There's No Place Like The Past

17 There's Nothing Better Than Time To Heal Wounds


Notas iniciais
Demorou mas aqui está mais um capítulo, um pouco chatinho porém necessário. — Participação de Ruby. AVISO: fiz algumas mudanças no capítulo 16 (capítulo anterior) a quando o Henry era mencionado, as menções feitas a ele no capítulo foram apagas, já que no capítulo 15 Henry não dormiria na mansão Mills. Peço desculpas pela falta de atenção, e também ressalto que não há necessidade de relerem o capítulo 16, os diálogos entre Emma, Regina e Robin continuam iguais. — Capítulo não revisado, prováveis erros de português.

Assim que Robin e Roland deixaram a mansão e deixaram Regina sozinha com seus próprios pensamentos as coisas não melhoraram. Na verdade, ela estava livre para perder a compostura com tantos pensamentos a rondando. Tantos pensamentos que Regina mal podia encarar o reflexo no espelho.

E foi assim que mais um espelho acabou sendo quebrado na mansão 108 com uma taça de vinho o acertando em cheio.

Regina contempla sem expressão alguma no rosto seu estrago feito em um dos espelhos na sala de jantar, suspira, bufa e vai atrás de produtos de limpeza suspirando e bufando volta.

Sem dúvidas a pior parte de quebrar um espelho era a de limpar, mas ela tinha magia é claro, mas Regina preferiu limpar braçalmente, uma distração dos pensamentos que a rondavam. Se abaixando e pegando um caco grande vidro – com o devido cuidado de não se cortar – ela via um resto do vinho escorrendo no seu reflexo abaixo do olho direito. Que ironia, pensou e levantou-se. Terminou seu trabalho lembrando de quem invocará sua ira... Um suspiro escapou de seus lábios ao sentar-se na sala vazia.

Havia exagerado em relação a Emma? Provavelmente sim. Era o que sempre acontecia. Ela sempre exagerava. Sempre ela.

Outro suspiro.

Mas não queria pensar em Emma agora, havia causado dor a Emma, sabia disso, mas também havia sofrido. Não estava brava por ter tomado a poção, sabia que o que Emma dentro das circunstancias era certo, caso contrário Henry nem teria nascido, isso havia entendido até no passado antes de tomar a poção. Estava brava por Emma ter se tornado seu amor verdadeiro primeiro que Daniel. Isso fazia de Emma a causa de tudo que veio a seguir, toda sua vingança – ou tentativas – não passaram de nada mais do que os restos de uma paixão por Emma refletida nos olhos Daniel. Nada que viveu em seu passado foi real. Se Emma apenas soubesse disso e do pó de fada, mas não sabia.

Suspirando ouviu a porta ser aberta e fechada, se levantou e viu Henry.

— Oi, mãe. – disse ele todo sorridente.

— Oi querido, como foi sua noite?

— Boa. Mas espera você tava chorando? – disparou ele. Regina sacudiu a cabeça negativamente, porém seus olhos escarlates a denunciavam, sabia. Então disse:

— Você acha que está muito velho para me dar um abraço meu pequeno príncipe?

— Talvez para ser de chamado pequeno príncipe mas nunca para abraçar você. – disse ele a envolvendo em um abraço, o que fez Regina sorrir um pouco.

— Eu amo você Henry. – disse ela com o garoto a fitando, seus olhos a lembravam de Emma.

— Eu sei. – ele disse. — Mas eu não posso ajudar se não me disser nada. – disse ele. — É, eu conheço você, não estaria chorando na minha frente se algo não tivesse acontecido. Você é muito forte – e orgulhosa – para isso. – disse ele fazendo Regina sorrir tristemente de novo.

— Você está certo. – disse ela. — O que acha de falarmos sobre isso com um chocolate quente e canela? – dessa vez foi Regina quem fez o garoto sorrir.

Já mais ao centro de Storybrooke, mais precisamente na lanchonete, Emma também tomava um chocolate quente com canela sentada em uma mesa sozinha. Após fugir de Regina parecia que tudo lhe irritava, tinha ido para a praça e até os passarinhos soavam irritantes com seu cantil matinal. Acabou indo para a lanchonete depois de uma meia hora. Mas nem o chantily no chocolate quente tirou o gosto amargo daquela manhã.

Havia exagerado com Regina? Não sabia. Ou talvez sim, mas agora não havia nada que pudesse fazer, a não ser é claro controlar a magia dentro de si – a qual não sabia exatamente como – para não ter outro ataque. E apesar do pesar no coração, ficar longe de Regina parecia o melhor a se fazer, porque quanto mais perto ficavam uma da outra, mais se machucavam.

Mas uma distração de longo cabelo castanho de mechas vermelhas talvez não a deixaria esquecer da morena.

Assim que viu Emma, Ruby foi se juntar a loira na mesa. Naquela manhã ela não estava trabalhando. Agora ela estava mais empenhada na parte econômica da lanchonete do que servir mesas, então hoje ela estava apenas sendo... Bem, Ruby.

— Posso juntar-se a você? – disse Ruby sorridente, com uma xícara de café em mãos.

— Claro.

— Então... Quais são as novidades? – sentou-se e tomou um gole de café.

— Novidades? Bem, nenhuma.

— Nenhuma? – fez cara de tristonha. Emma até achou engraçada mas não sorriu.

— Pelo menos não boas... – suspirou Emma tomando um gole do seu chocolate quente. Ruby arregalou os olhos, Emma notou que havia falado demais.

— Pelo menos são novidades. – brincou Ruby, numa tentativa não sucedida de animar Emma.

— É...

— Bem, algumas coisas ruins acontecem para que boas possam vir a seguir.

— Eu sei... – disse Emma suspirando. Não sabia não, não entendia.

— Emma sei que você gosta de ficar sozinha, e é um fechada com as pessoas mas se precisar de alguém para conversar... – disse Ruby — Ou se quiser sozinha é só falar também....

— Não tudo bem, é só que... Eu...

— Que tal a gente dar uma caminhada? Aí você me conta, se quiser é claro. – disse Ruby levantando-se, Emma assentiu. — Vou pegar um café para viagem, vai querer um também ou um chocolate quente?

— Não obrigada. – disse Emma.

Uns minutinhos depois Ruby surgiu com um copo de café para viagem, saíram da lanchonete sem algum destino a propósito. Assim que colocaram o pé na calçada Ruby começou a falar.

— Então, desistiu de me contar? – brincou, vendo a ansiedade estampada no rosto de Emma. Sem jeito Emma deu um sorrisinho.

Podia contar para Ruby? Não aguentava mais guardar para si. Killian também sabia o que aconteceu no passado mas ela não procuraria o homem que um dia foi atraído por ela para falar dos seus próprios fracassos amorosos com Regina. E além do mais não se resumia a uma viagem no tempo o que sentia por Regina.

— Promete não contar a ninguém? – disse Emma. Ruby assentiu bebericando seu café.

— É Regina, não é?

— O quê? Como você... Como? – disse Emma perplexa. Ruby fez biquinho e revirou os olhos, como se fosse tão obvio que era sobre Regina que só faltava estar escrito “Regina” na testa de Emma.

— Regina vir a lanchonete, à noite, a sua espera, para tomar sundae com você. Bem... Era só um palpite mas agora você confirmou. – brinca.

— É tão obvio assim?

— Com os olhares e sorrisos que vocês trocam não poderia estar mais estampado. – disse Ruby. — Não acredito que seja a única a notar isso, acho que a maioria ignora pelo fato de vocês serem duas mulheres. Se uma de vocês fosse um homem tenho certeza que já teriam empurrado uma pra outra. – a morena a fitou, vendo suas bochechas aderirem um tom rosado. — É o mesmo tipo de olhar que seus pais davam. – completou com um sorriso sofre o café, Emma sorriu – envergonhada – em troca.

— Isso... Não te incomoda? – perguntou Emma.

— Exatamente o quê? – disse Ruby, tocou o braço da loira rapidamente fazendo menção de que atravessa-se a rua. Deu a Emma um tempo para pensar. Na verdade tinha uma idéia do que Emma a perguntava, mas queria ouvir da loira ela mesma.

— Tudo... – disse Emma dando de ombros. Chegaram ao outro lado da rua.

— Sobre vocês serem duas mulheres? – Emma assentiu, Ruby desistiu de lhe tentar fazer falar. — Se você quer ser saber se existiam “casos” assim na Floresta Encantada então sim, existe em todo lugar acredito eu. É também claro que lá, assim com tudo que os outros acham diferente, não era bem aceito, por assim se dizer. – disse Ruby. – Mas aqui é outro mundo, e aqui as coisas parecem ser mais favoráveis do que lá. – completou, Emma sorriu fracamente.

— Mas não te incomoda que seja justo Regina? – disse Emma. Ruby pareceu pensar, Emma ficou um pouco apreensiva.

— Você gosta dela? – disse a morena, tomando o devido cuidado de não exagerar ao dizer “ama”, apesar de os olhos de Emma dizerem tudo.

— Os olhares não respondem por isso? – brincou Emma, Ruby sorriu. Tinha uma luz no fim do túnel que era Emma Swan e suas inseguranças. Pensou a loba.

— Não, não me incomoda. Apesar de que acho que me perguntou isso pensando em Mary e David. – disse Ruby. Emma suspirou. Ruby teve certeza. — Mas não acredito que isso poderia ser suficiente para separar vocês. – disse Ruby. Emma pensou que ela e Regina já haviam se encarregado do trabalho de se separarem mas manteve para si o pensamento. Ruby continuou.

— Regina apesar de ter amaldiçoado a todos nós também nos deu uma segunda chance. Com a primeira maldição é claro. E bem, ela mudou, mesmo que muita gente não de muito valor a isso, quem mais sofreu por ficar no fogo cruzado dela sabe que ela mudou, e muito. – disse Ruby, iam para praça, Emma reconheceu o caminho.

— No ano passado pude ver muito dessa mudança, ou talvez aquela mulher sempre esteve lá eu que nunca vi, não sei. – disse Ruby. Seu café começava a ficar frio de tanto falar, mas não se importava. — No primeiro dia que voltamos senti pena dela. Nunca achei que sentiria, mas senti. Nunca vi aquela mulher tão abatida e perdida, tive vontade de ir falar com ela, o que me pegou de surpresa também. – disse e sorriu um pouco, um sorriso amarelo da lembrança. — Mas não consegui, não somos intimas e também não havia com os olhos que vejo hoje. Falei com Snow e ela falou com ela. – disse completando a lembrança.

— Mas o ponto é que acho que ela merece ser feliz também. Acho que faz até muito sentido vocês. Já que você trás os “finais felizes”. – disse e sorriu, Emma sorriu também, entendeu a piada, Ruby continuou.

— Sabe, ela perdeu tanto quanto nós durante todos esses anos, talvez tenha perdido mais que todos. Não que eu entenda as coisas que ela fez. Mas acredito que de nós ela tenha sido a mais infeliz, já que nunca conseguiu realmente se vingar. E se ela conseguiu mudar, é porque ela tem algo bom, caso contrário não conseguiria.

— Ela tem. – disse Emma chegando, não precisava ter conhecido a jovem Regina para ter certeza, sempre teve. Mesmo quando se odiavam na chegada a Storybrooke acreditava que aquela mulher tinha algo bom, ela lutava por Henry, aquilo era mais do que prova suficiente.

— Se tem tanta certeza o que te aflinge tanto Emma?

— É uma longa história... – disse Emma. iam em direção a um banco.

— Me conte tudo! – brincou Ruby.

“Tudo” era muita coisa para se contar, mas Emma contou.

— Então você e Robin não estão mais juntos? – disse Henry sentado a mesa de mármore na cozinha, uma xícara em mão, atonicidade no rosto. Regina estava de pé e de braços cruzados em um canto perto a pia, tinha acabado de contar que Robin e Roland haviam ido embora, mas não citou os “por quês”. Ou Emma nesse caso.

— Sim querido...

— Mas eu achei que você gostava dele, quero dizer, nunca vi você com ninguém antes... Então...– disse o garoto.

— Sim eu gostava. – disse Regina, pegando a si mesma falando de Robin no passado. — Mas eu prefiro não falar sobre isso agora. – disse com um sorriso para aliviar a tensão. Falar sobre sua vida amoroso com seu filho era embaraçoso. Se perguntou como ele reagiria se soubesse sobre ela e Emma. Com o desconforto momentâneo apertou mais os braços envolta do corpo.

— Só espero que você esteja bem... – disse ele não muito confiante.

— Eu estou. – mentiu Regina, o garoto fingiu acreditar.

Após contar tudo a Ruby, o que incluiu acontecimentos muito antes da viagem do tempo e quebra da primeira maldição, onde para Emma as coisas haviam começado, o que levou a manhã inteira, mesmo que Emma tenha resumido, e deixado de lado principalmente o desejo sexual que sentia por Regina antes da sua maldição quebrar. Esses detalhes não eram necessários que Ruby soubesse.

— Sem duvidas vocês duas acabaram se machucando com tudo isso. – disse Ruby. Emma tinha acabado de contar os últimos acontecimentos, sobre o aparecimento do seu doppelgänger e sua briga com Regina. — Mas pelo menos agora ela sabe toda a verdade, ou lembra nesse caso. Talvez era que isso que te causou todo esse problema mágico.

— Acho que tem razão. – disse Emma, pegou o celular e olhou as horas.

Eram 11:15.

— São 11:15! Puta merda fiquei falando a manhã inteira! – Ruby riu e disse:

— Acho melhor voltar a lanchonete, quer me acompanhar de volta? – disse. Emma fez uma careta, dando de ombro assentiu. Levantaram-se.

— Emma sei que as coisas estão ruins para vocês, mas acredito que com o tempo melhorarão. Acho que vai ser bom até para vocês ficarem um pouco distantes, dar um tempo a cada uma. – disse Ruby que tinha Emma a todos ouvidos — As vezes a distancia é a melhor provar de que alguém é importante para nós. – completou a loba. Mais do que ninguém Emma sabia que ela tinha razão.

Notas finais
O capítulo na verdade não acabaria aí, porém preferi dividi-lo para não tirar o foco principal do próximo capítulo.