There's No Place Like The Past
19 They and Their Son
Notas iniciais
Assim que Regina saiu da delegacia mandou uma mensagem para Henry avisando que após o colégio fosse para sua casa e que iriam jantar com Emma. Uma pena ela não ter visto o rosto do garoto ao ler a mensagem na sala de aula.
A noite já havia caído quando eram 20:15 e Emma ouviu a campainha tocar, eram Regina e Henry, sabia antes de atender; abriu o porta dando de cara com Henry e Regina com um braço por cima do ombro do garoto, vestia um vestido cor de vinho na altura dos joelhos e um blazer e scarpin pretos o completavam, assim como Henry lhe deu um sorriso e um piscar de olho quando seus olhos encontraram-se; já que também os olhos de Regina percorriam seu corpo, em uma habitual calça jeans Emma vestia um sweater branco com pequenos detalhes em vermelho nos pulsos, o branco realçava ainda mais a pela alva de Emma, e chamava ainda mais a atenção para seus olhos esmeralda e cabelo preso despojadamente em um coque; na opinião de Regina era uma visão angelical. Sorriu bobamente para loira ao pensar isso.
— Hey mãe. – disse Henry. — Vai deixar a gente entrar? – completou o garoto ao notar o jeito estranho de Emma e Regina de se olharem, não que não estivesse acostumado, porém era constrangedor ver suas mães se olharem daquele jeito.
— Er, claro entrem. – disse e deu passagem para os dois, fechando a porta pode apreciar de outro ponto de vista as curvas delineadas de Regina.
— Vou ver meu quarto mãe. – gritou Henry deixando Regina para trás que olhava o apartamento.
— Então... O que achou? Sei que não é como a mansão mas... – disse Emma dando de ombros ao lado de Regina.
— Emma você sabe que tem bom gosto. – afirmou Regina e pegou sua mão, roçando seus dedos nos dela, sorriu, e Emma não tinha tanta certeza se era do apartamento que ela falava, como se lê-se seus pensamentos Regina continuou. — Sim, o apartamento ficou agradável. – completou Regina. O apartamento de fato tinha ficado agradável com o sofá em L cinza, e com a estante e mesa de centro a completarem a sala que, fundia-se a cozinha, era confortável e acolhedor, porém pouco arejado, só havia uma janela perto a cozinha.
— Só agradável é?
— Foi um elogio, queria mais o quê? – zombou Regina, largando a mão da loira lhe deu um selinho, a deixando corada. — Tem uma bebida?
— Sim, claro. Um whisky antes do jantar, pode ser? – Regina assentiu e Emma foi desconcertada ainda sobre o efeito misero do selinho a servir; como podia Regina a desconcertar toda assim? A morena se sentou em banco em frente à bancada e acompanhava os movimentos de Emma com olhos de águia.
— Emma você está bem?
— Sim, por quê? – disse servindo o copo da morena.
— Você não parece muito bem... Lhe incomodou o quê fiz instantes atrás? – perguntou Regina incerta, haviam prometido a si mesmas levarem as coisas em um ritmo lento, talvez não devesse ter tocado em Emma com Henry tão perto, fora ela mesma quem pediu paciência, porém não conseguia reprimir o desejo de tocá-la quando estavam próximas.
— Não, mais ou menos... Não é bem isso são outras coisas. – disse Emma por fim. O que não deixava de ser uma verdade. Porém ficar perto de Regina parecia lhe ter o mesmo resultado das semanas anteriores, e das ocasiões onde sua magia perdera o controle; sentia aquela mesma sensação de o sangue ferver por entre as veias, mas não queria estragar o dia que ela e Regina finalmente fizeram as pazes com preocupações.
— Me conte, talvez eu possa ajudar.
— Não é nada. – murmurou dando de ombros.
— Nada nunca quer dizer “nada”. – disse Regina e bebericou o whiskey, Emma deu um sorrisinho lembrando que já usará aquelas palavras também.
— Okay, você está certa. – disse Emma se dando por vencida, suspirou e quando abriu a boca para falar novamente viu Henry voltando.
— Mãe quer ver meu outro quarto? – disse dirigindo-se a Regina, ela lhe sorriu e saiu do banco.
— É claro. – disse Regina, Henry estava crescendo rápido, mas ainda tinha os traços da infância de querer mostrar presentes novos que ganhara, e ela aproveitaria essa fase enquanto ela ainda existia. O garoto sorriu orgulhoso e foi a sua frente, Regina no meio do caminho até o quarto olhou para trás tão certa de que Emma a olhava, e olhava mesmo; fez o sinal com dois dedos de que estava “de olho nela” e que o assunto não havia acabado, Emma rolou os olhos mas sorriu com a visão. Afinal não é todo dia que Regina Mills lhe lança um olhar de que “está de olho em você”.
Não demorou muito ao jantar ficar pronto, e enquanto isso Emma ficou surpresa ao ver Regina ao ler quadrinhos junto a Henry no sofá e a discutirem sobre os quadrinhos da DC comics, mas acabou pensando que afinal de contas fazia muito sentido, já que de alguém Henry teria de ter herdado aquele hábito, já que ela não é lá uma leitora assídua, e que nem sabia como tinha conseguido ler os livros de Harry Potter; fazia até muito sentido que a parte intelectual Henry tivesse adquirido de Regina; e além disso, de vez em quando, quando seu olhar e de Regina cruzavam-se, se lembrava de que Regina, assim como ela, sempre ansiará por uma família, e que coisas pequenas como ler com Henry podiam ter grande significado. Se lembrava daquela jovem que falou do filho que nem sabia se um dia viria a ter como se já o ama-se, e aquilo fazia o coração de Emma apertar, de repente se pegou a pensar no clichê de que queria que aquele momento durasse para sempre e, que nunca mais Regina tivesse seu coração despedaçado.
O jantar ficou pronto e tanto Regina como Henry elogiaram a macarrão com almôndegas feito por Emma, sem graça a loira agradeceu com um sorriso; aquele jantar estava melhor do que o primeiro que os três tiveram na mansão 108, já que agora ela e Regina podiam trocar olhares sem culpa e sem Emma ter o peso na consciência da viagem no tempo, e nem Regina por estar com Robin. De sobremesa Emma serviu uma torta de chocolate que comprará, não era lá uma chefe e não tinha tanta vontade de cozinhar assim, e viu os olhos de Regina brilharem iguais aos do chocólatra que é Henry ao verem a torta, porém Regina não exagerou na torta e conversa banal vai e conversa banal vem, Henry chegou a uma pergunta importante.
— Então vocês são amigas de novo? – disse ele sorrindo, Emma e Regina é claro pararam de levar os respectivos garfos à boca, e Regina nem se incomodou a olhar para Emma pois sabia que está a olhava. — Quero dizer, vocês pareciam se dar bem mas essa semana estavam agindo meio estranho, achei que tinham brigado, de novo. – disse ele para piorar a situação de Emma e Regina.
— Independente de qual seja a minha relação e de Emma, se brigarmos ou não você sempre terá liberdade para ficar com quem preferir Henry. – disse Regina.
— Eu sei mãe. – disse ele como se tivesse sido repreendido, e Regina não tivesse respondido a pergunta; que realmente não respondeu. — Mas eu prefiro vocês duas ok uma com a outra.
— Nós também preferimos assim. – disse Regina sorrindo para aliviar a tensão, deu uma olhada ligeira em Emma e viu a mesma pergunta que tinha estampada no rosto da loira: seria essa a hora certa de contarem da relação delas para Henry? Tão cedo? Mas afinal, que diferença fazia o tempo agora já que não pensavam em se separem outra vez?
— Henry. – disse Regina chamando a atenção do garoto novamente, que tinha um olhar de quem fora repreendido e mal entendido ainda estampado no rosto. — Emma e eu temos algo para dizer a você. Não temos Emma? – lançou um olhar a loira pedindo permissão para seguir em frente com assunto, esperava que Emma entende-se de que assunto ela se referia.
— Sim, nós temos. Eu acho. – disse fazendo uma careta. Regina sorriu e voltou à atenção a Henry. Lentamente fez a pergunta esclarecedora para Henry.
— O que você acharia se eu e Emma fossemos mais que do amigas? – o garoto pareceu pensar se tinha entendido direito, e com a mesma lentidão de Regina respondeu a pergunta com outra pergunta.
— Você quer dizer tipo... Tipo um casal?
— Sim...
— Sério?! – respondeu Henry exasperante de felicidade. Porém Emma e Regina assistiam a reação do garoto com ar de desconfiança.
— É sim. – confirmou Emma.
— Você está bem com isso? – perguntou Regina receosa.
— Sim, claro, quero dizer agora a gente pode morar junto! – respondeu.
— Sim, bem, não vamos nos precipitar. – disse Regina. — Emma recém acabou de se mudar, acredito que ela queira aproveitar sua nova casa, mas acho que vamos ter mais jantares assim agora.
— Sério?
— Sim. – disse lançando um olhar a tão quieta Emma que lhe sorriu. — Amanhã o jantar pode ser comigo, você me disse uma vez quando não lembrava que gostaria de ter mais de um lugar onde passar os feriados, não estou certa? – ele assentiu.
— É, eu acho que vai ser bom. – disse ele acalmando os corações acelerados de Regina e Emma. Henry era a pessoa mais importante para ambas e era quem lhes importava a opinião, já os outros, bem, eram os outros e só.
Depois da sobremesa não era ainda muito tarde mas Henry já ia fazendo sua saída de cena com uma desculpa esfarrapada.
— Mas hoje é sexta. – disse Emma. — E não é nem meia-noite e já vai dormir?
— Só to um pouco cansado do colégio. – disse ele.
— Bem, ok, então garoto. – disse Emma.
— Boa noite mães. – disse ele e recebeu em um boa noite uníssono de ambas as mães, Emma e Regina trocaram um mesmo pensamento através do olhar: ele queria deixá-las sozinhas. E não era algo que podiam reclamar...
— Você acha que ele...
— Fez de propósito pra nos deixar sozinhas? – completou Emma cochichando assim como Regina. — O que você acha? – completou com um sorriso maroto e sentou-se sobre as pernas no sofá. Regina logo encurtou a distancia entre ela e Emma no sofá, porém ainda assim deixando um espaço entre elas, de pernas cruzadas apenas seu joelho encostava em uma das pernas de Emma, mesmo que Henry as tivesse deixado-as a sós não iria aproveitar da sorte e ultrapassar do bom senso, além disso, tinha algo importante que Emma pareceu esquecer porém ela não, largou a taça de vinho tinto que tomava na mesa de centro, já havia bebido mais do que devia.
— Então você ia me dizer algo antes do jantar. – disse despreocupada.
— Ia é?
— Não se faça de engraçadinha, você sabe que sim. – disse Regina.
— Ok, tudo bem... – bufou.
— Emma não seja sim, eu estive preocupada com você durante a semana (mesmo quando estava furiosa com você, refletiu Regina sem proferir as palavras), eu lembro o que aconteceu naquele dia, e posso notar que algo te incomoda. Aquilo se repetiu?
— Não. – afirmou Emma. — Mas,mas eu tenho medo que aconteça de novo. – admitiu.
— E você está certa em temer que aconteça de novo. Você pode se tornar é um perigo para você mesma por não conseguir controlar seus poderes. Você tem que aprender a controlá-los e as suas emoções. Me deixe ajudá-la. – disse pegando uma mão de Emma espremendo gentilmente os dedos contra os seus.
— Me desculpe Regina, talvez eu devesse ter continuado as aulas de magia quando você as ofereceu. – disse e sorriu tristemente.
— Nós teremos tempo para isso, mas, hoje você sentiu algo parecido? Notei que evitou álcool a noite toda, não me entenda mal mas notei que você tinha bebido nas duas vezes que esteve mal, e além disso acredito que não esteja olhando muito o seu reflexo no espelho, estou certa?
— To tão horrível assim?
— Não, desculpe, você está linda, não foi isso que quis dizer. – se corrigiu Regina, sem notar o elogio que fez. — Quis dizer que está tentando evitar que as coisas aconteçam novamente não? – Emma assentiu. — Mas nós só vencemos nossos medos quando os encaramos. – disse Regina e conjurou um espelho, oferecendo a Emma que meio incerta o pegou.
— Chegue mais perto. – disse Regina e posicionou Emma como queria,virando gentilmente as costas da loira para si, ficando sentada atrás de Emma.
— Olhe. – disse Regina. E no espelho olhando seu reflexo Emma via também o de Regina. — Essa é quem você é Emma, você deve ter orgulho de ser quem é e não temer. Você tem de amar a si mesma, Emma. – disse Regina tomando a liberdade de desfazer o coque e deixar as mechas loiras caírem sobre os ombros de Emma. Sorriu para ela e Emma não pensava em mais nada a não ser querer aqueles lábios contra os seus, se virou tão rápido quanto largou o espelho no sofá, tomando rosto de Regina em uma das mãos e a puxando pela cintura com a outra, provou o gosto de vinho na boca morena que a ansiava com mesmo desejo, logo já se encontravam ofegantes e de testa coladas a recuperar ar. Com um sorriso malicioso Regina mordeu seu lábio inferior e sorriu novamente, lhe deu um selinho, e por fim se afastou, com o coração parecendo que ia sair do peito. Queria Emma e sabia que se continuassem não conseguiria parar, mas aquele não era lugar. E o quarto de Emma era ao lado de Henry, não queria criar embaraços entre eles.
— Nós não precisamos fazer nada... – disse Emma, morria de desejo por Regina naquele momento também, mas também tinha noção de onde estavam.
— Eu sei. – disse Regina e se aconchegou nos braços de Emma, que lhe deu um beijo no rosto e ficaram assim um bom tempo, pouco ou nada prestando atenção no que se passava na TV, com as caricias que faziam, ocasionalmente trocando beijos e entrelaçando dedos, não era nada sexual mas ainda assim saciava a necessidade de estarem próximas.
— Está ficando tarde. – disse Regina. — Preciso ir para casa. – concluiu sem muita vontade.
— Vou com você até a calçada. – disse Emma. Na calçada se despediram com mais um beijo demorado sobre luar.
— Nos vemos amanhã. – disse Regina, e algo sobre aquele sorriso de canto no rosto da morena fez Emma se arrepiar, não de medo, mas de excitação.
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