Things Change

2 O Internato: Um Novo Reinado


Notas iniciais
Boa leitura!

De malas prontas em frente aqueles enormes portões, parecia uma prisão de estudantes entre quinze e dezoito anos, a idade do ensino médio. Como eu estava no último ano tinha que fazer valer a pena e nada melhor do que esquecer o material no primeiro dia de aula.

Despedi-me de minha irmã e fui recebido por um grupo de garotos que, logo na entrada já me olhavam esquisito provavelmente por causa dos meus olhos. A diretora também olhou feio, só que para eles repreendendo-os.

— Garotos quero que dêem as boas vindas ao Senhor Grey, ele estará no mesmo dormitório que vocês — disse a diretora.

— Saudações Senhor Grey! — todos disseram ao mesmo tempo, o que me assustou.

— Saudações — disse com um sorriso forçado.

Eles começaram a andar e eu os segui calado, um deles apresentava os espaços que passávamos direção ao dormitório. Cara que lugar gigante! Acho que eles perceberam pela a minha cara de surpresa e tipo "oloko meu!" Eles não paravam de me olhar estranho, acho que é por causa da cor dos meus olhos, achavam que eu era biba mas nada falei apenas estava a escuta do tour pelo prédio.

No dormitório eles me deixaram a vontade, ainda era umas sete horas da manhã e as aulas só começariam lá pelas oito horas então estava tranquilo para descansar e arrumar minhas coisas. Ouvir a porta se abrir e virei rápido, era um dos meninos que me acompanhou, deve ter esquecido algo ou sei lá. Ele se aproximou, estava bem visível a minha cara estranha.

— Você é gay? — perguntou sem mais nem menos, fiquei mais confuso.

— O quê? Por quê? — perguntei mesmo tendo uma ideia do motivo.

— Seus olhos são rosa, quem usa rosa? — eu também queria saber.

— Não são lentes de contato, essa é a cor natural deles — o garoto ficou de boca aberta.

— Mentira! — disse surpreso — Nunca vi ou nem sabia que existia essa cor de olho!

— Tem uma primeira vez para tudo — não vou brigar com ele, até porque eu também faria a mesma pergunta se visse um garoto de olhos rosa.

— Verdade. Perdoe-me o incômodo Senhor Grey — nos países a fora é comum os outros te chamarem pelo sobrenome, aqueles que te chamam pelo primeiro nome são os mais íntimos. Por mim não havia necessidade de me chamar de Senhor Grey, não estou acostumado a isso.

— Parceiro não precisa me chamar assim, pode me chamar de Johnny já que dividiremos o mesmo quarto.

— Johnny de Jonathan? — boa garoto!

— Isso! Pode usar qualquer um dos dois, não me importo.

— Eu vi a sua ficha, seu primeiro nome é Quartzo — droga! Com isso me importo é muito.

— Sim, mas não gosto muito dele. Prefiro Johnny mesmo — tentei disfarçar, juro que se ele me chamar de Quartzo taco ele num poço!

— Como preferir Johnny, sou Andrew Johnson — ele estendeu a mão e eu o cumprimentei, tinha que ensina-lo um "HI-5".

Acho que fiz um amigo no primeiro dia, isso significa sorte. Só de conversar com o Andrew já identifiquei sua personalidade: honesto, estudioso, jeito nerd e sensível, não funciona bem sobre pressão.

E lá estávamos no refeitório e óbvio que estavam cochichando sobre mim e meus belos olhos de Barbie. Andrew estava tímido, acho que ninguém fala com ele. Não demorou muito para "aqueles caras" virem em nossa direção encher o saco, o grandão sacudiu Andrew em sinal de "saudação".

— Ora ora Johnson quem é a bixinha? — ah não fiquei bravo!

— Ele nasceu assim Jones! — respondeu Andrew, o grandão soltou uma gargalhada e fiquei ainda mais bravo.

— Sabe Jones, tu que é a bixinha! — rebati, ele me olhou feio.

— AH! Então quer jogar né moleque!

— Não jogo com quem não sabe perder! Qualquer um que você sabe que é incrível quer derruba-lo porque quer se sentir superior.

— Como é que é?!

— É isso aí grandão! Usa sua força física para diminuir os outros, quando na verdade sabe que é um lixo miserável — o pessoal fez barulho, Jones ficou vermelho — E É uma outra coisinha: é um froxo na hora H! — TURN DOWN FOR WHAT! A cara dele passou de vermelho de raiva para vermelho de vergonha, tão hilário!

— Ora seu moleque! — no momento que ele ia me bater uma garota deu uma voadora em suas costas, ele caiu com tudo no chão (pude até sentir o chão tremer).

— Não ouse encostar um dedo nele Jones! — que radical! Deu um ultimato nele, gostei.

— Larke! Como sempre defendendo esses idiotas! — disse Jones se levantando — Pode ficar tranquila querida, não vou mais incomodar — ele saiu com a mãos nas costas, essa garota é forte pra caramba!

— Ah... obrigado? — ela ficou de cara feia, pensei que iria bater em mim também.

— Não fala comigo! — saiu batendo pé, fiquei sem entender nada. Logo alguém chegou e mandou todos para as suas devidas salas, me perdi em meio aquele multidão.

Minha primeira aula era da adorável disciplina matemática, nem estava prestando atenção no que aquela professora louca estava dizendo porque meus pensamentos estavam voltado a uma outra louca que deu uma voadora naquele grandão. Eu não entendi, primeiro ela me defende e depois é grossa. Por quê? Tenho certeza de que iria me zuar, que estranho. A única coisa que sabia era que o seu sobrenome era Larke e é que sabia lutar, porque não era qualquer um que fazia aquele golpe. Seria uma defensora dos menos favorecidos? Ou apenas não gostava daquele cara a ponto de defender alguém que nunca tinha visto na vida?

Perguntei ao Andrew se a conhecia e se sabia o motivo dela ter me defendido, ele disse que Jones sempre a maltratava desde que chegou no internato, ela ficou revoltada e resolveu dar o troco. Ano passado Larke deu uma surra no Jones e um ultimato de que se machucasse qualquer outra pessoas iria fazê-lo se arrepender pelo resto da vida. Isso explica a voadora, deu até um medinho. Estava certo era uma defensora dos menos favorecidos. Bom, não vou nem chegar perto dela vai que eu vá parar no hospital ou direto no caixão.

No intervalo nossa mesa estava rodeado de garotas nos paparicando, Andrew estava que nem um pimentão, acho que nunca esteve tão perto de meninas como agora. Meu reinado neste lugar estava apenas começando, até os "caras descolados" também se juntaram a nós. Popularidade conquistada, daqui a pouco vem o terror das pegadinhas ASHUAHUSAHUSAHUA.

— Johnny amigo, eu não sei como agir! — disse Andrew nervoso — Nunca estive no meio de tanta gente!

— Só seja você mesmo cara! — falei — Daqui a pouco se acostuma com o mundo ao seus pés.

— Eu assistir filmes de colegial e os populares nunca são os legais.

— Porque os populares desses filmes são um bando de idiotas! Nós somos os mocinhos da história cumpade!

— Cumpade?

— Gíria brasileira. Enfim, só seja você mesmo e vai numa boa — ele sorriu, confiança é tudo nessa vida e eu tinha de sobra.

— Johnson! — gritou um nerd em nossa direção — Johnson, temos o Clube do Livro agora!

— Nossa! — exclamou — Eu tinha esquecido! — Andrew só pegou sua bolsa e praticamente pulo sobre a mesa — Vem Johnny! — ele me chamou, para não decepcionar meu amigo tinha que participar já que fez tudo que eu queria o dia inteiro.

Clube do Livro não era minha praia, o que tem de interessante em falar de um livro que te faz dormir? Parece aqueles lugares de combate às drogas que todo mundo fala sobre sua desgraça por causa do vício. Eu apenas me sentei e fiquei quieto ouvindo eles falarem de um livro literário do século XVIII, tínhamos que fazer um trabalho mesmo então me deram uma ajuda.

No momento em que Andrew iria falar a porta da sala de leitura se abriu revelando Larke, eu literalmente caí da cadeira levei um susto. O que ela faz aqui?! Todos os olhares vieram em minha direção inclusive a dela o que me deixou ainda mais com medo e vergonha, sorri forçado e me levantei.

— Desculpe! — eu disse constrangido.

— Tudo bem Grey — disse uma menina ruiva, acho que era a chefe da quadrilha — Vamos continuar, Larke sente- se por favor.

Larke não disse nada apenas se sentou justo na cadeira a minha frente o que me deixou mais incomodado. Andrew continuou seu discurso e nem percebeu que seu amigo estava cagando nas calças, nem sei porque estou desse jeito não fiz absolutamente nada. Juro que isso está muito muito muito esquisito, agora sim queria ir embora de vez daquele clube.

Andrew terminou seu discurso, todos aplaudiram e eu simplesmente não entendi nada do que ele falou mas não precisamos entrar em detalhes. A chefe da quadrilha veio em direção a minha pessoa e tocou meu ombro, a coisa nao era nada boa.

— Bom meus colegas leitores gostaria de agradecer a mais uma reunião, e também agradecer a presença do Senhor Grey — todos aplaudiram, ia acontecer alguma coisa — O nosso amado membro novato escolherá o livro da semana.

— Como é?! — sabia que ia dar merda, sabia! — Eu escolher um livro?! Está louca?!

— Sim Senhor Grey, como um novo membro pode escolher um livro — e quem disse que eu ia me afiliar a á sua quadrilha maluca? Era só o que me faltava escolher um livro, mas qual?

— Pode ser qualquer um Johnny — disse Andrew. Eu sorri um tanto malicioso, já que me deram a lenha vou fazer seus corpos cheios de hormônios pegarem fogo! E sabia exatamente qual livrinho escolher seus leitores lindinhos.

— Muito bem! Eu escolho o Cinquenta Tons de Cinza como o livro da semana — só Andrew fez cara de confuso enquanto o resto arregalou os olhos... Safadinhos!

— Er... não lemos esse gênero de livro — disse a chefe da quadrilha meio nervosa, que engraçado!

— Que livro é esse Senhor Grey? — perguntou Andrew, sabia que era ingênuo.

— Nenhum livro importante querido! — responde a ruiva.

— Só erótico — disse Larke. Ela já leu está na cara!

— Então leiam o Assassin's Creed Renascença — falei.

— Por que um livro de vídeo game? — perguntou o meu medo.

— Primeiro: vídeo game é vida! Segundo: esse lugar está precisando de um pouco mais de entretenimentos, aventuras, algo que me mantenha acordado e que entenda o contexto — e de novo ela faz cara feia para mim. Me odeia véi só pode!

— Acho ótimo! É bom variar os gêneros de vez em quando- disse Andrew minha bela salvação.

— Então o livro da semana é Assassin's Creed Renascença! — disse a chefe da quadrilha — Muito obrigada a todos!

Fico muito aliavido que tenha acabado mas triste porque terei de voltar na outra semana, pelo menos entenderei do assunto já que zerei todos os jogos da franquia até o momento. Andrew me repreendeu por ter primeiro escolhido um livro erótico, mal sabe ele que tem cenas não recomendadas para menores de dezoito anos no livro que escolhi hehe. Mas sério qual a graça se não pegar fogo algumas vezes? Ele não falou nada apenas me ignorou até o término do dia.

No final já estava tão entediado nunca fiquei sem aprontar um dia se quer é isso foi a gota d'água. Andrew estava aqui desde que começou o ensino médio, só saia daqui mas férias de verão. Ele só tem duas irmãs que já estão na faculdade mas antes também estudaram aqui junto com ele. Eu e Miranda somos muito unidos principalmente quando bagunçavamos é quando faziamos festa sem que os pais soubessem. Só tinhamos um ano de diferença de idade e como ela fazia falta, fiquei tão triste quando se formou e veio morar na Ingrlaterra estudar contabilidade enquanto eu fiquei sozinho, sem ideia de que faculdade vou fazer.

Andrew me sacudiu, estava navegando nas minhas lembranças do Brasil. Tinhamos ido ao refeitório para tomar o famoso chá da tarde dos britânicos, chá com leite, cremes, açúcar e bolos. Era até engraçado porque TODOS tomavam em xícaras com o dedo mindinho levantado, eu o diferentão queria leite com Nescau quem disse que tinha? #chateado. Tomei um chá com creme e açúcar mesmo, era muito bom.

Deu uma saudade de casa, lá eu tinha celular, meu computador e principalmente meus amados consoles com todos meus jogos maravilhosos. Meus pais lindos tiraram-os de mim como parte do castigo, por sorte de conhecer o Andrew que divide tudo comigo. Um amigão como nenhum outro e hoje foi apenas o começo de um novo ano de aventuras.

Notas finais
Obrigada pela leitura!