar iluminado. "Não fiquei brava com ela, mas Lalá falou para ele de..." ele falou, meu coração já estava á mil. "De, hã, como você se sente por mim" ele disse. O lancei um olhar intenso, e minha boca se curvou num sorriso, misturado com uma gargalhada descontrolada. Mais tarde tinha que matar algumas pessoas. "Na verdade" ele disse, se aproximando, "acho que, me sinto da mesma forma, faz algum tempo" ele falou, tocando seus dedos frios em meu rosto. Logo, o toque se tornou ameno e afetuoso. Eu ficava baixa perto dele, por isso, meu rosto ficou um pouco elevado para olhar diretamente em seus olhos tão de perto.
"Ah, é?" falei, a minha voz saía doce e suave, ignorando meu nervosismo que se elevava ao corpo inteiro. "Lara" ele disse. "Você não aceitaria, ficar comigo?" ele falou, entrelaçando a outra mão na minha cintura.
No mesmo minuto em que ouvi a palavra ficar, esqueci de tudo, o nervoso me invadiu por completo, eu não podia evitar. Me afastei com dois passos para trás, e disse. "Dean" falei, "podemos falar disso mais tarde?" perguntei.
Assim que dei as costas para ele com muita relutância, pensei na música que escutamos hoje, Live and let die, e em sua letra. Realmente, precisava de seus conselhos, pois estava ignorando toda a mensagem que ela queria passar.
Fale com o autor