Theres a Hell...

31 Capítulo 30- Save Me


Depois que Brian saiu, tranquei a porta e fiquei esperando-o enquanto me vestia.

Agora, eu começava a me preocupar com minha mãe e Johnny. Minha mãe inclusive, me mataria.

Aproximadamente quinze minutos depois, olhei pelo olho mágico da porta, tentando enxergar Brian. Nada. Destranquei a porta e quando estava a ponto de abri-la, houve um piscar de luzes atrás de mim. Virei, praticamene esperando encontrar Rev, mas o quarto estava vazio e quieto. Porém, a eletricidade havia voltado.

A porta rapidamente se abriu em um estalo que não foi causado por mim. Saí para o corredor, correndo. O carpete era vermelho-sangue, completamente gasto e meio manchado com marcas estranhas. As paredes tinham sido pintadas em cores neutras que agora estavam amareladas pelo tempo. Eu me sentia em um filme de terror.

Andei até achar um letreio em neon verde indicando a saída. Segui a seta pelo corredor e dobrei uma esquina de portas. O carro de Brian freou do outro lado da porta dos fundos. Saí correndo e pulei no banco do carona desesperado.

(...)

Não haviam luzes acesas quando Brian se aproximou de minha casa. A chuva tinha parado e mais cedo havia um sol maravilhoso no céu, agora o dia estava nublado e a neblina se acumulava como sempre, em volta de minha casa.

— Vou olhar lá dentro. — disse Brian, saindo do carro.

— Você acha que Rev 'tá lá?

— Não sei, vale a pena checar.

Esperei na Range Rover, e alguns minutos depois, Brian apareceu na porta da frente. Me sentia aliviado por saber que minha mãe não estava em casa.

— 'Tá tudo bem. Vou até a escola e volto assim que achar alguma coisa na sala dele.

Abri a porta do carro e deixei que minhas pernas me levassem rapidamente pelo caminho. Quando girei a maçaneta, ouvi Brian descendo os degraus da entrada. As tábuas da varanda rangeram sob meus pés e subtamente me senti muito sozinho.

Mantive todas as luzes desligadas e me esgueirei pelo interior de minha casa, vistoriando todos os cômodos, a partir do primeiro andar. Brian já examinara tudo, mas achei que não faria mal olhar de novo. Depois de ter certeza que não tinha ninguém escondido em minha casa, fui para o banho. Eu estava grudando e tinha cheiro de suor e sexo preso no meu corpo.

(...)

Não demorei no banho. Dez minutos depois, eu estava me enfiando em uma calça jeans escura e um suéter preto com decote em V. Alcancei o telefone de casa e disquei o número de minha mãe.

— Zachary? Chubby? É você?

Respirei fundo, arrumando uma boa desculpa.

— Aconteceu o seguinte...

— A cidade quase toda está inundada, filho. Estou em Milliken Mills ainda. Não vou poder voltar hoje.

— Peraí... você não vai voltar hoje?

Soltei um suspiro pesado, sentando na pia da cozinha logo depois.

— Não vai dar. Não consigo sair daqui. O trânsito 'tá péssimo, Zachary.

— Ok.

Eu estava realmente desapontado. Precisava da minha mãe.

— Cadê seu celular?

-Perdi!

— Perdeu onde?

— Porra, mãe. Vai aparecer em algum lugar.

No corpo de uma mulher.

— Ok, Sr. Educação, ligo pra você assim que abrirem a estrada. Enquanto isso, vá treinando sozinho como se trata uma mãe.

Desliguei na cara dela, ligando para Johnny logo depois.

Secretária eletrônica.

Descendo da pia, guardei o telefone sem fio dentro do bolso traseiro do meu jeans, tentando me convencer de que Johnny estava bem.

Na bancada vi um frasco com meus comprimentos de ferro, fui pegá-los para não precisar passar mal como aconteceu mais cedo. Engoli dois deles, em seguida tomando um copo grande e largo de Coca-cola normal. Fiquei quieto, esperando por um tempo fazer efeito, sentindo a minha respiração se regular e meu corpo acalmar.

Devolvendo a garrafa de coca-cola à geladeira, o vi parado entre a porta da cozinha e da lavanderia. Um barulho surdo foi o que eu ouvi em seguida, sentindo todos os meus pêlos se eriçarem e aquela sensação de gelo descendo todo o meu corpo. Tive tempo apenas para olhar para o chão e ver que eu tinha derrubado a garrafa.

— Rev? — perguntei.

Ele inclinou a cabeça para um lado, demonstrando surpresa.

— Você sabe meu nome? — Fez uma pausa, rindo de mim. — Quero dizer, meu outro nome.

Recuei até a pia, aumentando a distância entre nós. Rev não parecia nada com o Sr. Sullivan naquele momento. O cabelo estava liso e maior que de costume, os lábios estamos envoltos em um bico e os olhos do azul mais brilhante refletiam certa fome. E não fome de comida. Os olhos pareciam agressivos, com um toque negro dentro deles.

— O que você quer? — rosnei.

Ele riu, produzindo um som que lembrava também um rosnado.

— Quero o Brian.

— Você é cego ou não viu que o Brian não 'tá aqui? — Desafiei.

Ele maneou a cabeça.

— Acho que o cego aqui é você. Não tente bancar o esperto comigo, Zachary Baker. Eu esperei lá fora antes de entrar, até que Brian partisse. Não foi nisso que pensei quando disse que eu o queria.

O sangue latejando em minhas pernas retornou ao coração com efeito atordoante.

— Sei que anda me espionando.

— Isso é tudo o que sabe de mim? — ele perguntou com olhos penetrantes.

Lembrei-me das noites em que sentira presenças duvidosas pela janela do quarto.

— É a primeira vez que venho aqui. Bela casa.

— Deixa eu refrescar sua memória? Esqueceu que você andava olhando pela janela do meu quarto enquanto eu dormia? Eu sentia você, Rev. Chega de mentir.

O sorriso dele cresceu de um jeito que jurei não caber em seu fino rosto.

— Burro! Só segui você no almoço naquela tarde, ataquei seu amigo e deixei sugestõezinhas na cabeça dele, fazendo ele pensar que o culpado foi o coitado do Brian. Não foi nada nem perto de um esforço. Para começar, Brian não é nada inofensivo. Sempre tive interesse em te deixar com medo dele.

— Para que eu me afastasse dele? Sinto muito, Rev mas isso só fez com que...

— Eu sei que você não se afastou, você 'tá me atrapalhando, gordo.

— Atrapalhando o quê? Brian está com...

— Vamos lá, Zacky. Se você sabe quem sou, então sabe como funciona. Quero que ele recupere as asas. Ele não pertence à Terra. Pertence a mim.

Permeti que meu nervosismo se saísse em risadas grossas e altas. Eu sabia que Rev era perigoso, mas eu não conseguia parar de rir. Ele tinha tanto ódio no olhar que parecia engraçado.

Aquilo para ele tinha sido a gota d'água e eu sequer tinha percebido. Rev contornou a bancada, vindo em minha direção.

Recuei o mais rápido que pude para o lado contrário da bancada, mantendo ainda a distância. Fiz um esforço mental para imaginar um modo de parar de rir, ou escapar dali. Eu morava na casa havia um período pequeno de tempo, mas ainda sim sabia a planta. Conhecia todos os lugares secretos e esconderijos.

Ordenei meu cerébro a parar de rir, inicialmente. Gradativamente ele me atendeu. Comecei a pensar em alguma coisa, algo impulsivo e brilhante. Quando eu achei uma luz ao fim do túnel, minhas costas esbarraram no aparador.

Anjos adoram expremer o corpo das pessoas.

— Enquanto você estiver por aí, Brian não vai voltar comigo. — disse Rev. — Você superestima os sentimentos dele por mim.

Eu queria rir de novo, mas me concentrei e fiquei olhando seus grandes olhos puros por um instante.

— Aliás, você acha que ele tem algum tipo de sentimento por você? Todo esse tempo você pensou... — Ele interrompeu a frase, gargalhando, como eu havia feito. — Ele não vai ficar porque ama você, Zachary. Ele quer te matar. Você é apenas um objeto sexual para Brian, além de ser o meio com que ele vai voltar a ser um anjo celestial. Não se tocou ainda?

Sacudi a cabeça. Um de meus punhos estavam se fechando e eu sabia que não teria aquela coragem, mas a desejava.

— Ele não vai me matar.

O sorriso de Rev endureceu.

— Se é nisso que acredita, então não passa de outro imbecil que ele seduziu para obter o que deseja. Ele tem talento para isso. — acrescentou maliciosamente. — Afinal de contas, ele me seduziu para conseguir o seu nome. Bastou um toque dele e lhe contei que sua morte se aproximava.

— Conte uma novidade, que tal? Ele me deixou tocar as cicatrizes ele.

Ele me ignorou.

— Ele 'tá fazendo o mesmo com você, seu bobinho. Dói ser traído? Eu sei.

— Não dói... o único traído aqui é você.

— Ele planeja usá-lo como sacrifício. 'Tá vendo essa marca? — Ele puxa meu pulso com força, colocando-os entre nossos rostos. — Significa que você descende de um nefilim. E não de qualquer nefilim: você é descentende de Dakota, o vassalo de Brian.

Olhei a cicatriz por um momento, chegando a acreditar do que ele dizia. Mas sabia que não devia confiar.

— Existe um Livro chamado Enoque, nele um anjo caído mata seu vassalo nefilim ao sacrificar uma de suas descendentes. Você não acha que Brian andou lendo demais esse livro? Ao matar você, ele se tornará humano.

Inesperadamente, Rev tirou uma faca da cintura, apontando-a para mim.

— É por isso que quero me livrar de você. Parece que de um jeito ou de outro, sua morte está próxima.

— Brian 'tá voltando — exclamei.

— Vai ser rápido. — prosseguiu ele. — Sou um anjo da morte. Levo as almas para o outro mundo. Assim que acabar, carregarei sua alma e você não sentirá nada. Não precisa ter medo.

Eu queria berrar agora, mas minha voz 'tava embolada na garganta. Me afastei dele, contornando o aparador, deixando que a mesa da cozinha ficasse entre nós.

— Se você é mesmo um anjo, cadê suas asas?

— Chega de perguntas. — A voz demonstrava impaciência. Ele começou a diminuir novamente a distância entre nós.

— Faz quanto tempo que deixou o céu? — perguntei, tentando enrolar e ganhar tempo. — Você já 'tá aqui faz muitos meses, não é? Não acha que já sentiram sua falta?

— Nem mais um passo — disse asperamente, erguendo a faca. A lâmina faiscando.

— Brian 'tá te dando trabalho demais, não acha? — exclamei outra vez, com a voz totalmente falha. Foda-se, eu estava mesmo morrendo de medo. — Eu 'tô surpreso de você não ficar ressentido por ele usá-lo quando é adequado aos objetivos dele.

— Ele me deixou por uma miserável garota humana. — ele cuspiu, com os olhos azuis em chamas.

— Ele não o deixou. Não exatamente, ele só caiu...

— Ele caiu porque queria ser humano, como ela! Ele tinha a mim! — Rev soltou uma gargalhada de desprezo que não escondia raiva nem tristeza. — No início me senti ferido e nervoso, e fiz tudo o que podia para esquecê-lo. Depois, quando os arcanjos compreenderam que ele estava realmente tentando se tornar humano, enviaram-me aqui para fazê-lo mudar de ideia, já que namoramos um tempo. Jurei que não me apaixonaria de novo, mas o que adiantou?

— Rev... — comecei a dizer suavemente.

— Ele nem se importava com o fato de aquela garota ser feita com a poeira da terra! Vocês, todos vocês, são egoístas e preguiçosos! Seus corpos são selvagens e indisciplinados. Em um momento estão no auge da alegria, no momento seguinte estão à beira do suicídio. É deplorável. Nenhum anjo aspira tal condição! Olhe para mim! Mal posso me controlar! Fiquei tempo demais aqui, submerso na merda humana.

Enquanto ele se distraia me contando as desgraças mundiais que eu já conhecia, virei-me e saí correndo da cozinha, derrubando uma cadeira atrás de mim, para deixá-la no caminho de Rev. Disparei pelo corredor, sabendo que 'tava entrando em um beco sem saída.

Fui empurrado com toda força pelas costas e lançado para frente. Derrapei pelo corredor caindo de barriga para baixo. Meu rosto beijou o chão. Virei-me e vi Rev parado a alguns metros de mim — sobre o ar -, a pele e o cabelo banhados por uma brancura ofuscante. Apontava a faca em minha direção.

Não pensei. Posicionei minhas mãos no piso, dei um chute para trás com toda força e me levantei, jogando meu corpo para frente. Peguei uma mesinha de centro que 'tava bem perto de mim e lancei contra Rev, fazendo a faca cair de sua mão. Enquanto eu corria, Rev apontou para um abajur na mesinha da entrada e com um gesto manual, fez com que ele viesse em minha direção. Caí novamente quando senti o abajur nas minhas costas. Rolei no chão junto com os estilhaços da lâmpada espatifada, sentindo o telefone sem fio deixar meu bolso.

— Mova-se, bastardo! — ordenou Rev.

Eu 'tava próximo da saída, quando Rev pareceu ler meus pensamentos, criando uma barreira diante da porta da frente com um banco, me bloqueando.

Arrastando-me para frente, consegui levantar novamente. Minhas costas ardiam. Subi as escadas de três em três degraus, usando o corrimão para pegar impulso. Ouvi a risada de Rev no corredor. Corri mais um pouco até alcançar os últimos degraus. Ao chegar lá em cima, entrei no quarto da minha mãe, batendo as portas duplas de madeira.

Corri até uma das janelas do lado da lareira e olhei para o chão lá embaixo, ficava a dois andares de distância. Havia três arbustos em um canteiro de pedras logo abaixo, sem folhagem nem nada. Eu não sabia se ia sobreviver à queda.

— Abre essa porra, Baker! — ordenou Rev, do outro lado da porta.

A madeira rachou quando ele deu a primeira batida. Depois começou a se partir quando ele a forçava contra o trinco. Não havia mais saída e nem tempo.

Corri para a lareira e mergulhei no console. Tinha acabado de levantar os pés, firmando-os no interior da chaminé quando as portas se abriram, batendo contra a parede. Ouvi os passos de Rev até a janela.

Só bastava saber se eu ia conseguir sair daquela merda quando tudo aquilo acabasse. Eu 'tava realmente muito apertado dentro da chaminé.

— Zachary! — chamou, com a voz delicada e aterrorizante. — Sei que você 'tá por perto! Eu sinto sua presença. Você não pode correr, nem se esconder. Vou queimar a casa inteira, cômodo por cômodo até você aparecer esturricado por aí. Não vou deixar você escapar vivo.

O fulgor de uma luz forte e dourada ganhou vida do outro lado da lareira, e junto ao barulho do fogo, uma chama pode ser vista. As chamas produziam sombras que dançavam dentro da lareira, embaixo de mim. Ouvi o estalo e senti o calor do fogo que provavelmente estaria consumindo os móveis.

Fiquei escondido na chaminé. Meu coração palpitava, o suor escorria. Respirei profundamente várias vezes, soltando o ar lentamente, para administrar a dor dos músculos das pernas, intensamente contraídos contra as paredes do lugar. Brian tinha dito que voltaria rápido, mas cadê ele?

Sem saber se Rev ainda estava ali, fiquei com medo de sair. Mas também temia o fogo tomando conta do quarto. Abaixei primeiro uma perna e então a outra, saí do esconderijo com certa dificuldade. Rev não 'tava por perto, mas as chamas subiam pelas paredes, pintando-as de preto com as chamas. A fumaça tomava conta de todo o quarto.Corri pelo corredor, sem ousar descer para o outro andar. Imaginei que Rev estava me esperando escapar por algumas das portas.

Abri a janela do meu quarto, a árvore lá fora 'tava próxima e era bem robusta, seria fácil de escalar se meu peso não atrapalhasse. Talvez a neblina me ajudasse a escapar. Os vizinhos estavam só a um quilômetro de distância. Se eu corresse bem rápido, poderia chegar lá em poucos minutos. Eu 'tava a ponto de colocar a perna para fora da janela quando ouvi um ruído diferente no corredor. Peguei o telefone do meu quarto e disquei o número da polícia.

— Porra, tem alguém queimando minha casa. Tão querendo me matar. — sussurrei para a telefonista desesperado.

Terminei de dar o endereço e corri para uma parte grande que tinha no meu armário. Deixei uma das portas abertas para que fosse mais difícil de me ver. Então, entraram no quarto.

Através das ripas de madeira observei uma figura envolta em sombras entrar no quarto. Havia pouca luz, e meu ângulo de visão era ruim. Eu não conseguia distinguir nenhum detalhe. A figura se afastou as cortinas da janela e olhou para baixo. Não achou nada e virou-se na direção do armário, andando até ele. Era agora a hora da minha morte.

Tateei o chão, buscando qualquer objeto que pudesse servir para eu me defender. Meu cotovelo esbarrou em uma pilha da caixas de tênis, que acabou caindo. Me xinguei silenciosamente, mas os passos se aproximaram.

As portas do armário se abriram. Fechei os olhos e joguei um de meus tênis. Depois outro, e outro e outro.

Brian soltou um palavrão em voz baixa, fazendo-me olhar para ele. Fiquei assustado. Rev poderia me fazer pensar que aquele é Brian. E se não fosse?Lutou para me tirar de dentro do armário. Antes que eu pudesse manifestar minha raiva por ter me assustado, os braços firmes me apertaram contra si.

— Você 'tá bem? — murmurou em meu ouvido.

— Rev 'tá aqui. — disse bem baixinho. Meus joelhos tremiam e eu parecia uma garota. O abraço de Brian me segurava em pé. — Ele 'tá botando fogo na casa.

Brian me entregou o molho de chaves de seu carro e apertou meus dedos em torno dos metais.

— O carro 'tá estacionado aí na frente. Entre nele, tranque as portas, dirija até o lugar mais longe que você conseguir e espere por mim. — Ele levantou meu queixo para que eu o olhasse. Deu um beijo rápido em meus lábios e empurrou minha cintura para longe dele.

— O que você...

— Vou cuidar dele, Zachary. Agora vai.

— Como? Deixa eu...

Ele me olhou com uma cara que dizia Você quer mesmo saber dos detalhes?.

— Você chamou a polícia?

— Eu pensei que você fosse Rev...

Ele já estava me empurrando para a porta novamente.

— Vou atrás de Reverend. Vai até o lugar mais longe que conseguir, vou saber onde você 'tá.

Olhei para ele uma última vez e apertei as chaves contra minha mão. Saí do quarto e corri até o andar de baixo, encontrei o Range Rover parado na entrada e pulei para dentro dele. Coloquei a chave na inigção e fugi com o carro. Concluí que era inútil tentar ligar para Johnny de novo.