Notas iniciais
Finalmente chegamos a mais um capítulo! E recapitulando o capítulo anterior vimos que o que começou como aula de magia e passou para uma noite "romântica" acabou em desastre, Emma e Regina trocaram de corpos. E o que temos nesse capítulo? Temos a continuação dessa noite a partir do exato momento onde o capítulo anterior acabou, também vemos Regina e Emma se "adaptando" as suas novas formas, assim como mais uns acontecimentos. Boa leitura!

— Mas como isso possível! – disse Emma se encolhendo ao ouvir o novo próprio tão de voz, e pensando melhor se corrigiu, afinal tudo era possível em Storybrooke. Até Henry já tinha passado por isso... — Quero dizer, como a gente fez isso?

— Eu não sei... Nunca aprendi a fazer um feitiço desses.

— Então você não sabe como destrocar?

— Se soubesse acha que estaria discutindo e já não teria tentado desfazer isso? – disse Regina, uma sobrancelha levantada. Emma nunca achou que seu rosto poderia parecer tão descrente. Desviou o olhar se encolhendo, e tapando os seios, tentando se esconder. Tinha vergonha, não sabia exatamente do que. Regina havia sido mais esperta e já tinha se enrolado na colcha da cama.

— E se... Se foi por que a gente... Você sabe...

— Emma, você pode não estar falando sério...

— E se a gente... De novo... Talvez...

— Agora sim não pode estar falando sério! – explodiu Regina, as bochechas rosadas não eram visíveis na semi-escuridão, mas ela as sentia queimar. — Eu não conseguiria... Você seria capaz?

— Não! Claro que não... – respondeu Emma finalmente a fitando com os olhos castanhos.

— Então por que diabos propôs isso? – perguntou Regina. Bem, isso é algo que eu diria, Pensou Emma com divertimento, mas não falou.

— Não sei! Só me veio na cabeça... E o Rumplestiltskin? Ele ajudou o Henry ele poderia nos ajudar, certo?

— Você tem realmente certeza quer falar com Rumplestiltskin, agora? – disse Regina, dando uma boa olhada no seu próprio corpo a sua frente. — Não sei você querida, mas não tenho vontade nenhuma de ver meu corpo andando nu por ai. – começou a sair da cama deixando a colcha pra trás, Emma estava sentada na outra ponta. — E além do que não acredito que Rumple vá nos ajudar assim tão facilmente, sem nada em troca. Henry é seu neto, nós não somos nada dele. – disse Regina indo em direção ao closet.

Emma não tinha idéia do que Regina estava fazendo, mas claramente a agora loira Regina Mills já tinha algo em mente. Regina desviou o olhar – o máximo que pode, coisa difícil – dos espelhos em cada canto, pegou os dois primeiros robes que viu, ambos cinza. Colocou rapidamente um dando um nó na cintura e levou o outro para Emma, retornando viu Emma ainda encolhida, disse:

— Não tem nada aí que eu não tenha visto. – debochou alcançando o robe.

— Eu poderia dizer o mesmo. – devolveu Emma, saindo da cama e pondo o robe, agora podia notar que Regina não era tão alta quanto parecia. Isso fez lembrar da versão jovem que conheceu.

— Além do que, teríamos que contar em que situação aconteceu ocorreu à troca... – disse Regina de braços cruzados.

— Entendo. – respondeu Emma sem fitar os olhos verdes. Se já não bastasse terem trocado de corpo, e ser obrigada a ver o próprio corpo na sua frente isso a lembrava do descontrole que teve, quando viu sua cópia. Ela tinha que lembrar que – apesar do que os olhos viam – aquela mulher era Regina, não algum tipo de fantasma projetado por magia.

— Acredite em mim, eu darei um jeito nisso, Emma. – disse Regina dando um passo em frente, fez menção de pegar a mão de Emma, mas se deteve, era estranho demais tocar o próprio corpo naquela situação. Cruzou os braços novamente.

— Eu sei que vai. – veio à resposta da mulher morena a sua frente. Tão segura que Regina sentiu as pernas bambearem. Ela não tinha a mínima ideia de como desfazer aquilo. Mas ela iria.

— Certo. – suspirou. — Vamos começar pelo começo, e agora nesse momento a primeira coisa a se fazer é tomarmos um banho, precisamos. E Nos ajudará a pensar claramente. – Emma assentiu. — Venha, vamos escolher algumas roupas. – disse Regina indo para o closet com Emma a seguindo.

Regina começou a mostrar onde tudo ficava, obviamente tudo caberia em Emma. Emma por outro lado só assentia e tentava prestar atenção; no fundo não sabia como Regina conseguia se manter tão calma naquela situação, mas agradecia aos céus por isso, caso contrário ela estaria desesperada. O que Emma não sabia era que o pensamento prático era o jeito de Regina não enlouquecer com a situação.

— Você pode usar o banheiro do quarto, usarei outro. – disse Regina, segurando uma lingerie branca rendada e um robe preto. — No armário você pode encontrar tudo que precisa, tem uma escova de dentes nova em uma das gavetas. Me encontre lá em baixo depois. – passou por ela.

Se olhando no espelho ao fundo do closet Emma via o reflexo de uma Regina perdida. Ela não sabia o que escolher, devia ter pedido para Regina escolher qualquer coisa. Aquela era a casa dela, as roupas dela o corpo dela...

Suspirando Emma passou a mão pelas camisas de Regina. Tudo tinha o cheiro de Regina. Pegou uma camisa azul claro. Suspirando, a agora morena Emma Swan desejou que pudesse continuar com aquele robe, não sentia vontade nenhuma de vestir calças – e muito menos saia lápis. Se pelo menos Regina tivesse shorts... Ou será que tinha? Ela certamente ficaria muito bem usando um... Pensou Emma com um sorriso malicioso e sacudiu a cabeça. Claramente escondidos perto de algumas calças jeans Emma achou o que procurava. Fez uma nota mental de ter de perguntar por que Regina nunca usava shorts. Apenas faltando escolher calcinha e sutiã Emma desejou que não tivesse sido assim que tivesse conhecido todas às lingeries de Regina.

Talvez, no final das contas, um banho não era a melhor coisa a se fazer naquele momento. Nua à frente de um espelho de corpo Regina pode concluir isso. Aqueles grandes olhos verdes eram tão hipnóticos, combinavam tão bem com o cabelo loiro que alcançava o bico dos seios. As pernas longas, atléticas, combinavam com os braços definidos. Passando a mão pelo o braço esquerdo, Regina se arrepiou e balançou a cabeça virando as costas para o espelho.

O que ela estava pensando?! Perdendo tempo com... Com isso! Ela sempre soube que Emma era linda e que tinha um corpo admirável, ela não podia perder tempo pensando nisso agora... Talvez um banho gelado ajuda-se.

Com Emma a situação não era muito diferente, ela não perdeu tempo com a tentação de se olhar no espelho. Mas a água escorrendo por seu corpo... Não, não o corpo de Regina. Ela não pode evitar. A pele de Regina era tão suave, os seios abundantes nas mãos que os apertavam fizeram Emma suspirar de excitamento e frustração; dobrou os braços sobre os seios e deixou a água escorrer pelo rosto. Ela não podia seguir essa linha de pensamento.

Não que ela fosse uma santa imaculada que nunca tivesse dado prazer à si mesma, mas a situação era diferente agora, aquele não era o corpo dela e ela não faria algo com o corpo de Regina que não fosse sem o consentimento dela. Após alguns minutos deixando a água escorrer por seu corpo Emma finalmente conseguiu terminar o banho, tentando evitar pensar muito onde as suas mãos estavam.

Quando finalmente se olhou no espelho descobriu que Regina também era linda sem maquiagem e cabelo molhado – não que tivesse alguma dúvida quanto a isso. E pensando assim sorriu pro espelho, e decidiu não olhar mais em espelhos pelo resto daquela noite, ou ia acabar se apaixonando pelo próprio reflexo.

Saindo do banheiro viu que um tornado da limpeza havia passado pelo quarto. Havia ela demorado tanto assim pra Regina tomar banho e ainda ter arrumado tudo? Ou talvez ela usou magia? Bem, ela não podia culpar Regina, ela também não queria ver os rastros do começo daquela noite, e lembrar de como ela poderia ter sido muito mais prazerosa e menos preocupante.

De cenho carregado saiu do quarto, Regina havia dito para encontrá-la embaixo, talvez ela já até tivesse algo em mente para desfazer o feitiço. Pensou Emma descendo as escadas e um barulho chamou sua atenção, era uma música. Não, não, um toque de celular. O seu. Mas onde?Apurando o passo dobrou para a sala, imediatamente a jaqueta jogada no sofá chamou sua atenção. Sem pensar duas vezes fuçou nela e atendeu o celular.

— Alô.

— Regina? – perguntou Snow no outro lado da linha. Instintivamente a mão de Emma tapa a própria boca, notando o erro que cometeu. — Regina é você? Ainda está ai?

— Sim, sim, sou eu. – respondeu Emma, respirando fundo. Ouviu os passos de Regina vindo dá cozinha.

— Desculpe se liguei por engano pra você. Mas podia jurar que tinha ligado para Emma...

— Não precisa se desculpar, esse é o número da Emma. Ela não podia atender e pediu para que eu atende-se. Pode esperar um minuto? – disse Emma nem se quer ouvindo a resposta de Snow. Tampou o alto-falante do celular com a mão para poder falar com Regina que tinha as pupilas tão dilatadas quanto as suas.

— Quem é? – murmurou Regina.

— Minha mãe!

— Snow? O que ela quer?

— Eu não sei! Você tem que falar com ela.

— Eu? Por quê? Apenas diz que você não pode atender!

— Não posso! Eu já disse que ia passar pra você.

— E o que mais você disse?

— Nada, ela achou que tinha errado o número e eu disse que não, que espera-se que ia passar pra você.

— Certo. – suspirou. — Vamos ver o que ela quer. – disse fazendo sinal para que Emma passa-se o celular.

— Snow?

— Oh, Emma! Está tudo bem? Estou interrompendo algo?

— Não, você não está. – ouvindo a resposta curta e relutante Snow decidiu ir direto ao ponto, pelo tom de Emma claramente algo ela interrompeu.

— Realmente sinto muito se interrompi algo, mas como fazem dias que não nos falamos, estava pensando em você almoçar com nós amanhã, afinal é domingo, a não ser é claro que você já tenha algo planejado...

— Um almoço amanhã? – repetiu Regina para Emma saber do que se tratava. Silenciosamente a morena Emma Swan implorou para que ela aceita-se.

— Sim, tudo bem pra você?

— Tudo bem. Preciso levar algo?

— Não, não a necessidade, só sua presença é suficiente. Boa noite Emma, e de uma boa noite a Regina por mim também.

— Darei. – disse Regina com total ironia, conhecia Snow suficientemente bem para sentir que tinha algo a mais naquele “boa noite”. — E uma boa noite para vocês também. – desligou o celular, passando-o novamente para Emma.

— Parece que realmente serei Emma Swan amanhã.

— Eu sinto muito Regina por fazer você aceitar, se disse-se não ela poderia desconfiar. – desculpou-se Emma.

Vendo o próprio rosto a sua frente, Regina se perguntou se sempre parecia tão triste quando se desculpava.

— Tudo bem. É obvio que passaríamos por uma situação dessas antes de destrocarmos. E além do que sua mãe disse que não a vê a dias. O que é uma coisa estranha considerando que moramos em Storybrooke...

— Eu meio que fui uma filha ausente esses últimos dias. – disse Emma vagamente sem a fitar.

— Bem, de qualquer modo vamos deixar a preocupação de amanhã para o amanhã. Eu recém ia começar a preparar alguns sanduiches, você deve estar com fome. Se não se importa poderíamos comer na cozinha?

— Eu me importar? Regina eu já te ofereci café dá manhã em um apartamento não mobiliado. – disse Emma sorrindo. O sorriso de Emma expressado no seu corpo fez Regina por um instante voltar ao tempo, era como se mesmo que aquele corpo a sua frente que já tinha passado dá juventude a muito tempo, tivesse rejuvenescido. Era como se junto das roupas mais despojadas e o sorriso leve de Emma, e a fizessem ver aquela jovem cheia de esperança e medos que via no espelho quando era jovem.

— Por que está me olhando assim? Eu disse algo errado?

— Não. Não é nada. Vamos comer algo.

— Okay. – disse Emma dando de ombros, pegou a jaqueta do sofá e seguiu Regina até a cozinha.

— Na verdade eu tinha pensado em fazer algo especial para nós... Mas vamos apenas dizer que a noite não saiu como planejado e não seria mais tão agradável.

— Não posso discordar. – respondeu Emma colocando a jaqueta na cadeira e sentando-se a mesa de mármore.

— Quer beber algo antes? Vinho? Whisky?

— O mesmo que você tomar. – respondeu Emma, notando uma garrafa de vinho já aberta na mesa. — Acho que a noite pede um pouco de álcool.

— De fato. – suspirou Regina procurando uma taça, ficando atrás de Emma que a seguia com os olhos.

— Seria narcisista demais se eu disser que esse robe caiu bem em você?

— Na verdade, eu estava pensando o mesmo.

— Ah é sério? – disse, enquanto Regina a servia uma taça de vinho. — Bem, eu não poderia culpá-la. – completou Emma, toda convencida no corpo de Regina. Sorrindo com o elogio bilateral passou a taça a Emma e, tomou um gole da sua própria antes de comentar.

— Só lamento ter sido tão tola e ingênua no passado. Pelo menos teríamos passados mais de uma noite juntas. Talvez uma normal... – sorriu com amargura, pensando quão patético aquilo era e quão deseja que tivesse acontecido. Talvez quando o beijo de Emma a acordou dá poção do esquecimento uma parte daquela garota tola que ela fora, voltou junto com as memórias.

Já Emma achou que talvez Regina tivesse bebido um pouco demais.

— Mas... Mas eu não faria isso. Eu não acho que eu passaria uma noite com você no passado. – disse Emma. Os olhos verdes de Regina pareciam perdidos, mas ela não tinha certeza. Não sabia ler as emoções de Regina em seu rosto. — Eu beijei você, sim eu beijei. Mas foi por causa da Regina que eu já conhecia não dá jovem que conheci. Sim, eu também não devia ter me aproximado tanto, mas eu tinha curiosidade. Sempre quis conhecer mais você, mais do que apenas a mãe do Henry, e aquela era uma oportunidade. Eu já estava apaixonada por você quando a beijei pela primeira vez, e o momento e tudo... Não consegui me controlar... Mas eu não conseguiria ir mais longe do que isso. Não conseguiria viver comigo mesma quando volta-se ao presente sabendo que teria me aproveitado de um feitiço e de poções de esquecimento para passar uma noite com você. – sem ar, Emma não tinha mais nada a dizer. Mas não havia necessidade de dizer algo a mais para Regina. Quando as disse Emma talvez não tinha ideia do quanto essas palavras significavam para Regina, mas vendo os olhos verdes lacrimejantes ela teve.

— Se nós não estivéssemos como estamos eu beijaria você. – disse Regina em meio a uma crise de choro e riso. Limpou as lágrimas do rosto com as mãos e tomou outro gole de vinho. Brincando com a taça nas mãos Regina continuou. — Sinto muito, talvez eu não devesse ter tido aquilo. Mas a verdade é que eu também já estava apaixonada por você antes dá poção de esquecimento ser desfeita, e depois, bem, lembrei que também havia me apaixonado no passado no instante em que nossos olhos se encontraram pela primeira vez. Parece clichê dizer algo assim a essa altura mas... É a verdade. – fez uma pausa, respirou fundo e tomou o gole de vinho restante. Ela nunca pensou que ela poderia um dia contar isso para alguém. Mas prosseguiu.

— Pensando no passado agora, parece que meu coração não tinha esquecido você como minha mente esqueceu. Aqueles que amei sempre tinham algo em comum, até mesmo Daniel, ao olhar para os olhos dele, eles me transmitiam uma tranquilidade, algo que eu não sabia definir, mas era como se ali eu tivesse encontrado algo – alguém – que me fazia falta. Era você. Eu amei-o porque de algum modo, ele me lembrava de você.

— Então... Se entendi direito... Eu... Daniel... A primeira maldição... Tudo aconteceu por minha causa...?

— Olhando por esse lado, sim. – disse Regina sorrindo, e deu de ombros.

— Regina eu sinto muito! Muito mesmo. Eu-eu não sabia que tinha mudado tanta coisa assim. Sua história... E...

— Não se desculpe. Eu não contei para fazer você se sentir culpada, Emma. Na verdade não tinha intenção de falar isso algum dia, mas só senti que podia contar. De qualquer modo, não adianta nada ficarmos remoendo o passado. Temos que nos preocupar é com o agora e o mais importante: o futuro. Porque apesar de você comer principalmente besteiras e ter um corpo maravilhoso – não sei como – eu já sinto falta de ser eu mesma. – assim como Regina tinha certeza o comentário final fez Emma rir, e parar de se desculpar. — Agora vamos preparar algo para comermos!

Notas finais
— Capítulo não revisado, se ver qualquer erro sinta-se livre para me avisar!