Things Change

3 Novas Descobertas


Notas iniciais
Boa leitura!

Só acho que esse internato não era tão rígido quanto eu pensava, vejo alunos cabulando aula e falando com certos contatos. Por mais seguro que seja o lugar sempre tem algo ou um ponto fraco, e nesse internato os fracos são geralmente aqueles que são burros e se acham os reis da cocada preta. Por mais travesso ou delinquente que eu seja nunca me tornaria um valentão que usa drogas, bebe álcool ou menospreza os outros. Juro!

Na minha segunda semana já tive que conversar com a diretora por causa de uma explosão na aula de química no laboratório, Andrew foi meu advogado de defesa disse a velha coroca que não tive a miníma culpa porque os frascos não tinham etiquetas de diferença. Como o meu amigo tinha uma ótima influência com todos os professores ela aceitou os pedidos de desculpas e retirou a queixa, só que eu tinha agido por querer mesmo mas eles não precisavam saber disso.

No corredor estava indo em direção ao pátio quando esbarrei em alguém e essa pessoa caiu bem em cima de mim, abri os olhos e dei de cara com a Larke. Desta vez não me assustei, até porque ela estava até que... normal, não sei se estava no mundo da lua ou perdeu-se em meus olhos porque ela nem piscava, não reagia, apenas me olhava fixamente. Misericórdia será que ela vai me matar?!

— Larke!! — chamei-lhe atenção. Ela sacudiu a cabeça voltando a Terra.

— Sinto muito Grey! — disse constrangida.

— Tudo bem. Pode sair de cima de mim por favor? — ela rapidamente se levantou e abaixou a cabeça.

— Sinto muito mesmo! — saiu correndo. Fiquei sem entender, não briguei com ela.

Dirigir-me ao pátio onde estava os outros garotos, tínhamos um trabalho para fazer e quem melhor do que o Clube do Livro/ Quadrilha Maluca para explicar o Romantismo? A chefe da quadrilha parecia aqueles discursantes de faculdade que coloca sangue, suor e lágrimas em suas obras e eu como um ótimo aluno não entendia bulhunfa nenhuma do que falavam. Preciso urgente de um tradutor , ainda bem que Andrew estava junto comigo. Sou um gênio na área de exatas e meu amigo é um gênio na área de humanas então nos completávamos em tudo, só precisávamos de alguém de biológicas e voilá!

Depois de explicação da chata da chefe vi Larke indo em direção aos dormitórios masculinos. O que será que ela vai fazer lá? Eu como adoro curiar as coisas resolvi segui-la. Nessa perseguição ela parou bem no meu quarto e do Andrew, bate na porta desesperadamente. Como não havia ninguém lá tomei coragem e fui falar com ela.

— Não tem ninguém aí Larke — disse assustando-a, ela se virou rapidamente.

— Grey! — ela parecia super nervosa.

— O que você quer no meu quarto?

— Eu... quero falar com o Johnson! — percebi que estava mentindo, conheço bem mentirosos pois eu e Miranda somos grandes mentirosos.

— Isso é mentira — ela fechou a cara.

— Não é não!

— É sim, está na sua cara!

— Será que pode me dizer onde o Johnson está ou vou ter que te dar uns belos de uns tapas?! — OK! Fiquei com medo de novo.

— Deve estar na biblioteca com o Clube da Loucura.. quer dizer com Clube de Leitura.

— Ah sim! Obrigada Grey — ela falou calma — E me desculpe de novo por mais cedo.

— Me perdoe também — ela deixou o lugar, não estava procurando o Andrew disso tenho certeza. O que será que queria em?

Deixei quieto, vai que resolve cumprir a ameaça e me deixa dentro de uma privada. Larke é estranha, fechada e um pouco rude, já cortei da minha lista de peguetes. Não ficaria com ela apesar de ser muito bonita. Falando em pegação fazia um tempinho que eu não ficava com alguém, só que as britânicas não eram bem o meu tipo. Bom, é o que tenho por hora, conto os dias para deixar esse lugar tão sombrio e enorme, é muito chato ficar aqui sem meu bebê e sem meu telefone. Me deu até vontade de tomar coca-cola e comer batata frita coisa que só encontrava em casa, aqui tinha feijoada vegetariana e arroz sem sal.

Apenas bufei e segui para mais uma rodada de aulas chatas até a hora sagrada do chazinho, Andrew sugeriu que a classe apresentasse uma peça de um romance antes da formatura como espetáculo final de nossa vidas de estudantes. Meu amigo amava atuação e óbvio que iria ficar com o papel principal da obra escolhida. Como eu nem tinha direito de escolha preferi ficar no cenário mesmo sem importância e rápido, odeio palco. Andrew escolheu Orgulho e Preconceito, um romance do século XIX que o de ler só título me entediava mas como disse não tenho direito de escolha então fiquei quieto. O professor que mais parecia uma Drag Queen amou e disse para lermos um livro e um grupo montar o roteiro, subornei o Andrew com o dever de física para que fizesse a minha parte, ele primeiro me repreendeu mas aceitou só porque ama teatro. Eu disse a ele que deveria seguir carreira de ator porém seus pais queria que fosse um empresário, um advogado de alta classe, um cirurgião ou um professor de grandes universidades. Andrew realmente era um excelente professor mas sei que seu coração pertence a arte. Ao finalizar o dia, quando entraríamos no quarto lembrei da visita de Larke, ela queria alguma coisa aqui e eu queria saber o que.

— Andy a Larke falou com você hoje? — perguntei, ele me olhou confuso.

— Não. Por quê?

— Porque ela veio até o nosso quarto quarto, a encontrei e disse que estava te procurando.

— Ela te disse o motivo?

— Não — como disse ela é estranha, o que será que veio futucar?

— Não deve ser nada Johnny, deixa quieto.

— É... pode ser.

Essa curiosidade vai me matar, Johnny Grey não desiste fácil não! Mas em partes ele tem razão, melhor deixar quieto. Fomos nos recolher, falei com um pouco com Miranda no celular de Andrew, reclamei sobre o quão chato é estar aqui e sobre um pouco do meu amigo que acaba tornando esse lugar suportável. Minha irmãzinha querida teve a ousadia de esfregar na minha cara que esteve em festas, comia tudo que queria e ainda conseguiu nescau. Aquela mortadela defumada! Desta vez meus pais se superaram no castigo, sinto tanta falta da minha caminha, meus jogos e meus doces. OOOO vida amargurada! Pelo menos tenho Andrew para me consolar.

Na hora do desejum ele não parava de falar de suas idéias para a peça do livro, mas a minha atenção voltou a louca da voadora que estava sentada sozinha. Não sei o que me deu, será que ela quer ficar isolada? Eu deixei a mesa da turma popular e fui naté ela, quando me viu ficou surpresa mas nada disse.

— Olá — saudei.

— Oi — falou.

— Será que posso me juntar a você? — perguntei, ela olhou estranho.

— O que quer Grey? — perguntou ríspida.

— Será que podemos parar com esse negócio de sobrenome? Na boa está muito chato!

— Quer que te chame como? Rosinha?

— Meu nome é Jonathan e meus olhos são especiais OK!

— Por que toda essa implicância? — não fiz nada!

— Só quero saber seu nome! — ela suspirou.

— Meu nome é Christine — UAU! Foi tão difícil bebê?

— Christine, nome lindo — ela corou. Por que eu disse isso? Andrew me olhou estranho lá do outro lado.

— Er... Obrigada — disse constrangida — Eu preciso ir! — praticamente voou do refeitório, pelo menos agora não preciso chama-la pelo sobrenome. Voltei junto ao meu amigo que ainda me olhava estranho.

— Johnny eu sabia o nome dela — disse Andrew.

— Por que não me disse criatura?! — perguntei irritado.

— Você não me perguntou!

OK! Talvez eu não saiba tudo sobre o Andrew mas só estou nesse internato à quase três semanas. Três semanas de chatice total! Uma curiosidade veio a minha cabeça: será que ele sabe sobre seu histórico? Tipo, ele teve acesso ao meu vindo do Brasil e isso é um tanto perturbador.

— Andy! — gritei e acenei, ele veio em minha direção — Você tem acesso a ficha de todos os alunos certo?

— O que quer saber Jonathan?

— Apenas a ficha da Christine — ele me olhou estranho.

— Por que quer a ficha dela?

— Porque sim!

— Isso é estranho Johnny!

— Qual é! Faz essa por favor!

— OK! OK! Vamos lá — sai saltitando que nem uma bailarina.

Nos dirigirmos até a sala de informática como espiões secretos, para nossa sorte não havia nenhum professor ou supervisor. Meu amigo entrou no banco de dados do lugar, ele deve ser alguém super importante para ter esse acesso certo?

— Como é que tem acesso a tudo no internato Andy? — perguntei, estava começando a estranhar.

— Digamos que eu meio que hackiei o sistema para mudar minhas notas de matemática e física — fiquei de boca aberta, ele não era nada ingênuo como pensava — Não queria que meus pais soubessem que sou péssimo em cálculo, tudo aqui é feito em computador então nem os próprios professores desconfiam — rapaz eu realmente não sei julgar o cara que anda comigo desde do dia que cheguei. Ele pode falir os Estados Unidos e sair ileso maluco!

— Isso é um tanto... como posso dizer...

— Assustador? — exato! Mas não vou dizer isso, não quero magoa-lo.

— Eu ia dizer radical parceiro — mestre da mentira.

— Quando se vive em internato a vida inteira tende a fazer essas coisas — mentira! — Ou simplesmente foge nos finais de semana para as baladas.

— Só vive aqui? E seus familiares?

— Eu mudei pra cá só aos quinze anos, vivi em Genebra desde pequeno e aos dez anos fui para Berlim. Seria até legal viver nessas cidades se eu não tivesse vivido vinte e quatro horas por dia dentro de uma prisão.

— Eu sinto muito Andy, nem imagino como deve ter sido.

—Tudo bem, já me acostumei — eu fiquei mal, uma mistura de medo e sensibilidade.

E lá estava a ficha escolar de Christine em minhas mãos, meu amigo aproveitou a oportunidade para imprimir as provas que viriam junto com as respostas, esse gabarito é do capeta se é loko! Agora sei como ele tira dez sempre e até deu um ultimato para não contar a NINGUÉM! Eu claro concordei cagando nas calças, ele era meu amigo e tal, nada a ver com a ameaça. PUF! Enfim, saímos da sala de informática e fomos ao nosso quarto, olhei a ficha dela:
Larke, Turquesa Christine
Nascimento: 03/09/2000
Nacionalidade: Londres, Inglaterra/ Reino Unido
Mãe: Catherine Kings Larke- falecida
Pai: Albert Larke- falecido
Escolaridade: Internato Queen Elizabeth II- 2008—2011

Internato Joseph Cooper- 2012—2015
Internato Ryan Boulevard- 2016—2018

Pais falecidos e viveu a vida inteira em um internato, que triste! Pelo menos suas notas sempre foram excelentes e provavelmente estudante bolsista, já que a mensalidade aqui é um cão de caro!

— Que cara é essa Johnny? — perguntou meu amigo, minha cara deve não estava nada bem.

— Nada, só estou com inveja das notas dela, todas excelentes!

— Só isso?

— É, claro! — eu nunca ia admitir que estava triste, nunca!

Isso pode explicar seu jeito rude e estranho, agora compreendo e não vou mais incomoda-la, se ela não queria companhia já não era minha culpa porque ela que me destratou desde do primeiro dia e nem sei porque me importo com ela. Já estou irritado, vou deixa-la quieta pronto e acabou, só vou vê-la no Clube do Livro por causa do Andrew, só! Eu deveria parar de pensar na Christine e focar em novas pegadinhas.

— Johnny acorda! — gritou Andrew e eu dei um pulinho de susto.

— OI! O que foi?! — perguntei ainda assustado.

— Já sabe seu personagem no teatro? — socorro! Me esqueci completamente dessa porcaria.

— E se eu te falar que me esqueci... — ele me olhou feio.

— Nem quer participar né? — me pegou!

— Não! Nem um pouco, não é minha praia.

— Qual é Johnny! O teatro é uma arte de expressão de amor — eu achei que era música.

— O que tem de amor num livro chamado Orgulho e Preconceito Andy? — nenhum, simples!

— Nem leu o livro para começo de conversa, nem ao menos viu o filme!

— Minha irmã comentou sobre um filme de zumbis.

— Você só pode estar de brincadeira Johnny!

— É sério!

— Sem zumbis Johnny! — eu ri, ele bravo era muito engraçado.

— OK! Sem zumbis.

Eu e Andrew nos completamos, não há ninguém em mais perfeita harmonia do que nós dois. Mas até que tinha razão precisava ler o livro porque além do teatro ia ter a prova. Resumos na internet não ajudam muito quando se trata de um internato pois eles sempre vem com a pergunta "o que acontece nessa cena?" ou "o que a personagem diz em...?", sempre algo bem chato. Só de pensar nisso fiquei com sono.

Notas finais
Obrigada pela leitura! Até a próxima!