Theres a Hell...
33 Capítulo 32- I'm a Fucking Monster
Terceira Pessoa:
Brian foi o primeiro a acordar pela manhã. Dividiu o pequeno espaço de uma cama de solteiro com Zacky. Seu braço esquerdo doía tanto, virou o rosto e viu que Zacky tinha dormido sobre ele. Brian talvez nunca teve capacidade humana o suficiente para dormir, mas ele era sempre levado a um universo paralelo, imaginando coisas e deixando-se levar pela própria imaginação.
Ao olhar o semblante calmo de Zacky, Brian suspirou pesadamente e não conteve um sorriso ao perceber que seu parceiro estava salvo de todos os perigos que os cercavam; a boca carnuda de Zacky estava entreaberta, a respiração e o hálito quente entravam e saiam dali sem pressa. Brian percebeu que não precisava ser humano para notar as maravilhas da Terra. Notou também, que não era só no céu onde existiam coisas realmente puras e inocentes. Zacky era um homem, era um pecador. Mas nunca deixava de ser inocente e puro. Não deixava de ser a pessoa por quem Brian tinha um incontrolável desejo.
Haner nem sabe quando tempo levou observando o rosto redondo do outro, mas sabe que seu coração bateu mais forte ao lembrar-se da forma como os corpos se conectaram na última noite. Ele não tivera outro homem ou outra mulher desde então, em parte porque sempre estava arranjando brigas e ganhando apostas como um anjo caído por aí. E também, não sentia-se atraído por ninguém enquanto estava com Zachary.
O homem acordado sabia que não deveria acordar ao outro, mas foi como se ele próprio tivesse lido seus pensamentos; Zacky acordou, sentando-se na cama. Quando seus olhos se acostumaram com a luz do dia, percebeu que não estava sozinho. Lembrou-se rapidamente do que havia acontecido e percebeu o rosto tomar um tom de vermelho. Mas logo deixou a vergonha de lado, olhando diretamente nos olhos de Brian.
Negros e indecifráveis, como ele provavelmente gostava. Decidiu que precisava levantar. Sabia que estava nu, então tratou de embolar o lençol na cintura e preparou-se para deixar a cama. Mas foi puxado com tanta força pela cintura, que soltou um gemido grosso em reprovação. Brian havia sentado Zacky outra vez.
— Aonde pensa que vai?
— Achei que era hora de levantar.
— Não, não é! — Brian disse, inclinando seu corpo para beijá-lo e fazê-lo abandonar aquela postura ridícula de indiferença, queria que ele cedesse aos carinhos.
Quando Haner ergueu o rosto, Zacky esperava ver nos olhos dele o negro que lhe indicava vitória e triunfo, como todas as outras vezes que Zacky cedia. Mas dessa vez não. Os olhos de Brian estavam normais, serenos... e mais verdadeiros do que Zacky poderia ter notado um dia.
— É assim que eu gostaria de viver todos os dias. — disse Brian com a voz sinistra.
"Você por acaso perguntou o que eu gostaria?", pensou Zacky. Mas quando seus lábios foram beijados de novo, percebeu que era a tentativa de Brian para afastar aquilo de sua própria mente. Com os toques leves do outro, esqueceu-se da importância que tinha em arrumar intrigas naquela hora.
Os dois passaram o resto do dia na casa de Zacky, juntos. Nenhum sinal de perigo, nada de Johnny e nada de Maria. Baker tentou conversar com os dois, mas os celulares nunca eram atendidos.
Pediram almoço, jantar e assistiram um filme antigo que passara na televisão.
No começo da noite, Brian induziu Zacky até a banheira do quarto de sua mãe. Fundiram seus corpos enquanto se banhavam de uma forma que ambos não tinham conhecido até então, talvez fosse aquela velha história de sexo com sentimento, embora ambos precisasem descobrir isso em palavras ainda.
Zacky nunca se achara um homem sensual. Sabia que era um homem prático, realista; sabia que a única coisa que chamava a atenção dos outros em sua aparência eram os olhos de um verde quase que reluzente. Mas sempre se surpreendia quando estava com Brian. Junto dele, sentia-se a pessoa mais desejada e atraente. E sabia, não era um dos truques do anjo.
Juntos, saíram do banho, e um enxugou o outro com s toalhas brancas e felpudas do quarto de Maria. Ao tirar a água do peito de Zacky, Brian beijou-lhe a pele coberta por uma tatuagem verde e tons de amarelo que apresentava uma caveira com asas de morcego com a cabeça virada para cima. Zacky sentia-se envergonhado, mas ainda sim, não tinha nada para perder.
Em um ato rápido e sem motivo, Zacky largou as toalhas, agarrou Brian e deu-lhe um beijo molhado, surpreso. Brian apenas correspondeu, achando a primeira iniciativa de Zachary um máximo. Ficaram juntos, em silêncio.
Estavam nus no banheiro abafado, tinham acabado de unir os corpos outra vez. Zacky não estava preocupado, ele só queria saber que Brian ainda estava ali por e para ele. Sentiram-se próximos um do outro mutuamente, como jamais estiveram.
Mas durou pouco.
O telefone do quarto da mãe de Zacky tocou. O garoto de olhos verdes se assustou. Brian trincou a mandíbula sabendo o que estava por vir... e sim, ele faria o que estivesse em seu alcance.
Zacky's POV.
— Alô? — atendi, passando a mão na boca rapidamente para tirar o excesso de saliva de Brian dali.
— Baby! — exclamou Johnny. A ligação estava ruim e com muitos chiados. — Onde você 'tá?
— Onde é que você está, cara?
— Estou na escola, invadimos ela. Eu, Kevin e Jacoby. — disse ele com a voz completamente travessa. — Vamos planejar alguma coisa, mas não temos duas pessoas em cada grupo. Então eu pensei se você soubesse alguma pessoa para brincar com a gen...
Uma voz incompreensível soou ao fundo.
— Kevin quer que eu diga que se você não fizer dupla com ele... peraí... o quê? — disse Johnny ao fundo.
— Zee? Que prazer! Venha brincar conosco. Se você não vier, tem uma árvore no pátio esperando pelo pescoço do Johnny.
Fiquei completamente gelado, olhando para Brian e o vendo acertar o punho diversas vezes contra a parede.
— Quê? — eu disse quase rouco. — Kevin? Johnny?
A ligação caiu.
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