Things We Lost in The Fire

14 4x14 - You Can Stay With Me Forever


Notas iniciais
Oi gente! O título do capítulo significa "Você pode ficar comigo para sempre", e ele está relacionado com as duas partes desse capítulo. A minha primeira semana de aula veio como um wrecking ball na minha vida, e eu ainda to procurando o que foi que me atingiu. Não sei se foi a professora-encapetada da farmaco (se vcs lembram dela dos comentários de The Devil Within e Hell & Consequences, ela está de volta com 6 horas aulas semanais, trazendo a terapeutica, medo, terror e destruição mas talvez eu aprenda a prescrever receitas) ou o fato que é o sexto periodo (eu) quem faz os exames genicologicos no ambulatorio e os pediatricos nos centros de saúde... Boa leitura!

Você acredita no amor,

Assim como eu acredito na dor?

Ninguém morreu por você

Alguém reze por mim

Seether

4 de março de 2008, Beadford, Iowa.

Sam entrou no quarto de motel; seu celular tocou. Era Dean.

–Sam! Onde você esteve? – falou o Winchester mais velho, nervoso. Estava dirigindo e preocupado com o sumiço do seu irmão.

–Com Cara.

–É Cara agora? E por que você não está atendendo seu celular?

–Nós estávamos tentando encontrar as amostras de sangue, alguém as roubou.

–É, eu aposto que sim!

Os dois Winchester estavam tensos e violentos, a ponto de gritarem um com o outro no telefone.

–O que você quer dizer com isso?

–Nick achou pétalas de flores nas cenas dos crimes. Jacintos. Uma flor mediterrânea, da ilha em que essa maldita lenda de sereias começou a principio... Eu pesquisei sobre essa Cara. Ela está morando aqui há apenas dois meses. E ela tem um ex-marido, um ex-marido morto. Caiu como uma pedra, sem aviso. Supostamente de ataque cardíaco.

–Bem, talvez foi um ataque cardíaco – falou Sam, sem paciência nenhuma para Dean. – eu não acho que seja ela. Eu tenho esse pressentimento...

–Pressentimento? Eu estou de dando fatos aqui, e você me vem com pressentimentos?

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, ambos sentindo muita raiva. Fúria. Não se suportavam mais.

–Você transou com ela? – percebeu Dean. Sam falou “não”, o que só confirmou o que Dean já sabia. – merda. Você transou. No meio de todos esses casos de homens mortos. Sam, você pode estar no meio do feitiço dela agora mesmo!

–Cara, eu não estou sobre o feitiço dela – falou Sam. Estava tão cansado do drama de Dean.

–Inacreditável. Eu apenas não entendo isso.

–O que?

–Nada.

–Não. Fale.

–Não é... – e Dean falou, sem se conter o que estava na cabeça dele – o que tem acontecido ultimamente com você? Primeiro Ruby, agora Cara... Parece que você gosta de transar com monstros.

–Dean, eu estou dizendo para você, não é ela. Eu me sinto bem. Você não confia em mim?

–Não, porque pode ser a Sereia falando.

–Olha, Dean, me diga onde você está, eu vou encontrar você e vamos investigar isso juntos.

–Não.

–Você está falando sério?

–Eu não queria estar falando sério. Eu vou lidar com isso, Sam. Sozinho.

–-

Mais tarde.

Sam ligou para Bobby e tentou continuar a investigação. Dean estava pirando, mas ele sabia que Cara não era a sereia. Era obvio que Dean implicaria com ela, porque Dean queria que Sam voltasse com Alicia. Se não era Alicia, Dean reclamaria. E, embora Dean não tenha mencionado, Alicia não era humana. Sam não sabia direito o que sentir sobre isso. Dean estaria certo?

Ele abriu a porta do quarto de motel, pois como não saia do lugar no caso, resolveu voltar para lá, esperando que Dean estivesse.

O agente do FBI Nick Munroe estava sentando numa das camas.

–O que você está fazendo aqui? – perguntou Sam, confuso. Dean veio de lugar nenhum, pulando em cima de Sam e colocando uma faca no pescoço do mais alto.

–Vou te dizer, você é uma stripper muito feia – falou Sam para Munroe, tentando permanecer calmo.

–Sim, talvez. Mas eu consegui exatamente o que eu queria. Eu consegui Dean.

–Dean, esse não é você — disse Sam, olhando para o irmão – você pode lutar contra isso.

–Por que você não o corta? Só um pouquinho, no pescoço, bem ali — e Dean obedeceu a Sereia – Dean é todo meu.

–Você o envenenou – falou Sam, com asco.

–Não. Eu dei a ele o que ele precisava. E não era uma vadia de fio dental. Era você, o irmão para protege-lo, em quem ele poderia confiar. E agora ele me ama. Ele faria qualquer coisa por mim. E vou te dizer uma coisa, Sam... Esse tipo de devoção, assistir alguém matar por você... É o melhor sentimento do mundo. Mas bem, você saberia isso. Dean... E Alicia. Ambos o amam, morreriam e matariam por você. Mas você não liga muito para isso, não é mesmo? – Nick, a sereia, deu um sorriso – esse apocalipse... me deixa entediado. Eu não quero guerra. Tudo o que eu quero é me apaixonar, e me apaixonar, de novo e de novo e de novo...

–Eu já conheci alguns filhos da puta nojentos, mas você... Você é um perdedor patético.

–Você não vai se sentir assim em um minuto.

Munroe agarrou o rosto de Sam, obrigando ele a ficar de boca aberta. Ele levantou a língua e de baixo dela, espirrou um liquido que caiu direto na boca de Sam. Ele cuspiu, mas sabia que não adiantaria: tinha engolido a toxina.

Dean e Sam se encararam, parados frente a frente. Munroe sorria de orelha a orelha.

–Então, eu sei que tem muita coisa guardada em seus corações. Por que não discutir isso? E quem sobreviver pode ficar comigo... Para sempre.

–Bem –disse Dean – eu não sei quando começou. Talvez quando eu estivesse no Inferno. Mas o Sam que eu conheço, ele se foi. E não é do sangue de demônio que há em você ou aquele lixo de poderes psíquicos... São as pequenas coisas. Os segredos. As mentiras.

–Ah, é? – respondeu Sam, de forma agressiva — que segredos?

–As ligações para Ruby, para começar. Você transando com ela. Mentindo para mim... E mentindo para Alicia.

–Então eu preciso anunciar para você toda vez que faço uma ligação?

–Esse é o ponto. Você está escondendo coisas de mim. O que mais você não está me contando?

–Não é da sua conta – respondeu Sam. Desde quando Alicia descobriu sobre ele e Ruby, Sam tinha voltado a tomar regularmente o sangue de demônio. Ele precisava ficar forte para salvar o mundo, para impedir Lilith. Se Dean não queria entender isso, então não era da conta dele.

–Está vendo o que estou dizendo? Nós costumávamos estar nessa juntos. Um protegia o outro.

–OK, está bem. Sabe por que eu não conto para você sobre Ruby e como nós estamos caçando a Lilith? Porque você é fraco demais para ir atrás dela, Dean. Você me atrasa. Eu sou um melhor caçador do que você é. Mais forte, mais esperto. Eu posso enfrentar demônios que você tem medo demais até para chegar perto. Você fica ocupado sentindo pena de si mesmo. Resmungando sobre todas as almas que você torturou no Inferno. Buuuu...

Um pulou sobre o outro, começando a trocar socos.

–Você não vai mais ficar no meu caminho! – gritou Sam. Dean se jogou em cima de Sam, o empurrando. Os dois passaram pela porta e caíram no corredor. Dean fica por cima de Sam, o prendendo no chão. Ele quebra o vidro de emergência e consegue um machado, olhando fixamente para Sam no chão, o machado na mão, pronto para ser usado.

–Faça isso por mim, Dean! – grita a sereia, deliciada com a briga.

–Me diga de novo o quanto fraco eu sou, Sam – falou Dean, a voz modificada pelo ódio que sentia – Como eu o atraso. Me diga.

Dean levantou o machado, pronto para usá-lo em Sam. Sam colocou seus braços em frente ao rosto. Quando Dean vai baixa-lo, não consegue.

Bobby segurava o machado e em seguida, o jogou longe. Monroe correu pelo corredor, gritando, incentivando eles continuarem a briga.

Bobby foi mais rápido, empurrando a criatura no chão e enfiando a fraca de bronze no peito. Ele perdeu a forma humana, revelando o monstro que realmente era.

–-

–Alicia esteve em casa há uns dias – falou Bobby, entregando duas bolsas de gelo para Sam e Dean, sentados na cama do motel. O corpo da sereia estava agora no porta-malas do carro de Bobby — e tenho que te dizer, Sam, eu não sei o que você está pensando... Mas com certeza é merda, seu idjit. Espero que você crie juízo logo.

–Obrigado, Bobby – falou Sam, sem saber mais o que dizer. Por que de repente todo mundo tinha decidido que podiam dar palpites no relacionamento dele com Alicia? Eles não conseguiam ficar juntos.

A única coisa que importava agora na vida de Sam era matar Lilith, nem que ele morresse tentando. Aliais, desconfiava que morreria tentando – mas pretendia levar Lilith com ele.

–Onde ela está agora, Bobby? – perguntou Dean.

–Ela me disse alguma coisa sobre ver um padre... Na Itália.

–-

03 de março de 2008, 20 horas, Detroit, Michigan.

Alicia começou a beber o terceiro copo de café. Já tinha tomado um cappuccino, café latte com baunilha e agora estava tomando um caramelo macchiato. Elas já estavam atrasadas há mais de meia hora e isso era preocupante.

A porta da cafeteria se abriu, trazendo uma rajada de vento frio para dentro e Alicia suspirou aliviada ao ver a loira, com seus cabelos lisos e compridos, usando um casaco vermelho. Ela veio direto até a mesa de Alicia.

–Quero dizer uma coisa – ela começou – eu sou boa. Eu rastreio qualquer coisa e qualquer um. Mas essa Ruby...

–Está em lugar nenhum. – falou Alicia – não pude acha-la também.

–Ela é uma bruxa-demônio. Deve estar usando todo o tipo de magia para se ocultar...

–Eu tentei guardiões também. – confessou Alicia. – não faça essa cara de surpresa. Eu sei o que significa um guardião. Eu sei que é magia pesada. Mas precisamos matá-la.

A porta do café se abriu novamente. Segundos depois, Anna puxava uma cadeira na mesa delas.

–Não consegui nada. – falou a ruiva – onde quer que Ruby esteja, está muito bem escondida.

–Nós precisamos acha-la e logo – repetiu Alicia, com urgência. – eu não sei o que ela está planejando, mas a merda é grande.

–Como Sam reagiria se Ruby aparecesse morta? – perguntou Anabel. Ela estava sempre fazendo as piores perguntas, as mais difíceis de serem respondidas. Isso era uma das coisas que Alicia gostava nela.

–Mal e eu não me importo – falou Alicia – isso não é uma crise de ciúmes minha. É para o próprio bem dele, ele concordando com isso ou não. Sam está sempre resmungando sobre como quer tomar suas próprias decisões, mas quando o deixamos livre, ele caga e senta em cima.

–Se matarmos Ruby – falou Anna – Sam estaria livre da influencia dela. Poderia pensar por si próprio... Acredito que todas concordamos que o comportamento de Sam é por causa de Ruby.

–Claro que é. Desde que ela surgiu na nossa vida – concordou Alicia, o olhar distante, lembrando – Sam começou a agir diferente, começaram as mentiras. Acreditem, eu conheço ele a minha vida toda. Ele nunca foi um mentiroso. E então surge Ruby, e de repente ele está dizendo que vai comprar comida, mas foi se encontrar com ela.

–O que faremos então, se a vadia do inferno sumiu do mapa? – perguntou Anna.

–Eu preciso que vocês continuem procurando. Infelizmente não podemos ter mais ajuda, porque quanto mais pessoas sabem, maior a chance de chegar aos ouvidos de Ruby. Eu já usei guardiões para tentar encontra-la... Mas façam o que for preciso para achar essa vadia.

–E se seguirmos Sam? – sugeriu Anabel – eu já fiz isso antes e ele não percebeu.

–Ele está mais esperto agora. – falou Alicia – vocês podem tentar, podem tentar até mesmo rastrear as ligações dele para ver se encontram de onde a vadia liga. Façam isso. Mas cuidado. Infelizmente... Não temos como confiar nele. Eu não quero que vocês se machuquem. Ele está cego pelos feitiços dela.

As duas outras concordaram; Alicia estava encarando o copo de café, parecendo completamente exausta. Era visível o quanto estava triste e infeliz. Anna e Anabel sabiam o quanto a morena estava sofrendo por toda aquela situação, o quanto ela estava sofrendo por Sam. Alicia estava visivelmente destruída.

Anabel ainda tinha suas duvidas se Sam era realmente apenas uma vitima de Ruby. Claro, era inegável que a bruxa andou fazendo feitiços, mas Anabel não conseguia acreditar que Sam era completamente uma vitima. Ele era um caçador experiente, devia saber dos riscos que corria. E ainda assim, escolhia corre-los.

Não era hora de tratar isso com Alicia, no entanto.

–O que você vai fazer agora, Alicia? – perguntou Anabel.

–Eu tenho assuntos a tratar... Na Itália. E aliais, já estou atrasada. Eu vejo vocês em alguns dias.

Ela sumiu no ar com um delicado barulho.

–-

4 de março de 2008, 2 horas da madrugada, Roma, Itália.

Alicia pousou em meio a uma praça vazia. Era uma noite gelada de fevereiro, mas estava menos frio do que estava em Michigan. Sabia que padre Francesco estaria esperando por ela. Avançou até a Igreja escura e silenciosa. Era uma pequena Igreja localizada na periferia de Roma. Alicia subiu os degraus da igreja e ao chegar no imponente portão, ela virou a esquerda, para onde estava localizada a casa dos padres. Apenas uma tinha a luz acessa.

Ela bateu na porta e ela foi aberta imediatamente. Francesco, deveria ter por volta de 70 anos agora, era alto e magro, cabelos brancos como a neve e olhos muito azuis.

–Alicia, mio caro. É tão bom vê-la novamente! – falou, num inglês carregado de sotaque italiano. – entre, entre.

Alicia entrou. Fazia seis anos que não se viam, mas sempre mantiveram contato. Não frequente, claro, mas Alicia sempre procurava dar notícias. Ele a tinha salvo dela mesmo, dado um objetivo para ela viver novamente.

–Os anjos estão na terra – ele falou, enquanto se sentavam numa mesa. A lareira estava ligada. Francesco serviu duas canecas de chocolate quente. – eles chegaram em setembro. Há quantos milênios isso não acontece?

–Eu tenho tanto para contar. – falou Alicia. E então ela começou: Asmodeus, sua mãe, que era uma anja, Rebekah. A profecia. O Apocalipse.

–Você já ouviu alguma coisa sobre isso, padre? – perguntou ela, por fim. Tinha perdido a noção de tempo: Francesco era um bom ouvinte e Alicia precisava desabafar. Não escondeu nada. Nem sobre Sam.

–Eu sempre soube que você era especial, Allie. Desde o primeiro momento que a vi. Não sabia que seria tão importante assim. Você sabe que dediquei a minha vida a estudar a biblioteca secreta do Vaticano. Há profecias sim. A Bíblia fala do Anticristo, que governará durante sete anos antes da batalha final.

–Eu sou o anticristo?

–Não, claro que não. Sabe que esse termo é usado para referir a qualquer filho de demônio e humano. Na Bíblia, tem um significado diferente. Na Bíblia, tudo é simbólico.

–O que isso quer dizer? Eu me sinto tão perdida.

–A verdade escondida... Nos evangelhos perdidos... É uma teoria que diz que nem Miguel nem Lúcifer seriam capazes de vencer a batalha final, um destruindo o outro, e o mundo como ele é feito. Você mesma sabe que não é apenas de anjos e demônios que vive o universo. Não dá para acreditar na versão deles. A versão dessa profecia, parece mais completa.

–Espere. Eu tenho que deixar o Apocalipse acontecer? Eu tenho que permitir que o mundo seja destruído?

–Essa é uma interpretação. Podem existir outras. Talvez você possa entender que sua missão seja impedir o Apocalipse. Alicia, o Apocalipse muda tudo. As criaturas não serão as mesmas depois. Talvez você possa reorganizar o mundo, controlar as criaturas. Destruir o que é mal.

–Eu tenho o mal em mim.

–Você tem o bem também. Você é o equilíbrio.

–Isso são utopias – falou Alicia – eu não quero nada disso. Eu sou... Uma caçadora. Disseram para mim que eu tinha uma escolha. Eu quero escolher não me envolver. Mas isso continua me perseguindo... Voltando para mim. Exigindo minha atenção.

–O que dizem sobre destino é... Que quando há um, todas as nossas escolhas nos levam a ele.

–Eu gosto do poder – admitiu Alicia – eu gosto de ser temida. Tem essa coisa dentro de mim... Pedindo para que eu vá a luta. Pedindo para eu escolher a guerra, os reinos, para eu seguir esse caminho. Eu desejo isso. Mas eu temo... Eu temo todo o poder que eu tenho, eu temo ser um monstro.

–Alicia, a essa altura você já deve saber melhor do que ninguém... Que todos nós somos monstros, assim como somos humanos também. O mundo não é preto e branco. Você pode usar seus poderes para o bem.

–Parar o apocalipse. Ajudar as pessoas. – murmurou ela, sentindo um pouquinho de esperança – construir um mundo melhor... Para criaturas e para humanos. Mas e a profecia?

–A profecia só se cumpre se você escolher isso. Se você escolher que o melhor é invadir seis reinos e dominá-los. Você pode não escolher isso. Pelo que você contou, quase ninguém sabe dessa profecia. Só sabem que você é a rainha prometida... Mas prometida a que? Você é única, carrega bem e mal dentro de si, tem um poder incrível. Você é prometida para mudar o mundo. Não necessariamente para destruí-lo.

Alicia deu o primeiro sorriso sincero em muito tempo. O alívio era grande. Mas havia outra coisa incomodando.

–Padre, o que o senhor sabe sobre almas gêmeas?

–Existem várias formas de amor... E várias formas do amor romântico. Aliais, nem todas almas gêmeas são marcadas com o amor romântico.

–Eu e Sam somos? – ela falou, mesmo sabendo que talvez o padre não pudesse responder – porque as vezes acho que somos marcados com o amor trágico. Ou qualquer outra coisa assim. Nada dá certo para nós.

–O amor de duas almas gêmeas é a força mais poderosa que existe no universo. Não é a toa que a magia que protegia você estava construída em cima disso. Significa que, na origem de tudo, suas almas foram criadas exatamente no mesmo instante.

–Eu cheguei a pensar em tentar refazer o feitiço que me transformou em humana... Mas como poderia dar certo se tudo entre eu e Sam está completamente destruído? Eu não vejo como eu posso voltar a confiar nele algum dia.

–Eu tenho certeza que vocês vão encontrar um caminho – falou Francesco.

–Como pode ter tanta certeza disso?

–Porque esse é o único jeito. Vocês são almas gêmeas que se encontraram; se permanecerem separados, estarão indo contra a ordem natural das coisas. Isso é... A morte. Para você e para Sam.

Alicia estava frustrada e furiosa. Aquele não era exatamente o rumo que ela esperava daquela conversa. Ela sabia que nunca mais confiaria em Sam de novo. Ela não queria mais Sam em sua vida, aquilo era um direto dela.

–O que eu realmente quero saber é se tem como desfazer isso. De ser alma gêmea.

Francesco pareceu muito surpreso. Aquela ideia era simplesmente absurda. Alicia não precisou que ele respondesse, podia ver pela expressão dele.

Mas Alicia já tinha tomado uma decisão: iria acabar com aquela ligação entre ela e Sam. Não era normal. Era sufocante. Era simplesmente errado você ser obrigado a ficar com uma pessoa com quem só brigava.

–Isso não está certo. – ela disse, depois dos minutos de silencio – encontrar sua alma gêmea não deveria significar felicidade? Que é exatamente o oposto o que eu e Sam temos. Nós erámos felizes, sabe? Antes, de tudo. Eu e Sam erámos melhores amigos. Nós falávamos sobre tudo e sobre nada e confiávamos plenamente um no outro. Eu sabia o que ele sentia por mim. E eu sabia o que eu sentia por ele. Mas eu pensava que... Bem, nós crescemos juntos, desde bebê. Erámos também uma família e eu tinha medo do que John diria. Então aquelas coisas começaram a acontecer comigo. E Sam queria ir embora para a faculdade e queria que eu fosse com ele. Hoje, se eu pudesse voltar atrás, eu teria ficado. Teria ido com ele para Stanford. Azazel não poderia me matar. Eu tenho certeza que eventualmente o sobrenatural bateria na nossa porta, mas... Sam não teria um motivo para me odiar.

–O que falta entre vocês é perdão.

–Não é mais o suficiente – ela respondeu, e tentou secar as lagrimas, para que não saíssem. Ela inspirou fundo – não há mais espaço para perdão aqui. Acabou, entendeu? Eu e ele não podemos deixar ir, mas temos que. Ele me magoa, eu magoo ele e isso nunca termina.

Ela soluçou.

–Tem que terminar. Não é justo eu e ele sermos condenados a sermos infelizes um com o outro. Eu preciso deixar ele ir.

–Alicia, você sabe que não é tão simples assim...

–Por quê? – perguntou ela, e o que sentia era raiva – por que eu não posso seguir em frente num relacionamento que só me faz mal? Sam me traiu. Eu não posso e não quero perdoar isso. Eu não me odeio tanto assim para me obrigar a continuar sofrendo. Eu tenho que descobrir uma maneira, de sei lá, parar de amar o Sam.

Alicia chorava, soluçando muito. Ela queria dar um jeito de sumir com aquele buraco, aquele vazio doloroso e solitário que a cada dia crescia mais e mais dentro dela. Ela temia que aquele vazio de solidão englobasse tudo.

–Eu achei que ele esperaria sabe? Eu não sabia o que eu estava fazendo. Eu achei que ele podia tentar me entender, me amar pelo que eu era. Tentar confiar em mim, que no fim das contas eu não o abandonaria. Mesmo quando eu estava longe, eu queria voltar. Mesmo quando eu tinha medo. Eu sempre tive medo do que eu sentia por ele. E agora, que eu não tenho mais medo, é tarde demais.

–Você sabe que parar quebrar a ligação que existe entre você e Sam... Que é a magia mais antiga e poderosa que existe... Você terá que usar magia negra. Muito negra.

Alicia não respondeu. Ela inspirou fundo várias vezes, tentando controlar a crise de choro. O quanto longe ela iria para separar ela e Sam definitivamente? Por que ela sabia, que se ela não fizesse alguma coisa, eles voltariam a cair naquele ciclo, de ficar juntos e brigar.

Como perdoar? Sam não era muito bom nisso. Sam era especialmente bom em vingança. E ele estava realmente fazendo uma bela vingança contra tudo que Alicia já tinha feito... Se ele queria magoa-la, tinha conseguido.

Que tipo de amor era esse?

Alicia, então, tomou sua decisão.

–Eu vou fazer o que eu tenho que fazer.

Notas finais
Oi, amores. Como vocês podem ter percebido, esse capítulo é dividido em duas partes A primeira parte é baseada no 4x14 – Sex and Violence. Eu acho que essa cena da briga de Sam e do Dean é uma das partes essenciais da temporada, porque mostra o quanto a relação dos meninos está destruída... O quanto o comportamento do Sam está afastando as pessoas que ele ama dele. Como já foi mencionado em outros capítulos, Sam está muito diferente. Sabemos que é por causa de Ruby e da fixação por matar Lilith. Falando em afastar-se de Sam... Pois é, Allie não conseguiu achar Ruby, por isso voou até a Itália, encontrar com o padre Francesco, que é citado a primeira vez no capítulo 10 de The Devil Within (2x10 – The Sun Burn as Hot as The Flame in the Devil’s Eyes). E o que ela queria? Conversar sobre destino, sobre o apocalipse, e principalmente, sobre almas gêmeas... O que Alicia quer é saber mais sobre o amor dela e de Sam. Ou melhor, um jeito de terminar com isso... Calma, confie em mim. Eu prometo para vocês, mais uma vez, que Sam e Alicia vão sair desse inferno que vivem. mas sabem... a hora mais escura vem antes do sol nascer. estamos na hora mais escura. comentários? Ps: o vestido é branco e dourado. Ps2: o capítulo 15 está pronto, mas nem comecei o 16 porque meu notebook foi pro conserto. To esperando ele voltar.