This Isn't an Happy Ending
16 Ketchup Lips
Notas iniciais
Acordei com calor e desnorteada. Abri os olhos e olhei em volta do quarto. Os pôsteres de bandas indie definitivamente não eram meus, muito menos os de divas pop. Onde eu estava? Olhei para a cama ao lado esperando encontrar Amberly dormindo, mas não havia ninguém. Me sentei no mesmo momento que a porta se abriu e Mason entrou. Então a dor de cabeça latejante na parte de trás da minha cabeça me ajudou a lembrar da noite passada. Cocei meus olhos e bocejei, desejando desesperadamente que tivesse café pronto.
— Oh, você já acordou. Bom dia, Liss. – Ele disse, com uma voz amigável.
— Hey. – comecei a me levantar e juntar meus pertences do chão.
Ele me encarou por um momento, confuso.
— Aonde você vai? – ele indagou.
— Para o meu quarto, claro. Não quero abusar da sua bondade. Você já teve que me agüentar bêbada ontem, melhor te dar um tempo. – eu disse enquanto me abaixava para pegar meu vestido perto dos pés dele, e meu sapato de salto bem ao lado de seu par de tênis . Não pude impedir um meio sorriso de aparecer. Ele ficou me encarando, e quando eu me levantei, ele segurou minha mão.
— Você não precisa ir. Peguei café da manhã para a gente. Fique, por favor.
Olhei-o desconfiada.
— Você não quer que eu vá? Sério, eu não quero te incomodar, Mason.
Ele revirou os olhos e pegou minhas coisas da minha mão e largou em cima da cama de Scott. Então abriu sua mochila. Revelando um pote com batatas fritas e um potinho menor com ketchup. Colocou na mesa entre as camas, depois pegou um bule com café na pequena cafeteira que ele provavelmente contrabandeou de casa.
— Bom apetite – ele disse, fazendo uma reverencia. Revirei os olhos e me sentei em uma cadeira enquanto ele se sentou na cama e comemos em silencio.
— Café da manhã saudável, não acha? – eu disse a certa altura.
— Claro que sim, batatas são saudáveis – ele disse com a boca cheia.
— Fritas não.
— Guarde isso para si mesma – e nós dois rimos. Tomei um gole do café, minha cabeça já começava a clarear. Limpei minhas mãos na blusa e me sentei virada de frente para e ele e fiquei encarando-o, ele logo percebeu.
— O que foi?
Balancei a cabeça.
— Tem ketchup no canto da sua boca – eu disse, apontando o lugar onde estava sujo.
Ele me deu um olhar malicioso e disse:
— Vem limpar – e fez um biquinho ridículo.
— Eu não! Limpe com suas próprias mãos. – minha intenção era falar de um modo rabugento, mas estava rindo.
— Droga, outra vez não deu certo! Mason, você é um inútil – ele disse para si mesmo. Depois limpou a boca com a barra da sua camiseta, fazendo-a levantar. Oh merda, porque ele tinha que ter uma barriga daquela? Desviei meus olhos antes que ele me pegasse encarando seu corpo, o que seria desagradável. Tentei mudar de assunto e disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
— Então você não me odeia mais? – eu perguntei, fingindo indiferença. Ele ergueu as sobrancelhas.
— Não, não mesmo, por que a pergunta? – ele disse.
— Porque você me evitou por duas semanas. Não odeia mesmo?
— No começo eu odiei – ele disse, se levantando. Levantei também e me escorei na mesa. Ele ficou andando pelo quarto.
— Prossiga – eu falei.
— Eu deitava e pensava em várias maneiras de foder a vida do Edward – ele continuou depois de um tempo –afinal, um professor agarrando uma aluna menor de idade é ilegal, certo? Demissão na certa, um processo e ele não teria emprego tão cedo. Não sei, só estava com muita raiva. Eu fugia de você no começo por raiva... na verdade eu achava que odiava você. Mas descobri uma coisa bem legal com o tempo que passou.
— E o que seria? – eu perguntei, levantando um pouco a cabeça para encará-lo, já que ele estava bem na minha frente agora. Ele estava tão perto que estaríamos dividindo o mesmo ar, mas há muito eu já tinha prendido a respiração.
— Eu não consigo odiar você.
Procurei apoio na mesa e ele notou. Abaixei minha cabeça para ele não me ver corar, vi sua mão se levantar, depois a senti roçando meu cabelo, destampando meu rosto, depois ele chegou mais perto ainda e beijou o topo da minha cabeça. Meu rosto estava escondido no seu peito, passei os braços envolta da sua cintura e ficamos assim por muito tempo. Quando finalmente nos afastamos, ele me deu um beijo na bochecha e me desviei dele, peguei minhas coisas e fui para a porta. Parei bem na frente e me virei novamente. Ele ainda estava na mesma posição, de costas para mim. Facilitaria minha decisão, se eu não precisasse olhar seu rosto enquanto falasse.
— Quer saber? – eu comecei, tentando conter o tremor em minha voz e deixá-la firme. – Essa não vai ser outra vez que isso acontece. Você não vai só me dar um beijo na bochecha e tudo vai ficar bem, e então eu vou para o meu quarto frustrada. Não vou deixar você fazer isso comigo. Nem com você. – a cada palavra eu me aproximava ainda mais dele. – Não vou deixar, Mase.
Ele se virou para mim, me olhando com admiração, como se me visse pela primeira vez.
— Realmente, você não percebe, Mason? – eu disse, olhando em seus olhos, para ele ver que eu falava sério. Ele me encarava sem dizer uma palavra. – Eu quero isso tanto quanto você.
E sem avisos, suas mãos vieram para o meu rosto e seus lábios tocaram os meus. E foi isso: só uma pressão, então ele se afastou e acariciou meu rosto, sorrindo docemente. Ele se inclinou e encostou sua testa na minha, nós dois sorrindo ofegantes, até que eu passei meus braços em seu pescoço e trouxe sua boca até a minha outra vez. Suas mãos foram para a minha cintura, me puxando para mais perto dele, as minhas estavam em sua nuca, em seu cabelo, sem deixar espaço para que ele se afastasse de mim. Para minha sorte ele não parecia querer se afastar de mim – pelo contrário, ele se pressionava tanto contra o meu corpo que parecia que a qualquer momento formaríamos um só corpo. A boca dele era morna, e ainda tinha gosto de ketchup. É disso que eles estão falando (quem quer que sejam eles) quando falam em química. Nós éramos como... bem, quaisquer elementos que fossem reagindo e explodindo. Nunca gostei de química, mas agora a matéria me pareceu mais interessante do que nunca.
Ele começou a me puxar para trás, para a mesa, com passos curtos, interrompeu o beijo e jogou tudo da mesa no chão, pegou minha cintura e me colocou sentada. Suas mãos foram para a barra da blusa que tinha me emprestado ontem enquanto espalhava uma trilha de beijos desde meu pescoço até novamente aos meus lábios. Minhas mãos foram descendo de seu rosto para os ombros, barriga... mesmo com a camisa, eu conseguia sentir seus músculos rígidos. Meus dedos encontraram os botões e começaram o trabalho de abrir cada um deles, felizmente Mason percebeu que eu estava tendo dificuldades de abrir com as mãos trêmulas e finalizou a tarefa para mim. Deslizei a camisa pelos seus ombros enquanto ele levantava a blusa, e então eu estava só de calcinha e sutiã. Enganchei os dedos nos passadores da calça jeans dele, fazendo-o chegar mais perto ainda e o abracei, encostando o ouvido no seu peito. Nossos corações estavam acelerados estávamos ofegantes. Levantei a cabeça de novo e ele enrolou suas mãos em meu cabelo, mordiscando minha orelha. O arrepio que começou na ponta do meu pé e foi subindo pelas minhas costas era maravilhoso, minhas mãos passeavam por seu peito, mapeando seu corpo todo, como se quisessem conhecer cada centímetro. Sua boca voltou para a minha, num beijo preguiçoso, ele pegou minhas pernas, fazendo-as se enlaçarem em sua cintura e me pegou no colo para então me deixar sobre sua cama, deitando por cima de mim. Eu nunca havia estado só de calcinha e sutiã em uma cama na companhia de um garoto na vida, e acho que Mason sabia disso, pois em momento nenhum me pressionou, e manteve suas mãos longe (mas nem tanto) da zona de perigo. Trocávamos de lado toda hora, e de algum jeito ele acabou recostado na cabeceira da cama e eu sentada em seu colo. Seus beijos passaram de gentis para urgentes, mais agressivos. E eu não estava afim de parar, e ele tampouco. E então suas mãos começaram numa lenta subida pelas minhas costas enquanto eu mordiscava o lóbulo da sua orelha. Seus dedos finalmente esbarraram no fecho do meu sutiã.
E bem nessa hora, a porta se abriu.
— MASON ASHFORD, COMO VOCÊ ESPERA QUE ELI... ah, oi Liss. Não sabia que você estava aqui – ouvi Scott dizer. Eu e Mason rimos com a fúria do menor quando não havia percebido que era eu quem estava ali. Caí sobre Mason e olhei para o meu amigo, que estava saltitante do outro lado do quarto.
— Hey Scottie. – eu disse, rouca. Comecei a me levantar e Mason me segurou.
— Você já vai? – ele me perguntou.
— Oh, Liss... pode ficar. Eu já vou sair, não quis incomodar – Scott começou a se levantar e eu o interrompi, enquanto pegava a blusa de Mason e me vestia.
— Pode ficar, Scottie, eu tenho que ir. Amberly deve estar surtando porque não apareci até agora.
— Ah, e veja o que aconteceu com ela.
— O que você quer dizer? – eu perguntei, alarmada.
— Não sei, hoje mais cedo ela saiu correndo de mim. Não sei o que é, mas ela parecia perturbada.
Ponderei um pouco.
— Deve ter algo a ver com a Jessica. Enfim, vou indo. – disse quando terminei de juntar as minhas coisas espalhadas pelo quarto. Mason me acompanhou até a porta.
— Tem certeza que já vai? – ele perguntou, com um sorriso preguiçoso no rosto.
— Sim, senhor. – selei meus lábios nos dele mais uma vez, depois acrescentei. – Mas não se preocupe, eu vou voltar.
Então me virei e segui, toda saltitante pelo corredor.
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