This Is My Life
50 Histórias
Notas iniciais
Depois de uma noite apaixonada Lysandre trocou os lençóis que continham o sangue declarando que um pedaço da minha inocência tinha se perdido. Aí ele foi o maior querido do mundo. Tomamos banho junto abraçados. Depois de sairmos do banho, vestimos nossos pijamas e nos jogamos na cama.
— Recebemos um convite para uma entrevista depois de amanhã. Todos nós estamos ansiosos… só que…
— O quê?
— Eles disseram que tínhamos que trazer as nossas namoradas.
— E você vai me levar?
— Era isso que eu queria perguntar a você. Eu sei que eles vão falar sobre o que aconteceu com você e eu… eu…
— Não faz mal. Não preciso responder ao que não me agrada e as vezes eu sei dar muito bem as respostas vagas.
— Mas e se eles tentassem aprofundar?
— Deixa comigo amor. Sei cuidar muito bem de mim.
— Eu sei. E às vezes é isso que me deixa assustado.
— Como assim?
— Você é tão auto-suficiente. Não precisa de ninguém e às vezes eu me pergunto quando é que eu realmente vou cuidar de ti. Não é que eu queira dizer para te tornares completamente dependente de mim mas…
— Que confie a minha segurança em ti?
— Sim.
— Isso vai ser difícil porque apesar de viver numa casa desnecessariamente grande e com criadas, meus pais não estavam e eu nunca pedia nada a elas então com a ajuda de uma criada que eu nunca esquecerei, Anne, a governanta das criadas, eu cozinhava para mim, embora houvesse pessoas que lavassem minha roupa eu me toquei que se eu não fizesse nada eu seria como aquelas patricinhas que todo o mundo odeia então eu sempre deixava uma parte da minha roupa escondida para lavar por mim mesma e tinha que lavar à mão as vezes e assim fui me auto-educando. Eu já sabia que num período de três horas meu pai não chegava e eu poderia fazer o que me apetecesse mas eu não ficava em casa. Com o dinheiro que o meu pai me dava para esconder sua ausência eu comprei um skate e todo o material de protecção. É engraçado porque quando ele viu que eu comprei um skate perguntou: “Um skate? Para quê um skate se você não sai de casa?” Eu disse a ele que era para andar no jardim e durante um tempo andei mas era para praticar e quando eu finalmente dominava eu fugia de casa, chamava meus amigos e saiamos a andar pela cidade. Depois do que te contei que aconteceu com aqueles rapazes e que a directora depois os expulsou, no dia seguinte eu mudei completamente.
— Como assim?
— Roupas mais escuras, cabedal, já usava leggins. Antes era só saia. Mas eu estava assim para me proteger de predadores como aqueles que gostavam das fracas. E me saí bem. Fiquei com o pessoal da pesada lá da escola, entrava em confusão, acredites ou não já estive em guerra de gangues. Apanhei de uma garota mas aí eu meio que me obriguei a ter aulas de autodefesa. Cinturão negro em karaté, mas também pratiquei jiujitsu. Um pouco de boxe mas deixei depois de dois meses por ser muito violento.
— E não acha jiujitsu violento? Claro! – Disse ele no seu uso peculiar de sarcasmo.
— Mas em parte gostei um pouco. Dava para dar uns golpes nas inimigas. Elas que tentassem se meter no meu caminho. Fui expulsa dessa mesma escola e entrei em outra onde conheci Dake, Kentin e outros meus amigos. Fugia de casa todos os dias e claro que já te contei daquela vez que saí as duas da manhã para ir a praia. Acendemos uma fogueira e com marshmellows curtimos a noite a cantar canções. Foi divertido mas levei uma bronca e se não fosse minha mãe eu estaria num colégio interno. Ela pôs toda a culpa de eu ser daquele jeito em meu pai. Só que ela não sabia que também tinha culpa por estar noutro país por causa do emprego. Ele pediu que ela voltasse para discutirem bem esse assunto. Eles discutiam bem na minha frente. Um falando cada vez mais alto que o outro. Ainda me lembro bem do que disse a eles.
Flashback on
— A culpa é tua Derek! Não és um pai presente e rodeias a casa toda de empregadas! Certamente já deves ter me traído e nem dás satisfações a tua filha sobre a tua ausência!
— Sempre fui fiel a ti e Allison sabe que sou muito ocupado!
— Parem! – Eles dois olharam para mim. – O pai está sempre ausente e nunca me deixa sair e tenta cobrir a sua ausência com dinheiro e presentes mas deixa-me dizer-te que isso não anula a tua ausência ou me faz sentir menos sozinha e tu mãe! Acho que és a pior porque EU estive na tua barriga durante nove meses EU! Não o teu trabalho que tanto amas mais do que a tua própria filha pelos vistos. Quando vens para Australia são só duas semanas e nem sequer chega para matar toda a saudade que tenho. Mesmo quando estás aqui tratas do trabalho que está em França e acho que os dois esquecem de que têm uma filha. Pensam que sou uma boneca que podem simplesmente atirar para o lado e esquecer ali mesmo e quando ela reclama dão presentes. E depois querem admirar pelo facto a “vossa Allison” fugir de casa, meter-se em brigas, ser expulsa, andar com más companhias e tornar-se no que se tornou?! Pois podem ficar com o mérito pois eu sou o que sou graças a vocês. – Meus pais olhavam perplexos para mim.
— A minha bebé. – Ouvi minha mãe dizer num pequeno fio de voz. Dei as costas e fui para o quarto.
Flashback off
— Depois eles foram pedir desculpas e eu os perdoei mas não demorou muito até fazerem a mesma coisa até eu chegar a faculdade. Sempre quis viver com a minha mãe aqui mas meu pai não deixava. Minha mãe muitas vezes quis me levar e eu quis ir com ela mas meu pai não deixou. Quando ela quis levar isso a tribunal não sei como o meu pai arranjou maneira de silencia-la. Acho que bateu nela. Mas quando ela vinha passar um tempo lá era muito bom. O melhor era quando eu vinha para a sua casa aqui em França. Acho que era um dos poucos momentos bons da minha infância e eu sempre pedia para ver cada vez mais a ela em busca desses mesmos bons momentos.
— Devia ser muito má a tua infância.
— Devia? Foi muito má! Quiça1 terrível! Quem me dera ter uma infância como a tua. Viver no interior, conviver com os animais, acho que a única coisa que me faria falta seria a internet porque fica meio difícil a internet no campo mas depois eu me habituava e eu sempre quis deitar na grama e respirar o ar puro do campo que aliás é bem diferente do ar daqui e depois faltam poucos dias para o Natal e… Já sei! Tive uma super ideia! Podíamos passar o Natal na casa dos seus pais lá no interior!
— E os seus pais?
— Eu os convido também. Minha mãe sempre quis ir para o campo. O Leigh e você não passavam o Natal com seus pais?
— Sim mas nos encontrávamos em casa do Leigh.
— Agora vai ser em casa deles! Você pode avisar para eles que será lá. Vou pedir ao Leigh que leve a Rosa e falarei com os meus pais. Já está. Depois quando já estivermos lá você me apresenta os seus pais.
— Mas eles já te conhecem.
— Dessa vez vai me apresentar consciente, né? Ah vai ser tão divertido! Eu queria muito preparar a ceia com a Josiane e sentarmos à mesa todos felizes. Eu poderia levar um bocado de comida até a sua boca ou depois da ceia dançar com George. Ia ser demais!
— Admiro o seu conceito de “demais”.
— Mas ia ser mesmo muito giro. Depois poderíamos jogar jogos de tabuleiro e eu faria uma equipe com Josiane, minha mãe e Rosa e tu com o meu pai e George. Depois nós ganhávamos e eu dava um beijo de consolação a você.
— Hum, dessa parte eu gosto. – Ele me beijou – Acho que eu poderia ligar para meus pais para avisar.
— Yes! Vai ser sensacional!
— Se com sensacional quer dizer preparar a ceia com minha mãe, dançar com meu pai e jogar jogos de tabuleiro então sim. Sensacional!
— Tirou a graça toda ao que eu disse. Vou falar com meus pais e com Leigh ainda hoje! Vai ser o melhor Natal de sempre!
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