This Is My Life
42 Eu só quero ir para casa
Notas iniciais
Comecei a abrir os olhos lentamente. Vi os três a minha frente. Assim que recuperei totalmente os sentidos me afastei rapidamente deles.
– Hey! Estás bem?
– Afastem-se de mim. — Minha voz começou a esmorecer dando lugar ao choro inconsolável. — Eu só quero ir pra casa... por favor. — Abracei meus joelhos e comecei a chorar. Eu queria muito ver minha mãe e seus cabelos que cheiravam sempre a morangos. Meu pai que era um doce de pessoa. A Rosa, o Alexy sempre animador, a fofa Vio e o resto dos meus amigos. Queria voltar para minha casa. Queria voltar para Lysandre.
– Argh! Fala com ela Kyle! Tu é que és bom nestas coisas. — Ele e Clark saíram e Kyle se aproximou mas eu me afastei instintivamente.
– Não te preocupes. Sem eles eu não te faço mal.
– Como é que eu posso ter a certeza?
– Sei que gostavas de mim no liceu esses sentimentos ainda continuam?
– Nunca deixei de gostar de ti.
Ele se aproximava lentamente. Entendi o que queria. Precisava de uma aliança aqui e ele era o mais fraco. Me aproximei dele e o beijei. Aquele beijo não significava nada. Era como beijar uma parede. Só conseguia pensar em Lysandre.
– Por favor. Eu só quero voltar a ter a minha vida normal.
– Eu posso ajudar-te a sair mas vais ter que ser discreta.
– Sim. Obrigada. — O beijei de novo. Se eu mentisse pra ele talvez ele caia mesmo e estava a resultar.
❄❄ Um mês depois ❄❄
Já temos o local onde a Ally estava. Ryan nunca quis me dar a localização especifica com medo que eu faça um disparate. E talvez seja melhor assim. Tudo que tem a ver com a Ally exclui totalmente a minha sanidade do assunto.
– Diga-me então apenas quando vão atacar.
– Desculpa miúdo mas não posso.
– Quando chegar a hora eu poderei ir com vocês?
– Vou falar com o capitão para ver se ele autoriza.
– Muito abrigado.
– Fique aqui. Não demoro nada.
Tirei meu notebook da pasta e o liguei. Assim que o abri tinha um video. Chamei o detective Ryan e pus o video.
Video on
– Lys! Oi querido! Eu estou bem como vês mas é temporário. Tens apenas duas horas para entregares cinco milhões de dólares ou... ou senão eles matam-me. Espero que sejas rápido. Dou-te aquele beijo e aquele abraço que sabes que sempre dou. Não te esqueças que aconteça o que acontecer estarei sempre contigo.
Allison estava horrivel! Sentada numa cadeira e com o cabelo desengrenhado, olheiras espessas, nodoas negras por todo os lado e com um vestido branco encardido e com sangue. Meu coração parou nessa hora.
– Oi Lys! Ouviste-a? Sem policia e sem guardas. Só tu e o dinheiro. Encontramo-nos na Torre Eiffel as 3:00. Só tu e o dinheiro ou senão. — Nina pôs uma arma na cabeça da Ally. — Acho que consegues interpretar este sinal. Adeus!
Video off
– Eu tenho que ir.
– Onde vais arranjar cinco milhões de dólares?!
– Eu peço emprestado ao pai dela mas por favor deixem me fazer isto sozinho.
– Não podemos. Pode ser uma cilada. Assim que conseguirem o dinheiro matam a Allison.
– E como não vão dar por vocês?
– Nós temos o nosso jeito.
– Ok. Vou mostrar. Aos pais de Ally.
Tamara via o video com lágrimas nos olhos e Derek totalmente calado e com um olhar distante. Quando o video acabou eu desliguei o computador.
– A minha bebé.
– Eu dou o dinheiro.
–Mas querido onde...
– Eu tenho que chegue. Cinco milhões não são problema para mim.
– Ela exige que eu vá entregar sozinho mas o FBI diz que há o risco de ser uma cilada. Que depois de conseguirem o dinheiro eles matam a Allison.
– Pode ser. Vamos com a polícia.
– Sim. A Nina pode ser muitas coisas mas não é assassina.
POV Lysandre off
– Na noite em que estivermos a levar-te para receber o dinheiro a Nina pretende matar-te.
O quê?! Pensei que ela não fosse capaz!
– E como vamos fazer? — Eu falava com Kyle.
– Eu posso levar uma arma comigo e aí conseguimos escapar.
– Mais uma vez obrigada por tudo.
– Não tens de quê. Mas agora. Tenho que ir. Adeus.
Ele saiu do quarto e eu fiquei a contar que Lys aparecesse com a polícia. Sei que se aquela cabra se aperceber pode matar-me mas vale apena o risco. Viver a vida ao extremo. Não é?
Passaram-se mais alguns minutos até a porta do meu quarto abrir bruscamente e Kyle entrar. Chegou até mim e deu-me um tapa na cara com toda a força.
– Sua cabra mentirosa!
– Do que é que estás a falar?
– Tu mentiste-me. Disseste que me amavas e eu acreditei em ti! A Nina disse que namoras com esse tal de Lysandre pois agora bem podes esquecer esse acordo. — Eu olhava para ele com surpresa. Aquela vaca iria matar-me assim que receber o dinheiro. Comecei a rir da cara dele. Não sei o que me deu mas achei muita graça que alguém pudesse cair em um truque assim. — Achas que tem graça?
– Tem. Eu não te amo! — Disse com a voz arrastada. — Eu amo o Lysandre. Sou louca por ele. Faço tudo e mais alguma coisa para o ver sorrir. Ele sim é um homem de verdade. Tu bates em mulheres para ganhar dinheiro. Não tens vergonha. — Eu engatinhava na minha cama para mais perto dele que estava de pé na frente da mesma. — E se eu morrer amanhã como dizes a última coisa que quero ver é a sua cara. Os seus olhos heterocromáticos, a sua forma de vestir peculiar e a sua voz calma quase monótona que embala todos os meus sonhos. Fico imaginando mil e um finais felizes para esta situação e em todos eles eu estou casada com Lysandre. Então não. Eu não te amo.
– Rapazes! — James e Clark vieram.
– Vamos dar cabo dessa vaca.
– Dê o vosso melhor cabras! — Gritei e Kyle me empurrou da cama. James me acertou com um bastão nas costas. Clark levantou-me e James acertou-me novamente com o bastão só que agora na cabeça. Caí e me rastejei até longe mas comecei a tossir sangue e a vomitar também. O liquido vermelho estava em todo o lado. No chão, nas minhas roupas, nas minhas mãos, no nariz, boca, enfim. Eles pararam de me bater mas também não me ajudaram. Tentei me pôr de pé me apoiando na parede mas caí e apaguei.
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