This Isn't an Happy Ending
3 We're Back
Notas iniciais
– Meninas, sei que o papo está ótimo, mas acho que já está na hora de irmos para o aeroporto – meu pai disse. Estávamos todos sentados em volta da mesa da cozinha, tomando café da manhã. Hoje eu, Scott e Amber íamos voltar para nosso internato que ficava em San Marino, a Southwestern Academy, por isso Scott também estava na minha casa hoje.
–Nossa, ignorou o Scott agora, pai. – Albert, meu irmão mais velho disse. Ele é bem mais alto que eu, mas tirando isso, todos falam que eu sou a cópia dele com uma vagina. Temos os mesmos cabelos pretos e olhos azuis, a pele branca. Também passamos cada minuto do nosso tempo livre juntos, pois gostamos das mesmas coisas, mesmo com Al sendo quatro anos mais velho que eu.
– Mas eu sou uma menina! – Scott falou, e Al riu.
– Bem, sempre pensei que você tinha um pênis, Clives.
Ele chacoalhou as mãos no ar.
– Ah, Al, esse é um mero detalhe.
Al se rendeu.
– Se você diz, então.
Me levantei relutante e comecei a ir para a porta, minha mãe me seguia e os outros vinham atrás.
– Tem certeza que não quer ficar? – Ela disse ao me abraçar.
– Por Deus mãe, tenho – falei, mas ri. – Venha me ver no próximo feriado.
Ela me soltou e foi se despedir dos outros. Al me deu um abraço de urso, e quase me sufocou.
– Essa casa vai ficar um saco sem você, pirralha – ele disse, a voz abafada pelo meu cabelo.
– Al.... quero... respirar! – ele me soltou rapidamente, e comecei a arquejar exageradamente.
– Ah, corta essa, pirralha. – dei um soco no braço dele de brincadeira. Depois o abraço outra vez.
– Também vou sentir sua falta, velhote.
Ele riu balançando a cabeça.
– Vamos, Elise? – meu pai chamou, fechando o porta malas do carro. Os outros já estavam dentro do carro. Quando eles chegaram lá?
Soprei um beijo para a minha mãe e um pro Al.
– Me liga, tá? – Ele disse.
– Na primeira oportunidade – falei e corri para o carro.
Quando estávamos chegando no aeroporto, meu pai olhou para mim com aqueles olhos sábios dele.
– Ainda não acredito que você vai para um internato por vontade própria. – Ele falou, sério.
– Pai, você tem ideia de como morar na escola é divertido? tudo bem, as aulas são um saco, mas morar lá é a parte boa. E ainda com uma colega de quarto.
– Valeu pela consideração – Scott disse rabugento.
– E com seu amigo gay – acrescento.
– Nossa, agora você esclareceu tudo, Liss, você odeia estudar e ama morar na escola. Sinto falta daquela menininha que fazia sentido.
Eu ergui as sobrancelhas.
– Quando ela existiu?
Ele me olhou, sorrindo.
– Quando você tinha uns seis meses.
__x__
Ao chegar àSouthwestern, fomos recebidos por uma recepção bem decente. Todos os fodões estavam lá, a diretora, a dona dessa espelunca, e... Edward.
Caralho, Ed era muito lindo. Lindo demais pra ser um professor, eu já disse isso pra ele. Acha que ele ouviu? Veio com aquela coisa clichê de que o importante é fazer o que ama e blábláblá.
Nossos olhos se encontraram no mesmo instante e ele sorriu, levantando uma taça de champanhe e me chamou com um gesto.
– Amberly, você acha que seria uma boa ideia eu ir falar com Ed?
Ela franziu a testa
– Por que não seria?
– Ah, a gente é de boa, mas e essa velharada toda? Eles não vão achar estranho um professor ser tão informal com uma aluna?
Ela deu de ombros e disse:
– Eles que se fodam. – E então caminhei até Edward.
Quando cheguei até ele, ele disse:
– Nossa, você não acha que está muito produzida para essa ocasião?
Olhei para a minha roupa pela primeira vez. Pois é, estava ridícula com um short jeans rasgado e superhipermega curto que usei no avião e uma camiseta da Franqueza.
– Yeah. Esse é o melhor que eu pude fazer. Mas é lógico que eu vou estar ridícula ao seu lado, quer dizer, olha só pra você. Desvia totalmente a atenção de tão lindo. Nem vão me olhar.
É sério, ele era um gostoso. Sua pele meio morena, um sorriso sedutor de dentes perfeitos e seu cabelo preto curto... Combine isso à barba que ele deixa sempre por fazer e que dá uma ideia de desleixado, mas fofo e você tem o deus grego que Ed era. Apesar de ser uns bons 7 pra 8 anos mais velho que eu, eu daria pra ele sem nem pensar duas vezes.
– Ah, claro. Como se até com uma roupa ridícula você não chamasse atenção. Olhe essas coxas, Lise. – e então seus olhos descem, sem brincadeira, até minhas pernas super expostas.
Dei um tapa de brincadeira em seus braços.
– Pare de olhar para as minhas pernas. Você é meu professor. Seu tarado.
Ele levantou as sobrancelhas, incrédulo.
– E você pode me assediar quando bem entende?
– Claro que sim. Agora passe seu champanhe pra cá.
Ele deixou a taça fora do meu alcance e me deu um sorriso travesso.
– Não tenho certeza se estou autorizado a dar bebida alcoólica para uma aluna. E não uma aluna qualquer, mas a aluna mais tarada da escola toda. Quem sabe o que você não faria bêbada? Tenho certeza que poderia me estuprar!
Eu ri da cara de vítima que ele fez.
– Ah tá. Quem disse que eu preciso estar bêbada para te estuprar? Acredite ou não, eu preciso de um alto controle extraordinário para não te deixar pelado aqui mesmo.
Ele quase se afogou quando foi rir. Depois me deu a taça.
– Okay, melhor parar de putaria antes que o meu alto controle vá para a puta que pariu e eu deixe você me deixar pelado.
Minha vez de engasgar com esse champanhe malditamente maravilhoso. O que ele quis dizer com isso? Quando eu me preparei para responder, a diretora Kirova chamou nossa atenção. Lá vem a lista de coisas proibidas no campus. Suspirei cansada e encontrei Amberly. Ela me olhou com cara de tédio.
– Bem, meus queridos, vou ser breve desta vez, já que suponho que vocês querem trocar de roupa antes do almoço – ela olhou diretamente para mim enquanto dizia isso, nossa, valeu Kirova. – Como muitos de vocês tiveram uma viagem cansativa, optamos por deixar as aulas começarem amanhã –um coro de vivas preencheu o recinto, depois o silencio reinou novamente. – Quero só lembrá-los que qualquer transgressão às regras não será perdoada. Está expressamente proibido no campus escolar: meninos nos dormitórios das meninas, sexo, bebidas, qualquer tipo de droga, linguagem imprópria, desacato aos professores, desperdício de comida, ficar zanzando depois do toque de recolher, que para o terceiro ano é às 22H, música depois do toque de recolher, sujar o ambiente escolar, roupas inadequadas – ela olhou para mim de novo – como, short muito curto, blusas que revelem mais do que devem, vestidos apertadíssimos, mini-saias e qualquer coisa curta ou indecente, baderna tanto nas salas quanto no dormitório e se eu me esqueci de alguma coisa, com certeza estará na cartilha que vos será entregue amanhã durante a aula. É isso. Estão liberados para seus quartos. Sejam rápidos, o almoço será servido no refeitório daqui a quinze minutos.
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