This Isn't an Happy Ending
15 Party
Notas iniciais
Já faziam quase duas semanas desde o baile e eu não havia falado com Mason, nem com Edward. Bem, Ed tentou falar comigo bastante arduamente, mas quando suas aulas acabavam eu já estava no meio do corredor, fugindo dele, meu tempo livre era desperdiçado no meu quarto, olhando para as paredes. Já com Mason a história era outra – ele que fugia de mim, e eu fazia o papel de idiota que corre atrás de alguém que te odeia. Exatamente aquele que ele fazia comigo há quatro semanas atrás. O mundo dá voltas, é o que dizem.
Mas lá estávamos, sentados lado a lado na aula de história. Eu olhava para frente em uma poça de tédio quando uma bolinha de papel caiu bem na minha frente. Olhei desconfiada pela sala, procurando o culpado – geralmente quem atacava bolinhas de papel era eu. Bill estava sorrindo abertamente para mim do fundo da sala. Abra, diziam seus lábios sem som. Suspirei e me virei novamente para frente, tentando desfazer a bola de papel sem muito barulho – o que foi inútil. Quando finalizei meu trabalho, a professora e Mason me olhavam de cara feia. Ah, que se danem eles.
Dei uma olhada no que estava escrito.
Elise querida,
Vou dar uma festa decente hoje lá no meu quarto (bem melhor do que o baile, confie em mim). E seria legal se você fosse (e seus amigos).
Bill.
Okay, aqui encontramos uma coisa anormal: nunca fui convidada para uma festa do Bill. Nunquinha. Olhei para ele outra vez com um olhar questionador, ele sorriu e fez um coração com as mãos. Revirei os olhos e tentei me concentrar na segunda guerra mundial. Eu até estava conseguindo prestar atenção, mas Mason me cutucou.
— Você vai? – ele perguntou, apontando para o bilhete em cima do meu caderno. Oh, isso é um progresso.
Ponderei um pouco e dei de ombros.
— Acho que sim, e você?
Ele só deu de ombros e voltou sua atenção para os exercícios que tínhamos que fazer.
***
Quando eu, Amberly e um Scott saltitante entramos no quarto do Bill a festa já estava bem animada. Realmente não sei como a música não chegava aos ouvidos de Kirova, mas se chegasse, essa seria a última festa de nossas vidas, com certeza.
— Elise! Achei que você não viria – Bill gritou por cima da música. Ele era bonito, alto, loiro e estava usando jeans escuro e uma camisa branca que se destacava. – Você está ótima – ele acrescentou, descendo o olhar para minhas pernas que estavam à mostra por causa do vestido curto que eu tinha encontrado na minha mala (ainda que achasse que fora plantado lá criminosamente, pois eu NÃO tinha colocado-o lá).
— Obrigada Bill, você também está um gato – eu disse, com um sorriso malicioso. Ele cumprimentou meus amigos e saiu logo depois de dizer para ficarmos a vontade.
Á vontade é tudo que não ficamos, já que a maioria dos outros convidados eu só tinha visto uma vez ou outra pelos corredores. James, um velho amigo meu (que não falava comigo há mais de um ano) gritou para sentarmos com ele e seus amigos, então fomos. Sentei no chão ao seu lado, e pelo jeito como ele me abraçou percebi que ele já estava bêbado.
— Por que não chama seu namorado para sentar aqui? – Jam disse, me cutucando.
O olhei confusa.
— Meu namorado? – ele assentiu e apontou para o outro canto do quarto, onde Mason estava sentado.
Eu ri.
— Oh Jam, Mason não é meu namorado. Na verdade ele me odeia.
Mas era tarde demais, Jam estava indo para onde Mason estava sentado. A cena foi realmente engraçada, Jam tentava arrastá-lo a todo custo, e Mason grudava no bando onde estava sentado. Amberly e eu estávamos às gargalhadas quando finalmente os músculos de Jam venceram Mason. Ele fez Mason sentar ao meu lado, depois se sentou na nossa frente e deu um sorriso largo.
— Que lindo, o casal feliz unido novamente.
Mason me olhou feio e eu fiz minha melhor expressão de “o que eu posso fazer?”
— É, vai ser uma festa divertida. – Amberly disse no meu ouvido.
***
Quando dei com a cara na parede pela terceira vez no caminho para o banheiro no andar do quarto de Bill, admiti a mim mesma que estava muito bêbada. A sensação era terrível, eu nunca tinha ficado assim na vida. Finalmente eu estava no banheiro, fui direto para o vaso mais perto, porém me mexi um pouco mais rápido que o calculado e minha cabeça girou perigosamente e a próxima coisa que eu vi foi o chão se movendo rápido demais em minha direção. Fechei os olhos com força esperando a pancada bem na hora que braços fortes agarraram meus ombros e eu fui puxada para cima de novo. Olhei desorientada para o meu “salvador”.
Mason me olhou de volta com uma expressão de reprovação e me conduziu para uma das cabines do banheiro. Fez um rabo de cavalo com meu cabelo e o segurou com uma mão – e então eu coloquei tudo para fora. Tudo, tudo mesmo. Vomitei até o que não tinha, até que parei e me sentei de frente para Mason no chão, com as costas encostadas na divisória das cabines. Suspirei e fechei os olhos, sentindo a dor de cabeça que começava a ganhar força. Enquanto isso Mason não disse uma palavra desde que me encontrou, só me olhava de um jeito estranho. Forcei um meio sorriso, que resultou só em um repuxar de lábios.
— Vai afundar minha cabeça na privada? – minha voz saiu tão baixa que não tive certeza de que ele havia escutado direito. Ele balançou a cabeça e continuou me olhando.
— Então o que você está fazendo aqui?
— Vendo você vomitar. – sempre tão simpático. Ergui as sobrancelhas.
— Nunca pensei que ver meninas bêbadas vomitarem era um dos seus hobbies.
— Poucos sabem.
— Bom, então você já pode voltar para a festa, o show já acabou. – eu disse.
— E você vai ficar aqui sozinha? — ele indaga.
— Não. Como eu disse, o show acabou. Agora vou para o meu quarto. – eu disse, me preparando para me levantar. A expressão dele me fez parar. – O que foi? – indaguei.
— Você pelo menos consegue se levantar? – ele disse, rindo. Olhei-o, furiosa.
— É claro que eu consigo me levantar, Ashford.
— A é? Então vai lá, se levante. Quero ver se você consegue andar até a pia sem cair.
Bufei e comecei a me levantar, me apoiando na divisória do banheiro. Fiquei em pé com dificuldade, mas fiquei. Olhei para ele, que ainda estava sentado, triunfante. Ele assentiu, sério.
— Agora ande, quero ver. – bufei em resposta e ele riu. Saí do banheiro vacilante, relutando em largar meu único ponto de apoio. Minha cabeça girava vertiginosamente, me fazendo querer voltar e vomitar tudo que havia sobrado – se é que havia sobrado algo. A névoa que eu achava que havia ido embora voltou a zanzar pela minha cabeça e minha visão ficou nebulosa. Ouvi Mason se levantar novamente, e sem querer que ele zombasse de mim por não conseguir andar, dei o primeiro passo, me soltando da divisória. Consegui mais um passo, e outro. No quarto passo, eu desabei.
Minha cabeça latejava, e agora o resto do meu corpo também. Tapei meus olhos com meu braço, me odiando por ter bebido tanto e me perguntando quando eu iria conseguir chegar no meu quart, e então senti as mãos de Mason em mim. Um braço foi parar embaixo dos meus joelhos e outro nas minhas costas. Logo eu já estava sendo erguida. Não tentei protestar dessa vez, até porque sabia que eu não seria capaz de andar até meu quarto. Escondi meu rosto na curva do seu pescoço e deixei ele me levar para o quarto.
***
Percebi, meio grogue, que ele não tinha me levado até o meu quarto, e sim para o seu. Me deitou em sua cama e começou a procurar algo no meio das suas roupas. Depois jogou uma blusa de lã de mangas compridas preta para mim e ficou de costas para mim, provavelmente esperando eu me trocar, em nenhum momento desde a saída do banheiro ele tinha dito algo. Eu não havia percebido que estava com tanto frio até que vi a blusa. Tirei meu vestido com movimentos de lesma, e então me vesti novamente. Encolhi-me na cama como uma bola e perguntei:
— Você tem algum remédio para dor de cabeça? – ele tomou isso como uma deixa para se virar, se aproximou e sentou na beirada da cama, puxando uma coberta e me cobrindo até a cabeça.
— Não tenho nada aqui. Durma um pouco, acredito que quando você acordar estará melhor. – eu assenti e me acomodei mais um pouco em sua cama. Ele se levantou, pegou um dos travesseiros e uma coberta da cama de Scott e jogou no chão. Tirando seus sapatos, se preparou para deitar, mas o fiz parar.
— Mason?
— Hm?
— Não precisa deitar no chão, deita aqui comigo. Não é como se eu ocupasse a cama toda – eu disse, levantando um braço por uns momentos e o deixando cair novamente, este já estava muito pesado. Ele ponderou um pouco meu pedido, então se aproximou, desabotoando sua camisa.
— Chega pra lá – ele disse e eu me espremi contra a parede. Ele se deitou, ainda mantendo distância entre nossos corpos.
Me concentrei no ritmo de sua respiração, que começou agitada mas foi se acalmando gradualmente. Os únicos sons no quarto eram nossas respirações, e logo adormeci, sem saber se era pelo fato do álcool no meu sangue ou por estar na mesma cama que Mason, o que dizia que ele já não me odiava tanto quanto antes.
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