This Isn't an Happy Ending
12 Hi's Secret Place
Notas iniciais
POV'S Mason
– Sério Mason, onde você está me levando? – Elise disse, acho que pela milésima vez desde que arrastei ela para fora de seu quarto. Não posso dizer que o humor dela está dos melhores. – Se a Kirova, ou qualquer zelador fofoqueiro nos encontrar aqui, ficaremos limpando mesas até a formatura.
Estávamos caminhando pelo segundo andar do dormitório dos meninos, em direção a porta do quarto que eu divido com Scott desde que cheguei aqui, um pouco depois que fiquei sabendo que Elise tinha vindo para cá. Abri a porta do quarto e entrei, deixando-a para trás, parada e rabugenta na entrada. Scott estava deitado em sua cama lendo uma revista que tinha a Miley Cyrus na capa com sua pose de rebelde, ele se surpreendeu quando viu que Elise estava ali.
– Liss, você veio!
Eu estava de costas para ela, procurando minha mochila com coisas contrabandeadas do refeitório, por isso não pude ver sua expressão, mas sua voz não era da mais agradável.
– Não tive escolha, Clives. Ah, deixe-me perguntar uma coisa: como diabos você consegue aguentar Mason todo santo dia sem se afogar na privada?
Ouvi a risada de Scott, depois sua voz.
– A privada é muito longe.
– Ei, estou bem aqui, galera. Deixem para depois a reunião de “vamos falar mal do Mason!”. – eu falei, mas meu tom era brincalhão.
– Não dá, você não larga do meu pé o dia todo – Elise disse. Depois acrescentou: — Ei, anda logo com isso, antes que eu volte correndo para o meu quarto.
– Você não faria isso.
– Faria sim.
– Não faria não, agora se não se importam, me deixem em paz com as fofocas! – Scott disse, jogando um travesseiro em mim enquanto colocava a mochila nas costas.
– Pronto. Vamos deixar Clives em paz antes que ele coloque Selena Gomez no último volume para nos torturar.
– Ele seria um homem morto se fizesse isso.
– Ei, não falem da Sel! Ela é linda, canta bem...
– Okay, okay – Eu interrompi, puxando Elise mais uma vez e fechei a porta do quarto.
– Na verdade, Selena Gomez não é assim tão ruim. – Ela disse, timidamente enquanto descíamos as escadas para o térreo.
– Eu sei, tem uma ou duas músicas dela que eu ouço. Mas nada se compara com o bom e velho The Killers.
Ela riu, depois ficou em silencio enquanto me seguia até um alçapão, um alçapão bem conhecido por mim. Achei esse lugar logo que cheguei à Southwestern e me sentia um pobre excluído da sociedade, então eu entrava ali, ouvia músicas deprimentes e pensava na vida. Senhor, como eu sou clichê. Mas agora eu venho aqui porque... bem, não sei porque. Me sinto bem ali, e é um lugar onde não sou incomodado por ninguém. Fim da história.
Pulei primeiro, e a escuridão familiar me acolheu. Elise colocou a cabeça para dentro, depois voltou.
– É muito escuro. É alto?
Revirei os olhos e sorri, já que ela não podia ver.
– Não. Pula logo, menina.
– Acho melhor não, Mason.
Suspirei e me coloquei bem onde ela iria cair se pulasse e ergui os braços.
– Vem, eu te pego.
Eu podia sentir o cheiro de sua desconfiança. Meninas vão ser sempre assim, pensei comigo mesmo.
– Pega mesmo?
– Sim. Por que eu te enganaria?
– Bem... você é o Mason.
– Sim, sou o Mason, e você, quem é? — Ela riu, me fazendo sorrir no escuro – Confie em mim, vou te segurar.
E por fim, ela pulou. Aterrissou exatamente dois segundos depois em meus braços, ela ria como uma criança num balanço que vai cada vez mais rápido. Mesmo depois que ela estava estabilizada no chão, deixei minhas mãos em seus braços e minha mente girava vertiginosamente rápido para arrumar uma desculpa para que eu deixasse minhas mãos ali pelo resto da noite. Mas bem, eu provavelmente seria estapeado se tentasse fazer isso, então minhas mãos deslizaram por seus braços relutantemente e depois as enfiei nos bolsos da calça jeans para que não cometessem mais deslizes. Caminhei até o interruptor e assim que a luz tomou conta do lugar, Liss foi fazer o reconhecimento do lugar.
– Isso é um porão? – ela perguntou, mexendo em algumas caixas no fundo da sala que estavam esquecidas ali desde que eu comecei a habitar o lugar.
– É. Maneiro, não?
– Eu não sabia que a escola tinha porões.
– Ninguém sabe. Talvez no dormitório das meninas tenha também. – eu disse enquanto me jogava em um pufe em formato de bola de futebol que conseguiria suportar duas pessoas deitadas confortavelmente, ele costumava decorar o jardim de infância. Elise escolheu um rosa em forma de coração e se sentou ereta.
– Desde quando você sabe desse lugar? – ela perguntou, me olhando curiosa.
– Desde quando entrei, vinha aqui para me sentir melancólico.
– Você deixou de ser melancólico faz tempo, por que ainda vem aqui?
– Bem, eu gosto daqui. E posso me esconder das pessoas quando quero.
Ela sorriu, irônica.
– Pessoas tipo Natalie?
Dei uma gargalhada.
– Exatamente como Natalie.
Depois silencio. Eu nunca gosto de ficar em silencio perto de Elise, não sei por que, mas me deixa desconfortável. Bom, tudo que envolve Elise me deixa desconfortável, com aquele maldito frio na barriga que eu não tenho sucesso em ignorar. Um ser patético, isso que eu sou.
– Quer comer? – eu disse, deixando o frio na barriga bem no fundo da minha mente, quem sabe ele vá embora se eu mostrar que ele não me abala? – Trouxe salgadinhos, refrigerante e algumas fatias de pizza. Foi tudo que eu consegui pegar sem chamar a atenção.
– Parece bom – ela disse, depois se levantou e sentou no pufe comigo enquanto eu tirava as coisas da mochila.
Ela pegou um pedaço de pizza e mordiscou enquanto eu abria as latas de refrigerante e entregava à ela.
– Como está? – eu perguntei, apontado para a pizza.
Ela fechou os olhos, fingindo estar se deliciando.
– Deliciosamente velha. – e nós dois rimos. As pizzas são sempre do café da manhã, as que sobram vão para o jantar. Mesmo velha, muita gente ainda come. Ela me olhou de esguelha. – Não vai comer?
Balancei a cabeça.
– Meu estômago está estranho. Acho que é porque... – porque eu estou sozinho no porão com você e provavelmente vou fazer alguma merda – comi alguma coisa estragada, ou algo do tipo.
Ela me olhou, preocupada.
– Corro o risco de levar um banho de vômito? – ela disse num tom brincalhão, me fazendo rir e quase me afogar com o refrigerante. Depois sua voz saiu mais séria. – Tenho alguns remédios no meu quarto, você pode passar lá e pegar depois.
***
– Então... você me levou para conhecer o seu esconderijo secreto. – ela disse enquanto caminhávamos lado a lado em direção ao seu dormitório.
– É o que parece. Eu ficaria grato se você não compartilhasse isso com outras pessoas.
– Senão você teria que me matar?
– Pois é. Vai ser uma coisa difícil de se fazer mas... – à luz da lua o semblante de Elise era mais relaxado, mais doce, sem toda aquela pose de durona que ela tem. Estava completamente satisfeito com nossa noite, e posso chutar que ela também, já que não trocamos nenhum tipo de insulto e ela sorriu mais vezes que posso contar. Quando éramos mais novos, sempre arrumávamos um jeito de passar o tempo livre juntos. Costumávamos jantar, almoçar, ver filmes, ler – juntos, e eu não me dei conta de que sentira tanta falta de passar a noite assim com ela até hoje. Bem, claro que eu tinha vontade de ser como antes e tal, mas não sabia que era tanto assim. E estou feliz de tê-la de volta.
– Bem, então como eu amo ser uma criatura viva, vou fazer o possível e o impossível para que outras pessoas continuem sem saber da existência daquele lugar. – ela disse, me tirando dos meus devaneios de menininha.
– Sábias palavras, minha cara. – eu falei, ficando de frente para ela já que tínhamos chegado ao dormitório das meninas.
– Bem, mas eu tenho uma condição.
– Que seria... – deixei a pergunta no ar, ignorando, ou pelo menos tentando ignorar o maldito calor que crescia dentro do meu peito e se espalhava pelo meu corpo.
– Quero poder ir lá sempre. De preferência com você – ela disse, como se não fosse nada demais.
Não devia ser nada demais, certo? Éramos amigos, amigos dividem porões, não dividem? Então porque meu corpo todo se preencheu de uma alegria besta, meu coração começou a bombear o sangue mais rápido e eu sentia que estava hiperventilando?
Dei de ombros, parecendo o mais indiferente possível.
– Quando quiser, senhorita Zekklos.
Ela sorriu, um sorriso completo, e não o típico-meio-sorriso-da-Elise. De repente seu olhar mudou, não sei dizer, mas parecia que ela tinha se dado conta de como estávamos perto um do outro.
E então era esse o momento? Parecia ser. Meu peito parecia prestes a explodir caso eu não tomasse a iniciativa logo e meus pulmões pareciam não receber a quantidade de ar suficiente, então minha respiração era entrecortada e eu sentia borboletas no estômago. E então era só eu me abaixar um pouco e tocar meus lábios nos dela, não era?
Borboletas malditas, meu estômago não é a casa de vocês. Vão embora.
Eu me afastei quando apenas centímetros nos separavam. Beijei sua testa, porque lembrei que Elise adorava quando alguém a beijava na testa, e para disfarçar o misto de ódio e humilhação que borbulhavam dentro de mim.
Ela deu um sorriso afetado quando encontrou meus olhos e sem mais palavras subiu para o quarto. Fiquei olhando para sua janela por alguns segundos, depois comecei a andar, com as mãos nos bolsos e me odiando por ter perdido a oportunidade de beijar Elise, assim como na outra noite em seu quarto, quando lhe dei um beijo sem graça em sua bochecha.
A oportunidade perfeita, o clima perfeito, a noite perfeita e o que eu fiz? Joguei fora, como sempre.
Porra, Mason, pensei comigo mesmo, você sabe como fazer uma garota te odiar.
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