There's No Place Like The Past

15 The Truth Is A Gift And Comes With A Price


Notas iniciais
Mais um capítulo! E primeiramente obrigada a quem favoritou a fic e obrigada pelos lindos reviews também! Mas agora, falando do capítulo, lembram de uma enquete que fiz na fic sobre beijo e confissão? Bem chegamos finalmente neste ponto da fic. Vejo vocês nas notas finais!

Regina fungou e limpou as lágrimas com as costas das mãos, desapoiou as costas da porta e se recompôs.

Tinha olhos vermelhos, sabia.

Subiu as escadas mesmo assim, se Robin a pegasse ali, chorando, iria querer saber o porque, e agora, ela não estava preparada para ter aquela conversa.

Entrou no quarto e na fraca luz do abajur pode ver Robin dormindo de costas para porta. Eles precisariam ter uma conversa seria na manhã seguinte, ela não podia mais fingir que não sentia nada por Emma, a sensação de areia nos olhos vermelhos não a deixavam esquecer isso, e isso não era justo com Robin.

Regina suspira e vai ao closet, pega um pijamas de cetin cinza e se dirige ao banheiro fora do quarto, se pudesse não voltaria para aquele quarto pelo resto da noite.

Emma dirigiu direto para o apartamento tentando ignorar os pensamentos que corriam sua mente, tentando colocar a si mesma no autopiloto. Não deu muito certo. Bateu a porta do fusca e bufou em frustração, passou as mãos pelas mechas loiras como se pudesse tirar os pensamentos dos lábios de Regina tão perto dos seus. Bufando mais uma vez em frustração a loira subiu para o apartamento. Precisava desesperadamente de uma bebida, e dessa vez não haveria bebedeira em um bar, havia feito compras no dia anterior, encheu um copo de whisky e tomou em um gole só. Não foi suficiente para tirar Regina de sua mente.

Na mansão de número 108 não era muito diferente, Regina bem que tentou esquecer a loira durante o banho, como se a água que escorre-se por seu corpo levasse junto os seus pensamentos sobre Emma. Não deu muito certo. Regina passa a mão pelo rosto jogando o curto cabelo molhado para trás, a água correndo por seu rosto, como queria que as lembranças fossem junto a aquela água abaixo, mas não foram.

"Eu.. Eu não posso Regina" disse Emma se afastando, mas não poder não significava que não quisesse. Regina franze a testa e desliga o chuveiro, enrola uma toalha no corpo e começa a tirar o excesso de água do cabelo com outra toalha, "Você não pode ter nós dois..." explicou Emma.

– Você não pode ter nós dois. — ela repetiu para o reflexo no espelho, como se as palavras se perdessem no ar, e uma expressão atônita se apoderou de rosto fazendo seu coração palpitar. Emma estava falando d'la e Robin, ela não havia a rejeitado, não totalmente, ela não queria ser a outra a mulher, "Eu não posso suportar ser usada" ela disse; Emma queria ser aquela que estaria com ela, não aquela que não passava de algo casual, sem importância.

Como ela havia sido tão cega?

"Regina eu só quero que você seja feliz."

As palavras de Emma a atingiam como tiros, a quanto tempo Emma escondia isso? A quanto tempo as coisas podiam ter sido diferentes? No dia seguinte ela não precisaria ter apenas uma conversa séria com Robin, ela precisaria ter uma conversa definitiva com Emma.

A garrafa de whisky já estava na metade, e Emma não havia conseguido desacelerar seu coração, bem pelo contrário, ele batia mais rápido em seu peito. Suas mãos soavam, e ela podia sentir algo elétrico queimando por entre suas veias.

E se ela tivesse deixado Regina a beijar? As lembranças da poção só voltariam se Regina sentisse algo por ela agora novamente. Será que ela sentia algo por ela? Se sim, porque estava com Robin? Se lembra-se o quê Regina faria faria? Emma enche outro copo de whisky apoiada a bancada da cozinha e toma em mais um único gole. Talvez seria melhor se tivesse deixado...

– As coisas acontecerem. — uma voz completou sua linha de pensamento, e não qualquer voz, era a sua. Uma gargalhada debochada ecoou pelo apartamento, era a sua, ela sabia, mas não estava em sua mente, era como se estivesse ali no apartamento, fora de si. — Ora, ora... A pequena orfã não tem se quer coragem de olhar para si mesma. — disse a voz, Emma respirou fundo, serrou os punhos, uma gargalhada ecoou pelo apartamento novamente — Não me admira que não tenha contado nada para ela. Se não tivesse magia arriscaria a dizer que foi trocada na maternidade e não é filha do amor verdadeiro dos Encatados. — debochou — Com medo de tudo e todos, com medo de um beijo! — mais deboche. Emma se virou, apenas para dar de cara com si mesma do outro lado da cozinha.

– Mas... Que merda? — ela disse, a outra loira meramente esboçou um sorriso presunçoso, ela estava vendo ela mesma? Ela estava ficando louca.

– Não, não querida. Oh esqueci quem fala querida é a Regina, não você. — disse aproximando-se — Tanto tempo pensando nela que quase se pega algumas manias. E ah, você não está louca; eu acho.Talvez louca por Regina? — cruzou os braços e deu mais um sorriso presunçoso. Era horrível aquele sorriso — Mas é tão difícil esquecer ela não é? Aqueles macios e carnudos lábios, aqueles grandes olhos castanhos com um brilho que só você vê. Ou pensa que só você vê.

E Emma não estava gostando nada do rumo desse discurso, o jeito que aquela mulher falava. Ela nunca foi uma santa, mas ver aquela duplica de si era como se estivesse vendo a parte má de si mesma toda ali. Ela precisa de ajuda.

– Oh Emminha, eu não sou má. Eu sou apenas você. Sou tudo aquilo que você nega e tenta esconder que não é. Mas é. — disse ela, Emma nunca pensou que seus olhos podiam ser tão intimidadores e penetrantes — Você pode fingir o quanto quiser, mas no fundo você sabe que não passa de uma orfãzinha que nunca vai ser feliz, nunca vai ter uma família, você nunca teve e nem terá o que seu irmão têm, não viu o próprio filho crescer porque tinha medo.

– Não! Isso não é verdade! — gritou, seus olhos se enchiam de lágrimas, aquelas coisas não eram verdade, aquela mulher na sua frente não era real.

– Oh agora a orfãzinha tem voz. — debochou — Engraçado que para contar para Regina o quê fez não tem voz. Têm medo do que ela possa fazer, não é? Têm medo de não escolher você, não é? Mas quem escolheria você não é mesmo? Por quê Regina escolheria você? Uma criança chorona que nunca foi boa o suficiente, ninguém quer alguém assim. — ela disse e arqueou uma sobrancelha, Emma conseguiu desviar os olhos, pegou o celular que estava do lado copo. — Oh, isso mesmo medrosa! Ligue para ela! Não consegue resolver nada sozinha! — demorou três toques até Regina atender.

– Emma?

– Regina, eu preciso de ajuda.

– Você sempre precisa de ajuda. — a outra loira murmurou.

– CALE A BOCA.

– Emma?

– Tão burra que gritou com a Regina!

– Emma? O quê? Emma? O quê está acontecendo?

– Regina...

– Acha que ela vai vir? Ela está com Robin! Eles devem estar...

– Não! Pare! — deixou cair o celular cair na bancada, colocou as mãos nos ouvidos, aquela voz era horrível demais de se ouvir.

– Emma? Emma?! — gritou Regina do outro lado da linha. Emma não respondia, mas ela podia ouvir Emma gritando do outro lado da linha, não adiantava esperar por resposta, Emma precisava de ajuda.

– Regina o quê houve? É Emma? — Quando atendeu a chamada Regina estava se preparando para entrar e baixo do edredom e Robin acordará.

– Ela está tendo um ataque. — disse amarrando o robe, não tinha tempo de trocar de roupa ou dirigir — Ela precisa de mim, não há tempo para discussões. — ela disse deixando uma fumaça de cor roxa para trás.

Parando na porta do apartamento de Emma, Regina pode não apenas sentir a magia que emanava dali, ela pode ver também. Uma fumaça acinzenta saí por debaixo da porta e se juntava a sensação de faísca que seus poros sentiram, fazendo seus pelos se eriçarem. Respirou profundamente uma vez antes de abrir a porta. Ela sabia exatamente o quê encontraria do outro lado. E realmente encontrou.

Assim que a porta abriu ela pode ver a mais perfeita confusão da mente de Emma expressada ali: luzes piscando, Emma gritando incompreensivelmente, mãos nos ouvidos, peito arfado, olhos apertados e lágrimas desenhando uma trilha pelo anguloso rosto, magia pairando no ar; sua presença sequer havia sido notada.

Dirigiu-se a paços apressados até Emma. Não tinha medo. Tinha pena de a ver naquele estado.

– Não, não, não... — murmurava a loira.

– Emma eu estou aqui. Emma olhe para mim. — ela disse e agarrou ambas as mãos alvas, obrigando Emma a ouvir.

– Não, não... — seguiu a loira murmurar, tentando se livrar do pulso forte de Regina, olhos fechados, ela tinha medo de ver, ela devia estar vendo um espectro, Regina lembrava como era.

– Emma sou eu. Regina. Você tem que me ouvir. Emma olhe para mim. — largou os pulsos da loira e a envolveu em seus braços, os olhos de Emma se abriram, e de supetão se afastou de Regina. Tinha os olhos verdes esmeralda mortos, atônitos.

–Não... Você não é real também. Não, não... Você é como ela... — disse tentando se afastar, Regina a segurou seus pulsos novamente.

– Não. Eu sou real. Emma eu estou aqui. — disse o mais calmamente possível, gritar só agravaria as coisas — Você ligou para mim Emma. Lembra? — um toque de realidade fez Emma prestar mais atenção — Não importa o quê veja. Eu estou aqui. Você têm que se acalmar, você está machucando a si mesma. — disse lançando um olhar as mãos e de Emma, tinha os dedos esfolados — Pense boas memórias.

– Eu, eu não lembro... — ela disse, as luzes pararam de piscar. Ficando acesas. Mas sua magia fluía por todo apartamento, mandando pequenos choques elétricos na pele de Regina em contato com a sua.

– Sim, você lembra, sim. Você tem uma família e um filho. Você tem boas memórias.

– E nós? — disse a a loira pegando de surpresa.

– Nós também. — afirmou Regina em um sorriso bobo. — Me conte algo sobre nós então.

– Eu não consigo. Ela estava certa. — disse Emma referindo ao seu outro eu — Eu, eu tenho medo.

– Nós todos temos.

– Não, eu...

– Sim Emma, eu tenho também. Você já encarou tanto medos seus, você pode novamente. Você têm que parar isso. Você têm que se livrar desses pensamentos que estão a perseguindo.

– Eu sinto muito... — ela disse — No passado, eu não queria que tivesse sido assim. — Regina não tinha muita certeza do que Emma falava, apenas assentiu — Eu machuquei você.

– Emma...

– Não Regina. Aquilo não era certo, mas... — fungou e continuou — Mas seus olhos, eles me fizeram esquecer de tudo. Como se nenhum problema existisse, como se fosse apenas nós. — disse Emma, e Regina queria desesperadamente saber de que momento Emma estava falando, seu coração se acelerava mais e mais, e não era pelo estado de Emma, eram pelas palavras — Eu nunca percebi quanto eu gostava de você, ou admite como naquele momento, eu acho que sempre consegui ver aquela jovem em você, e mesmo que aquilo foi errado não me arrependo. — Regina apesar de não entender a metade não se importava, Emma gostava dela também — Eu faria tudo de novo apenas para beijar você. — ela disse sinceramente.

Regina podia ver a verdade naqueles olhos verdes, mas elas nunca haviam se beijado, e não seria certo naquele momento, mas ela queria tanto aquilo, seu peito arfado e respiração tão irregular como a de Emma a denunciavam. Engoliu o nó que formava em sua garganta. Ela queria tanto aquilo, ela sabia, Emma sabia. Se aproximou ainda da mais loira, libertando seus pulsos, narizes tão próximos que respiravam o mesmo ar, entrelaçou uma mão nas mechas loiras e roçou com a ponta da língua os lábios semiabertos da loira, pedindo por permissão sucedida, selou seus lábios aos de Emma, sua língua se encontrando em um começo de dança por controle foi o suficiente para as memórias percorrem sua mente, seus olhos se abriram e Regina se afastou seus lábios dos de Emma prontamente.

Ela havia despertado da maldição de uma vida sem lembranças que impôs a si mesma.

Pedaços de lembranças de uma loira e um homem estranho com um gancho passando tão rápido por sua mente e fazendo seu coração palpitar ainda mais.

"Nós estamos perdidos" a loira disse. Dois dias de estadia. Uma paixão nasceu, e com um beijo um amor se apoderou de seu corpo.

– Emma? — disse Regina, a voz toda jovem, olhos assustados como se aquela voz tivesse esperado todos esses anos para ser pronunciada. — Não... — disse a morena se afastando de Emma.

Todo seu passado foi uma mentira.

Seu amor por Daniel.

Sua cicatriz.

Tudo por causa de Emma Swan.

– Vo-você... Você...

– Regina eu realmente...

– Não! Não diga! Você não tinha o direito! — disse Regina deixando as lágrimas correrem — Tudo foi uma mentira... — fitou o chão, ela precisa sair dali. Era tudo demais. Amor, medo, e desgosto.

– Me desculpe... — deu um passo pra trás e sumiu em um fumaça roxa.

– Regina! Espera! — disse Emma, mas era tarde demais, Regina a deixou com as próprias lágrimas e um apartamento vazio.

Notas finais
As coisas sempre parecem sem esperança antes de melhorarem, lembrem-se. E caso queiram entender a reação da Regina melhor a canção "Winter" da Daughter é como ela está nesse momento. E claro também recomendo "Hardest of Hearts" da Florence + the Machine, uma das canções mais SQ que conheço. Enfim, beijos e até o próximo capítulo!