There's No Place Like The Past

14 Feels Like We Only Go Backwards


Notas iniciais
Mais um longo capítulo! E neles temos Regina indo atrás de algumas respostas, uma aparição do cupido oficial de Regina aka Tinker Bell, e, algumas coisas mais, só espero que não me odeiem muito no final hehe! Ainda vamos chegar no nosso happy ending não se preocupem; e quanto ao título do capítulo: veio da canção de mesmo nome da banda Tame Impala.

–Emma?

–Sim..– disse a loira pondo o celular no ombro enquanto enchia um copo de suco de laranja.

É sábado de manhã, Emma está de calcinha e regata, hábito que voltou junto com as memórias, antes não andava assim pela manhã; só podia ser uma mania de Regina, pensou, e inclusive mal havia acordado e quem ligava era Regina, era um pouco estranho Regina ligar essa hora, sendo que haviam se visto no dia anterior. Será que algo tinha acontecido com Henry?

–Você pode fazer algo para mim?

–Sim, é claro.– franziu a testa, era realmente estranha essa ligação. –O quê você quer que eu faça?

–Eu quero que encontre alguém para mim.

–Quem?

–Tinker Bell. Eu quero que você encontre Tinker Bell.– Emma toma um gole do suco, sente o ar frio da geladeira nas pernas desnudas, e, pensa: Tinker Bell? Por que Tinker Bell?

–Emma você está aí?– disse Regina ao não ouvir um som vindo do outro lado da linha, será que havia acordado Emma? Eram 8:15 da manhã.

–Sim, sim. Desculpa tava tomando um copo de suco, e sim, vou achar ela. - disse e encostou a geladeira com o pé, Regina pode ouvir ao fundo -Mas o que quer que eu faça quando acha-la? Prende-la? Andou emprestando dinheiro e ela não pagou, é?– brinca, Regina revira os olhos. Já esperava por isso na verdade.

–Apenas diga para ela me encontrar no escritório às cinco horas da tarde. Acha que pode encontrar-lá hoje?

–É claro que sim.– diz Emma toda convencida –Te ligo quando encontrar ela. E tenha um bom dia.– concluiu educadamente com um sorriso bobo.

–Você também. — respondeu Regina com um sorriso no rosto, apesar de tudo.

E Regina não sabe se é porque Storybrooke é pequena ou se é porque ela pediu, mas eram 8:55 quando seu celular tocou novamente. Era Emma.

–Regina?– ela disse com um excitamento na voz que Regina podia imaginar Emma sorrindo um grande sorriso no outro lado da linha.

–Sim? Você encontrou ela?

–Ainda duvidava que eu acha-se?– brinca –Sim, achei sim. Hook me disse que ela está vivendo com uma das fadas que não está mais no convento. Astrid, ela é namorada do Leroy, eu acho... - disse Emma pensativa, divagando na conversa.

–Emma?

–Sim?

–Tinker Bell.

–Ah sim! Tá, então procurei Hook, eles estão tendo algo, eu acho, você sabe... Enfim!– disse percebendo que divagava novamente, e Regina por um segundo deixou o ciúmes a consumir, seguido por o alívio de Hook não estar dando em cima de Emma, não que se ele não pudesse... Mas enfim... –Regina tá ouvindo?

Sim, claro que sim.– disse ou ouvir a loira chamar sua atenção.

–Mentirosa...

–Sim, ok. Não ouvi. Repita por favor.– disse Regina cruzando as pernas, estava sentada no escritório, aflita.

–Ela perguntou porque você me mandou procurá-la mas eu disse que você não disse o motivo. Você não havia dito, não é? Só que era para ir no escritório as cinco, certo?– Emma na verdade lembrava muito bem o que Regina havia dito, mas estava morrendo de curiosidade para saber o porque de Regina procurar Tinker Bell, e pedir para que a encontra-se no escritório. Em pleno sábado. Emma tinha esperanças de que Regina contasse o motivo se pergunta-se assim.

–Sim, era isso. Obrigada Emma.– disse Regina, frustrando a loira–E Henry pediu para dormir na casa de uma amiga...– disse mudando o assunto completamente –Mas como são os seus dias disse que primeiro falaria com você, tudo bem por você?

–Sim, é claro. Por mim tudo bem.- disse a loira sorrindo um pouco. Então Regina realmente pensava nela para tomar um decisão sobre Henry? Mesmo que fosse pequena, era algo. -E, quando precisar... Bem, apenas me ligue.– concluiu.

–Eu irei.– afirmou Regina.

Não muito tempo depois, Regina saiu para caminhar um pouco pela cidade naquela manhã, mais precisamente fazer compras.

Ela precisava de uma pequena distração de todo aquele emaranhado que se tornou sua relação com Robin e sentimentos por Emma, e compras não fariam mal mesmo... A não ser que acabasse lembrando de alguma loira durante as compras...

E naquela mesma manhã Emma fez uma visita a mansão número 108, se topando com Robin que atendeu a porta.

–Oi.– ela disse.

–Olá Emma.– ele disse com o sorriso natural que têm, não havia sarcasmo, por mais que Emma procura-se. Ela se perguntava o que ele estava pensando a seu respeito agora, já que Regina havia passado a noite passada em seu apartamento. Será que Regina havia explicado tudo aquilo sobre magia para ele também? Talvez não, ela não se quer contou para Henry do seu porre. –Regina saiu. — ele disse após um instante –Mas entre.

–Não, não. Não têm necessidade, eu só vim buscar Henry para passar o dia comigo. Pode chamar ele para mim? Se não for incomodo...

–Ele está encima, vou chamar o garoto.– ele disse, e deixou a atenção de Emma e a porta entreaberta para trás, não demorou para Robin voltar com Henry com uma mochila em um braço, e a todos sorrisos, e, Emma pode finalmente sair dali, ela precisava de uma distração sobre Regina e Tinker Bell, e passar um tempo com seu filho era a melhor delas.

Faltava 10 minutos para as cinco da tarde quando Regina olhou no celular. Não, não faltavam 10 minutos para as cinco da tarde, ela corregi a si mesma. Faltavam 10 minutos para o quê, talvez, fosse a pior conversa que teria nesses últimos dias. Regina suspira com o pensamento, ela não consegue parar quieta no escritório, pega uns papéis na mesa lateral e dá uma olhada em relatórios já preenchidos, lança um olhar de soslaio para a porta assim que a ouve abrir.

–Queria falar comigo? - diz Tink na natural rapidez de falar, apesar do sorriso convidativo é nítida a tensão na voz, talvez ela já saiba qual é o assunto.

Sim, eu queria.– diz Regina, larga os papéis na mesa e dá atenção a fada.

–Você mandou Emma me procurar então acho que deve ser algo importante.

–Sim, é sim.– aperta os lábios -É sobre o pó de fada.

–O quê?– disse Tinker Bell um pouco perplexa–Eu quero dizer, eu entendi, mas o quê mais tenho para dizer? Ele é a sua...

–Alma gêmea.– completa Regina, com a expressão infeliz ele continua –Eu sei, mas...– disse Regina suspirando e cruzando os braços, ela não consegue sequer terminar a frase.

–Mas o quê, Regina? Você vai estragar tudo de novo?– acusou a loira. Tinker Bell consegue ser irritante quando quer, mas ela não mente. Regina sabe, ela sempre estraga tudo e é uma verdade. –Você vai estragar a vida dele de novo?

E a minha vida? O que eu quero não conta?– cuspiu as palavras amargamente. Tudo tem limite, e o limite da sua paciência é muito curto.

–Você deve estar...

–Brincando? – ironiza –Eu não a chamei aqui para isso. Eu tenho uma pergunta e só você pode responder.

–Então me diga Regina: o quê você quer saber? – Regina finalmente descruza os braços e respira profundamente. Ela têm que saber. Ela vai enlouquecer se não souber.

–É... É possível eu ter sentimentos... Por alguém? Agora que o encontrei? Tem alguma chance de o feitiço não...

–Não ter dado certo? Regina você está ouvindo o quê você está falando?! Você não pode estar falando sério. Não, não pode.– disse a fada balançando a cabeça em negação, como se acrescentasse algo a mais –Isso é impossível. Não importa quem seja ou o quê ache que sinta.

–E se a minha alma gêmea não tivesse nascido ainda quando fez o feitiço?

–O quê? Eu... Eu nunca pensei nisso...– disse Tink pensativa, de onde Regina havia tirado essas perguntas? De quem Regina estava falando? –Espera um minuto... Você está falando sobre ela, não é? Emma? Regina tudo isso é por causa dela?! Não é?! - Regina engole o nó que se formava em sua garganta a seco, é claro que com a última pergunta ela havia se entregado, mas ela precisava saber.

–Sim é ela. Feliz agora?

–Você realmente acha que vai ter algum futuro com ela? Esse não é o seu destino.

–Bom ponto.– ironiza –Afinal, eu não deveria estar sequer aqui se não fosse você ter interferido no meu destino para começar.

–Eu...

–Não interferiu? É claro que não, afinal convém a você dizer que era seu destino me salvar aquela vez, e, é claro, eu ser a ingrata como sempre sou.– disse Regina indo em direção a porta, ela não tem mais o que fazer ali, Tinker Bell segue.

Se é isso que pensa quem sou para dizer o contrário, não é mesmo? Vossa majestade– disse a fada, passando por Regina como vento, mas, antes de sair apressadamente deixou um aviso: -Só espero que saiba o que está fazendo, porque, cansei de tentar ajuda-la. - e saiu do escritório, deixando Regina e um coração dividido para trás.

Regina acabou voltando para a mansão frustrada. Robin havia saído com Roland e não havia voltado, o que a deu uma sensação de alívio, Robin ele mesmo havia lhe dado mais espaço desde a noite anterior, sendo o cavalheiro que era, o que, a certo ponto, a frustrava mais. Aquele era o homem que ela passaria a vida e ele não havia feito nada errado, a estava dando espaço que nem ela pedirá; Regina encheu uma taça de cidra e foi para o escritório, queria ficar sozinha com seus pensamentos e frustrações.

E Como não podia se frustrar? A conversa com Tinker Bell não chegou a lugar nenhum, e ela não sabia se era ela ou Tinker Bell que tinha razão, afinal a fada não respondeu sua segunda pergunta. E Regina podia não saber o que sentia agora, mas sabia o que sentiu em um passado não muito distante...

Ela lembra muito bem quando Emma e Snow acabaram na Floresta Encantada por salva-la, e lembra melhor ainda quando pensou ter matado ambas para tentar impedir Cora de chegar a Storybrooke, o olhar de Henry a culpando, ela mesma se culpando por pensar que havia matado Emma, mas então Emma e Snow surgiram, e Emma a agradeceu apesar de tudo, como ela podia esquecer isso? Ela não podia. Afinal, quem é que um dia lhe agradecerá por algo? Nos últimos tempos nem seu filho a dirigia uma palavra de carinho. E Regina soube naquele momento que lá no fundo algo havia mudado.

"[...] Então ame de novo." Daniel disse; ela não diria que era amor, porque, bem, ela não era mais uma garota tola, mas e se Cora não tivesse feito tudo aquilo? Emma a havia convidado para a festa de boas-vindas na lanchonete quando ninguém a queria ali.

Todos estavam tão felizes, ela lembra, e eles não estavam esfregando a felicidade na sua cara, Regina sabia. Eles estavam apenas felizes. Ela é que estava infeliz e sozinha. Ninguém notaria se fosse embora, porque ninguém se importava com ela, afinal, ela não pertencia a aquele lugar.

Que grande erro foi esse pensamento, ela lembra, justo Emma foi atrás dela. E Regina lembra cada palavra dita naquela conversa, e que acabará indo para a casa mais quebrada do que quando chegou à lanchonete, mas, pelos menos, sabendo que para alguém ela não era invísivel. Mas tantas coisas aconteceram e aqueles momentos foram perdidos, não completamente porque eram memórias, mas estavam no passado.

Regina suspira e vai em busca do celular largado a estante, já que não conseguia esquecer Emma pelo menos podia conversar com ela, porque ela também tinha que descobrir o que a loira estava escondendo. Achou o número de Emma na agenda e ligou, chamou, chamou e chamou, e nada. Tentou novamente, e, de novo, apenas chamou e nada, aquilo era estranho; Emma sempre atendia suas ligações. Podia aquele dia ficar ainda mais frustrante?

Emma, Henry e Killian descem do barco a todos sorrisos no início daquela noite, Emma põe um braço sobre o ombro de Henry e vão ao encontro do fusca estacionado perto as docas, Killian toma outro caminho; para um certo encontro casual na casa de uma certa fada, não é amor com sente ou sentia por Emma, mas é bom para ele e Tinker Bell, e, talvez, se já pensava "sentia amor" por Emma era um sinal de que a estava esquecendo.

–Ainda tenho que deixar você na casa da sua amiga.– disse Emma entrando no carro, tinha até se esquecido disso, pega o celular para consultar as horas -Tem duas chamadas da Regina. — disse ela arqueando uma sobrancelha, Henry deu de ombros e Emma ligou imediatamente.

Regina ouviu o celular tocar uma, duas, três vezes, o que diria para Emma quando atende-se? Ela nunca ligava sem razão como fizera hoje, e porque Emma tinha demorado tanto para ligar de volta? Já haviam se passado mais de quatro horas que havia ligado.

–Alô.

–Hm... Alô.– disse Emma estranhamente, Regina não atendia assim o celular, era formal demais a essa altura –Regina vi que você ligou duas vezes, não vi antes porque Henry e eu passamos o dia no mar com Killian, acho que ficou sem sinal. Aconteceu alguma?

Hm.... Não, não. Nada aconteceu.– disse exasperada, então tinham passado o dia com Killian? Ótimo.

–Mas... Mas porque ligou?

–Eu só queria falar com você. Não posso? – disse cega pelo ciúmes. Não foi intencional mas Emma a trocou por Killian naquela tarde. Não podia nem ter avisado? Mas, afinal o que Emma devia a ela? Nada. Isso mesmo nadinha. Mas agora o ciúmes ja havia exalado.

–Oh... Eu... Desculpe.– disse Emma não muita certa, Henry essas alturas jogada algum jogo no celular e não prestava atenção na conversa –Eu.. Eu só pensei...

–Tudo bem. – cortou Regina –Eu não devia ter falado assim também. Desculpe por incomodar. – disse Regina e Emma podia sentir a amargura do outro lado da linha.

–Não, Regina espera, você não incomodou. Vou deixar Henry na casa da amiga e depois a gente pode conversar. Daqui uns vinte minutos te encontro na Granny's, pode ser?

–Ok. – disse Regina, Robin estava em casa e ela sairia novamente a noite para encontrar Emma, mas ela precisava tentar descobrir o que Emma estava escondendo.

Chegou na lanchonete cinco minutos para fechar os vinte que Emma disse, percorreu o olhar pela lanchonete, o local estava cheio, mas não encontrou Emma, foi até mesa no outro extremo e sentou de pernas cruzadas. Largou o casaco que carregava sobre as pernas, e a bolsa ao seu lado, respirou fundo, sem paciência olhou para a porta, não percebeu a Ruby chegar.

–O quê posso fazer por você, Regina?– disse Ruby sorridente, e Regina achou a si mesma preferindo que a chamasse de Regina do que prefeita.

–Eu... Eu só estou esperando por Emma.– ela disse, e Ruby lançou um olhar a porta.

–Parece que sua companhia acabou de chegar.– disse Ruby sem tirar o sorriso do rosto.

–Oi Ruby. – disse Emma passando por trás da morena e sentando-se no outro lado da mesa, oferecendo um sorriso a Regina.

–Então o que posso fazer por vocês garotas?

–Um sundae de chocolate para mim. - disse Emma, Ruby anotou e olhou para Regina, que apenas negou com a cabeça, recém havia respondido aquela pergunta.

–O qual é? Nem um café? – disse Emma a Regina, Ruby olhou a morena de cabelo curto esperando por uma resposta também.

–Eu não tomo café à noite.

–Chá? – Regina negou -Sundae? – tentou Emma novamente.

–É noite e não está tão quente assim.

–Eu poderia apostar que nunca tomou sundae. – disse Emma, Regina pode ver um lampejo de riso de Ruby, afinal o que Ruby ainda fazia ali mesmo? Regina respirou fundo.

–Você percebe que sundae e sorvete são praticamente a mesma coisa, não é mesmo? – acrescentou Regina. Ela tinha vivido 28 anos naquele mundo, e é claro que já tinha tomado sorvete, não sundae... Mas era praticamente a mesma coisa. Só mudava a palavra praticamente...

–O qual é! Apenas diga que vai querer também. — insistiu Emma

–Tudo bem. — disse Regina vencida –Vou querer um também.

–Qual sabor? - disse Ruby, Regina podia sentir um certo ar de deboche.

–O mesmo que Emma. — disse a morena e Ruby as deixou.

–Então você queria conversar.– disse Emma.

–Sim, queria.– disse Regina pegando o casaco que Emma a emprestará –Na verdade, eu queria devolver.– alcançou a Emma o casaco com uma echarpe branca.

–Não é meu...

–É um presente. – disse Regina –Sei que não é seu estilo mas...É por ter me emprestado o casaco. –Emma olhou a echarpe e deu um sorrisinho, ficaria bem com umas camisetas de gola alta e manga comprida que tinha.

–Obrigada, mas você sabe que não precisa...

–Sim, eu sei... Eu só...

–Desculpe, eu não sou muito boa com essa coisa de amizade.– confessou a loira.

–Eu também não. Acho que nós teremos que aprender.

–Sim, eu acho que sim.– disse Emma se recostando melhor no banco. –Mas quando você era uma rainha não tinha amigas na corte?

–Amigas? Na corte? Okay. - disse Regina entre uma risada –Não se tem amigos na corte, todos apenas querem subir um degrau nessa escala; e quanto a mim, bem, enquanto seu avô era vivo eu não passa de uma decoração.– disse dando de ombros –Mas eu podia dizer o mesmo de você.– disse Regina –Não tinha amigas antes de tudo isso? — Emma não sabia porque mas podia jurar que sentiu um certo veneno quando Regina pronunciou "amigas", devia ser coisa da sua cabeça.

–Depois que saí da cadeia acho que fiquei meio ocupada demais em conseguir dinheiro para achar um lugar para morar, não sobrou muito tempo para fazer amigas.– disse e revirou os olhos, Regina sorriu com a expressão –Mas eu também sempre me dei bem sozinha, então...– deu de ombros –Mas e você? E antes de casar?– disse Emma, era difícil de esquecer de aquela jovem Regina, ela assombra seus sonhos todos os dias.

–Não era muito diferente. Nós morávamos longe de tudo, e os vizinhos mais próximos ficavam à três horas de viagem... Então se você levava três horas para ver alguém devia ser algo importante, e não apenas por "diversão".– completou Regina e Ruby trouxe os pedidos, Emma esperou a outra mulher sair para perguntar:

Então você quer dizer que nunca brincou com outras crianças?

–Não acho que Cora achasse isso muito importante.– disse Regina mexendo a colher no sundae, Emma observava, ela não tinha provado ainda.

–Isso é horrível. — disse Emma –E o quê fazia o dia inteiro? Devia ser muito entediante.

–Eu tinha aulas e lia no tempo livre.

–Horrível.– disse Emma com falsa dramaticidade e levou sundae aos lábios, Regina revirou os olhos com um sorriso no rosto.

–Mas apesar de tudo eu era feliz. Só era um pouco solitário.– admite Regina e prova o sundae. Emma não fala nada. Não há o que falar sobre aquilo; mas falar sobre o passado a lembra da curiosidade que sente pela cicatriz de Regina.

Regina a adquiriu depois de sua viagem ao passado, e pelo que Snow disse, mas antes de conhecer Snow. Quanto tempo ficava entre uma coisa e outra? Emma não sabia. Só sabia que tinha muita vontade se saber, e que ficar olhando Regina comer sundae não ajudava, além de causar alguns certos pensamentos impróprios para o momento. Porque Regina tinha que ser tão naturalmente sexy?

–Por quê está olhando para mim assim?– disse Regina lentamente.

–Nada. Eu....– Regina arqueá uma sobrancelha e Emma se remexe no banco -É... é a sua cicatriz.

–E o quê têm ela?

–Nada, deixa pra lá...

–Não. Agora você vai falar.– disse Regina com um sorriso maldoso no rosto.

–É apenas curiosidade... Eu ia perguntar porque você têm ela, como adquiriu ela...

–Depois de todo esse tempo você me pergunta isso agora?

–Se não respondeu nem agora, acha que ia responder se tivesse perguntado antes?– diz Emma, se Regina vai ficar na defensiva vai receber o mesmo tratamento.

–Não quero falar sobre isso agora.– finalmente responde Regina, e terminam o sundae praticamente e silêncio, deixando evidente o desgosto de Regina.

–Regina desculpa se falei algo errado. Não foi minha intenção ofender ou algo assim.– disse Emma do lado de fora da lanchonete, antes de separarem seus caminhos.

–Você não disse nada errado.– disse Regina com um sorriso fraco, e era verdade. Emma não disse nada errado, na verdade, ela não disse nada, nada que leva-se Regina a uma pista do que a loira estava escondendo.

–Veio a pé?

–Sim.

–Aceita uma carona pelo menos?– Regina assente, dentro do carro não muda muito, Regina não fala nem Emma, será que ela devia contar para Emma? Aquela lembrança era tão dolorosa.

–Foi Cora.– disse Regina, Emma a olhou de canto de olho, de que Regina tava falando? –A cicatriz.– disse Regina –Um dia ela encontrou um frasco de poção no meu quarto e pensou que fosse dela. Mas não era.– afirma Regina, Emma engole a seco o nó que se formou em sua garganta, só podia ser o frasco que ela dará para Regina –Eu nunca entrei no seu cofre e muito menos pegava suas coisas. E isso pode parecer estranho mas não lembro como achei aquele frasco mas o guardei. Meu maior erro.– disse Regina mesclando uma risada, ela guardou por ter pegado um fascínio pelo objeto, e porque também estava com ele quando se apaixonou por Daniel –Um dia acabei esquecendo em cima do criado mudo e Cora viu, ela sempre vasculhava meu quarto para ter certeza que estava arrumado e também ler meu diário... - disse Regina com a voz baixando no final, não queria que Emma achasse que era uma garota tola e fútil quando jovem.

–Diário?– perguntou Emma alarmada, e se Regina tivesse escrito algo no diário? Será que Regina não lembrava mas sabia?

–Sim. Era uma maneira de me vigiar também, mas eu sabia que ela lia, então não escrevia nada que pudesse me por em uma situação complicada ou castigo.– Emma respirou aliviada, não estava no diário –Mas voltando ao frasco, como disse ela pensou que eu havia mexido em suas coisas, e tivemos uma discussão. - disse Regina, na verdade não foi uma discussão, porque ela mal abriu a boca para falar, tinha medo –Minha mãe é claro não acreditou na história de não lembrar onde tinha encontrado aquele frasco, e na hora da discussão estávamos em uma sala de banhos, e havia uma enorme bancada com alguns frascos de loções em cima. Ela acabou me empurrando e caí com as mãos e rosto sobre eles, um dos cacos de vidro é claro você pode ver onde foi parar.– disse Regina com um sorriso no rosto, mas lembra que na hora não foi bem assim, sentia dor e medo .

–A não lembra? Quem sabe isso ajude a lembrar. — disse Cora e Regina sentiu uma mão quente bater em seu rosto, enquanto a outra apertava seu braço insuportavelmente, deixaria marcas, e as sacudidas que Cora a dava a estavam deixando com dor de cabeça.

–Onde?

–Não lembro... — choramingou, lágrimas quentes correndo por suas bochechas.

–Não se atreva a dizer isso de novo. — disse a empurrando em direção a bancada, Regina caiu com o rosto e mãos pelos frascos de loções que estavam ali em cima, que com o impacto foram parar estilhaçados ao longo da bancada.

–Não criei você uma mentirosa. — Regina ouviu Cora dizer, forçou-se a levantar, pressionou as mãos na bancada e a cacos de vidro a cortaram as palmas das mãos, junto com a dor nas mãos veio a dor no lábio superior.

–Achou que eu nunca ia perceber que havia mexido em minhas coisas? — continuou Cora, e Regina podia sentir o gosto de ferrugem na boca. Era sangue, que escorria pela boca e descia o pescoço, pingando na toalha e bancada, se juntando a cacos de vidro e ao cheiro de lavanda. Olhou seu reflexo no espelho a sua frente e levou uma mão a boca horrorizada, sentiu o gosto de lágrimas e sangue se misturarem.

–É claro que alguns dias depois ela quis curar com magia, como fiz com sua mão; afinal aquilo arruinaria a minha beleza, mas consegui convence-la que a cicatriz seria uma lembrança para nunca desobedece-la. Acho que ela gostou de como aquilo soou.– brinca, Emma estaciona o carro na frente da mansão.

–Eu não acho que tenha arruinado a sua beleza.– disse Emma, não se importando com o que Regina pensaria sobre aquilo –Na verdade, eu acho que deu um toque especial a você.– Regina sorri sem graça com o elogio e confessa:

–Daniel disse o mesmo, foi por isso que a pedi que a mante-se.–Emma cora e baixa o olhar, Regina sorri e a dá um beijo na bochecha, porém não se afasta de todo, apenas o suficiente para fita-la, olhos castanhos pedindo permissão para o que irá fazer. Regina precisa sentir, ela precisa saber qual é a emoção de beijar Emma, olha uma última vez para seus lábios e fita, e Emma se afasta a tempo de escapar do toque dos lábios de Regina contra os seus.

–Eu.. Eu não posso Regina.– ela sussurra, tristes e confusos olhos castanhos a olhando, pedindo explicação, ela já pode ver lágrimas neles; e não entende. Não era para Regina estar supostamente feliz? O que ela estava fazendo? –Você não pode ter nós dois...– disse Emma.

Não ter Regina era uma coisa, ser usada por ela era outra, ela estava com Robin, Emma não podia deixar aquela garota de tranças e sorriso brilhante atrapalhar seu julgamento, Regina não gostava dela e não podia arriscar a beija-la; Regina aperta os lábios e engole o nó que se formou na garganta.

–Me desculpe...– diz Regina entredentes e saí do carro, ela não pode falar muito, se falar algo mais as lágrimas correrão livres por seu rosto, a passos rápidos vai para a segurança da mansão.

–Regina!– ela ouve Emma chamar e apressa o passo –Regina! Espera! — alcança a porta, está trancada.

–Merda.– esboça Regina, procura a chave na bolsa, pode ouvir os passos de Emma correndo em sua direção, não a acha chave, Emma a alcança.

–Regina espera.

–Por quê?– disse com a voz falha, lágrimas correndo tão rápido quanto pronunciará a palavra -POR QUÊ, EMMA? POR QUÊ?– ela repete, não se importando com Robin do outro lado da porta.

–Eu... Eu não quero que cometa um erro...– disse Emma, não gostando de ver Regina chorar –Você não está feliz? Eu não posso suportar ser usada.

–O quê?– Regina esboça, ela não queria usar Emma, ela apenas precisava saber o que sentia; mas se a tivesse beijado saberia? Sim. Ficaria com Emma? Talvez.

A verdade é que ela queria Emma, mas tinha medo de errar ao a escolher, e só agora admitirá a si mesma quão egoísta isso era.

–Veja, Regina eu só quero que você seja feliz.

–Emma... Eu não queria...– ela suspira e funga.

–Eu sei...– disse Emma e a envolveu em seu braços, Regina descansou o queixo em seu ombro, Regina parece tão pequena e frágil em seus braços, ela queria poder tirar toda dor que a morena sentia, ela estava chorando por ter tentado a usar e não ter percebido? Ou porque foi rejeitada? Emma não sabia.

–Me deixe ser sua amiga... Ainda– disse Regina, não podia se imaginar sem Emma, e aquilo com certeza faria o que quer tinham acabar ali.

–Você é. — disse Emma –Agora, porque não limpa essas lágrimas?– disse em um tom brincalhão a frase que Regina usará no dia anterior, Regina sorri e funga se afastando. -Você vai ficar bem?– Regina assentiu, ela sempre fica bem, mesmo que não literalmente. Emma a dá um beijo na bochecha um pouco desconcertada, Regina corou e baixou o olhar. –Até mais...– disse Emma e deu um sorriso amarelo, Regina assentiu, e, aparentemente mais calma, apenas aparentemente, procurou a chave de casa e achou facilmente, ouviu o som do fusca amarelo partir e fechou a porta. Robin não estava ali, foi dormir quando ela saiu; Regina se recosta na porta e deixa a aparência de calma ir embora, e os soluços de choro suprimido aparecerem.

Notas finais
Sobre a volta de OUAT: já no aguardo do episódio focado em Emma e Regina.