There's No Place Like The Past
16 Little Broken Hearts
Notas iniciais
Assim que fumaça roxa se desfez totalmente no ar, deixando Emma sozinha à realidade voltou a loira. Engoliu a seco o nó que se formará em sua garganta e limpou as lágrimas secas.
Mal podia acreditar no que aconteceu instantes atrás naquela cozinha vazia, ela precisava desesperadamente falar com Regina, ela não teve a chance de dizer qualquer coisa, mas agora se sentia fraca e com dor de cabeça, provavelmente pela magia que acontecerá, pensou. Pôs uma mão na cabeça como se pudesse fazer a sensação de girar parar e seguiu para o banheiro, abriu o chuveiro e entrou de roupa embaixo da água fria, apoiando uma mão nos azulejos brancos teve a certeza que de precisa falar com Regina, mas que também precisava estar inteira para isso, o quê não era o caso, por fim decidindo-se, Emma se pôs no auto-piloto e fugiu de si mesma, tomando um banho e indo dormir, porque algo dizia que o dia seguinte seria muito, muito longo.
Os vestidos e espelhos espalhados por todo canto só ajudaram Regina a sentir menor do que realmente é. Mais ao fundo de seu esconderijo, sobre a chaise-longue cinza estava Regina, o rosto apoiado nos joelhos flexionados e os braços em volta das pernas a dando a segurança que ninguém podia dar.
Havia se teletransportado para o esconderijo no mausoléu, ali era o único lugar que podia ficar sozinha e que não precisaria falar com Emma ou Robin; mas aquele lugar não foi uma boa escolha, Regina percebeu, ali estava rodeada pela parte mais obscura do seu passado, no qual, agora, era todo decorrente de Emma. Ou assim pensava.
Apaixonou-se por Daniel pelo conforto que seus olhos verdes escuro lhe transmitiam, e agora, sabia que conheceu Emma primeiro que o garoto dos estábulos, que quando viu aquela mulher se apaixonará no mesmo instante mesmo sem saber o quê significava paixão, que quando Emma partiu a primeira vez foi que também pensou pela primeira vez que talvez, amor fosse de fato uma fraqueza. E Emma era seu amor verdadeiro também, a poção era a prova.
Olhando a sala iluminada ela via alguns de seus vestidos mais deslumbrantes, um enorme quadro com a figura de um cavalo pintada, e não achou se quer conforto na macieira branca decorativa enfeitada com falsas maçãs, porque afinal, eram falsas como seu passado. Vencida pelo cansaço, Regina acabou adormecendo com incerteza no coração.
Naquele domingo Emma acordou cedíssimo, eram 7:45 e já havia ligado para Regina três vezes; em nenhuma Regina atendeu.
Sem fome terminou a xícara de café preto e forte que fez, levantou-se, pegou as chaves do apartamento que estavam jogadas à mesa e a jaqueta de um alaranjado desbotado da cadeira quando ouviu uma batida na porta. Será que é Regina? Pensou, e foi em direção à porta colocando a jaqueta, precisava de um amuleto da sorte.
— Robin? — disse Emma ao abrir a porta, deixando sua surpresa suspensa no ar.
— Podemos conversar? — respirando fundo e pensamento racionalmente, (porque se fosse emocionalmente Robin seria última pessoa com quem queria conversar), Emma respondeu:
— É claro. Pode me acompanhar numa caminhada? — disse fechando a porta — É que eu já estava de saída mesmo. Sobre o quê quer falar?
— Regina. — disse ele sem rodeios, Emma fechou a porta e se endireitou, o encarando — Ela veio até você ontem e não voltou para casa, não deixou recado ou qualquer coisa.
— Ela não voltou pra casa? — disse Emma se pondo em movimento e Robin a seguindo.
— Não, ela não voltou. O quê fez com ela?
— O quê? Como assim? — disse Emma apurando o passo.
— Dá última vez Regina mencionou que você teve um problema com sua magia, mas não deu detalhes, e ontem ela disse que você estava tendo um ataque. — explicou — Mas sei que não é só isso. — afirmou assim que chegaram na calçada.
— O quê quer dizer com isso?
— Eu acho que você sabe.
— Não, não sei não.
— Eu vejo o jeito que olha para ela. — ele disse — E você não respondeu a minha pergunta, você fez algo para ela? — Emma o fulminou com o olhar, não ia contar nada à Robin. Nada. Mas Robin seguiu — Olha, só estou preocupado com Regina, ela passou a noite fora de casa e até agora não apareceu. — explicou.
— Okay, vamos fazer assim vou até o mausoléu e você até o escritório. Em um desses lugares Regina está. Tem celular? — Robin negou com a cabeça — Ótimo. — ironizou entre dentes — Se nenhum encontrar ela nosso ponto de encontro é a lanchonete, certo? — Robin concordou e seus caminhos se separaram.
O caminho até o cemitério pareceu levar uma eternidade, e Emma só rezava para que tivesse mais sorte que Robin e encontra-se Regina primeiro.
A porta do mausoléu estava trancada, mas nada que Emma não desse um jeito, foi até o fusca e pegou dois clips, abriu a porta e deslocou o caixão abrindo a passagem secreta, desceu as escadas e só podia ouvir o som dos próprios passos. Bufou em frustração enquanto caminhava por entre o local, primeiro indo a esquerda onde Regina a levará a primeira vez e não a deixou tocar em nada, tinha muita coisa ali e Emma teve que manter-se no foco principal que era Regina, saiu dali e encontrou uma porta, abriu: outro caixão, devia ser Cora, fechou imediatamente a porta. Avistou outra porta e abriu: um caixão de vidro vazio: devia ter sido do zumbi Daniel. Fechou imediatamente a porta. Já sem muita esperança, ou na verdade nenhuma de encontrar Regina ali foi até o centro do cofre, com as mãos na cintura olhou a sua volta.
Será que tinha outro esconderijo dentro do esconderijo? Só podia.
Não era a primeira vez que Regina se escondia. Deu mais uma olhada no local, bem a sua frente havia um espelho de tamanho considerável, era a única parede que era assim. Andou até o espelho, aquela parede de fato parecia ser um fundo falso, e tinha a sensação de ser observada. Regina estava ali, sabia.
— Eu sei que você está aí. — disse Emma para o espelho, tão certa de que Regina a observava. E observava mesmo, de pé parada a frente do espelho. — Regina nós precisamos conversar. Talvez eu devesse ter falado a verdade quando voltei, mas acho que sempre soube que reagiria assim. — disse em um suspiro e baixou o olhar, bufou em frustração, não olhava mais o espelho, não consegui encara-lo, ver seu reflexo estava difícil desde à noite anterior. — Talvez eu sempre soube que o me disse no passado não era verdade. — disse por fim, lançou um último olhar para o espelho e virou os calcanhares. A porta se abriu. Virou os calcanhares novamente.
Olhou Regina apoiada a porta, ainda de robe; havia dormido ali? Pensou Emma enquanto a morena a percorreu com o olhar sem dizer uma palavra, abriu mais a porta e entrou novamente, Emma um tanto quanto incerta deu um passo a dentro da sala, seu olhar se perdeu pelos espelhos um instante, esquecendo de Regina, até a morena quebrar o silêncio.
— Aquela garota estúpida que conheceu não é quem sou Emma. — disse calmamente Regina de costas. — Você gostou dá ideia que teve de mim, não de quem realmente sou. — completou dando atenção a loira atônita.
— Você não pode estar falando sério.
— Mas estou, e muito. Você tem ideia do que fez? — disse levantando o tom de voz — Você mudou tudo! VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO DE... DE...
— DE QUÊ? De ver que você era uma pessoa normal quando jovem? Que tinha sonhos que não se realizaram?! Que gostava de andar a cavalo e de braços dados com outras pessoas?!
— SIM! EXATAMENTE! — disse com a voz falha, mas não era só por isso e Regina já podia sentir as lágrimas quentes percorrem suas bochechas — Você mudou tudo! Daniel e.... E...
— O quê? — Regina apertou os punhos e não falou. Não, não ia falar. Não ia admitir que amou Daniel por causa de Emma. — Sabe de uma coisa? — disse Emma — Pense o quê quiser. Eu já disse que o quê fiz foi errado mas que não, NÃO ME ARREPENDO. E eu não fiquei com você por causa daquela garota, e sim porque já gostava de você! E você sabe disso! — Regina se assustou com o tom de Emma e as palavras, não disse nada, Emma seguiu — E NÃO ME VENHA COM ESSA MERDA HIPÓCRITA DE DIZER QUE NÃO A CONHEÇO E QUE SÓ GOSTEI DA SUA PARTE "BOA" QUANDO JÁ TENTOU ME MATAR MAIS DE UMA VEZ, LEMBRA? — indagou Emma, Regina não mexeu um músculo — REGINA VOCÊ SEQUER ACREDITA NO QUE DIZ! — esbravejou Emma, respirou fundo pondo as mãos na cintura só para tirá-las logo em seguida — Mas sabe o quê? Eu que fui idiota em acreditar em toda aquela baboseira que me disse no passado. Sim! Toda aquela maldita baboseira de não te esquecer porque não esqueci essa porra um dia sequer!
— Emma, eu...
— Não... — disse Emma juntando ar — Não vou discutir mais. — disse a loira saindo daquele lugar infernal com Regina nos seus calcanhares.
— Emma, espera... — disse Regina subindo as escadas atrás de Emma, não se incomodando com os pés descalços sobre o piso gelado. — Emma! Espere! — Mas Emma não esperou, apertou o passo em direção ao fusca e Regina parou a porta do mausoléu. Não adiantava mais, tao rápido quanto Emma entrou no fusca ela sumiu.
Regina passou a mão pelo cabelo e respirou fundo, a tempestade que se tornará sua vida recém havia começado, ainda tinha que falar com Robin. Bufando em frustração se teletransportou para a mansão, mais precisamente para um dos quartos de hospedes, não podia correr o risco de se teletransportar para o seu; Robin podia estar lá. Abriu a porta do quarto e espiou, o segundo andar estava em silêncio e a porta do seu quarto estava fechada. Sentindo-se uma intrusa na própria casa, saiu do quarto de hospedes e fechou a porta atrás de si indo a passos silenciosos para seu quarto; Robin não estava lá, suspirou apoiada a porta com a mão no peito e foi para o closet, precisava de um banho e mais importante: trocar de roupa.
Por que, sinceramente, quem foge de pijama e um robe por cima?
Robin foi ao escritório e não tendo sorte foi até a lanchonete. Havia deixado Roland com Pequeno John ali antes de procurar Emma, Emma que aliás não estava na lanchonete. Robin esperou cerca de vinte minutos e notou que de fato Emma teve mais sorte, com frustração voltou com Roland para a mansão, Regina uma hora apareceria por lá, e ele queria esclarecer as coisas de uma vez por todas.
Chegando na mansão foi subiu as escadas com Roland o acompanhando e o deixou no quarto, e depois indo ao de Regina ouviu o barulho do chuveiro e soube quem estava lá, decidiu descer e esperar por Regina na sala.
Durante o banho e enquanto se vestia Regina teve tempo de processar (um pouco) e pensar (um pouco) o quê havia acontecido em menos de vinte e quatro horas.
Queria tanto Emma agora quanto quando não lembrava de nada, aquela parte dentro de si da garota que foi no passado gritava que queria isso também, mas ao mesmo tempo não conseguia. Daniel que era a única parte da sua história que achava ser uma verdade e não era mais, e agora tinha Robin, podia não estar com Emma mas não podia continuar com ele, não tão dividida, ele era sua alma gêmea, ela seu amor verdadeiro.
Desceu as escadas no silêncio da mansão, avistou Robin sentado no sofá e foi até ele, não sabia o que ia dizer, mas alguma coisa iria dizer.
— Regina. — ele disse levantando-se — Nós precisamos conversar.
— Sim, nós precisamos. — ela disse com o olhar cabisbaixo — Robin, nós... Nós precisamos... Precisamos de um tempo...
— É ela, não é?
— O quê?
— Regina. — ele disse e pegou suas mãos — Eu realmente amo você. Mas, mas nós temos que ser honestos. Não posso ter você apenas pela metade.
— Eu não... Ela e eu, nós...
— Não, eu não pensaria algo assim de você. Mas.... Mas eu vejo como ela olha para você... E, as vezes, como você olha para ela também. — ele disse — E se você não me interrompeu até agora é porque é verdade.
— Eu não queria que as coisas fossem assim. — ela disse e caiu em seus braços.
— Eu também não. — ele disse. — Minhas coisas já estão arrumadas. Vou buscar Roland no quarto. — ele disse saindo do abraço lhe oferecendo um sorriso fraco. E Regina sentiu sua segunda perda naquela mesma manhã.
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