There's No Place Like The Past
12 Hurricane Drunk
Notas iniciais
Regina caminha em direção a lanchonete com o forte vento fazendo seu curto cabelo ganhar vida própria acompanhando seu passo rebolado, suas curvas marcadas pela saia lápis e uma camisa branca com dois botões abertos, e apesar dos raios solares que aquecem sua pele da repentina brisa, e que são um tanto quanto incômodos para um final de tarde ela pode enxergar a loira a esperando na calçada.
Fazendo um sorriso involuntário surgir em seu rosto.
E junto a sua sombra ao Sol a lembrança da noite anterior a segue.
A conversa no jardim não deveria ter acontecido ela sabia, ela nunca deveria ter dito o que disse também, ou ter dado um tratamento de gelo a Emma após aquela conversa, elas já passaram por tanta coisa para se tratarem assim, e ainda bem que ao decorrer da noite elas voltaram ao tratamento normal.
E admitindo ou não Regina gostava de ter a presença de Emma, elas estariam unidas para o resto de suas vidas por Henry, isso era um fato, mas a recente amizade que construíam era algo que Regina poderia se acostumar.
Emma mexe os pés como se chutasse uma pedra imaginaria assim que a vê, ela têm essa mania infantil quando está apreensiva, Regina percebeu isso à algum tempo, a loira segura um casaco preto sobre um braço e usa uma básica de gola na cor turquesa, deixando os músculos definidos dos braços ficam um pouco evidentes, mostrando a mulher forte escondida pelas roupas, tornando Emma um pouco masculina na sua percepção, mas ao mesmo tempo Emma têm aqueles lindos olhos verdes e maçãs do rosto definidas, com as longas mechas loiras a deixando com um rosto angelical em um corpo de mulher, não é de se admirar que Hook e Neal disputaram o coração da loira, ela é uma peça rara.
E Regina se admira que Emma um dia tenha dado chances para ambos.
–Hey.– diz a morena com um sorriso bobo, pondo a bolsa que segura a frente do corpo.
–Hey.– responde a loira com mesmo embaraçamento, geralmente ela e Regina não se cumprimentam, mas sempre é bom começar as coisas da maneira certa –Pronta para ir ou quer chegar na lanchonete primeiro e comprar alguma coisa?
–Não, nós podemos ir.
–Okay.– diz a loira iniciando a caminhada em silêncio, uma brisa as ataca assim que atravessam a rua e Regina dobra os braços sobre o peito.
–Com frio hm?
–Foi apenas a brisa.– diz a morena não admitindo completamente –Não estava ventoso antes.
–Pode ficar com o meu se quiser. Não estou com frio.– diz a loira oferecendo o casaco a Regina que o encara, ele não ficaria mal com a saia lápis e camisa branca que vestia.
–Não há necessidade.– diz com um sorriso e aparta os braços sobre o peito, ela não pode aceitar, parece estranho vindo de Emma, além do mais ela não está acostumada a uma situação dessas.
–Tudo bem então. É você que vai ficar com frio mesmo.– a loira completa fazendo biquinho e dando de ombros, Regina arregala os olhos com o atrevimento, mas Emma é assim.
–Usar psicologia reversa comigo não funciona, querida.
–Como se eu soubesse o que é psicologia reversa.– diz a loira revirando os olhos.
–Ah me dê esse maldito casaco.– diz Regina em meio a uma revirada de olhos e um sorriso o tomando do braço de Emma, que prontamente pega sua bolsa enquanto a morena veste seu casaco. –E aliás quão encantador da sua parte oferecer um casaco que não iria usar mesmo.– provoca vestindo o casaco da loira, finalizando passando a mão pelo curto corte de cabelo o jogando ao vento que para perfeito novamente, enquanto inala o perfume de Emma, sentindo o cheiro que imaginava que Emma tinha, fresco e leve, a lembrando de eucaliptos e jasmim na primavera.
–Dizem que meu charme encantador é de família.– provoca devolvendo a bolsa da morena.
–Hilária– ironiza em meio a uma gargalhada.
–Ah é? Mas você tá rindo.
–Me admira que ainda não tenha trocado o sobrenome para Srta."Charming."
–Eu acho que prefiro Srta. Swan– diz Emma e ambas riem, e Emma pode constatar que Regina é uma daquelas poucas pessoas que ficam ainda mais lindas ao sorrir, ela parece jovem e livre.
–Emma...– diz a morena pondo uma mão no ombro da loira, recuperando o fôlego, não lembrando a última vez que riu assim de uma bobagem.
–Hey.– corta uma voz masculina.
É Robin, sorridente as alcançando e atravessando a rua, fazendo a morena e a loira pararem, dando um rápido beijo em Regina.
–Emma.– ele cumprimenta educadamente para piorar a situação.
–Robin.– Emma responde automaticamente pesando o ar em volta de Regina, e Regina sente-se deslocada, Robin nunca chegava assim, a beijando na frente dos outros, parecia que estava tentando causar ciumes em Emma, e a quanto tempo ele as tinha as visto?
–O quê está fazendo aqui?– indaga a morena soando um pouco ríspida mas poem um sorriso no rosto para aliviar a tensão.
–Passei na estação para conversar com David e Hook sobre os horários, lembra?– ele diz com um sorriso brilhante e Emma sente-se cansada de estar ali.
–É claro.– diz a morena relembrando que pela manhã o homem da tatuagem de leão a falará sobre isso.
–Pequeno John ia me esperar na lanchonete com Roland, não quer se juntar a nós? Emma pode ir conosco também.– ele disse lançando um sorriso a loira que retribui por educação, se não a convidasse seria falta de educação.
–Oh, mas Emma ia me mostrar o seu novo apartamento.- diz lançando um olhar a loira que tem uma expressão incompreensível –Então...
–Regina.– diz a loira chamando sua atenção –Eu posso te mostrar outro dia, e além disso você conhece a cidade, Henry pode te contar onde é também.
–Mas...
–Outro dia, ok? - diz Emma com um sorriso fraco, acena na direção de Robin e dá um último sorriso a Regina antes de seguir seu caminho sozinha.
–Tudo bem? – ele pergunta a morena que assiste a loira seguir seu caminho.
–Sim, é claro. – diz Regina voltando a atenção ao homem da tatuagem de leão, ele coloca um braço sobre seu ombro e ela por sua cintura automaticamente, e seguem seu caminho com Regina sentindo o cheiro de Emma sobre sua pele.
Emma abre a porta do apartamento como um furação passando por uma cidade, quase não consegue trancar a porta tamanho é o nervosismo que sente, chuta uma cadeira para longe e senta em outra à mesa com punho serrados, ela não consegue explicar a raiva que sente a cada passo que deu desde onde Robin as encontrará até o apartamento, ela maldiçoou a si mesma silenciosamente entre dentes ao lembrar de que havia dito a si mesma que não contaria o que aconteceu entre ela e Regina no passado porque era a coisa certa a se fazer, mas naquele momento não é o que parecia, ela nunca sentiu tanta raiva e ciúmes na vida como sentia agora.
Deus como ela queria esfregar na cara de Robin que já havia beijado Regina, ela podia sentir a raiva a cegando e a deixando ainda mais frustrada, ela precisa esfriar a cabeça e esquecer desse assunto, e nada melhor do que um banho gelado e uns socos na parede até deixar marcas nos punhos para ajudar.
Entre um gole de café e uma resposta curta na lanchonete Regina não deixa a raiva de lado, Robin não fez nada de errado, ela sabe, e fez tudo errado ao mesmo tempo.
Ela não disse que iria ver o apartamento de Emma durante a tarde, mas ontem no jantar ela havia falado, não havia porque ficar dando explicações para cada passo que desse, ela não era mais uma Rainha designada a obedecer um marido que nunca quis, e na situação que Robin a colocou fez sentir-se sem escolha, Emma é claro que não os acompanharia, ela já havia percebido a antipatia da loira por ele, assim como Robin nunca havia se envolvido entre elas, e quanto mais Regina pensava mais frustrada ficava.
Assim que saí do longo banho Emma pega sua jaqueta vermelha e sai do apartamento, ela precisa desesperadamente de uma bebida para tirar a frustração da sua pele, e na sua geladeira não tem nada, sendo assim vai para o único lugar que estarão bêbados demais para notarem sua presença: o Rabbit Hole.
Assim que entra no bar Emma segue para a copa, a loira olha a sua volta e nota que para uma quinta-feira as seis da tarde o local está até cheio, uma música ambiente toca ao fundo e Emma pede um whisky. Assiste um homem jogar sinuca sozinho, e é suficiente para esquecer Regina por um tempo.
Regina dificilmente conseguiu pregar o olho naquela noite, ela se conhece bem para saber qual é a causa: é o que aconteceu durante a tarde, suspira e tenta pegar no sono, de novo.
–Um martini.– diz a loira com o rosto apoiado sobre uma mão.
–Não acho que seja uma boa ideia, porque não vai para casa? Emma, é Emma certo? – diz o bartender.
–É, agora um martini. — diz emburrada.
–Você está aqui desde às seis da tarde e essa é a última bebida que vou te servir.– ele diz e se vira não dando tempo de Emma retrucar, com logo em seguida trazendo o pedido até a loira.
–Ligue para alguém te buscar.– ele diz antes de entregar o pedido e vai atender outro cliente, Emma suspira, é nisso que dá ser filha da Branca de Neve, não se pode nem tomar um porre sem alguém a vigiando.
A contragosto pega o celular e procura um nome na lista telefônica que possa ligar, seus pais nem pensar, Ruby perguntaria o porque do porre, Killian não tinha celular... Para a infelicidade de Emma só restava uma certa morena de cabelo curto naquela lista de quem poderia a salvar...
–Emma?
–É
–Aconteceu alguma coisa?– Regina não conseguia pensar no porque de Emma estar ligando em plena meia-noite, mas certamente não era coisa boa.
–Não, não, não... Não exatamente...
–O quê? – diz Regina saindo de baixo das cobertas, Robin resmunga alguma coisa incompreensível.
–Err... Você pode me dar uma carona até o apartamento?
–O quê? Por quê?
–Do Rabbit Hole até o apartamento, eu... Eu não posso ir sozinha.– Regina poem a mão livre na cintura e suspira, ela não podia acreditar que ia sair no meio da noite ao encontro de uma Emma bêbada.
–Eu estou a caminho. Me espere aí e tente não ter um coma alcoólico.- finaliza não esperando uma resposta e vai ao closet trocar de roupa.
–Regina? – disse Robin sonolento se apoiando sobre os cotovelos na cama.
–Sim?
–O quê tá fazendo?
–Emma precisa da minha ajuda.– diz colocando o sobretudo. -Volto assim que puder.
–Espera o quê? Aconteceu alguma coisa?
–Não.– murmura Regina
–Mas...
–Eu já volto, ok? – ela o corta, Regina não quer entrar em detalhes, Emma a ter chamado é porque claramente não quer que ninguém a veja bêbada, dá um selinho rápido em Robin antes de sair do quarto.
Assim que Regina entra alguns olhares foram dirigidos a ela, mas não se importando, da alguns passos adentrando o bar ela pode ver a loira sentada na copa, cabeça apoiada sobre uma mão e a outra brincando com um copo de martini vazio, uma expressão de desaprovação varre seu rosto, mas assim que se aproxima Regina tira ela, tocando no ombro da loira.
–Podemos ir?
–Sim.– diz Emma levantando-se e largando não sabe quanto de dinheiro na bancada, Regina a oferece uma mão e Emma passa uma braço por sua cintura, para ganhar mais estabilidade, Regina repete o movimento pressionando o corpo da loira ao seu, podendo sentir o cheiro de whisky em Emma, e também um formigamento na pele, ela pode sentir a magia de Emma entrando em seus poros, tenta ignorar a sensação enquanto caminhavam para fora do bar, indo em direção a Mercedes, Emma não fala nada, e muito menos Regina.
Ela queria dizer algo sobre Emma ter mais responsabilidade, mas falar isso para um bêbado é perda de tempo, então Regina não falou, e o olhar que Emma tinha, tentando a evitar como se estivesse com vergonha ajudou Regina a ficar calada, chegando assim a porta do carro Regina abre a porta do passageiro com Emma entrando sem esforço, a morena faz a volta na frente do carro e se poem ao volante, assim que entra Emma quebra o silêncio, a olhando momentaneamente.
–Obrigada... Por vir me buscar. Eu não queria te incomodar, sério.
–Só espero que não aconteça de novo.– diz Regina dando uma rápida olhada em Emma, talvez aquilo tenho sido rude demais.
–Não vai.– afirma se afundando mais no banco.
–Eu... Eu não quis ser rude. Eu só quis dizer que não é bom para você ficar nesse estado. Não seria bom se Henry visse você assim.
–É, eu sei, eu entendi, mais responsabilidade etc, etc, etc.– bufa Emma –Foi por isso que te chamei, você nunca vê o que há de bom em mim, então minha imaturidade não te afetaria muito, além do que Henry está na sua casa então...– suspira –Você entendeu.– Emma finaliza sendo incapaz de olhar Regina, Regina suspira e prefere mudar o foco do assunto, porque se fosse responder aquilo acabaria jogando Emma para fora do carro.
–Onde fica seu apartamento?
–Duas quadras depois do da Mary Margaret à esquerda.
–Certo. — disse Regina pondo o carro em movimento, dando pequenas olhadas em Emma durante o trajeto, ela nunca viu Emma tão quebrada a não ser à um ano atrás, e Regina pode sentir que não é só pela bebida.
–Chegamos. - ela diz e abre a porta não esperando uma resposta, Emma zonza olha pela janela do carro e vê que é o local certo, logo Regina abre a porta do passageiro e a oferece apoio, Emma não nega, Regina fecha a porta do carro e cola seu corpo ao da loira mais uma vez, sentindo o mesma sensação de antes, tendo certeza de que Emma não está bem.
Ela nunca sentiu a magia de alguém tão forte assim, até para Emma que ela reconhece ter um grande poder parece sobrecarregado.
–Terceiro andar. Primeira porta.– murmura Emma e Regina faz o caminho que é lhe dito, não esperando Emma procurar por chave nenhuma abrindo a porta do apartamento com um movimento de mão, assim como as luzes, podendo notar uma cadeira atirada no chão da vazia cozinha.
–Emma, onde é o seu quarto?– Emma aponta para esquerda e Regina adentra mais no apartamento, notando que o apartamento parece mais uma casa fantasma, contendo tão poucos móveis, Regina chega a se perguntar se existe uma cama no quarto de Emma.
Mas assim que entram no quarto Regina pode ver que pelo menos a cama de Emma está arrumada, suspira em alívio e levanta cobertas antes de Emma sentar na cama.
–A jaqueta.– ela diz –Não vai dormir de jaqueta.– Emma a olha e obedece, e Regina acha que na verdade Emma precisa de um banho antes de dormir mas... Bem... Aquilo estava fora de cogitação, Regina a ajuda não aguento a lentidão, olha em volta, não há uma cadeira ou lugar nenhum onde possa deixar a jaqueta, abre o guarda-roupas e a coloca lá, enquanto Emma não tirou nenhuma das botas que usa, Regina suspira.
–Precisa de ajuda?– ela diz, Emma não responde, Regina a ajuda e seus olhos se encontram por um instante.
–Não brigue comigo.– a loira pede baixinho.
–Não irei. Agora...– diz levantando as cobertas –Acho que é melhor você ir dormir. - diz colocando um sorriso fraco no rosto, Emma se enfia embaixo das cobertas e vai para o outro lado da cama, ficando mais longe possível de Regina, mesmo de costas ela sabe que Regina a está olhando, a analisando, ela pode sentir, Regina vira os calcanhares e apaga as luzes do quarto com um movimento de mão.
–Regina?– a loira diz baixinho, Regina quase não ouve parando à porta.
–Sim?
–Não me deixe...– ela responde e se afunda mais nas cobertas.
–Não irei. Só vou.... Tomar um copo de água e já volto.– diz e fecha a porta, se antes ela não queria deixar Emma sozinha ali, assim, depois daquele pedido ela não podia, era claro que Emma não estava bem, naquele momento Emma a lembrava de si mesma, o que não era algo bom, Regina suspira e se desgruda da porta, ela precisa de um copo de água de verdade, mas ela também precisa avisar Robin que vai passar a noite ali. O que Regina não daria naquele momento para Robin ter um celular, e com esse pensamento sua fumaça roxa se materializa no quarto da mansão, Robin não está na cama, Regina olha em volta e sai do quarto descendo as escadas o mais silenciosamente possível, ela vê a claridade vinda da cozinha e assim que entra enxerga Robin só de cueca tomando um copo de água.
–Regina?– ele balbucia –Não ouvi o carro.– ele diz se aproximando da morena.
–Magia. Robin eu precisarei passar a noite no apartamento da Emma.
–O quê? Mas porque?
–Ela não está bem, eu não posso deixa-lá sozinha.
–Mas Regina ela tem uma família, você tem que avisa-los.
–Não, não tenho. Ela pediu pela minha ajuda, e não posso deixa-la sozinha, ela pode ter um ataque de panico ou algo assim, Henry nunca me perdoaria.- finaliza Regina, a última parte foi mais automática do que verdade, ela estava preocupada com Emma por si mesma, mas o discurso final era convincente também.
–Ok. Mas o que digo para ele? Ele vai dar sua falta pela manhã....
–Diga... Diga que tive uma reunião sobre a estação com Emma mais cedo e esqueci de avisar, é a única coisa que ele acreditará.
–Tudo bem.– ele diz com um sorriso –Se cuide.– ele diz e Regina rouba seu copo de água o dando um selinho, e sumindo em uma fumaça roxa, se materializando na cozinha de Emma, ela toma um gole de água gelada que acalma seus nervos momentaneamente, deixa o copo na bancada da cozinha e caminha até o quarto apagando as luzes pelo caminho com magia, respira fundo do lado de fora do quarto, ela pode sentir a presença magica de Emma dali, ela abre a porta do quarto e entra olhando em direção a cama na escuridão do quarto, encosta a porta e tira o sobretudo, caminha até a cama sentando no meio.
–Eu estou aqui. Eu... Eu não vou deixar você. – ela diz e não espera por uma resposta, olha Emma sobre o ombro na escuridão do quarto, suspira e tira os sapatos de salto alto pretos, e deitasse por cima das cobertas pondo o sobretudo por cima do corpo.
–Eu sei.– ela ouve Emma dizer dá beirada da cama, e assiste as costas da loira na escuridão até o cansaço a alcançar, Regina caí no sono pela primeira vez naquela noite com o cheiro de eucalipto e jasmim a embriagando.
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