Theres a Hell...
30 Capítulo 29- Stay True
Não sabia dizer se tinha dormido de verdade. Talvez estivesse apenas disperso, perdido em seus próprios pensamentos.
Confuso, olhou ao redor e estranhou o quarto. Examinando-o, de repente se deu conta de todos os fatos recentes. Olhou seu lado na cama e tinha alguém.
Era Zacky.
Ele estava deitado de bruços na cama, coberto com um simples lençol branco que havia possivelmente encontrado por ali. Ambos nus. O cabelo negro estava grudado em sua nuca e os olhos que tanto gostava estavam fechados. Brian só conseguiu observar os fios escuros em contraste com a fronha branca, e percebeu também que Zacky não movia um só dedo; deveria estar completamente exausto.
Zacky realmente estava muito cansado, mas não deixava de manter Brian longe nem na hora de dormir. Naquele exato momento, imaginou o toque das mãos fortes agéis de Brian tocando toda a extensão de seu corpo. Sentia Brian abraçando-o fortemente e fazendo-o sentir novamente um prazer antes nunca experimentado.
De repente, Zacky acordou. As mãos de Brian percorriam seu corpo de verdade, provocando-lhe arrepios deliciosos. Com os lábios, Brian acariciou-lhe o rosto até beijar Zacky com desejo. Zacky sentiu-se de novo excitado. Sussurrou algumas palavras ao ouvido de Brian que mais pareciam gemidos. Então, trocaram longos beijos e toques até que algo resolveu voltar ao lugar.
Zacky's POV
(...)
- Você me mordeu?
- Isso tudo é uma brincadeira, Brian? — perguntei.
Brian passou a língua pelos lábios.
- Nem tudo.
Foi quando eu percebi que certas coisas nunca mudariam. Brian continuava do mesmo jeito e mesmo com todo o tempo que tivemos desde então, existiam coisas muito embaralhadas e sem explicação.
- O que não é brincadeira, então?
- Você!
A noite toda parecia ter sido fora dos eixos, e foi. Era difícil ter que confrontar alguém tão indiferente quanto Brian. Na verdade, ele nem era indiferente. Ele só era controlado, até a última célula de seu corpo.
Ouvi uma voz dentro de minha cabeça. Relaxe, confie em mim.
- Porra! — exclamei com uma explosão de lucidez. — Você 'tá fazendo aquilo de novo, né? Confundindo minha cabeça. — lembrei do artigo do Google automaticamente. — Você pode colocar mais do que palavras em minha mente, né? Pode colocar imagens muito realistas.
Ele não negou.
- Desgraçado! No Arcanjo... — eu finalmente compreendia. — Você tentou me matar naquela merda de noite, não foi? Mas algo deu errado. Depois você me fez pensar que meu celular 'tava ruim para que eu não ligasse pra Johnny e nem ninguém. Você 'tava planejando me matar desde aqueles tempos?
O rosto dele estava contorcido sem expressão.
- Ponho palavras e imagens em sua cabeça e é você que decide se quer acreditar ou não. É como um enigma. As imagens sobrepõem à realidade, e você precisa distinguir o que é real.
- Isso é ser anjo?
Ele balançou a cabeça.
- Isso é só um poder extra de anjo caído. Nenhum outro anjo invadiria sua privacidade embora pudesse. É um pecado. Só anjos demônios pecam, os celestiais permanecem no céu e com asas.
Os outros anjos eram bons, Brian não era.
Levantei nervoso da cama, nem ligando se estava nu ou não. Procurei pelo quarto minha boxer e a achei caída no chão. Peguei e vesti com o máximo de pressa que pude; Brian vestiu a sua também. Estava indo em direção a porta quando Brian correu até mim, grudando em meu braço e me chocando contra a parede como sempre. Os braços ficaram apoiados no concreto, um de cada lado de minha cabeça.
Sem chances de escapar. E meu corpo doía.
- Coloquei na cabeça do professor a ideia de mudar a disposição dos lugares porque precisava ficar perto de você. Fiz você acreditar que tinha despencado do Arcanjo porque queria matá-lo e era um alerta, embora eu não conseguisse ter ido adiante. Quase fiz isso, mas parei. Em vez, resolvi assustá-lo. Então fiz com que você pensasse que seu celular estava sem bateria porque queria lhe dar uma carona para casa. Quando entrei lá, fiz questão de te embebedar. Queria matá-lo naquele momento. — A voz dele se suavizou. — Você me fez mudar de ideia.
Respirei fundo.
- Quando contei que meu pai tinha sido assassinado, você pareceu lamentar sinceramente. Quando viu minha mãe, foi gentil...
- Gentil — repetiu Brian. — Vamos manter isso entre nós.
Minha cabeça girava. Podia sentir uma pulsação nas têmporas, já havia sentido isso antes, essa aceleração louca no coração. Precisava de alguma coisa, talvez meus comprimidos para emagrecer me causavam essas reações. Era isso, ou Brian estava repetindo o que fez tantas outras vezes.
Ergui o queixo e apertei os olhos. O cansaço não adiantava muito.
- Some da minha cabeça. Agora!
- Não estou na sua cabeça, Zachary.
Curvei-me para frente, apoiando as mãos nos joelhos, inspirando com força.
- Chega!
Estalos suaves ecoavam em meus ouvidos, e manchas negras apareceram diante de meus olhos. Será que era a falta de comida? Tentei encher os pulmões, mas era como se o ar tivesse sumido. O mundo perdeu o foco. Brian saiu do meu campo visual. Apoiei-me na parede e tentei equilibrar meu peso. Quanto mais eu tentava respirar, mais apertada ficava minha garganta. Brian avançou em minha direção, mas me afastei.
- Já falei, some daqui!
Ele apoiou um ombro na parede e me encarou, com a boca aberta em sinal de preocupação.
Ele não se afastou.
- Não consigo respirar! — disse engasgado, agarrando a parede com uma das mãos e a garganta com a outra.
De repente, Brian me levantou e me carregou até a cama.
- Coloque a cabeça entre os joelhos. — disse, empurrando minha cabeça para baixo
Abaixei a cabeça, respirando rapidamente, tentando forçar o ar para dentro do peito. Muito lentamente o oxigênio voltou ao meu corpo.
- Ficou melhor?
Sacudi a cabeça afirmando.
- Você precisa dos seus comprimidos, né?
Afirmei de novo.
- Mantenha a cabeça baixa e inspire fundo e devagar.
Obedeci Brian, sentindo o aperto em meu peito diminuir. Por mais estranho que parecesse, eu queria fugir daquele lugar.
- Ainda não confia nas minhas intenções?
- Se quer que eu confie em você, deixe-me tocar novamente sua cicatriz.
- Não é uma boa ideia.
- Por que...?
- Não posso controlar o que você vê.
- Mas a ideia é essa.
Ele esperou alguns segundos antes de responder. A voz era baixa e sem emoção.
- Você sabe que tenho segredos.
Eu sabia que Brian tinha uma vida de portas fechas e segredos. Não tinha a presunção de que nem metade desses segreds tivesse relação comigo. Brian levava uma vida diferente além daquela que partilhava comigo. Mais de uma vez eu tinha especulado como seria essa outra vida. Tinha a impressão de que quanto menos eu soubesse, melhor tudo seria.
Tremi.
- Dê uma razão para eu confiar em você.
Brian sentou-se na cama. Curvou seu corpo para frente, descansando os antebraços nos joelhos. As cicatrizes estvam completamente à vista, e a luz do dia fazia com que sombras estranhas dançassem em torno da superficie. Os músculos das costas se tensionaram e depois relaxaram.
- Vá em frente — ele disse suavemente. — Não se esqueça de que as pessoas mudam, mas o passado não.
De repente, eu não tinha tanta certeza de querer fazer aquilo. Brian me aterrorizava praticamente em todos os níveis. Mas bem no fundo, eu não achava que ele me mataria mesmo. Se quisesse, já poderia ter feito.
Observei as cicatrizes.
Confiar em Brian parecia bem mais confortável do que tropeçaar novamente em seu passado sem ter a menor ideia do que encontrar.
Mas se eu recuasse agora Brian saberia que eu tinha medo e provavelmente se aproveitaria disso. Ele estava abrindo uma daquelas portas fechadas só para mim, e só porque eu havia pedido. Não podia fazer um pedido tão sério e depois simplesmente mudar de ideia.
Reuni toda a coragem que tinha e ajeitei-me na cama, atrás de seu corpo. Pela segunda vez em pouco tempo, meu dedo esbarrou na cicatriz. Minha visão foi tomada por uma névoa cinza que começava a surgir pelas beiradas. As luzes apagaram.
Um lugar escuro, sem vida e cinza. A lua acima não era mais do que uma fatia fina. Trovões estrondavam distante dali, e fora isso, estava tudo quieto.
Pisquei várias vezes seguidas, apressando meus olhos a se adaptarem à pouca luz. Quando virei a cabeça para o lado, vi duas órbitas negras que me encaravam de longe. Era Brian, mas sabia que ele não me via. Pensei na minha última lembrança e lembrei que tinha tocado na cicatriz dele. Onde quer que eu estivesse, era um lugar dentro de sua memória.
Uma voz vagamente masculina familiar atravessou o ambiente aberto, cantando uma música lenta e melódica em voz baixa.
- Save me, I'm trapped in a vile world...
Virei-me na direção desse alguém e vi um labirinto de lápides espalhadas como peças de dominó no meio da neblina. Brian estava agachado sobre uma delas, mas não era ele quem cantava. Usava apenas uma calça jeans escura e nada cobrindo o peito.
- Vigiando os mortos? — perguntou a voz familiar.
Era áspera, densa. Matthew. Shadows. O do bar, do Bo's.
Ele se acomodou em uma lápide diante de Brian, observando-o.
Ele tinha me enganado, como Brian vinha fazendo. Ele também era um anjo, por isso não o reconheci no Bo's quando se apresentou como Shadows, havia o conhecido pela primeira vez como Matthew Sanders, no Borderline.
- Esta noite começa Cheshvan. O que 'tá fazendo no cemitério?
- Pensando.
- Pensando?! Brian...
- Pensar é um processo no qual uso o cérebro para tomar decisões racionais.
- Comecei a me preocupar com você. Vamos! É hora de sair. Dakota M. nos aguarda. A lua muda à meia-noite. Confesso que estou de olho em um cara na cidade. Sei que você prefere os gordos, mas eu gosto dos baixinhos, e assim que eu arranjar um corpo, vou resolver um assunto pendente com esse cara.
Brian não se mexeu um centímetro.
- Você 'tá louco, Brian? Precisamos ir. O juramento de lealdade de Dakota! Não 'tá lembrando? Você é um anjo caído. Não pode sentir nada por ninguém. Quer dizer, até hoje à noite. As próximas duas semanas serão um presente de Dakota para você...
Brian olhou-o pelo canto dos olhos. A boca contraída.
- Matt, você é meu amigo?
- Porra, Brian! Claro. Eu sou seu amigo.
- Então me conte o que você sabe sobre O Livro de Enoque?
- Conto. Sei o que mais ou menos todos os anjos caídos sabem: nada.
- Contaram-me uma história do livro, sobre um anjo caído que se transforma em humano e tem uma vida normal, sabe? Com sentimentos, vontades, conquistas, deveres...
Matthew se dobrou de tanto rir.
- Perdeu a cabeça, irmão? Você sabe, esse livro é um conto de fadas.
- Eu quero um corpo humano.
- Você não se sente bem ficando duas semanas no corpo de um nefilim todo Cheshvan? Antes metade humano do que nada. Dakota não pode desfazer o que foi feito. Ele fez um juramento e devemos obedecer.
- Duas semanas não são o suficiente na minha situação.
Os olhos de Brian penetraram os de Matt, desafiando-o se risse de novo. Matt apenas passou a mão pelos cabelos ralos.
- Eu já falei. O Livro de Enoque é um conto de fadas. Somos anjos caídos, e não humanos. Nunca fomos, nunca seremos, fim de história. Agora pare de perder tempo e me ajude a descobrir um caminho para Portland. — Ele jogou o pescoço para trás e observou o céu escuro.
Brian desceu da sepultura.
- Você disse que era meu amigo. Amigos apoiam, não importam as circunstâncias. Se eu quiser me tornar humano, você vai me ajudar?
Matt ponderou.
- O Livro diz que eu preciso matar meu vassalo nefilim. Preciso matar Dakota M.
- Você não precisa. — disse Matt, com uma nota grave na voz. — Você deve possuí-lo. Os nefilins não morrem, já pensou nisso? Se você matá-lo, não poderá possuí-lo.
- Se eu matá-lo me tornarei humano e não precisarei possuí-lo.
- É pelo Zachary, não é?! Brian, acorda. Você não sente nada, você é um anjo mau, você está com o raciocínio errado. Se pudéssemos matar os nefilins, já teríamos encontrado um jeito antes. Agora só porque seu cérebro derreteu por um cara, você quer passar por cima de todo mundo?
- Duas opções. Salvar a vida de um humano e se transformar em um anjo da guarda ou matar seu vassalo nefilim e se tornar humano.
Matt ficou quieto.
- Rev me visitou. Ele disse que posso recuperar as asas se salvar a vida de um humano.
- Se você confia nele, vá fundo. Não há nada errado em ser um guardião. Passar os dias tirando mortais do perigo... pode ser divertido, tirará um peso terrível de sua mente.
- E se você tivesse essa opção? — indagou Brian.
- Não há escolha. O Livro é uma mentira. Corra atrás do posto de guardião.
Houve um momento de silêncios. Depois, Brian pareceu desvencilhar-se de seus pensamentos.
- E se esse humano, que eu estivesse prestes a salvar fosse Zacky?
- Rev te contou isso?
- Sim. Ele me contou que eu queria matar Zacky para possuir seu corpo, mas o primeiro na lista de guarda era ele mesmo. Eu tenho que escolher entre matá-lo e possuí-lo ou salvá-lo de mim mesmo.
- Você tem certeza de que só você quer matar Zacky?
- Pelo menos foi isso que o Rev viu. Eu posso sentir o perigo por perto, mas não tenho certeza se meus sentidos estão certos. Zacky talvez possa ter abalado alguma coisa aqui dentro. — Brian disse o mais baixo possível, rindo logo depois.
Matt o acompanhou.
- O que temos aqui? Um garotinho lindo apaixonado por um humano? Vem aqui que eu te dar uma sacudida, seu viado.
Shadows deu uma chave de braço em Brian que o pegou pela cintura e o arrastou pela grama, onde os dois se revezaram numa troca de socos.
(...)
Tirei o dedo da cicatriz de Brian e tentei não me sentir muito relaxado.
A pele de minha nuca estava arrepiada e meu coração batia rápido demais. Brian me encarou com uma sombra de dúvida no olhar.
Fui forçado a aceitar que talvez aquela não fosse a hora de recorrer à metade lógica de minha cabeça. Talvez fosse uma daquelas ocasiões em que eu precisava passar dos limites. Eu nunca tinha feito isso, não seria nada ruim. Parar de obedecer às regras e aceitar o impossível. Era como eu reagiria a tudo que eu tinha acabado de presenciar. Brian não podia mudar suas próprias lembranças dentro de minha mente.
- Você quer possuir meu corpo?
- O que eu queria fazer com o seu corpo, eu já fiz. E se você continuar atrás de mim, desse jeito, provavelmente acabaremos do mesmo jeito da noite passada, então, eu não quero possuir seu corpo nesse sentido.
- O que 'tá errado com o corpo que você tem?
- Meu corpo se parece muito com um espelho. Real, mas se limita a um reflexo. Meu corpo reflete meu mundo. Você me vê e me ouve, eu te vejo e te ouço. Quando você me toca, você sente. Não tenho a mesma experiência, eu não sinto. Ser um anjo caído não consiste em viver sem asas e fora do céu, sou desprovido desse tipo de coisa também. Não consigo senti-lo. Experimento tudo através de uma vidraça. É como um castigo. Como se arrancassem de você, a coisa que mais te faz bem. Para vencer isso, preciso possuir um corpo humano.
Fiquei em silêncio. Brian que estava de costas para mim, virou-se e ficou de frente. Me olhando duramente, levou suas mãos até minhas coxas e as puxou para os lados de seu corpo. Abri minhas pernas, deixando cada uma delas aos lados de sua cintura. Estávamos entrelaçados e eu não sentia mais medo ou repulsa. Eu vi as reais intenções de Brian quando toquei suas cicatrizes dessa vez. Ele gostava de mim. E eu gostava de estar com ele.
Apenas.
- Quando tocou as cicatrizes, viu Dakota? — arriscou.
- Ouvi você conversar com Matt. Ele disse que você o possui em todo Cheshvan. E Dakota é um nefilim, né?
- Ele nasceu da união de um anjo caído com uma humana. É imortal como um anjo, mas possui todos os sentiidos de um mortal.
- Se você não consegue sentir nada, por que me beijou? — disparei.
Brian passou os dedos de uma de suas mãos em minha clavícula e então foi para baixo, parando em meu peito, ao lado do coração. Eu sentia minhas batidas através da pele. Elas estavam mais aceleradas pelo toque dele.
- Porque eu sinto bem aqui, no meu coração. — disse em tom suave, apertando os dedos, agora fechados em meu peito. — Não perdi essa capacidade ainda. Nossa ligação emocional é maior do que qualquer outra coisa e eu até prefiro assim. É mais sincero. Prova pra você que não só me atrai. Passo meu tempo com você porque eu gosto, me faz bem.
- Você quer dizer que ainda sente felicidade, tristeza, ou...
- Desejo. — Havia um quase sorriso. A mão desceu até a minha coxa, apertando-a contra o seu corpo sugestivamente.
Não pare. Continue perguntando.
- Por que você caiu?
- Desejo!
- Dinheiro?
Brian riu. Sua outra mão foi até meu queixo, afagando-o.
- Um humano.
Um humano que não era eu. Boa, Zacky.
- Rev disse que para você poder recuperar suas asas, deve salvar uma vida humana. Assim você será um anjo da guarda, não quer isso?
- Não! — ele rejeitava a ideia mesmo que o humano para se salvar seja eu. — Quero ser humano, mais do que qualquer outra coisa.
- E Rev? Se você 'tá comigo, por que ele ainda 'tá por aqui? Pensei que ele fosse um anjo normal. Ele também quer se tornar humano?
Brian ficou mortalmente imóvel, com todos os músculos dos braços enrijecidos.
- Ele 'tá na Terra?
- Ele é meu psicológo na escola, o tal dr. Sullivan. Já nos encontramos algumas vezes. Acho que ele arranjou o emprego pra ficar mais perto de você.
- O que ele te disse quando se encontraram?
- Ele me disse pra ficar longe de você. Deu a entender que seu passado era sinistro e perigoso. — Fiz uma pausa. — Tem algo errado.
- Você precisa ir para casa, agora. Vou te levar. Quero saber o que ele 'tá planejando. — Brian levantou da cama no mesmo instante, pegando nossas roupas do chão e jogando-as na cama para mim. — Vista-se!
- Ele tem sentimentos mal resolvidos por você. Talvez só me queira fora do caminho.
Nossos olhares se encontraram.
- Foi o que eu pensei. — disse ele.
Aquele pensamento esteve martelando minha cabeça. Talvez Rev poderia ser o cara da máscara.
Depois de uma ida ao banheiro, Brian apareceu vestido com a camiseta ainda molhada. Fazia sol, então não precisariamos de roupas pesadas.
- Vou pegar meu carro. — disse ele. — Vou parar na saída dos fundos em vinte minutos. Até lá, fique aqui, entendeu?
Acenei.
Ele aproximou-se de mim, puxou-me pela nuca e selou nossos lábios em um beijo sem língua. Não sei quanto tempo ficamos naquela posição, mas eu não poderia reclamar se ficassemos ainda mais tempo ali, então, Brian se foi.
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