There's No Place Like The Past
18 Where Is The Beginning In A Paradox?
Notas iniciais
E assim se seguiu a semana, no clima de distancia. Em muitas vezes Emma pensou em ligar para Regina, mas lembrava que talvez a mulher só queria ficar um pouco sozinha, lembrava que da Regina de hoje foi um dia aquela jovem que conheceu por poucos dias e talvez era melhor deixar Regina por seus pensamentos em dia. Sendo assim tentou manter-se ocupada ao máximo, naquela semana terminou de montar o apartamento novo, só ia a delegacia de manhã, não queria se topar com Robin que vinha após seu turno, e parecia que ele também não queria se topar com ela. Falava com Henry quase todos os dias por celular, e na quarta-feira ele a ajudou nas compras, mas não falava nada sobre Regina. Limitando-se a dizer que Robin não morava mais lá, o que fez Emma sentir-se culpada por algumas coisas que disse a Regina, e que também Regina não gostaria de a ver a "pivô" dela e de Robin agora.
Porém a noite era sua ruína, se sentia só. Mas não queria incomodar seus pais, tinham um bebê pequeno para cuidar, ela era grande, sabia se cuidar. Isso a lembrava do ataque que teve e sua doppelgänger. Não tinha ciúmes ou inveja do pequeno Neal, como foi acusada, só lamentava não ter tido pais de verdade quando teve aquela idade. Sem bebidas e tentando controlar suas emoções – para não ter outro ataque – acabou decidindo que não aguentaria a situação por muito mais tempo. Na próxima semana procuraria Regina.
O que Emma não sabia é que talvez não precisaria procurá-la.
A semana de Regina não foi muito diferente, trabalhando e tentando manter e Emma um pouco fora de sua mente um pouco. Mas não podia, eram tantas coisas a considerar...
Na segunda-feira realmente não fazia questão de ver a loira. Apesar de cada vez que pensa-se nela seu coração dava uma dupla palpitada. Como se fosse uma adolescente descobrindo o que é o amor. Isso a deixava com mais raiva ainda!
Porém com o passar dos dias os pensamentos remoídos eram muitos, eram muitas hipóteses e muitos “e se...” na sua cabeça, e nenhuma ligação de Emma, o que a deixava apreensiva.
Emma havia destruído a única parte que era uma verdade em seu passado, querendo ou não isso era um fato. Mas, se ela estava certa Emma também abrirá mão dela no presente, para que fosse feliz com Robin. O pensamento fazia Regina apertar os lábios e franzir o cenho, dentro de tudo isso elas tinham se machucado, e muito, e Regina começava a tomar conhecimento disso com os muitos outros pensamentos que seguiram-se naquela semana, mas um em especial assustou Regina. Bem “assustou” não era bem a palavra, mas era pelo menos intrigante, pensou Regina.
Se ela adquiriu a cicatriz por causa da desconfiança que Cora teve dela. Achando que tinha roubado uma de suas poções, quando na verdade era o frasco que Emma lhe deu, como ela podia ter a cicatriz todos esses anos, antes que Emma fizesse a viagem no tempo?
Isso criava um paradoxo.
Ou em qualquer caso, significava que a história, desde o inicio, tinha acontecido assim, e que chegar ao ponto onde Emma faria a viagem no tempo era inevitável.
O que fazia – talvez – do agora o começo da história, e não o passado.
Iria acabar enlouquecendo de tanto pensar em viagens no tempo. Pensou Regina pondo a mão na testa e indo procurar um remédio para dor de cabeça.
Acabou que na quinta-feira Regina tomou uma decisão. Procuraria Emma no dia seguinte.
Não importava se era um paradoxo ou não seu amor por Emma, não lhe importava pó de fada ou poções, não lhe importava porcaria nenhuma, porque sem essa porcaria toda é que conseguia pensar direito. E também estava cansada de pensar, afinal de contas, elas tinham que resolver essa situação, na qual não sabia mais qual era. Mas tinham que resolver, deixou a apreensão de não receber ligação alguma de Emma de lado enquanto planeja como iria a procurar.
Decidiu que não iria ligar, queria falar com Emma pessoalmente, mesmo que lhe desse uma fraqueza nas pernas ao pensar na conversa.
Na manhã da sexta-feira Henry foi para o colégio e Regina fez uma parada na lanchonete antes de ir trabalhar. Comprou um chocolate quente para viagem e Ruby lhe deu um sorriso ao a alcançar, Regina sorriu de volta sem jeito. Parecia que a loba lia seus pensamentos e sabia para quem era.
E sabia mesmo.
Entrou com o copo em mãos em direção a sala principal da delegacia, Emma não estava lá, Melhor, pensou. Foi até a mesa e sentou-se, já havia feito isso outra vez, em outro contexto. Não podia negar que perguntava-se qual seria a reação de Emma ao a ver ali assim, sorriu um sorrisinho malicioso ao largar o copo ao seu lado.
Porém por dentro transbordava apreensão e incerteza. Emma não havia ligado nenhuma vez. Será que ainda estava brava com ela? Não sabia. Também comprará o chocolate quente para ter por onde começar, e aquilo a fazia sentir como a Bruxa Cega tentando comprar a confiança de uma criança com doces. Suspirou e viu que mexia infantilmente os pés que não tocavam o chão, tamanha era a angustia, suspirando novamente cruzou as pernas, fazendo a sai lápis se apertar nas coxas, começando à achar-se patética ouviu passos vindo do corredor, tomou uma postura menos derrotada ao ver Emma entrar.
A loira deu uns bons rápidos passos até o meio da sala até levantar a cabeça e ver Regina ali. Quase deixou os documentos que segurava cair. Não sabia o que dizer, o que fez seu queixo cair, Regina já tinha feito isso uma vez – para a provocar simplesmente – porém agora era diferente, podia ver no rosto de Regina. A morena sorriu envergonhadamente, o que Emma achou fofo. Sorriu em troca sem pensar. Regina pegou o copo ao seu lado e descruzando as pernas desceu da mesa. Gostou da expressão de Emma: surpresa e um pouco de carinho no sorriso. Caminhou até a loira estática lhe oferecendo o copo.
— Trouxe para você. É chocolate quente. – disse Regina, Emma pegou sem hesitar, seus dedos roçaram levemente os de Regina. Se fitaram.
— Obrigada. – disse sem jeito. Complacente Regina sorriu para loira, pesando ainda mais o ar.
— Queria falar com você. Podemos conversar? – disse Regina, Emma assentiu e apesar de querer falar algo, não saiu nada sua boca, passou por Regina e largou os documentos e copo que segurava na mesa. Regina esperou que a olha-se para começar a falar.
— Eu não sei por onde começar, Emma. – disse Regina parecendo perdida. Cruzou os braços. — Eu... Bem talvez eu tenha exagerado aquele dia, no mausoléu. Mas... Bem você não tinha como entender, você não sabe de tudo, eu devia ter lembrado disso. – disse Regina levantando uma mão em sinal para que Emma a deixa-se terminar de falar.
— Aquele dia no carro também, eu não queria usar você. Nunca quis. Eu gosto de você. Eu estava apenas em duvida, e quando lembrei fiquei com mais duvida ainda. Não faz sentido eu sei. – sorriu amargamente, Emma cruzou os braços impacientemente.
— Eu e Tinker Bell nos conhecemos quando ela fez um feitiço para me arranjar uma nova alma gêmea, era Robin, quando soube não fui atrás dele, mas depois nos reencontramos aqui, não achei que seria possível amar alguém já o tinha encontrado.
— Um feitiço? – disse Emma. Regina assentiu. — Isso é merda isso sim. – Regina deu de ombros;
— Mas o ponto é que antes de Robin eu tive algo por você... E com a nossa amizade... Essas coisas floresceram, novamente...
— Você... Você sentiu algo por mim antes?
— Sim. – afirmou Regina. — E então depois do nosso beijo eu relembrei tudo. Somente um beijo de amor verdadeiro poderia fazer isso. – disse se aproximando da mesa.
— Mas eu não me importo com mais nada disso. Eu só quero que você saiba Emma que eu realmente gostei de você no passado tanto quanto agora. Que quero você, quero viver com você, ter uma família com você, mas isso não depende só de mim. – disse dando a brecha para a loira, queria a tocar, pegar suas mãos mas conteve-se. Porém sentia seus olhos marejados.
— Eu... Eu não sabia sobre isso... Sobre o feitiço... – disse Emma sentindo-se culpada.
— É claro que não, por isso que te contei. – disse Regina com um sorriso de canto.
— Regina me desculpe... – disse e pegou as mãos da morena, precisa tocá-la. — Por tudo, pela briga e pelo modo que as coisas aconteceram no passado, aconteceram assim porque, bem, eu já gostava de você antes também, e ainda gosto. Na verdade, mais do que isso. – disse sem tirar os olhos da morena.
— Eu sei. – brincou Regina dando um beijo na mão de Emma, sorriu desentrelaçou seus dedos dos da loira apenas para envolver a cintura de Emma.
— Você realmente gosta de em mim? Não apenas aquela garota? – perguntou Regina, tinha certa tristeza naqueles olhos castanhos, o que fazia a dor no coração palpitante de Emma aumentar. Colocou uma mecha de cabelo de Regina atrás do ouvido da morena.
— Você não é mais uma garota, você é a mulher que amo. – disse Emma colocando uma mecha de cabelo de Regina atrás do ouvido da morena. — Gosto pelo que você é, e além disso sempre vi aquela parte em você, muito antes da viagem. – lentamente aproximou seus lábios dos morena, não havia mais o que dizer, assim, como da primeira vez, roçou seus lábios nos da morena, só um simples toque era capaz de acender a faísca a transformando em fogo. Entrelaçou uma mão no cabelo da morena que cedeu ao beijo, e a pressionou na mesa e contra si, enquanto suas línguas dançavam juntas em uma dança erótica Regina pegou a coxa esquerda de Emma a apertando, e a envolvendo em sua cintura. A temperatura começava a subir quando ambas gemeram de prazer. Se olharem e riram. Emma numa risada mais controlada, o que fazia a riso rouco de Regina ecoar sozinho pela delegacia. Adorava aquele riso, pensou Emma.
— Eu acho que é melhor pararmos por aqui... – disse Emma olhando a coxa que Regina agarra.
— Por enquanto, terei que concorda. – disse Regina se recuperando da risada boba que tinha dado, largou a perna de Emma e, passou os respectivos dedos indicadores abaixo dos olhos para limpar as lágrimas solitárias que escorram. Fazia tempos que não ria assim.
— Por que não jantamos hoje? No meu apartamento, eu, você e Henry.
— Eu gostaria de levar as coisas um pouco de vagares... – disse Regina
— Não temos que contar nada para o Henry, bobinha. – disse Emma. — É só um jantar, sempre fiquei devendo um a vocês, mas entendo que se não quiser... – ainda fazendo uma cara de indignação por ser chamada de “bobinha” Regina decidiu aceitar.
— Tudo bem. – disse.
— Regina, eu também não tenho pressa, não temos motivos para ter pressa. Só quero mostrar a vocês o apartamento depois de pronto. – disse Emma quando viu a incerteza nos olhos de Regina.
— Que horas? – disse Regina, com um olhar mais brilhante.
— 20:30 pode ser? – Regina assentiu e lhe roubou mais um beijo, puxando o lábio inferior de Emma no final. Deixando um gostinho de quero mais, desgrudou seu corpo do da loira e piscando disse:
— Aproveite seu chocolate quente. – e saiu da delegacia, deixando uma Emma de pernas bambas para trás.
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