There's No Place Like The Past
10 Once Upon A Coincidence
Notas iniciais
Regina fecha a porta de casa e dá um sorriso a Roland.
–Vamos?– ela diz pegando uma mão do garotinho, ele acena com a cabeça e entrelaça a mão com a de Regina, que o leva até a Mercedes.
Apesar de Roland ser elétrico ele não é uma criança que fala muito, mas ontem ele pediu a Regina se podia leva-lo para fazer um passeio, Regina como sempre, ficou com uma ponta de insegurança, já que Robin não iria junto, afinal na tarde de terça-feira Robin faria uma reunião com seus "Homens Felizes" a respeito de trabalharem na delegacia, afinal eles estão em Storybrooke e não na Floresta Encantada, sendo assim precisam de emprego, caso contrário quem pararia atrás das grades seriam eles mesmo por roubarem e darem aos pobres, que ironicamente, agora, eram eles mesmos; mas assim que Regina terminou de explicar ao garoto que seriam apenas eles dois durante o passeio recebeu um "Eu já sabia" como resposta, em meio a um suspiro acompanhado de mãos na cintura que acrescentava um "duh!" a resposta.
Mas talvez aquela tarde não se resumiria a apenas uma caminhada com parada para um sorvete de chocolate, pois assim que se aproximam do lago que há perto a praça, Regina reconhece uma tão notável jaqueta vermelha, na qual a dona da jaqueta tem os pés cruzados em cima do banco e cabeça baixa, folheando o tão famoso livro de Henry.
E quanto mais caminham em direção da loira Regina não pode deixar de sentir a sensação de coincidência daquele momento, e sim, Regina não se deixa levar pelo sentimento de coincidência.
Porque se há uma coisa que Regina realmente aprendeu com a vida é que nada acontece por coincidência, por muitos anos ela cegamente pensou que sim, mas agora Regina sabia que não existem coincidências, e naquela tarde friamente agradável de final de inverno, com raio solares que amenizavam a sensação de frio e apagavam qualquer sinal de neve das semanas anteriores, Regina não diria que era destino se topar com Emma Swan ali, porque isso seria um exagero, mas também não diria que era uma coincidência.
Porque não existem coincidências entre ela e Emma Swan.
Talvez fosse porque estava tão absorta na concentração de ler, ou porque haviam muitos passos de pessoas indo e vindo que Emma não se incomodou quando ouviu passos que se aproximavam do banco que se encontrava, apenas levantou o olhar quando ouviu aquela tão marcante voz rouca que a "atormentava" todos os dias nos seus sonhos.
–Lendo um pouco?– diz Regina sentando-se ao seu lado e cruzando as pernas, com Roland na outra ponto do banco a tiracolo.
–É, eu pulei uns capítulos– Emma finaliza fazendo uma careta, e Regina desce o olhar ao livro onde há um macaco voador, contendo uma parte de Oz.
–Hm– esboça Regina com um meio sorriso.
–O quê?
–O quê o quê?
–Esse "hm"
–Que 'hm'?– imita Regina se fazendo de mal-entendida
–Esse que acabou de fazer.– rebate Emma secamente, ela tem quase certeza que Regina está debochando de algo internamente.
–Eu não fiz nada...– afirma Regina com um sorriso maroto.
–Mentindo...
–Bem, para alguém que queria "férias" de magia, você anda muito interessada, não acha?– ironiza com um sorriso vencedor antes de continuar –Ou talvez... Esteja relembrando os tempos com o seu noivo de Nova York, ele era um macaco voador, não é mesmo?–Regina finaliza deixando um sorriso de canto escapar, desviando o olhar ao garoto que devora um sorvete de chocolate ao seu lado.
–Regina! – grita Emma indignada
– O quê?!
–Têm uma criança do seu lado... Ele.. EU... ISSO... ESSA COISA – Emma tenta forma uma frase que só deixa seu nervosismo mais evidente com os tics nervosos de gesticular com as mãos.
–Qual era o nome dele mesmo? - disse Regina mordendo o lábio inferior, fingindo não lembrar –Wash, não? – pronuncia o nome com desdém, fazendo Emma arregalar os olhos comicamente antes de semicerra-los com malícia no olhar.
–Para alguém com namorado anda muito interessa nos meus macacos voadores, não é mesmo?
–Henry me contou. – logo responde Regina, o jogo não é bom quando é Emma com sorriso malicioso no rosto. -Você ia se CASAR com ele...– pontua Regina, até hoje não acredita que Emma quase se casou com alguém que conhecia a 8 meses -Henry apenas achou estranho e me contou.
–Bem, eu não lembrava de nada então... – diz Emma dando de ombros virando a página, com um desenho de Zelena.
–Você... Você realmente gostava dele?
–Tanto quanto alguém sem memória de quem era pode amar. – diz Emma trocando um olhar com Regina antes de continuar -Wow isso soou filosófico – diz voltando o olhar ao livro.
–Sim, isso soou. — disse Regina baixinho olhando o lago a sua frente, perdida em seus próprios pensamentos.
–Eu devia ter gravado isso, não é todo dia que Regina Mills elogia minha inteligência – brinca Emma a lançando um sorriso correspondido.
–Você têm seus momentos, querida.
–Outro elogio ein...
–Na verdade três – corrigi –Aquela macieira ao fundo na foto que me deu, eu não diria que foi por coincidência ter escolhido justo aquela foto, não é mesmo? – Emma cora tanto que sua expressão chega a ser infantil aos olhos de Regina, como uma criança pega roubando um pedaço de bolo quente, deixando evidente que não achou que aquele assunto voltaria, mas que tinha curiosidade e não tinha coragem de perguntar o que aconteceu com a foto.
–Tinha uma macieira na foto? Nem percebi – provoca Emma que recebe um revirar de olhos em respostas -Eu tava brincando, você sabe né? É claro que percebi.
–Por um segundo cheguei a acreditar que fosse cega– ironiza Regina.
–O que fez com a foto?
–Guardei é claro, não era pra mim por acaso?
–É, claro que sim.
–Achou que eu ia queimar por acaso? – diz Regina com deboche ao ver Emma corar de novo, o tom rosado da pele combinando com o batom.
–Não, não... Eu... Não.
–Eu estava brincando – diz Regina deixando o sarcasmo exalar um pouco com o revirar de olhos de Emma –E por falar nisso eu gostei.
–Eu achei que podia fazer uma ligação com você, você sabe, com você e toda essa coisa com maçãs, e aquela do seu escritório.
–Aquela que sofreu um ato de vandalismo você quer dizer – relembra Regina.
–É – diz Emma fazendo uma careta –Nunca vai me perdoar né?
–Se ainda não tivesse, eu não estaria aqui, conversando com você.– diz Regina pegando o celular na bolsa, e olhando a hora.
–Vou fingir que ouvi um perdão – brinca.
–Eu fiquei de pegar Henry no ponto de ônibus hoje, quer ir conosco? – diz Regina levantando-se, e pega uma mão de Roland, Emma havia até esquecido da presença do garoto.
–Sim claro, eu tenho que voltar mesmo – diz dando de ombros e fecha o livro para se juntar a Regina e Roland.
–Você é a mamãe do Henry também? Como a Gina?– diz o garoto logo que Emma se poem em pé e acompanha eles, Roland vai ao meio e pergunta com curiosidade nos olhos.
–Sim, como a Gina – disse lançando um sorriso a Regina que a fuzila com um olhar dizendo "Você não tem o direito de me chamar assim" mas tinha um sorriso no rosto que não provava seu ponto.
–Mas ele não tem um papai?
–Ele tinha — responde a loira com um sorriso triste, o garoto parece entender, e Regina suspira.
–Se Gina se casar com papai Henry vai ser meu irmão? – pergunta novamente o garoto a Emma, que têm também Regina assistindo a sua resposta, a resposta na verdade não importava, o que importava era a pergunta, Regina já pensava em casar com Robin?
–Se a Gina casar acho que sim, não é? – pergunta lançando um olhar a Regina –Tipo um irmão drasto ou algo?
–Irmão drasto?– brinca Regina com um sobrancelha arqueadá
–É, eu não sei como seria o termo certo?
–Essa árvore familiar é realmente confusa – conclui Regina, e caminham os três pelo parque com mais provocações entre "Em" e "Gina" como Roland chamava as duas mulheres, logo chegaram onde a Mercedes se encontrava, com pela primeira vez Emma andando no carro da morena, e Henry recebendo as duas no final da tarde no ponto de ônibus, claramente alarmado de ver Roland acompanhado de Regina e Emma.
–Aconteceu alguma coisa? – é a primeira coisa dita por Henry
–Não... Credo garoto, só aproveitei a carona que Regina deu pra te ver e devolver o livro. - explica Emma o entregando o livro que havia escondida até agora, mas para sua sorte a história com Regina não aparecia no livro.
–Oh ok, mas não pode me culpar, não é todo dia que as duas vêm me buscar - afirma Henry –Emma vai com a gente na Granny's também?– diz lançando um olhar a Regina.
–Se ela quiser nos acompanhar, sim. – afirma lançando um olhar a loira
–Err.. Eu gostaria de acompanhar mas...– diz a loira fazendo uma careta -Eu fiquei de ver um apartamento daqui uns... - Emma tira o celular do bolso da jaqueta e consulta as horas –Daqui uns 20 minutos, então fica pra próxima.– conclui tristemente –Mas valeu pela carona.
–Oh, mas quase esqueci de dizer que nós vamos nos ver amanhã– diz Regina fazendo Emma e Henry arregalarem os olhos, aquela frase saiu estranha, era o que Henry pensava. –É que amanhã farei um jantar e David e Mary Margaret irão, na verdade ainda não os avisei, mas você já fica avisada. Se você quiser ir...
–É , claro– diz Emma um pouco exasperante –Que horas?
–As 20:30.
–Bem, então até amanhã...– diz Emma passando o olhar de Regina e Roland para Henry, e dá um abraço no garoto antes de ele se juntar a Regina e Roland, assim que Henry o faz Regina a impede de seguir seu caminho.
–Emma
–Sim?
–Devo adicionar uma cadeira a espera de um pirata? - Regina pergunta com sarcasmo na voz deixando o desdém escapar entre as entrelinhas.
–Totalmente não – responde Emma, que através do sorriso espontâneo que surge em Regina ao ouvir a resposta ousaria dizer que viu pela segunda vez uma demonstração de ciúmes de Regina naquele dia, apesar de não haver motivo.
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