This Isn't an Happy Ending
2 Budy
Notas iniciais
É sério. Até um balcão foi colocado para servirem a bebida, e uns barmans bem lindinhos estavam atrás do balcão. Luzes hipnóticas dançavam pelo lugar todo, me deixando tonta e centenas de corpos se agitavam no que parecia ser a pista de dança da “boate” de Natalie. Yeah, eu tinha que admitir que aquela menina sabe como dar uma festa.
Me movendo no ritmo da música, que por acaso era Gypsy, da Lady Gaga, fui até o balcão e pedi uma bebida rosa que eu não sei o nome. Amberly se recostou ao meu lado.
– O que foi com Scott?
Dei de ombros.
– Não faço a mínima, mas você conhece ele. Daqui a pouco tudo se normaliza.
– Será? – seu olhar seguiu até uns pufes no canto mais afastado da sala. Ele estava sentado em um que tinha formato de coração, e sua expressão era de dar pena. Soltei um suspiro cansado.
– Vou falar com ele. Se minha bebida chegar, leve até lá.
Andei até ele.
– O que aconteceu, Scottie? – gritei por cima da música.
Ele ergueu os olhos.
– Nada – seus olhos voltaram pro chão. Céus. Nunca vou entender os gays. Me sentei ao seu lado e coloquei os braços em seus ombros. Ele deitou a cabeça no meu ombro.
– Se abre pra mim, Clives.
Ele respirou fundo.
– Zac não veio – ele disse, e quando o olhei, eu juro, seus olhos estavam marejados.
Tentei segurar, mas é impossível. Caí na gargalhada. Ele me olhou como se eu fosse louca.
– Que foi?!
Entre os ataques de riso, consigui dizer.
– Você está tão triste assim porque EU não vou perder a virgindade?
– Sim!
Ri tanto que lágrimas saíram dos meus olhos. Depois de muito, muito tempo consegui parar de rir. Scott estava com cara de paisagem.
– Olha, Scott, eu sinceramente não queria cuidar do assunto com V hoje. Zac na verdade me fez um favor. Não quero cuidar do assunto com V por muito tempo.
Ele me olhou, os olhos estreitos.
– Não quer?
Balancei a cabeça.
– Não. Olha, para falar a verdade, acho que eu não estou pronta ainda Scott. E também acho que quem tem que escolher a pessoa sou eu, e não meu amigo gay.
Ele riu finalmente. Eu acrescentei:
– Vamos dançar?
Ele me olhou surpreso.
– O quê? Você, dançando em público, na festa da Natalie? Essa é nova.
Eu dei uma risada.
– Decidi que uma vez que eu já estou no inferno, vou abraçar o capeta.
Quando estávamos indo para a pista de dança (a distância era de dois passos), Amberly se juntou a nós, com minha bebida rosa com um guarda-chuva e sorria nervosamente.
– Olha quem está ali. – ela disse.
Olho para o balcão do bar.
– Não. Não ali. Perto da porta.
Scott e eu seguimos seu olhar e ficamos boquiabertos.
Ali, com seus quase 2,0 de altura, seu cabelo preto como a meia noite cuidadosamente desalinhado e uma calça jeans que marcava todas as partes inadequadas e que parecia ter sido costurada no corpo de tão apertada, estava Mason Ashford.
– Oh, por favor, vire de costas – Scott torcia ao meu lado.
Ele percebeu que eu estava olhando, e com uma piscadela, limpou o canto da boca, como se estivesse babado, e riu. Mas é claro que eu não estava babando. Mostrei o dedo a ele e depois me virei.
Caralho, eu tinha esquecido que odiava tanto assim Mason. Mais ciente do que nunca de que o odeio fui com passadas pesadas para não sei onde, ladeada pelos meus queridos amigos que estavam com as mesmas caras sonhadoras por causa do idiota do Mason.
– Senhor Deus do céu, se Mason Ashford piscasse para mim, eu já estaria na porta dele. Pelaaaaaaaaaado. – Sim, ele arrastou a palavra “pelado” por milhas além de nós.
– Ah, calada, senhorita Clives. Você ficaria pelado pra qualquer um que piscasse pra você. Até para a sra. Summers.
Sra. Summers era nossa professora de sociologia, e cara, era a visão dos infernos. Ela é mais negra que a noite (não que eu tenha alguma coisa contra negros: eles em geral são bem dotados, se é que me entende. Ou sou eu que não entendo, já que ainda não dei nem pra um branco, ou negro pra comparar. Só sei pelo que as pessoas dizem.), aqueles peitos caídos e os dentes mais horríveis do mundo. Ela é uma daquelas velhas que morrem solteiras, sabe? Pois é.
Ele soltou um som estranho, como se estivesse prestes a vomitar.
– Ew, eu não ficaria pelado para ela. Nem por ela ser tão feia assim... Espera, é por que ela é feia. Mas ela tem uma vagina, e toda Lenox Hill, todo o Hell’sKitchen e a Southwestern Academy sabem que o meu negócio é pênis. Aceite isso, Elise Zekklos.
Eu ri.
– Viu, Amberly? Por que você não tem tanta certeza da sua opção sexual, assim como a srtª Clives?
Ela me olhou com uma confusão fingida, torcendo a boca.
– Não sei...
Revirei os olhos.
– Tá legal. A gente vai dançar ou não?
Scott olhou para o meu copo, depois para mim.
– E você vai tomar esse treco ou não?
Ainda não tomei nenhum gole da minha bebida rosa. Mas ela é tão fofinha para tomar... Tomei um gole. No mesmo segundo, tudo voou pela minha boca. Atingindo em cheio o rosto de... Mason.
– QUE CARALHO? – ele gritou, seu rosto todo respingado da minha bebida rosa horrível, enquanto eu soltei um “oops” involuntário.
– Não gostei da minha bebida. Pensei em jogá-la fora... Mas você estava mais perto que a lixeira. – Sério, eu não tinha a mínima intenção de cuspir em Mason, ta, para ser honesta, eu tinha em geral quando estávamos na Southwestern Academy. Mas eu nem me lembrava que ele estava aqui. Deus foi quem quis assim. Não foi minha culpa.
– Zekklos, eu poderia até fazer você pagar por isso aqui, mas – ele disse calmamente. Eu odeio quando ele fala calmamente enquanto está com raiva. É a única hora que eu começo a ficar receosa. Não que eu tenha medo dele ou algo assim, só não gosto. – Na Southwestern vai ser mais divertido.
– Vem com tudo, camarada – eu disse animadamente.
– Vamos ver se você mantém essa pose quando formos só eu e você.
– Sem problemas, camarada.
Ele se aproxima de mim.
– Sem Scott, sem Amberly. Você – ele aponta para mim, depois para o próprio peito. Sua camisa está toda respingada – e eu.
– Beleza, camarada – não recuei.
Ele estava puto, mas continuava falando calmamente.
– E não me chame assim. Não sou mais seu camarada.
“Não sou mais”? Ele nunca foi;
– E desde quando você era meu camarada, camarada?
– Quando eu começar a cobrar por isso – ele apontou para a sua cara molhada. – O eu do passado vai parecer seu melhor amigo, Zekklos.
Sorri travessamente.
– Veremos, camarada.
– Já disse para parar de me chamar assim.
Sorri mais abertamente. Uma pequena multidão já se aglomerava à nossa volta. Amberly e Scott estavam com os olhos esbugalhados.
– Desculpe, camarada.
Fale com o autor