Then I'll Be Deathless For This Lifeless
3 Never Too Late
Notas iniciais
A cantoria ao redor da fogueira durou longas três horas.
Longas para mim, pelo menos.
Por mais que eu houvesse prometido a Percy que aprenderia a me amar, para assim amar aos outros, isso não significava que de uma hora para outra eu passaria a adorar companhia humana.
Quando todos – exceto eu – ficaram com três litros a menos de saliva e a voz rouca, o plano da noite se dirigiu às brincadeiras do chalé de Hermes.
Evitei corar demais três ou quatro vezes com as piadas pesadas e as menções a “Sabe por que você faz amor de costas?”.
Por fim, pouco a pouco os campistas se dispersavam soltando bocejos cansados aqui e ali.
Percy, que ficara ao meu lado durante toda a noite, se dirigiu a mim. Sua voz possuía uma entonação rouca. Sua cantoria se assemelhava a de um marujo bêbado, mas eu juro que isso não me fez gostar menos dele.
— Cansado? — Perguntou com um leve sorriso.
— Sempre estou.
— Às vezes esqueço do quanto seu poder custa. Vem, vamos dormir.
Abaixei a cabeça quieto. O modo como ele pronunciara aquele simples “vamos dormir”, me incluindo no pacote, simplesmente criou muitas malditas esperanças em mim.
— Talvez eu devesse dormir no chalé de Hades por hoje.
— NÃO VAI, NÃO! — Gritei corando como um verdadeiro caranguejo (Que se danem as comparações com tomate, morango e camarão.)
— Calma, calma. — Percy riu. — Eu só estava brincando. — Piscou pra mim. — Há algo lá que eu não deva ver?
Era só uma brincadeira, mas é claro que eu não notei.
— Não ouse… — Sibilei.
— Ouch, Nico. Tem mesmo algo escondido lá? — Perguntou curioso.
Foi então que notei que ele só tinha me provocado. Brincado. E agora eu tinha um garoto com TDAH curioso.
— Quando vou poder ver o que é?
— Nunca. — Respondi prontamente.
— Vamos lá, Nico. Compartilhe comigo seus segredos.
Aquilo não era justo. Esse rosto falsamente magoado com esses incríveis olhos verdes e o bico rosado. Droga, como eu queria me jogar em Percy.
Sorri como quem se rende.
— Tudo bem. — Percy se alegrou. — Com uma condição
— Qual? — Perguntou alegremente. Bobo.
— Leve Tod e Mord para passear nesse final de semana. — Sorri ironicamente.
Percy congelou.
— Aqueles que comeram seu gato?
— É.
— E que são de que tamanho mesmo?
— Quatro vezes o seu.
— Ao mesmo tempo? — Deu um passo inconsciente para trás.
— Sim.
— Passear por onde?
— Pelos Campos de Punição, oras. Onde mais?
— Campos de Punição. — Percy suava frio. — No Mundo Inferior?
— E tem outro?
— Quer saber? Mantenha seus segredos. Isso. Todos temos segredos. Todo mundo precisa de sua privacidade. Privacidade é saudável, né?
— Claro, Percy.
— É. Cultive privacidade é meu lema.
Apenas mantive o sorriso seco enquanto Percy tagarelava sobre a importância da privacidade e contava casos de pessoas que se expunham demais e eram expostas ao ridículo.
Chegando em frente ao chalé número treze Percy parou para respirar.
Ser filho de Poseidon deve lhe render um ótimo fôlego por que eu sinceramente nunca vi alguém tagarelar mais rápido e por mais tempo que Percy. Se ele quisesse ser cantor talvez se tornasse o próximo Eminem.
— Bem, boa noite Nico. Espero que durma de verdade dessa vez.
— Vou tentar.
— Nada de fugir de noite.
— Não prometo nada.
— Não abandone o acampamento.
— Talvez.
— Cubra os pés, está frio hoje.
— Não gosto.
— Não se esqueça de escovar os dentes.
— Não quero.
— E pare de fazer isso, irrita bastante sabia?
— Um dia, talvez…
Percy soltou um grunhido e agarrou minhas bochechas.
Estagnei em choque enquanto o garoto continuava a se divertir agarrando minhas bochechas.
Por fim, agarrei suas mãos tentando afastá-las do meu rosto.
Massageei os locais apertados, com dor.
— Droga, Jackson, isso machuca como o inferno.
O idiota apenas riu.
— Pare de rir, imbecil. Isso vai ter volta.
Percy colocou a mão sobre a boca para abafar as risadas.
— Tudo bem, tudo bem. Parei.
Lancei-lhe um olhar raivoso.
— Eu vou apertar suas bolas, seu maldito.
Percy ergueu as sobrancelhas surpreso, corando logo em seguida
Só depois notei o duplo sentido da frase.
— Não! Não nesse sentido! Eu quis dizer que eu iria pegar e… Aaa, porra. Esquece isso.
— Hnm… Tudo bem. — Coçou a cabeça constrangido. Acho melhor eu ir para meu próprio chalé antes que alguma Harpia me ache com cara de lanche. Boa noite, Nico.
— 'Noite… — Murmurei ainda constrangido.
Observei Percy caminhar devagar até o chalé de Poseidon. Suas mãos balançavam ao lado do corpo e os dedos se remexiam nervosos.
Meu olhar migrou até suas costas largas onde a camisa ondulava ora restringindo o local e dando ênfase aos músculos do garoto, ora se afastando me dando uma ínfima visão da pele do quadril.
Um pouco mais abaixo, a calça escura contornava delicadamente as ancas que eu imaginava tantas vezes acordado e por vezes até mesmo sonhava.
Droga, Percy, vai ser gostoso assim na puta que pariu.
Entrei no silencioso chalé de Hades.
Tão logo quanto pus os pés dentro do recinto escuro senti aquela estranha felicidade se esvair aos poucos, como o efeito de uma droga…
Os resquícios do êxtase, das risadas e brincadeiras aos poucos iam abandonando meu corpo e dando lugar a minha habitual careta.
Suspirei ao sentir o peso da tristeza de milhares de almas em meus ombros novamente.
Era bom estar com Percy, parecia que todo aquele peso era dividido. Não incomodava tanto, mas ali, naquele chalé completamente abandonado alguns pensamentos pessimistas me tomavam novamente.
Eu queria, queria tanto não depender de Percy para viver, mas eu simplesmente não conseguia dar este passo ainda.
Percy deveria ser meu carburador não o motor.
Tudo o que ele dizia sobre amor, que eu deveria aprender a me amar antes de qualquer coisa, fazia sentido quando eu estava com ele, mas assim que ele se distanciava tudo isso me parecia uma grande baboseira impossível.
Como amar uma criatura miserável como eu? Afogado nas próprias tristezas e como se não bastasse, nas dos outros também.
Fora uma boa coisa que eu não prometera dormir bem… No final das contas eu não dormiria de forma alguma.
Ao fechar os olhos eu via mortes, mortes de pessoas que eu não conhecia.
Eu sentia a dor, quanto mais desastrosa a partida da alma, mais profunda a sensação.
Eu odiava dormir e ouvir os gritos, o choro… Sentir a dor física e psicológica.
Era como entrar em uma câmara de tortura por vontade própria, por isso eu me deixava dormir apenas quando entrava em colapso.
Minha mente cansada, ao se desligar em um desmaio, não deixava brechas para os sonhos.
Relaxei na cadeira do quarto colocando os cotovelos sobre a mesinha.
Mais uma vez deixei minha mente me levar até as questões nunca respondidas da minha mente.
Como eu ainda conseguia seguir com essa existência? Qual era o meu propósito nesse maldito mundo?
Existia um interessante censo comum entre os cristãos que eu lera uma vez em algum lugar. “Deus não lhe dá nada que lhe seja impossível suportar”, ou algo assim.
No meu caso, sendo os deuses gregos, aqueles que adoravam perturbar a vida dos semideuses, eu duvidava muito que essa citação pudesse ser aplicável, por que com certeza o que eu carregava era mais do que eu conseguia.
Filho de Hades, o temido, o rejeitado, o ignorado. Órfão, abandonado, sozinho. Homossexual, a piada, o esquisito, o ridículo. A ponte para as almas mortas, o sofredor, o machucado, a dor de todos. Rancoroso, o infantil. Tantos adjetivos pejorativos que eu nem mesmo conseguia lembrar…
Peguei meu fiel maço de cigarros, acendi um e me afoguei no meio da fumaça.
O silêncio no chalé era estranho. Quer dizer, sempre era silencioso, mas agora havia Bonelord para me atormentar constantemente. Onde estaria o pseudo gato?
Procurei com os olhos pela escuridão do chalé sem sucesso.
O maldito deveria estar na floresta miando para a lua.
Não que eu me preocupasse. Não ligava se algum monstro o comece… De novo. Mas só por precaução, talvez fosse melhor ir procurá-lo, afinal, uma simples lambidinha naquele monte de ossos cheios de magia negra pulverizaria qualquer monstro da floresta. E seria um a menos para me divertir amanhã. É, esse era o motivo – provavelmente.
Pulei pela janela ainda com um cigarro entre os dedos e segui em direção a borda da floresta.
Entrei no amontado de árvores sem hesitar, me embrenhando entre as sombras que a noite sem lua proporcionava.
Caminhei por um bom tempo sem encontrar nenhum sinal da aura negra de Bonelord. Talvez ele nem estivesse por ali, afinal.
Dei uma última tragada no cigarro, o apaguei num tronco e árvore e o joguei numa sombra. Com sorte ele pararia na França. Bem em cima da cabeça de uma feliz parisiense que saía com o namorado pela primeira vez. Eu detestava aqueles esnobes, visitar o lugar me fez sentir pior do que eu já me sentia.
Avistei um pequeno riacho cruzando meu caminho.
Agradecido pelas botas do exército impermeáveis, comecei a atravessar a fraca corrente de água.
Eu certamente não esperava que meu pé ficasse preso.
E definitivamente não esperava que os dois pés ficassem presos.
— Mas que porra é ess…
Deixei minha voz morrer ao notar que duas mãos aquáticas seguravam meus pés.
Tudo bem, eu já havia visto muitas coisas bizarras nesse mundo, mas nenhuma delas se assemelhava a duas mãos feitas de água te prenderem num riacho que nem mesmo tinha dez centímetros de profundidade.
— O que faz aqui a essa hora, Nico?
Claro. Quem mais poderia ser?
— Faço de suas palavras as minhas. Não estava dormindo, Percy?
— Sem sono. Então vim caminhar um pouco.
— Estava procurando meu… — Avistei a carcaça óssea rebolando pela floresta atrás de Percy. — Achei.
Percy olhou por sobre os ombros.
— Ah… Ele veio atrás de mim. — Sorriu.
— Ótimo. Uma grande andança à toa. — Revirei os olhos. — Poderia me soltar. Eu gosto de ser capaz de andar.
— Claro, claro. — Resmungou sem realmente prestar atenção a mim.
Caminhei até onde Jackson se encontrava fazendo carinho em Bonelord.
— Por isso ele vive fugindo de mim. Você o mima demais.
Percy ergueu os olhos para me encarar.
— Receber carinho não é ser mimado. Todo mundo precisa de um pouco de carinho, ou então a gente enlouquece.
Remexi-me um pouco desconfortável.
Sentei-me à beira do riacho numa distância considerável do filho de Poseidon.
Eu queria ficar mais próximo, é claro, mas ele não precisa saber disso.
— Posso fazer uma pergunta? — Percy quebrou o silêncio, para variar.
— Já fez.
— Essa piada já perdeu a validade, Nico. Meu avô me contava essa.
— Então serve para mim. — Revirei os olhos. — Já passei da data de validade também.
Percy bufou.
— Você é um pirralho, Nico. Fica quieto e me deixe perguntar o que eu quero.
— Hunf. Eu não posso te impedir de perguntar. Sinta-se livre.
Percy permaneceu alguns segundos quieto entre hesitações e divagações.
— Você já pensou em suicídio seriamente?
Quase engasguei com sua pergunta.
— Hnm, Percy. Acho melhor não entrarmos nesse assunto, okay?
— Mas eu quero saber. Como vou te ajudar se não for sincero comigo? — Ponto pra você, Jackson.
— Sinceridade não é meu ponto forte. Eu não vou mentir, claro, mas prefiro me esquivar.
Percy apenas continuou a me encarar e a mexer distraidamente em meu gato.
— Tá bom, tá bom. Só para de me encarar com essa cara de filhote de preguiça.
— Filhote de preguiça?
— É. Nunca viu um? — Ele negou com a cabeça. — São bem lerdinhos. Como você.
Percy me fuzilou com os olhos.
— Sem distrações. Só me responde.
Suspirei pela… enésima vez.
— Hnm… Como eu posso dizer? Sim e não.
Percy esperou.
— Não vai explicar?
— Eu deveria?
— NICO! — Percy exclamou com raiva.
— Tá, tá.
Droga, algum dia eu deixaria de fazer o que ele quer? Tudo bem, eu sabia que a resposta ia ser não.
— Tudo bem, — Comecei. — Já considerei a hipótese diversas vezes. Já cheguei bem perto de fazê-lo, mas nunca pude dar o passo final.
— Por quê?
— Por causa de uma pessoa.
— Quem?
— Não interessa agora.
Percy parecia prestes a me pressionar por mais informações, por isso o cortei antes que eu desse com a língua entre os dentes.
— Não vou contar. Não agora. Tenha paciência.
Jackson concordou ainda resignado e caímos em um silêncio sombrio novamente.
— Sabe, Nico. Alguém alguma vez já lhe disse “nunca é tarde demais”?
— Diversas vezes, por quê?
— Porque nunca é tarde demais para ouvir isso. — Sorriu. — “Nunca é tarde”, talvez seja verdade, mas não significa que nossos esforços vão render algo no fim. Às vezes não é tarde demais, mas a vitória só não é possível, entende?
— Não.
Percy riu.
— Eu quis dizer que, se você não consegue alcançar algo, não significa que seus esforços foram em vão ou que você agiu “tarde demais”. Apenas significa que você perdeu uma batalha impossível. Mas não toda a guerra.
“Às vezes você consegue vencer, passar por cima, ultrapassar, o que seja. Às vezes não. Isso faz parte da vida. Perder, perder, ganhar, ganhar. Não significa que você seja amaldiçoado ou algo assim. E não é porque somos semideuses que estamos mais propensos a desgraças do que os outros. Só sabemos o que as causou… Faz mais difícil, mas pelo menos, mais aceitável.
O que nos torna diferentes, o que nos separa do rebanho de pessoas… Nada disso interessa de verdade. O ser humano é engraçado. Luta para fazer parte de um padrão, mas tenta sempre colocar o holofote sobre sua cabeça. E quem se aventura a ser diferente do ‘rebanho’ é ridicularizada porque chama mais atenção do que o indivíduo com o holofote. É isso que eles temem. Serem superados.
Eu não sei todos os seus problemas, mas eu adivinho grande parte. E sei principalmente que você se sente muito deslocado. Eu também me sinto. Sempre que volto para o mundo ‘real’.
Quem pode imaginar, ou mesmo prever, o que o futuro te reserva? Ou o que suas escolhas vão fazer de você? Se o mundo vai te abraçar ou te aniquilar? Não há como saber. Tudo é uma incógnita, mas isso não é motivo para desistir. Cada um tem sua própria cota de leões para derrotar por dia e ninguém pode julgar o outro a ponto de medir a dificuldade de sua vida. Às vezes o que é um problema intransponível para você, é simples para outro e vice e versa. Ninguém tem uma vida de sonhos e sem problemas, mas é por isso que temos um ao outro, certo? Porque eu consigo lutar contra seus leões famintos e você com os meus.”
Ao final do longo discurso de Percy eu pude apenas piscar atônito.
Novamente, o que ele dizia fazia sentido, mas parecia tão distante e utópico.
— Sei que você não… Confia em si mesmo. E não conta com sua própria força, mas nós vamos vencer esse leão, certo? A cada gatinho que você derrotar, um mais forte vai vir e quando você perceber já estará lutando com dragões.
Percy se levantou e afagou minha cabeça gentilmente.
— Percy… Mesmo se eu disser… Que quero desistir disso, você vai me impedir?
— É claro. — Respondeu sem pestanejar.
— E se eu tentar me jogar no Rio Lete de novo?
Percy engasgou.
— De novo?
Corei com minha revelação. Eu nem mesmo sabia por que estava fazendo aquilo.
— Eu estava deprimido.
— Hã… — Ele murmurou ainda chocado, balançou a cabeça algumas vezes e me encarou sério. — Se fizer isso de novo eu vou pescar suas memórias uma por uma.
Abaixei a cabeça para que ele não conseguisse ver o sorriso bobo que surgiu em meu rosto.
— Vou dormir agora. — Ele declarou. — Muito papo filosófico me deixa cansado.
— É de se esperar com seus poucos neurônios.
— É mesmo…
Percy encarou a florestas por uns instantes até…
— HEY! Eu não tenho poucos neurônios.
Segurei uma risada seca.
— Sei.
Percy resmungou algo sobre filhos de Hades malandros e saiu cambaleando floresta adentro.
— Vê se vai dormir seu zumbi! — Ouvi sua voz ecoar pela floresta.
— Não mesmo! — Mandei de volta e recebi sua risada de volta.
— Quem deixou esse garoto assim? — Ouvi seu resmungo ecoar novamente.
— Foi você. — Deixei a frase se soltar entre um suspiro.
Toquei Bonelord levemente.
— Acho que agora não tem mais volta, Bonelord.
O gato miou alegremente.
Encarei a noite escura.
— Será que algum dia vou ser corajoso o suficiente para dizer a ele a verdade?
Bonelord miou de novo.
Franzi o cenho.
— Só tem essa resposta a me dar?
Miado.
— Hunf. Depois quer que eu me abra.
Levantei-me do chão coberto de folhas antes que o gato começasse a de fato me responder. Isso seria preocupante.
Enquanto caminhava até meu chalé, deixei que meus pensamentos girassem em torno de Percy.
Se eu contasse quem rondava meus pensamentos a ele, será que os conselhos permaneceriam os mesmos?
— Nunca é tarde demais, não é? — Murmurei. — Se você soubesse…
Já no chalé de Hades passei boa parte de minha noite editando antigas fotos. Nem todas de Percy, afinal, essas eu editava primeiro.
O tempo que eu perdera, o mundo que eu conhecera, os costumes que eu aprendera nunca retornariam, mas seria mesmo possível fazer tudo o que eu não fora capaz de fazer agora?
Talvez, só talvez, eu pudesse me dar mais uma chance. Talvez existisse uma chance afinal. Pequena, ínfima, mas uma chance ainda.
E talvez pertencer a esse mundo não fosse tão importante afinal. Talvez eu pudesse dar as costas para todas essas perguntas e só fazer o que eu queria…
Talvez…
Talvez eu pudesse reverter a situação da minha existência. Transformá-la em uma vida de verdade. Uma vida onde eu respiraria, sorriria e talvez, tivesse Percy ao meu lado.
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