Depois das sensações terríveis que tinham me atingido enquanto eu andava no Arcanjo, fui a procura de Johnny para logo ir embora daquele lugar. Nem fome eu sentia mais, eu só queria ir embora e esquecer de tudo. Inicialmente peguei o meu celular no bolso e vi que tinha acabado a bateria. Tentei ligar mas o meu péssimo costume de não carregar o mesmo prevaleceu.

Rodei praticamente o parque inteiro atrás de Johnny, Kevin e Jacoby, nenhum estava à minha vista. Então decidi pedir o celular de Brian. Ele olhou pra mim e disse que o seu celular também estava sem bateria, eu definitivamente precisava ir embora.

– Eu levo você.

Depois do que tinha acontecido, era melhor pedir carona à um estranho do que ir embora com Brian.

– Johnny deve estar me esperando com o Kevin no estacionamento.

Virei as costas em direção ao grande estacionamento do lugar e pude ver que Brian não havia me seguindo. Melhor assim.

Rodei o grande espaço lotado de carros e nada do carro de Johnny. Fiquei desesperado, como eu ia embora agora?

Vi uma de minhas colegas de classe passando, era Lacey Franklin. Abordei-a chamando sua atenção.

– Hey Lacey, você poderia me emprestar o seu celular?

– Oi Zacky, eu estou bem também – disse a garota de peitos grandes, cabelo preto e nariz maior ainda. – Cadê o Johnny?

– É pra ele mesmo que vou ligar. – sorri tentando parecer simpatico.

Ela tirou o celular do meio dos seus seios e me deu. Disquei os números rapidamente enquanto a garota me encarava.

O telefone chamou, chamou e nada aconteceu. Fiquei nervoso, parecia que tudo tinha que dar errado hoje.

Devolvi o celular a Lacey e a agradeci, depois de me desesperar mais um pouco ela sumiu com outras pessoas.

– Acabaram as opções? – Brian disse atrás de mim.

– Acabaram. Me leva pra casa agora. – disse virando-me para ele.

– Ok.

Brian começou a andar para um certo lado do estacionamento e eu o segui, como sempre fazia. Ele logo pareceu procurar uma chave no bolso e pouco tempo depois destravou a Range Rover preta, parada a nossa frente. Me dirigi ao lado do passageiro, abrindo a porta e entrando sem delongas. Brian fez o mesmo, indo para o seu lado.

Ficamos em silêncio até ele pegar estrada, eu não quis explicar onde era a minha casa e Brian sabia. Fiquei quieto o tepo todo e então Brian percorreu exatamente o caminho certo.

Quando chegamos, Brian estacionou o carro na porta de minha casa. Estava pronto para agradecer a carona, se não fosse a visão que eu tinha visto. Um Brian desligando o carro e saindo do mesmo.

Ele se dirigiu aos degraus da minha entrada como se a casa fosse dele. Olhou para trás como se esperasse por mim. Saí do carro revoltado, batendo a porta do carro com força.

Andei até ele e então subi os degraus da porta. Abaixei, peguei a chave embaixo do tapete e levantei para abrir a porta, eu entrei e ele me seguiu.

Logo que coloquei os pés em casa, fui tirando minha camisa xadrez, ficando apenas com a minha regata branca. Eu estava nervoso e sinceramente, não precisava de uma camisa para me atrapalhar quando quem fazia isso era o Brian, logo o ouvi fechando a porta atrás de nós.

Eu não sabia o que ele queria, mas eu faria questão de saber, e eu ia saber naquela noite.

Posso dizer que não sei o que aconteceu direito, minha fome tinha passado por conta das sensações estranhas no Arcanjo, eu só sentia sede. Fui até um bar que tinha em minha sala e peguei uma garrafa fechada de Jack Daniel’s, fui até a cozinha e Brian me seguiu.

Peguei dois copos de uísque no armário enquanto Brian pegava gelo no congelador. Fui até a geladeira depois, pegando uma garrafa de coca-cola. Eu não tomaria cowboy nem fodendo.

Preparei duas doses de Uísque com coca-cola, uma pra mim e outra pra Brian, eu sabia que ele não ia recusar. O incrível foi que conseguimos ficar em silêncio por um bom tempo, sem nos provocar.

Eu não costumava beber em minha casa e com estranhos, mas foi diferente, parecia que eu tinha que estar ali com Brian, então eu tentei de todos os jeitos não fazer nada de errado.

De uma hora pra outra, estávamos bebendo uísque, agora puro e conversando como velhos amigos. Eu me senti em paz com Brian pela primeira vez. Ele me contou algumas coisas que ele sabia fazer, como tocar guitarra e ficar com os caras por aí. Naquele momento, eu pude perceber que poderia contar com Brian se a caso um dia eu precisasse.

O uísque acabou, então partimos para a cerveja, em muito mais quantidade. Depois de um pequeno intervalo de tempo, a pia estava lotada de latinhas. Brian já se preparava para ir embora, então lhe chamei a atenção e pedi para que ele ficasse para me ajudar a limpar a cozinha. Ele aceitou e ficou para me ajudar.

Mais tempo, Zacky.

(…)

Terminamos de limpar praticamente tudo quando sobrou uma latinha do outro lado da pia, perto de Brian. Ele pareceu não ver ela ali, e eu já tava perdendo as esperanças por não ter tomado nenhuma iniciativa até agora.

Tentei alcançar a lata e isso fez com que o meu corpo se chocasse brutalmente contra o de Brian. Dei-lhe um olhar de desculpas e ele não se importou. Parecia que ele estava esperando por isso, era o que faltava.

Desisti da latinha quando senti suas mãos apertando a minha cintura. Se ele tivesse só apertando, tudo bem. Acabou que Brian prensou o seu corpo no meu, fazendo com que o meu corpo se encostasse na pia, eu não sei se ele fez de propósito ou pelo teor de alcool no sague, eu só sabia de mim, e eu estava gostando.

Rostos próximos.

- Não se assusta. — ele disse inocentemente e um pouco embaralhado. Piscou os olhos algumas vezes, ele estava tonto.

Agarrei minhas mãos na pia, precisava de equilibrio. Eu tinha bebido bastante também, e eu queria demonstrar que eu estava sabendo o que fazer.

Ele tirou uma de suas mãos de minha cintura e virou o boné que estava usando com a aba pra trás. Eu sorri e aí foi quando a sua boca foi de encontro a minha. Todos os movimentos lentos demais. Ninguém ali parecia ter pressa e a bebida tinha colaborado com aquilo. Eu não tive tempo de fazer nada, nem de mover a minha própria língua, então tudo o que fiz foi apenas fechar os olhos e sentir.

Aquela sensação que eu já tinha sentido antes. O beijo dele era molhado, a língua dele era gelada. Eu sou quente, eu estava quente. O gelado no quente.

Eu só sabia de uma coisa: eu precisava continuar com aquilo. Nem que no fim da noite eu terminasse esquartejado pelo cara que me assusta, bêbado. Eu precisava, então reagi, me entregando aquilo sem medo. Minhas mãos largaram a pia e foram de encontro a sua nuca com rapidez, arrancando o boné de sua cabeça com lentidão, deixando-o pelo chão. Eu fiz o beijo continuar, não deixei Brian nem se quer pensar em se afastar. Era estranho, mas de uns tempos pra cá, essa era a melhor sensação que eu já tinha sentido. O pior de tudo foi que isso aconteceu com Brian Haner. Bêbado.

Durante o beijo, pude sentir ainda o gosto de Jack em sua língua. Não tinha sensação melhor do que beijar uma pessoa e sentir o gosto de sua bebida preferida na boca dela. Era como se você estivesse deliciando aquilo à dois. Era ter certeza que você não era o único que estava rendido àquilo.

As mãos de Brian deslizarem para as laterais das minhas coxas. Minhas mãos continuavam em sua nuca, subindo agora para os seus cabelos, bagunçando-os um pouco mais do que já estavam. Movimentos completamente descordenados. Então mordi a sua língua e logo senti suas mãos subindo para a minha cintura de novo. Com muito mais força e rapidez.

Respirações descompassando.

Brian puxou-me para perto e não parou de me pressionar até que eu estivesse com o corpo totalmente colado ao teu. O beijo não parou.

Subitamente ele me agarrou, me levantou e me colocou sentado na pia, nesse instante o beijo parou e eu larguei seus cabelos.

Ele me encarou um pouco surpreso e então eu sorri desajeitado, acho que por conta da bebida. Abri um pouco as minhas pernas tentando parecer confortável e então Brian se encaixou entre elas. Suas mãos ficaram em minhas coxas e apertaram as mesmas com uma força vacilante. Senti um arrepio.

Aproximando-se de mim, ele desviou o seu rosto do meu e o mesmo foi de encontro ao meu ombro. Beijos, mordidas, lambidas. Tudo graças aquela regata maldita. Eu sentia a língua do Brian como uma pedra de gelo em minha pele derretendo a cada deslizada. Eu estava enlouquecendo.

Mordi o meu lábio inferior tentando não fazer nada de tão surpreendente. Senti meus piercings gelados, sentia o gosto de Brian na minha boca de novo.

Em um momento rápido pude sentir os lábios de Brian descerem de meus ombros para a minha garganta onde ele deslizou-os até o lado esquerdo de meu peito. Ele entreabriu os lábios, colocou sua língua para fora e lambeu a região um pouco só acima do meu mamilo sem pudor nenhum. Eu estremeci, de verdade. Sentia minhas pernas formigarem. Apertei-as contra seu quadril. Um ofego quase inaudível deixou minha boca e Brian percebeu. Tudo o que eu menos queria era um Brian rindo nasalmente contra a minha pele, e eu tive isso. Só percebi que a risada tinha cessado quando eu senti os seus dentes agarrando a minha pele naquela mesma região, gemi um pouco alto, mas em reprovação. Logo senti uma sugada forte sobre a mordida.

Outro gemido. Aquilo ficaria marcado e parecia que Brian não tinha limites. Eu também não.

Minhas mãos apoiaram-se na pia de novo, desenvoltei minhas pernas de sua cintura e aos poucos fui escorregando o meu corpo, de modo que eu ficasse em pé novamente de frente à Brian. Quando ele percebeu minha intenção, foi logo se afastando, mas quando o fiz, tudo o que ele fez foi se aproximar e chocar com força o seu quadril ao meu. Eu gostava de como a cintura dele se encaixava a minha, então fiz questão de empurrar meu quadril para frente e roçar a minha ereção na dele. Na hora, ele olhou pra mim. Os olhos negros e brilhantes mais do que nunca. Abaixei a cabeça e me permiti rir baixo, ele continou me olhando sério e logo eu levantei os meus olhos para os dele. Minhas mãos apertavam os seus braços, puxando-o para mim. Selei nossos lábios com toda a força que eu tinha, ele correspondeu um pouco mais entusiasmado. Nós sabíamos o que estávamos fazendo apesar de tudo.

Afastei nossos rostos, minhas mão escorregaram para a sua cintura, apertei-a contra a minha e roubei um ofego dele. Dessa vez, Haner roçou o seu volume no meu, com o dobro de força e malícia. Gemi baixo, abaixando a cabeça. Brian fez o mesmo.

Usei minhas mãos em sua cintura para empurrá-lo para longe de mim, me afastando e logo depois arrumando minha regata sem o mínimo de vergonha na cara. Eu realmente estava com vontade de deixar ele fazer o que quisesse comigo, mas não seria fácil desse jeito e ele tinha que saber disso mais do que sabia que eu era afim dele.

Fui até a geladeira, abri a mesma e fiquei um tempo parado tentando me recuperar. Peguei uma longneck e deixei a geladeira se fechar sozinha depois. Abri a tampa com a barra da minha regata e dei um grande gole na bebida, voltando a ficar de frente para um Brian atônito.

- Hora de ir, Brian Haner. — Eu disse sorrindo.

Ele não respondeu, só sorriu enquanto suas mãos corriam seus cabelos. O sorriso cansado de quem tinha acabado de beber e perdido a oportunidade da sua vida.

Depois, passou por mim e esbarrou no meu ombro, abaixando-se depois para pegar o seu boné do chão e coloca-lo na cabeça como estava antes. Ele foi até a sala, abrindo a porta lentamente como se não quisesse ir embora nunca. Sussurrou um "Boa Noite" e bateu-a com raiva.

Fiquei um tempo parado, bebendo o resto da cerveja que eu tinha acabado de abrir. Pude ouvir o seu carro cantar pneus à toda velocidade.

É, Brian estava com mais pressa de se trancar no banheiro do que eu.