There's No Place Like The Past
22 How To Be Emma Swan and Regina Mills and Other Things.
Notas iniciais
Naquele breve momento que você está de olhos fechados, mas tem a consciência de que não está mais dormindo Emma cobre a cabeça com o edredom, de olhos bem fechados – e ainda sonolenta – ela deseja que a noite passada não tivesse passado de um sonho (na verdade um pesadelo) e que quando abrir os olhos vai estar no seu apartamento (e corpo). Destapando a cabeça de mechas morenas vê que não é bem assim, não foi sonho e no agora, na realidade ela está no quarto – e corpo – de Regina sozinha.
Suspira e joga o edredom longe, sai de um pulo da cama passando uma mão no cabelo bagunçado, parando no espelho ao lado da cama admira o reflexo de Regina; como de costume nem o cabelo bagunçado e um rosto de quem recém acordou conseguem apagar totalmente a beleza da morena. Emma sorri com as tendências dos seus pensamentos que dão vez a aquela frustraçãozinha da noite passada. Desejava que a primeira noite que passasse com Regina acordassem ambas na mesma cama; não foi assim, devido ao incidente Regina sugeriu que dormissem em quartos separados. (Queria evitar um susto pela manhã ao acordar ao lado do próprio corpo – ela não disse essas palavras porém Emma entendia o sentimento). Emma concordou, dormiu no quarto de Regina e Regina num dos quartos de hospedes (a pedido de Regina). Deixando o espelho de lado procurou pelo quarto suas roupas e não achou (apesar de ter certeza de ter as visto dobradas em cima do divã antes de dormir), só tinha uma saída: vestir algo de Regina. (Também não era de todo uma surpresa; Emma tinha uma leve impressão que suas roupas não serviriam no corpo de Regina, já que tinha mais curvas). Tudo que Emma queria era usar uma calça jeans, e como bem lembrava tinha visto Regina usar jeans em Neverland. Com um pouco de paciência encontrou o que procurava no closet de Regina, na verdade bem mais calças do que esperava, o salto alto não teve escapatória. Vestida e preparada para o dia desceu as escadas; qual foi sua surpresa quando viu seu corpo, no caso Regina, na cozinha vestida de Emma Swan. O sumiço de suas roupas estava explicado.
Emma tomou seu tempo admirando Regina que preparava uma caneca de café, usava suas roupas e o cabelo preso em um rabo de cavalo; internamente Emma achava toda aquela cena engraçada, porém preferiu não rir nem dizer nada já que nem ela sabia muito bem por que achava engraçado; talvez era porque Regina parecia uma mistura delas duas, usava a calça jeans e as botas de Emma e uma camisa branca dela mesma.
— Vai ficar se admirando por muito tempo? – disse Regina a lançando um olhar com aqueles olhos verdes; Emma se perguntou se sempre parecia tão maliciosa assim quando olhava alguém de canto ou se era apenas o efeito de Regina comandar seu corpo.
— Eu poderia dizer o mesmo. – respondeu com um sorriso, notando que Regina também a analisava, ou analisava si mesma, notando que se perdia no devaneio Emma passou uma mão no cabelo castanho; tão macio, pensou Emma.
— Café?
— Sim, mas eu faço. Se tiver tudo bem pra você comigo mexendo na cozinha...
— A casa é sua agora. – brincou Regina mexendo a colherinha na caneca e lambendo depois. Emma assistiu a cena com curiosidade, não sabendo muito bem como reagir; franziu o cenho, pensando que seria muito sexy ver Regina, no corpo de Regina, fazer aquilo. Regina adivinhando por onde andavam os pensamentos de Emma com o que fizera com a colher decidiu a trazer de volta pra terra do aqui e agora e fora da fantasia.
— Café? – ofereceu novamente.
— Sim, sim.
— E Emma. – disse indo pegar uma caneca pra outra mulher no armário d’outro lado da cozinha. — Eu não estava apenas ironicamente brincando, você é livre para ir e vir, fazer o que quiser nessa casa também. – sem dizer uma palavra Emma assentiu, o silêncio apareceu. Regina voltou, alcançou a caneca e pegou a sua; encostada na mesa assistiu Emma fazer o próprio café e tomou um gole do próprio. Talvez fosse melhor não beber café com o nervosismo que sentia nessa situação de corpo trocado e pré-almoço na casa dos encantados.
— Café não é bom pra ansiedade, né? – disse Emma compartilhando seus pensamentos ao se virar e tomar um gole de café.
— Nervosa também?
— Como não estar? – disse se apoiando. — Você se passando por mim em um almoço em família enquanto eu vou ficar aqui sem fazer nada e sem saber de nada.
— Frustrante, eu sei.
— É... Com todo esse seu rebolado vai ser difícil convencer... – provocou Emma.
— Meu rebolado? E quanto ao seu jeito... Atirado?
— Atirada? – disse Emma melodramática, forçando a voz, provocando Regina. — Eu?
— Oh pare...
— Parar o que Srta. Swan?
— Ah não... Emma... – pediu Regina, pro divertimento de Emma.
— Por isso sempre me chamava assim! Srta. Swan. Sua voz! – disse não contendo uma gargalhada.
— Emma. Por favor, pare de brincar com a minha voz.
— Ok, tudo bem, tudo bem. Srta. Swan.
— Emma!
— Tudo bem. – disse levantando as mãos (e a caneca numa delas) em sinal de paz. — Eu sei, eu sei, nós temos coisas mais importantes com o que se preocupar, mas não consegui resistir.
— Sim, nós temos. Vamos ter que trocar de roupa por exemplo.
— Vamos ter que ir na minha casa então... – respondeu Emma, com jeito de quem só de pensar em ter que caminhar já se sentia cansada.
— Sim. Mas por que tão desanimada? Podemos ir em um estalar de dedos, lembra? – disse Regina e tomou um gole do café já não tão quente, porém gostoso. — Nossa noite não foi uma falha completa, pelo menos nossa aula resultou em progressos nas suas habilidades mágicas.
— Eu posso fazer de novo? Me teletransportar?
— Sim, por que não poderia? É só se concentrar. – disse a loira Regina, olhos brilhando, leve sorriso nos lábios rosados naturalmente.
— Podemos terminar o café primeiro? – pediu. Regina refletiu por um momento, era só uma caneca de café que agora deveria estar pela metade, é claro que se fossem agora quando voltassem esse café iria fora, desperdiçado; será que era algum trauma da época que Emma era mais jovem e roubava para sobreviver? Ela não quis pensar mais.
— Mas por que deixá-lo pra trás? Você pode levar, na verdade, você levará dois cafés e duas pessoas até seu apartamento. – parou um momento, Emma ainda duvidava muito dos próprios poderes... Ela teria que de ter paciência. — Sim, você consegue. Nós leve até lá.
— Mas nós estamos... Trocadas, será que... Eu não sei, não vai interferir?
— Acredito que não, talvez só mude a cor da sua magia que é visível. E claro... não será só boa magia...
— Tudo bem então. – disse dando de ombros e fechando os olhos, no segundo seguinte Regina se viu no apartamento de Emma, mais precisamente no quarto de Emma, a morena estava sorrindo, ela sorriu de volta.
— Agora, vamos escolher algo bem Emma Swan. – disse Regina agora brincando com a voz alheia. Após alguns minutos Regina estava finalmente aparentando ser Emma Swan, mechas loiras soltas sobre um sweater branco, que até Regina admitiu: apesar de ser todo branco era bonito o bordado, e caia muito bem no corpo de Emma; de praxe uma calça jeans skinny preta e botas (não tanto pro agrado de Regina) também pretas. Já com o look que Regina escolhia para Emma vestir aconteciam umas divergências a mais. Divergências que começaram quando Regina escolheu um vestido cor vinho para Emma usar.
— Regina, por favor eu vou passar o dia inteiro na sua casa, fingindo ser você, para ninguém, não tem necessidade de eu trocar de roupa... – implorou Emma, com grandes olhos castanhos de cachorrinho perdido. Regina nem sabia que era capaz de fazer essa cara tão convincente também.
— Mas é exatamente por isso que tem que trocar de roupa, vai que alguém me procura.
— Quem, por exemplo? – indagou Emma, misto de curiosidade e ciúmes no tom e rosto.
— Ciúmes?
— Eu? – bufou. — Até parece. – Regina fez mais uma nota mental: a de que ciúmes também transparece demais no rosto dela.
— Ok, sem ciúmes. Mas sim você vai trocar de roupa também. Fique com a calça então, mas vou pegar uma blusa e um blazer.
— Tudo bem. – disse Emma derrotada. O aborrecimento de Emma acabou após a troca de roupas, assim como Regina fizera antes se trocou na frente da outra mulher, afinal Regina conhecia tudo que estava na frente dela mesmo. E ainda elogiou.
— Boa escolha de lingerie. – comentou ao ver o sutiã rendado branco. Emma nada disse, nem precisava, o sorriso meio malicioso era resposta suficiente. Emma se olhou um momento no espelho, a blusa lavanda dava um bom contraste com todo o resto de blazer, calça e sapato pretos. Não lembrava de ter visto Regina usar essa cor antes. Só na viagem no tempo.
— Acho que podemos descer, estamos prontas. – disse Regina atrás dela, assentiu e viu o próprio reflexo atrás de si sorrir. Desceram as escadas com Emma dando as últimas dicas pra Regina.
— Nada de “queridos” e “queridas” porque isso é muito você okay?
— Certo.
A calmaria da preparação só durou até Emma e Regina chegarem ao último degrau da escada. Alguém batia na porta.
— Tem alguém na porta.
— Mas não estava esperando ninguém. Quem visita alguém essa hora... – parou de falar e pegou o celular de Emma no bolso de trás da calça — Quem visita alguém as 9:45 da manhã de um domingo? Você tem atender.
— Eu?
— Sim. Quem quer que seja deve estar querendo falar comigo. – explicou Regina olhando de cima a baixo Emma.
— Entendi. – respondeu a morena passando por Regina.
— Vou ficar por perto.
— O quê? Por quê? Você disse que tinha que ser eu. – sussurrou Emma, a campainha tocou novamente.
— Sim, mas quero saber o que querem e seu caro está estacionado na frente de casa, todo mundo sabe que você está aqui.
— Tudo bem, tudo bem. – bateram novamente. Respirando profundamente Emma foi em direção à porta, Regina manteve uma distância atravessando o corredor e ficando próxima a porta da cozinha, olhando ansiosa para porta. Sua surpresa não foi maior do que a de Emma ao abrir a porta.
— Snow. – disse Emma com as pupilas dos olhos castanhos dilatas em surpresa.
— Olá, Regina. – disse Snow oferecendo um sorriso. Emma boquiaberta demorou um segundo pra assimilar o que deveria fazer, piscou os olhos repetidamente e tentou oferecer um sorriso como quem diz que tudo está normal; que aos olhos de Snow pareceu um sorriso forçado e que dizia que essa não era uma boa hora para falar com Regina. Tinha razão, não era mesmo. — Entre. – por fim concluiu Emma, Snow entrou a tempo de notar Regina indo para cozinha. A chamou.
— Emma, não vai me cumprimentar? – Regina parou e ainda de costas respirou profundamente antes de se virar, esse momento chegaria de qualquer maneira com o almoço que teria de ir hoje, só chegou um pouco mais cedo e angustiante. Se virou.
— Olá. Quero dizer me desculpe, não tinha notado que era você. – respondeu sorrindo mais convincente do que Emma fizera antes, mas Emma não dizia “oi” ao invés de “olá”? Droga! Pensou e suspirou olhando pro chão, e de novo para Snow, que, não soube interpretar o que isso significava e se sentia deslocada.
— Eu vi o seu caro ali fora. O que está fazendo aqui? Tão cedo... – perguntou por fim Snow não muito certa o que dizer, mas as três ali presentes pensavam a mesma coisa, da razão de Emma estar ali tão cedo, mas é claro ninguém admitiria em voz alta.
— Bem, você também está aqui e é cedo. – respondeu Regina de supetão, esquecendo de se passar por Emma, Snow pareceu um tanto surpresa com a resposta mas nada disse. Regina pôs uma mão na cintura e tirou uma mexa de cabelo do rosto pra disfarçar a exasperação de ter notado o que falara. — Eu jantei com Regina ontem após ela ter me dado uma aula sobre magia, era um pouco tarde e ela ofereceu um quarto para que dormisse aqui, por isso estou aqui tão cedo. – concluiu e seus olhos se encontraram com os de Snow, ela tinha um leve sorriso nos lábios, aquilo quase deu a Regina à certeza de que a outra mulher sabia que aquilo era uma mentira, e que estava contente em não ouvir a verdade. Ela temeu pelo dia que ela e Emma revela-sem que se amam.
— Isso é bom, acredito que Regina tenha muito o quê a ensinar. – respondeu Snow e lançou um olhar na morena calada.
— Mas e você, por que está aqui tão cedo? – perguntou Regina antes que Snow fala-se algo mais.
— Vim falar com Regina. – olhos verdes e castanhos se dilataram, e trocaram olhares, ambas se perguntavam sobre o que era a conversa, por fim Emma falou.
— Você pode falar agora...
— Na verdade eu queria falar só com você. – Emma tomou seu temo antes de articular uma resposta, pensando exatamente a mesma coisa que Regina: que diabos queria Snow conversar sobre que não poderia ser falado em frente de Emma (ela). Sentindo o silêncio, e os entreolhares de Regina e Emma a cruzarem, Snow tentou se explicar, a Emma, crente de que Regina assentisse na conversa mesmo que também não soubesse qual era o assunto. — Não é nada demais, é só algo que Regina pode me aconselhar melhor.
Isso obviamente aguçou ainda mais a curiosidade de Regina, que desesperadamente queria saber do que se tratava a conversa, já Emma não era tanto a curiosidade que à angustiava, mas sim uma certa desconfiança, um ciúmes de a mãe dela não achar capaz de ela ajudá-la em algo; mal sabia Emma que o que Snow disse foi só um pretexto e, que nada tinha a ver com o assunto. Nesses segundos de desconfiança e ciúmes mesclados Emma inspirou e expirou profundamente, o que deu a Snow a impressão de que escolherá um péssimo dia para falar com Regina, a morena parecia sem paciência – mais do que o usual – e irritada. Mas ela estava aqui, e talvez isso fosse para o melhor, talvez ela já devesse ter ido conversar com Regina há dias.
— Tudo bem. Podemos conversar na biblioteca. – Snow assentiu e se voltou para Regina.
— Vou para casa depois, e já que está aqui se quiser me esperar, e se você e Regina não tiverem nada para fazer podemos ir juntas, Emma. – sugeriu.
— Sim, é claro. – respondeu Regina e ficou assistindo Snow e Emma irem pra biblioteca, ouviu a porta se fechar. Ansiosa e exasperada se foi para sala passando as mãos no cabelo e se sentou a esperar.
Quando fechou a porta todo o pequeno montante de coragem que Emma juntará no momento de ciúmes a um minuto atrás se esvaiu. E se Snow fala-se sobre uma memória antiga? Alguma coisa que só ela e Regina sabiam sobre si? Se fosse algo que não se pode fingir saber? E se ela tivesse que revelar que ela, Emma, estava no corpo de Regina e visse-versa? Pior: e se Snow pergunta-se como isso aconteceu? Detestava mentiras, mas teria de mentir, sua mãe não aguentaria tudo assim de uma vez... Se ela ainda se lembrava do trauma de pegar os pais no flagra imagina Snow com tudo isso...
— Regina? – ouviu Snow a chamar, só então levantou o olhar, nem percebera que olhava pro chão no seu devaneio de “e ses?”.
— Sim?
— Você está bem? – indagou Snow, com uma leve preocupação estampada no rosto.
— Eu? – disse Emma, soando mais desdenhosa do que pretendia. — Estou bem.
— Só disse porque você parece um pouco nervosa...
— Estou nervosa para saber no que posso te aconselhar. – respondeu Emma sinceramente, aos ouvidos de Snow aquilo soou bem Regina.
— Eu... Bem, eu também não sei ao certo como dizer... Ou por onde começar.
— Apenas diga... – disse Emma em tom compreensivo mas visivelmente nervosa, mãos inquietas entregavam o nervosismo. — Por que não sentamos? – ofereceu a Snow, no nervosismo esqueceu das boas maneiras que Regina provavelmente demonstraria.
— Não. – respondeu Snow no próprio nervosismo. — Estou bem assim e não pretendo demorar muito é sobre a Emma.
— Emma?
— Emma. – repetiu Snow. Emma sem saber se esse seria um assunto mais fácil de se falar sobre ou se seria ainda mais difícil de se passar por Regina espirou audivelmente e, seu nervosismo refletido pelo rosto de Regina dava a impressão de desconforto, o quê, para Snow parecia uma resposta a todas as suas dúvidas. Isso a deixava de certa forma triste; por que a ocultação? Pouca confiança? Teria Emma medo? Em reflexo das próprias reflexões foi à vez de Snow espirar audivelmente, retornou a si e encarou a mulher de olhos castanhos, era hora de falar. — Primeiro queria pedir que não fale de nossa conversa a Emma. Regina sei que talvez seja pedir demais, mas pode me prometer isso?
Que diabos ela deveria responder pra isso? Pensou Emma, com toda a história de Regina e Snow baseada num segredo que não foi guardado, o quê, O QUÊ MEU DEUS ela deveria responder? Se Regina se magoou é porque preza promessas logo a resposta seria...
— Você tem a minha palavra de que não direi nada.
— Obrigada. – respondeu Snow um pouco aliviada. — Mas... na verdade é sobre você também.
— Eu? Regina? – céus essa seria uma longa conversa...
— Sim...
— Você tem certeza de que não quer sentar? – ofereceu Emma novamente. — Você parece nervosa e essa parece uma longa conversa...
— Sim, sim. – aceitou finalmente Snow, sentando-se no sofá de frente para Emma, uma breve memória varreu a mente de Emma, só que da outra vez era Regina de frente pra ela, meio sorriu pra si com o pensamento também sentando, olhando pras próprias pernas lembrou que Regina provavelmente as cruzaria, as cruzou; e encarou Snow. — Ela, Emma. Ela está estranha.
— Estranha?
— Desculpe, me expressei mal, o que quis dizer é que acho que algo está acontecendo ou aconteceu com ela. Emma não falava com nós, comigo e David, há uma semana, antes de convidá-la ontem para ir almoçar com nós hoje.
— Entendo. – respondeu simplesmente Emma, se sua mãe soubesse só da metade do por que do afastamento... Porém ao mesmo tempo entendia Snow, o que a deixava mal, negligenciou demais sua relação com seus pais, logo agora que estavam todos começando a realmente se entender.
— Mas não é só isso... – disse Snow cabisbaixa antes de olhar nos olhos. — Regina, não me leve a mal se eu disser algo que a ofenda, é só que... Eu não sei, acho tudo muito complicado pra ser só coincidência. Antes de se afastar de nós Emma mostrava um certo... Interesse em você, um tipo de curiosidade. O que acho compreensível já que vocês se tornaram amigas e tem Henry, magia, e... E...
— Prossiga. – disse Emma vendo que Snow começa a desviar o assunto, na verdade não queria ouvir o resto.
— Tenho tentado não me intrometer tanto na vida de Emma, mas eu vejo as coisas e não posso ignorar. – disse se remexendo no sofá, nervosa, mas ela tinha que falar. — Emma e Killian antes da viagem no tempo estavam... Não sei dizer ao certo, mas ele gostava dela e a relação deles não é nada mais do que amizade agora, e tem o interesse crescente de Emma em você e o jeito que ela olha para você e o jeito que você devolve o olhar... O que não vem ao caso. – levantou uma mão para Regina a não interromper; Emma não iria interromper não sabia o que dizer só mordeu o lábio mesmo. — E depois esse sumiço repentino de Emma, o que, coincide com o que fiquei sabendo: o fim do seu relacionamento com Robin. Não quero me intrometer na sua vida Regina, e posso não saber o que está acontecendo com Emma, talvez nem você saiba mas... Nem se algo aconteceu entre vocês. Só peço que não machuque Emma, não machuque o coração dela, acho que ela gosta de você. – concluiu Snow e respirou aliviada, Emma por outro lado perplexa com o que Snow disse, desviou o olhar antes responder, afinal o que responder?? Snow não perguntou se elas tinham um relacionamento, deixou pairando no ar sim, mas também deixou explicito que ela, Emma, tinha uma senhora queda por Regina e, que talvez Regina também tivesse o mesmo. Se ela apenas soubesse que Regina é quem foi a mais machucada da história...
— Eu nunca machucaria Emma. Ela é importante para mim. – disse embaraçosamente pra si, mas convincente pra Snow. — Eu... Você não parece... Chateada, com a possibilidade de ela gostar de mim...
— Eu só quero que ela seja feliz, não importar com quem, homem... Mulher... – os olhos castanhos de Emma se encheram de lágrimas, ela piscou antes que eles transbordassem dando um leve sorrio para Snow; como ela queria abraçar a outra mulher e contar tudo: eu sou feliz. Sinto muito ter me afastado. Sinto muito não ter contado. Conhecendo Regina, Snow viu essas lágrimas como resultado do forte coração empata de Regina, e dos sofrimentos que sabia serem vividos na memória da morena, provavelmente estava pensando em sua relação com sua mãe e comparando com a de Emma e ela.
— Era isso Regina, espero não ter aborrecido você com algo que disse. – disse levantando-se. Emma se levantou também. — Cuide dela por mim, como uma amiga pelo menos se ela continuar se mantendo afastada.
— Cuidarei.
— Por que não almoça com nós? Afinal só vai faltar você mesmo. Henry já está lá em casa mesmo e Emma vai ir agora.
— Okay. – disse Emma duplamente aliviada, já estava se angustiando depois de toda essa conversa só de pensar que teria de passar o dia sozinha e sem visitar os próprios pais – que não via há dias.
Quando ouviu a porta da biblioteca se abrir Regina saiu da sala, estava de pé andando pra lá e pra cá há alguns minutos, obviamente impaciente com a conversa privada que não acabava e com o assunto que desesperadamente queria saber sobre o que se tratava. O pior era, pensou pra si, que não saberia tão cedo sobre o que se tratava a conversa, já que ficou de ir junto com Snow para o loft assim que a conversa acabasse, só veria Emma provavelmente no final da tarde...
— Então? Como foi? – perguntou passando o olhar por Snow, que parecia feliz e aliviada com a conversa, e olhando para Emma que parecia aliviada, mas tinha os olhos meio avermelhados de quem estava prestes a chorar ou chorou. O coração de Regina quase saiu pela boca ao pensar nos “por quês” de Emma ter chorado; talvez teria contado da situação delas?
— Sim. – respondeu Snow, trocando um olhar com a mulher de olhos castanhos. — Regina me deu o conselho que pedi.
— Sério? – indagou Regina, uma sobrancelha loira levantada.
— Sim. E Regina vai almoçar conosco também.
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