Theres a Hell...
15 Capítulo 14
Meu celular vibrou em meu bolso e depois de confirmer quem era, atendi.
– Mamãe?
– Meu amor. O leilão terminou mais cedo, estou em casa em uma hora. Onde você está?
– Fico feliz por isso. Não aguento mais viver sem você. – eu disse depois de um longo suspiro. – Estou indo ver o Johnny, ele ‘tá um pouco doente, nada sério. – menti.
– Oh… ok. – ouvi o desapontamento em sua voz. – Mas você vem, certo?
– Certo, mãe.
– Preciso ver você, meu gordinho lindo.
– Ok, mamãe. Eu te amo também, até mais tarde.
Desliguei o celular sem esperar uma resposta da minha mãe. Eu tava cansado e na porta do hospital onde Johnny estava internado.
Entrei no mesmo confiante, não deixando transparecer meu cansaço. Parei na recepção e perguntei por Johnny. Fui informado do quarto e ele era no andar de cima. Encontrei o elevador e apertei o botão para subir até o andar.
Empurei a porta do quarto 66. Que ironia.
– John? Como você ‘tá, cara?
Johnny soltou um suspiro profundo.
– Adoro essas drogas. Juro. São fodasticamente incríveis. Melhores do que uísque e coca-cola…
– Johnny…
– Você ‘tá bem?
Fomos interrompidos pela enfermeira entrando no quarto e com uma rapidez do inferno.
– Meu destino é ser comediante. Fica vendo só… toc, toc.
– O que é isso? – perguntei.
A enfermeira revirou os olhos.
– Quem bate? – respondeu a mesma.
– Peggy. – disse Johnny.
– Quem é Peggy?
– Peggy a toalha e vamos para a praia!
– Porra John! – reclamei, sorrindo para ele logo depois. – Sem mais drogas, moça, por favor.
– Tarde demais. Acabei de lhe dar outras doses. Ele estará pior daqui uns minutos.
Então a enfermeira saiu mais rápido do que entrou.
– Agoa me fala, como você ‘tá de verdade?
– Ah… um braço quebrado, concussão, cortes, hematomas e ferimentos variados.
– Eu sinto muito. Sei que eu deveria estar no seu lugar.
– E ficar drogado? Não, não. Nem pensar.
– Encontraram alguma pista?
– Não, nada.
– Nenhuma testemunha?
– Zee, nós estávamos em um cemitério, emu ma tempestade. A maioria das pessoas normais estavam em quatro paredes.
– Como foi que aconteceu? – perguntei.
– Eu ‘tava caminhando no cemitério, como tínhamos planejado, quando de repente ouvi passos se aproximando pelas minhas costas – explicou Johnny. – Quando olhei pra trás, foi muito rápido. Vi um revolver de relance e o cara apontando-o pra mim. Como contei pros policiais, meu cérebro não ‘tava exatamente me mandando registrar todos os detalhes da aparência dele. Eu pensei que ele ia me matar, ele me deu umas três ou quatro coronhadas e sumiu. Logo depois você me atropelou acidentalmente.
– Um cara? Você viu o rosto dele?
– Sim, tinha uns olhos cinzentos… tipo carvão. Mas foi tudo o que vi. Ele usava uma mascara de esquiador.
Quando ouvi sobre a mascara de esquiador, meu coração disparou. Era o mesmo sujeito que tinha pulado na frente do carro do Johnny aquele dia, quando eu voltava pra casa sozinho.
Depois de um momento, uma série de perguntas secundárias veio em minha cabeça. O que ele queria? O fato de estar com uma mascara de esquiador indicava algum planejamento, isto é, ele sabia onde eu estaria. E certamente não queria que eu reconhecesse seu rosto.
– Você contou pra alguém que ia comer fora? – perguntei a Johnny repentinamente.
– Contei pra minha mãe.
– Só pra ela? Pra mais ninguém?
– Acho que pro Kevin…
Subitamente, parecia que meu sangue tinha parado de circular.
– Você contou pro Kevin? – minha voz havia se alterado.
– Qual o problema? Ficou louco?
– Vou te contar o problema – disse sério. – Lembra quando eu peguei o seu carro pra voltar pra casa e disse que tinha atropelado um veado? Não era um veado. Era um cara. Com mascara que esquiador.
– Mentira – sussurrou. – Você ‘tá dizendo que o ataque que eu sofri não foi aleatório? Quer dizer que esse sujeito quer alguma coisa de mim? Pera… ele quer alguma coisa de você.
Senti um peso anormal no corpo.
– Você tem certeza que não disse nada pro Brian sobre sair comigo? Pensando bem, o cara tinha o jeito dele. Meio alto e…
– Os olhos de Brian são totalmente pretos. Nada de carvão. – interrompi Johnny mesmo sem querer.
Examinei algumas coisas na minha cabeça. Se Brian tivesse atacado Johnny, ele deve ter pensado que era eu por estarmos vestidos iguais. Mas por outro lado, Brian não seria tão burro de não reconhecer o meu jeito de andar e principalmente a diferença de gordura e altura entre eu e Johnny.
(…)
– Babe, preciso ir. Minha mãe chegou hoje e eu prometi que ia voltar pra casa e ficar com ela.
– Tudo bem Zacky, se cuide. Boa noite.
– Boa noite! Se cuide também e sem drogas. – me aproximei de Johnny dando um beijo rápido em sua bochecha.
Me afastei e saí de seu quarto fechando a porta logo atrás de mim. Peguei o mesmo elevador que tinha pego para subir e desci na recepção outra vez, acenando para a moça que tinha me atendido e indo pro estacionamento logo em seguida.
Entrei no carro e à toda velociodade, o conduzi até minha casa. Estacionei o mesmo na frente de minha casa e coloquei as chaves no bolso. Não havia estrelas no céu, como era de se esperar começou a cair uma chuva fina o que me fez entrar pra dentro de casa logo de uma vez.
Vi uma luz acesa em algum canto da minha casa e logo vi minha mãe vindo em minha direção correndo, me abraçando assim que a distância se fez.
– Estou feliz que esteja em segurança. – disse, apertando-me com força.
Mais ou menos em segurança.
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