There's No Place Like The Past
11 Sharpen Your Knives
Notas iniciais
Emma tomava um bom e gélido copo de água enquanto olhava sua nova cozinha.
Assim que fechou negócio ontem mesmo Emma já começou a mudança para o novo apartamento.
Na verdade não havia muito o que levar para ali, afinal Emma só trouxe roupas de Nova Iorque, mas Emma passou aquela quarta-feira inteira em função das entregas de alguns dos móveis que fez ontem mesmo pelo final da tarde, ela queria de uma vez sair da pensão, não que fosse ruim, porque não era, mas não lhe agradava em nada Henry ter que passar os fins de semanas em um quarto de pousada sendo que antes tinha o seu próprio, e Emma sentia falta de ter seu próprio lar.
Marco havia montado durante a tarde o guarda roupas e balcão da cozinha, que com a mesa redonda e a geladeira a deixavam com a impressão de menos vazia, e Emma não ligava, ela já havia dormido no fusca amarelo quando foi necessário, dormir em um casa vazia não era nada que não pudesse sobreviver.
E tudo que queria era tomar um bom banho e ir dormir, e quase foi que o fez se não fosse por uma mensagem de Mary Margaret que fez o celular vibrar na bancada da cozinha.
"Jantar na Regina às 20:30, não esqueça querida"
Assim que lê Emma cospe toda água que tomava, já eram 20:00 horas e ela nem se quer tinha tomado banho, larga o copo no bancada e sai tirando a regata pelo meio do apartamento grata por Henry não estar ali.
São 20:50 quando Regina olha o relógio na parede da sala.
20:50 e Emma Swan não havia chegado.
Desta vez Regina achou que Emma não se atrasaria, afinal no último jantar ela não se atrasou, mas de novo era de Emma Swan que se falava, e era corriqueiro errar seu julgamento quando se travava de Emma.
Decidiu se focar em Mary Margaret que falava e ela tão pouco prestará atenção pensando em Emma.
Se Emma já não tinha muita vontade de sair de casa antes da mensagem de Snow após a mensagem sentia menos ainda, sair atrasada para um jantar na casa da Regina que contaria com a presença de Robin não era algo que ajudava muito, saiu do banho e pegou a primeira calça e sapato que viu, pegou um casaco preto e colocou por cima da camiseta branca de gola só para não ficar muito na cara de que viu a roupa na última hora e colocar a jaqueta vermelha, afinal não adiantava pensar em que roupa Regina usaria porque a morena sempre estava impecável.
E como estava impecável, assim que Emma toca a campainha não demora muito para Regina surgir na porta com um sorriso debochado no rosto, ela usa um longo vestido vermelho, que para compensar as mangas compridas têm um generoso corte na perna direita, tornando impossível não olhar para perna desnuda da morena.
–A Princesa finalmente chegou.– debocha a morena chamando a atenção da loira para seus olhos e abre passagem.
–Espera o quê?– diz a loira entrando e fazendo uma careta –Você me chamou de "Princesa"?
–Foi pejorativo caso não tenha notado. - Regina fecha a porta ainda com o deboche no rosto.
–É, eu já esperava por algo assim Vossa Majestade.– faz uma reverência e não têm como Regina continuar furiosa pelo atraso.
–Oh ok, quer algo para beber?– a loira assente –Tudo bem, tenho que ir na cozinha e logo já volto, Henry e seus pais estão na sala.– completa a morena com um sorriso e some em direção a cozinha, Emma assiste o andar rebolado da Prefeita e faz a direção oposta encontrando não somente Henry e seus pais como Robin também, dá um rápido "Oi" para todos com um fraco sorriso e sentasse ao lado de Mary Margaret, David e Robin conversam de pé com Henry e Roland a volta.
–Achei que não vinha mais.– confessa Snow com o pequeno Neal dormindo em seus braços.
–Tinha até esquecido. — murmura Emma –Me arrumei o mais rápido que pude quando vi a mensagem, obrigada inclusive.– completa loira que quase sem querer pronuncia "mãe" mas as vezes a palavra fica presa em sua garganta, Snow a dá um sorriso e acrescenta:
–É o que mães fazem.– e pisca para loira e Emma sabe que Regina não sabe que Snow mandou a mensagem, se recosta no sofá relaxando a postura e olha para seu pai e Robin que conversam tão animadamente.
Todo mundo parace gostar Robin mesmo ele não tendo vindo com a primeira maldição, bem são todos da Floresta Encatada e teve o ano perdido Emma pensou, mas e Regina? Eles teriam ficado juntos durante o ano perdido? Foi por isso que de repente apareceram juntos? Ou foi mais por Roland que Regina gostará dele? Não que Regina quisesse substituir Henry, Emma sabia que ela não era assim, mas Roland era com certeza um amor de menino, o que Robin tinha de diferente afinal? Com Graham Regina o fazia sair pelo telhado para que Henry não soubesse mas e Robin simplestemente já estava ali, dentro da sua casa, será que ela já pensava em casar? Roland falou nisso outro dia... Será que Regina queria mais filhos? Pior ainda: será que Regina se prevenia pra isso não acontecer? Robin não deveria saber usar camisinha e Regina teria que ensinar...
–Eu preciso pegar um ar.– murmura Emma para Mary Margaret e saí da sala chamando a atenção dos demais, Henry a segue a pegando perto da porta.
–Mãe? Mãe?– o garoto diz fazendo a loira girar os calcanhares.
–Sim?
–Onde tá indo? Tá indo embora?
–Não, não. Eu só ia pegar um ar. — mas a ideia de ir embora talvez não fosse má, na verdade Emma a fez no auto-piloto e não notará.
–Aconteceu alguma coisa?
–Não Henry... Só to com um pouco de dor de cabeça.– diz a loira pondo uma mão na testa como reflexo, e na verdade não era mentira, a linha de pensamentos de segundos atrás a deu dor de cabeça e nojo ao mesmo tempo.
–A mãe, a Regina, deve ter um remédio quer que eu peça pra ela?
–Não, não.– E por falar em Regina onde ela havia se metido que até agora não tinha voltado da cozinha? Mais do que nunca Emma precisa de uma bebida.
–Tem o jardim dos fundos quer ir lá?– indaga o garoto –Já que quer pegar um ar... - diz dando de ombros, mas Emma vê a insinuação feita pelo garoto, se disser não ficará evidente que queria ir embora.
–Okay. Mas a Regina não vai reclamar?– disse se aproximando do garoto e pousando um braço sobre seu ombro.
–Eu moro aqui, se lembra?
–Ok convencido vamos para o jardim.
Henry abre uma porta na sala de jantar que dá acesso a outra parte da mansão, onde há outra mesa e quatro cadeiras perto a uma parede no largo corredor, que também dá para olhar a cozinha, o que Emma o faz, mas não enxerga Regina, segue Henry que abre outra porta e que dessa vez dá acesso ao jardim dos fundos, Emma se lembra de algumas fotos no álbum que Regina emprestará, iluminado não só pelas luzes mas também pela noite estrelada ali parece um lugar especial, cheio de plantas e flores não tão visíveis à noite, fazendo dali um lugar isolado da casa e longe dos pensamentos de antes, Henry a guia até à mesa com três cadeiras que fica visível para quem está dentro da mansão na sala de jantar, o ar gélido da noite é como calmante para os nervos de Emma.
–E aí gostando do ar mãe?– brinca o garoto.
–É, bem não possso reclamar.– diz em meio a um sorriso –Essa casa é enorme.– bufa.
–Era boa pra brincar de esconde-esconde.– confessa o garoto –Mas Regina começou a trancar as portas e esconder as chaves depois de passar uma tarde me procurando.– finaliza não contendo uma risada, e Emma pode imaginar o nervosismo de Regina procurando o garoto naquele jardim enorme.
–Então vocês dois estão se escondendo aqui. — disse Regina rimando com o assunto, chamando a atenção de Henry e Emma antes de juntar-se os dois a mesa, ela passa um copo de whisky a Emma.
–Obrigada.– responde Emma educadamente, ela realmente estava precisando de uma bebida.
–Eu vou conversar um pouco com vó antes do jantar.– diz o garoto oferecendo um sorriso a ambas, se retirando para dentro da mansão.
–Ok querido.– diz Regina que arqueá uma sobrancelha e troca com Emma um olhar de quem não entendeu nada, mas ambas pensando o mesmo pensamento que Henry as queria deixar sozinhas.
–Puberdade.– diz Emma tomando outro gole do whisky –Não deve ser tão legal assim andar com duas mães ao mesmo tempo – brinca.
–Deve ser.– disse Regina com um sorriso no rosto ao levar o próprio whisky aos lábios, apesar do ar gélido a noite está agradável no jardim, em uma noite estrelada capaz de levar seus pensamentos para longe, e naquele momento, só há ela e aquela mulher no silêncio da noite.
–Achei que tava atrasada– diz Emma estragando o silêncio, trazendo Regina a realidade –Eu quero dizer, você é a cozinheira, não é?– Regina assente em positivo –Mas não serviu o jantar ainda.
–Veio só por causa dos meus dotes culinários Srta. Swan?– provoca Regina escondendo o sorriso por trás do copo nos lábios.
–Deus, não! Quero dizer... Eu perguntei porque- bufa Emma começando a corar.
–Eu entendi.– diz Regina a acalmando, pondo rapidamente uma mão sobre a sua, um rápido e gentil toque, mas suficiente para fazer Emma corar ainda mais–Eu deixei as coisas semi prontas, o último prato fica pronto em 20 minutos, eu acabei de colocar no forno.
–Oh.– esboça Emma de olhos arregalados levando o copo aos lábios, deixando o silêncio entre ela e Regina pairar.
E na verdade o silêncio que geralmente se instala entre ela Regina não é de todo incomodo, e ao olhar o céu tão limpo naquela noite a fez percebe que talvez assim era melhor, a fazia sentir como não estivesse em um jantar familiar mas apenas com Regina, mas aquilo não era verdade.
Ela olha Regina de canto de olho e a morena parece tão perdida em pensamentos quantos ela, o copo encostado nos lábios e olhos distantes na imensidão da noite, Emma suspira e se pergunta se ela e Regina serão sempre assim, tão perto e tão distantes ao mesmo tempo.
Afinal o que elas são? Nem mesmo amigas Emma diria, ela escolheu não falar a verdade para dar a Regina a felicidade que ela queria, mas e ela? Ela tinha algum espaço na vida de Regina? Porque agora, mais do que nunca, ela admitia si mesma que queria uma parte sua na vida de Regina, nem mesmo que fosse em um lugar que não era suficiente.
–Como você nós vê no futuro? – ela diz olhando para Regina, ela estava olhando para as estrelas –Quero dizer, agora que as coisas parecem normais você já pensou como vamos estar daqui sei lá... 5 ou 10 anos.
–Eu não sei.– diz Regina sinceramente, ela nunca parou para pensar nisso.
–Não?
–Não, por que?
–Sei lá. – diz a loira dando de ombros –Só achei você diria que estaria casada ou alguma coisa assim, mais filhos sei lá...
–Não. — bufa Regina um pouco surpresa com a própria resposta, ela nunca pensou em aumentar a família com Robin, aquilo parecia o certo mas ao mesmo tempo parecia que tudo tinha ido tão rápido que não parecia real. -Eu... Eu não havia pensado em nada disso.– ela completa e toma o resto do whisky antes de continuar –Na verdade, eu parei de tentar pensar sobre meu futuro a algum tempo, afinal ele nunca foi o que achei que seria.
–É, bem, talvez seja isso que faça o futuro um lugar especial.– diz Emma tentando aliviar a tensão imposta por Regina, ela deveria estar feliz com Robin, mas aquela resposta parecia mais com alguém insatisfeito com a vida.
–Talvez você tenha razão. — diz a morena com um fraco sorriso.
–Mas realmente, um ano atrás, você podia ver nós aqui? Assim? - diz Emma tomando uma postura mais seria –Depois de tudo, você chegou a um dia pensar que tudo podia ficar normal entre nós?
Regina já havia visto Emma de tantas formas, em tantos momentos diferentes, ela já a havia visto como inimiga e algum tipo de desejo sexual, como uma possível amiga e inimiga de novo, como amiga e talvez (mesmo que não admitisse completamente) ela a viu como algo a mais, mas agora, ela não sabia a resposta.
–Eu não sei.– ela finalmente diz, através daqueles olhos castanhos Emma sempre podever a verdade que Regina esconde, mas essa vez, não era completamente uma mentira.–Aconteceram tantas coisas.– aquilo era uma verdade, e mesmo para Regina que disse, aquilo parecia vazio, ela suspira e desvia o olhar, as vezes é difícil olhar através aqueles olhos verdes esmeralda que parecem atravessar sua alma.
–É eu acho que tem razão. Nós quase morremos tantas vezes que as vezes esqueço, acho que por isso ainda penso no futuro.– completa relembrando as tantas vezes que a morte passou entre ela e Regina, algumas por causa de Regina.
–Aquela vez... Com dispositivo de segurança da maldição.– diz Emma, chamando a atenção de Regina -Você realmente queria aquilo? Por que?
Emma agora mais do que também sabia o porque Regina querer ter morrido naquele momento, ela poderia morrer pelo que ela era e não pelo que se tornou, mas ainda assim não fazia sentido alguém tão resiliente ser tão suicida.
–Você alguma vez, já sentiu como se você morresse, ninguém iria sentir sua falta?
–Isso não é verdade, Henry ia sentir sua falta, eu ia.
–Iria?– indagada Regina com a voz falhada, cheia de dor e desdém –Por que?
–Porque... Eu... Eu...
–Vê?– diz Regina –Você nunca diz o que deveria ser dito.– completa a morena a olhando nos olhos, Emma abaixa o olhar, não consegue encara-lá agora.
Ela não sabe se Regina está falando da situação que estão agora ou da que falavam, ela não tem coragem de perguntar o que Regina necessitava ouvir, porque se ela havia intendido bem, Regina acabará de admitir que gostava dela ao mesmo tempo que dizia que aquela possibilidade não existia mais.
–Eu tenho que ir.– diz Regina levantando-se –Sua família deve estar te esperando na sala.– diz lançando um olhar e Emma levanta-se em silêncio, Regina segue para cozinha e Emma para sala.
E graças a Deus Robin não tenta puxar conversa com Emma, e Emma percebe que sempre na sua presença o homem toma uma posição mais neutra, ela nunca havia percebido antes, mas assim como ela não invade o seu espaço ele faz o mesmo, talvez seja por causa de Henry e a divisão de guarda, mas Emma não têm certeza, mas fica feliz por não ser obrigada a interagir com ele.
E o silêncio entre ela e Regina segue presente até o jantar ser servido, com Regina a olhando, e desviando o olhar assim que é pega olhando, Emma queria tanto ir embora quanto queria retomar o assunto que conversaram no jardim, mas pelo olhar de Regina aquele era um assunto encerrado e que não deveria nunca ser mencionado, sendo assim Emma segue comendo o salmão com molho de maracujá que Regina havia preparado, comendo apenas para não falar algo que não devia, porque a essa altura não tinha fome nenhuma com a ironia dos lugares a mesa.
Regina na cabeceira, ela de um lado acompanhada por Henry, seguido por Snow e David na outra cabeceira, e do outro lado de Regina se encontravam Robin com Roland ao seu lado.
–Mãe– diz Henry a cutucando com o cotovelo–O vó está falando com você.
–Oh desculpe David– diz a loira tomando um gole e vinho –Falou comigo?
–Só estava falando para Regina que estou fazendo um planejamento para organizar os cargos na estação com você.
–Ah é claro.– diz lançando um olhar a Robin e toma outro gole de vinho.
Emma e David estavam organizando os horários e cargos na delegacia já que Robin e sua trupe fariam parte, morar em uma cidade pequena tinha seus abacaxis como ter que ver todos os dias o homem que vivia que a mulher que Emma gostava.
–Será bom trabalhar com vocês.– ele diz educadamente e todos sorriem, menos Regina que a olha cautelosamente para Emma entre uma garfada e outra.
–Será.– diz Emma não conseguindo esconder a presunção por trás do sorriso falso, não se importando com Regina a olhando.
–Então ontem você disse que ia olhar um apartamento.– diz Regina chamando a atenção de Emma para si, os olhares da loira lançados para o outro lado da mesa não são lá dos melhores e Regina não gosta do gelo que se formou entre ela e Emma desde a conversa que tiveram no jardim.
–Aham.– esboça Emma e toma outro gole de vinho antes de continuar –Eu comecei a mudança hoje, bem, com o que tenho para mudar pelo menos.– finaliza melhorando a expressão com um sorriso no final, e não com olhares mortais de segundos atrás.
–Finalmente. — diz Regina com um sorriso –Onde fica?– completa Regina nem percebendo os olhares de Henry sobre si.
Henry sabe que Regina detesta conversa durante as refeições, e o pior foi que desta vez foi ela mesma que iniciou a conversa com Emma.
–Eu posso te mostrar amanhã.– diz a loira com um sorriso, mas que logo se corrigi –Desculpe quero dizer nem precisa você conhece toda cidade, não tem necessidade você perg-
–Eu quero ver.– corta Regina com um sorriso notando a cor rosada que tomava conta das bochechas de Emma se desfazer em um sorriso.
–Oh okay então, a gente se encontra na Granny's então? Pode ser?
–É claro.– diz Regina voltando para sua refeição com um sorriso bobo no rosto, assim como Emma, não notando os olhos curiosos de Snow e Henry em ambas.
Fale com o autor