Notas iniciais
Oin lindinhos de titia, demorou n é msm?

Apesar de ter sido avisada por Scott, não tinha levado muito a sério. Amberly sempre estava perturbada, tudo bem, admito que desde que voltamos ela se mostrou muito perturbada. Mas ela era assim, sempre se fechava quando algo estava errado, e não tem santo que a faça falar, então aprendi a deixá-la no canto dela, na hora certa ela falaria. Então eu fui saltitando sem pressa nenhuma para o nosso quarto, atravessando o campus só com a blusa de Mason me cobrindo. É, eu estava bem feliz.

Minha felicidade só durou até abrir a porta do quarto e me deparar com Amberly, que estava sentada na beirada da cama com as mãos no colo, pálida como se estivesse encarando um fantasma na cama da frente. Corri até ela e tentei chamar sua atenção, mas ela continuava vidrada à frente dela. Parecia paralisada. Sacudi-a até que ela voltou ao normal, ou o mais perto disso. Ela piscou lentamente, depois olhou para mim, e então seus olhos se encheram de lágrimas.

— Amber, o que está acontecendo? – eu perguntei, preocupação transbordava da minha voz.

— Liss – ela começou, vacilante. – Eu estraguei minha vida, estou tão ferrada – e lágrimas transbordaram dos seus olhos. Eu fiquei parada um pouco encarando ela sem saber o que fazer, e então puxei-a para perto e a abracei. Minha cabeça girava vertiginosamente tentando procurar o motivo de tudo isso, mas eu não conseguia entender, então só fiquei abraçando-a até ela se acalmar o bastante para poder responder minhas perguntas.

Depois de (muito) tempo, resolvi tentar.

— Agora você pode contar para a titia aqui o que está acontecendo? – eu falei, ainda tentando deixar o clima leve.

Ela soltou uma risada incrivelmente sem humor.

— Titia, literalmente.

Ela está começando a delirar? Pode ser febre, não pode?

— O que você quer dizer, Amber?

Ela me olhou nos olhos, e eu acho que nunca tinha visto um olhar tão sério no rosto de Amberly.

— Você é titia, literalmente. Estou grávida.

Nesse momento, se eu não estivesse sentada, provavelmente teria caído.

Só podia ser uma pegadinha, ela disse que estava pensando em entrar para o clube de teatro da escola, então era isso! Ela devia estar incorporando uma personagem. Uma personagem bem imbecil aliás, ao contrário dela. Amberly nunca engravidaria nessa idade. Ela era mais esperta que isso... não era?

Enquanto eu achava uma resposta para aquilo tudo, ela estava me encarando com um olhar ansioso.

— Tudo bem, por que você não está partindo para a violência? Por que não está gritando? Pode gritar, eu sei que eu mereço – ela falou, me arrancando dos meus devaneios.

Eu soltei um risinho quase forçado.

— Você quase me pegou! E acredite em mim, se isso tudo fosse verdade, eu estaria gritando para valer – eu falei, e meu sorrisinho se desmanchou quase por completo quando ela não retribuiu, apenas franziu a testa. Então eu acrescentei: — qual é a da vez? Entrou mesmo para o clube de teatro? Olha, você tem talento mesmo, vai se dar muito bem.

— Elise, não, eu não entrei para clube nenhum. Eu estou te dizendo a verdade – ela continuava com o cenho franzido.

— Ah, claro que está. – eu disse, ainda duvidando dela. Ou seria... negando para mim mesma?

— Você sabe que está negando para si mesma – ela disse, como se lesse meus pensamentos.

— Só estou pensando numa explicação para não te achar uma completa imbecil. – quando ela arregalou os olhos e seu semblante desmoronou, percebi que tinha ido longe demais e tentei concertar – okay, imbecil não, desculpe. Descuidada? Provavelmente. Irresponsável? Muito. Ajudaria se você me explicasse de uma vez como isso aconteceu.

Ela revirou os olhos.

— Você provavelmente sabe muito bem como isso aconteceu.

Minha vez de revirar os olhos.

— Você sabe muito bem o que eu quis dizer, vamos, desembuche. Quando? Você está com quantos meses? Amber... quem é o pai dessa criança?

Nesse momento ela desviou os olhos dos meus, e isso não podia ser bom sinal.

— Segundo o médico, mais ou menos dois ou três meses – ela fez uma pausa, pensando no que falar — Hã, isso realmente importa? Mesmo se o pai não se pronunciar, eu vou enfrentar isso do mesmo jeito... sabe, é até melhor assim na verdade.

Dois ou três meses? Isso aconteceu nas férias, então? Mas não havia como, tínhamos passado as férias inteiras juntas, se ela saísse com alguém, eu perceberia. Mas sempre éramos apenas eu, ela e Scott. Albert, eventualmente quando seus amigos o abandonavam. Espera... Albert? Ah, não, Amberly.

— Você sabe que eu não vou deixar você ficar se desviando do assunto, não é? Então faça um favor a nós duas e acabe logo com isso.

— O pai é o Albert – ela disse, e eu fechei meus olhos com força.

Acorde, acorde, acorde! É só um pesadelo, só isso, e é você quem controla quando ele acaba, vamos, é fácil, é só abrir os olhos. Você consegue. Eu continuava entoando para mim mesma. Mas quando eu abri os olhos, uma Amberly com o rosto inchado por chorar o dia todo ainda me encarava. Me sentei na beirada da cama com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mão tampando o rosto, tentando absorver tudo o que havia acontecido.

— Titia, literalmente – eu disse finalmente, e então era a minha vez de rir sem um pingo de humor.

— Por favor, não nos mate – ela disse, e eu a olhei do espaço entre os meus dedos.

— Ah, não me tente, acredite, minha vontade de fazer isso no momento é muito grande.

— Elise, você não entende. Eu e o Al... –mas eu não a deixei terminar.

— E eu lá quero entender? Tudo que eu consigo pensar no momento é no tamanho da encrenca que estamos metidos porque os dois pombinhos não sabiam da existência de nenhum método contraceptivo. E você, já entender isso? – o tom da minha voz subia uma nota a cada palavra, o que fazia Amberly se encolher cada vez mais.

De repente seus olhos se arregalaram e ela se colocou de pé em um pulo. Começou a andar para lá e para cá com as mãos na cabeça.

— Ah não, não, não. O que eu vou fazer, Elise? Não quero que o pessoal da escola saiba, ainda mais a Kirova. Ela vai falar com a minha mãe. Minha mãe não pode imaginar, nem em sonho. Mas eu não posso ficar na escola, e eu não posso sair da escola. Elise, o que eu vou fazer? – ela não parava de falar e continuava a andar por todos os lados como um esquilo que tomou café. – E ainda se por um milagre eu conseguisse ficar na escola sem levantar suspeitas tem a questão de que essa criança vai sair. E eu nem sei se é permitido ter crianças aqui.

Ponderei a hipótese por um momento, minha cabeça rodando vertiginosamente enquanto procurava uma saída para essa situação. E de repente uma lâmpada imaginária se acendeu na minha cabeça... Não foi há alguns das que Al disse estar se mudando para Boston? Ah sim, a ideia era boa.

Maninho, você não é o único de mudança, pensei sarcasticamente.

— Bom, ninguém da escola vai saber. E ninguém vai precisar de permissão para nada.

Ela franziu a testa para mim.

— Como assim? Liss, não é muito fácil esconder um bebê.

— Ah, nós não vamos esconder nada, sua boba. – pausei para um dos meus sorrisos que significam um plano diabólico antes de terminar de explicar. – Não vamos esconder nada porque não vamos ficar na escola.

Notas finais
*surprise modafoca* E então? Cadê meu oi? Bjão da tia
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.