Theres a Hell...

13 Capítulo 12- Carefully: This makes no sense.


Fui acordado com uma música que vinha do meu celular. Era Johnny.

Atendi e começamos a conversar sobre como eles tinham ido embora sem mim. Johnny queria me contar algumas coisas sobre Jacoby, então decidimos nos encontrar no centro da cidade. Almoçaríamos em algum fastfood – eu estava com fome agora. E depois eu sei lá o que mais faríamos.

Desliguei o celular e comecei a me arrumar. Estava chovendo muito e eu não queria usar guarda-chuvas. Então coloquei um jeans escuro e pesado, uma camisa xadrez de manga comprida e capuz para me proteger da chuva e por fim uma jaqueta de couro. Enquanto eu terminava de me vestir, percebi que tinha atendido Johnny pelo celular. O mesmo celular que estava sem bateria na noite anterior, quando eu mais precisei. Fiquei desconfiado por um tempo até ir caçar um de meus Nikes coloridos. Eu estava um pouco atrasado.

Peguei minha carteira, as chaves do carro de mamãe, as chaves de minha casa e o celular completamente com bateria. Logo depois parti para o centro da cidade para encontrar Johnny no local combinado.

Fiz o caminho debaixo de chuva, ouvindo Social Distortion. Logo que cheguei, vi que Johnny estava no lugar de sempre vestido com uma calça parecida com a minha e uma jaqueta de couro também, estava com uma camisa xadrez por baixo com capuz, provavelmente para se proteger da chuva também. A única diferença era o tênis. Ele estava usando um All Star preto.

Jogando conversa fora, decidimos almoçar no Mc. Deixei o carro de mamãe no estacionamento.

Aquela minha dieta com pílulas estava adiantando nada. Acabei comendo dois lanches.

Johnny me contava detalhadamente como tinha sido a noite com Jacoby, foi quando eu senti uma sensação estranha de perseguição.

Olhei para fora do fastfood e vi um cara emcapuzado do outro lado da rua.

– Acho que tem alguém me seguindo – interrompi-o.

– Brian?

– Não, claro que não. Olhe lá do outro lado – apontei discretamente com a cabeça.

Johnny forçou a vista. Não tinha mais ninguém. Um carro havia passado, tirando a pessoa da nossa linha de visão. Me senti um idiota.

– Como sabe que estão seguindo logo você? Olha o tanto de gente aqui.

– Eu sinto uma coisa ruim.

– Alguém conhecido como… Hranica?

– Não é o Mike.

– Precisamos de algo para desviar a atenção. Você pode trocar de jaqueta comigo.

– Ficou louco? Nem sabemos quem é. Não vou deixar você correr riscos por mim.

– Às vezes sua imaginação me assusta

Eu não queria que Johnny corresse riscos por mim. Poderia sim ser coisa da minha cabeça, mas com um monte de fatos ocorrendo, eu não poderia mesmo esperar o melhor de tudo.

– Então eu vou sair primeiro – disse Johnny. – Se me seguirem, você vai atrás e tenta ver quem é. Vou para a colina, na direção do cemitério.

Assenti e um minuto depois, Johnny deixou o fast food usando a sua jaqueta mesmo. Como estavámos parecidos naquele dia e erámos quase da mesma altura, não deu pra notar muita diferença quando ele colocou o seu capuz xadrez na cabeça.

Fiquei Escondido por um tempo, acompanhando Johnny com o olhar. Quando achei que fosse a hora certa, saí para fora do restaurante seguindo Johnny e o homem sem que eles mesmos percebessem.

Johnny e o homem dobraram a esquina, desaparecendo, e eu esperei um pouco até continuar à segui-los.

A chuva tinha se transformado em um aguaceiro. Coloquei o meu capuz xadrez também e acelerei o passo, matendo-me sob os toldos das lojas, evitando a chuva pesada. Podia sentir as barras da minha calça jeans ficando úmidas.

Atrás de mim, havia um cais que dava lugar ao oceano cinza. À minha frente, a fileira de lojas terminava na base de uma encosta íngreme e coberta de grama. No alto da colina era onde acabava o “centro” da cidade. Eu mal distinguia acerca de ferro do cemitério da região.

Fui até o carro de minha mãe, destranquei-o e liguei o desembaçador no máximo, acionei os limpadores de de para-brisa e eles estavam funcionando a toda velocidade. Deixando o estacionamento , virei à esquerda, accelerando à medida que subia a colina sinuosa. As àrvores do cemitério assomavam adiante, com galhos que, no rápido vaivém dos limpadores, davam a impressão de estar vivos. As sepultures de mármore branco se destacavam na escuridão da tempestade, e as cinzentas se camuflavam com o céu.

De repente, um objeto vermelho foi lançado contra o para-brisa. Estilhaçou o vidro bem diante dos meus olhos e então voou por cima do carro. Pisei no freio e o carro parou bruscamente.

Abri a porta e saí. Corri até a traseira do carro, tentando descobrir o que eu havia atingido.

Houve um momento de confusão enquanto minha mente tentava decifrar o que eu tinha acabado de escutar.

– Johnny!

Caí de joelhos ao lado dele. Estava deitado de lado, com as pernas encolhidas ao peito, gemendo de dor.

– O que houve? Você ‘tá bem? Consegue falar? Se mover?

Joguei minha cabeça pra trás, piscando por causa da chuva, pedindo aos Céus que mesmo de uma forma silenciosa, aquele pesadelo acabasse logo.

– Vou ligar pra alguém.

Ele gemeu e agarrou a minha mão. Abaixei-me para me aproximar dele, segurando-o com força contra mim. Meus olhos agora ardiam. E não era a chuva, eram lágrimas.

– Me desculpa. O que aconteceu? O que a pessoa que te seguiu fez com você?

Johnny gemeu alguma palavra incompreensível que talvez fosse “celular”, de fato o dele não estava mais lá.

– Calma, você vai ficar bem.

Um sentimento sombrio tomou conta de mim, eu apenas tentava mante-lo sob controle. Eu tinha certeza de que a pessoa que tinha feito isso com Johnny era a mesma que eu tinha acertado o carro na outra noite. Eu não me importava,de fato. Eu só me sentia culpado por colocar Johnny numa situação daquelas.

Tateei meus bolsos e peguei o meu celular. Disquei o número da emergência.

Tentei manter a voz firme e sem vestígios de nervosismo, mas foi invevitavel. Enquanto eu falava com a mulher do Socorro, tudo o que eu sabia era chorar.