Notas iniciais
Owww.. Demorei bastante dessa vez .-. Perdoem-me, eu não estava encontrando as palavras certas para explicar os sentimentos do Nico - de novo. Nem estava conseguindo encaixá-los da forma como eu imaginava. Enfim! Espero que tenha ficado bom, afinal, consegui aproximá-lo bastante com o que estava na minha cabeça.

Lá estava eu. Trancafiado no Chalé cujo patrono era Hades enquanto escutava as risadas vindas do lado de fora. Patético.

A questão é, as palavras de Percy resultaram numa crise de pânico em mim.

Uma esperança traiçoeira começava a envolver suas raízes no meu coração quase com a mesma vontade ferrenha que me fazia queimar cada um de seus ramos.

Após fumar, fumar e quase morrer com a quantidade de fumaça dentro do chalé, decidi que precisava abrir as janelas.

A vista da floresta acabou por me dar ideias. Ideias nada sadias. Algo sobre Percy, floresta fechada e sexo selvagem que acabou deixando a mim mesmo encabulado.

Sacudi a cabeça para os lados como se os pensamentos pudessem cair pelos ouvidos e me abandonar.

Por fim decidi que eu precisava de mais cigarros. E roupas – nem no inferno você me veria com aquela camisa laranja berrante –. E quem sabe meu notebook amnésico.

Utilizei minha prática habilidade de me mover dentre as sombras para alcançar o Mundo Inferior.

Imaginava entrar de fininho no Palácio de Hades pegar o que eu precisava e fugir tão quietamente quanto entrara – antes que me perguntem, não. Não tem como viajar pelas sombras diretamente para meu quarto, existem feitiços de segurança no Palácio, afinal, isso ali também não é a cada da mãe Joana, né? – o problema é que eu não considerei a minha TOTAL falta de sorte e assim que saí das sombras dou de cara com Hades em pessoa.

– Nico? Onde esteve? — Meu pai questionou.

Ele nunca me perguntava por onde eu andava, mas HOJE ele decidiu ficar preocupado.

– Hnm... Fui... Até a superfície. — Respondi. Tá, sei que não é justo omitir coisas de seus pais, mas não em julguem, okay? Sei das escapulidas de todos vocês.

– Superfície? Fazendo o quê? — Continuou o questionário.

Engraçado foi o tom que ele usou, como se não houvessem motivos para eu querer abandonar o Mundo Inferior e visitar a superfície.

– Estava me preparando para tirar umas fotos. — Mandei outra meia-verdade.

– Oh. Do garoto Jackson? — O nome saiu meio cuspido mas ignorei.

– Não necessariamente. — Outra afirmação cinquenta por cento verdadeira.

– É verão. O Jackson não está no Acampamento?

Droga. Quando meu pai se tornara tão perspicaz e enxerido?

– Acho que sim. — Rebati indiferente.

– Você foi atrás dele.

Não era uma pergunta então não precisava de uma resposta. Sabendo disso apenas passei por ele em direção ao meu quarto.

Mas é claro que não ia ficar por apenas isso.

– Quero você mantendo uma distância considerável daquele moleque.

Bom, esse foi meu limite.

Sim, eu agi como um babaca, mas ouvir isso sabendo que era uma situação irreversível? Vindo de seu próprio pai e um deus?

– Aé? E qual a diferença entre o que você quer e o que já acontece? Não é como se eu tivesse lá muito contato com os vivos. E também não é como se eu fosse conseguir me aproximar do Percy sem estragar a porra toda.

Calei-me subitamente.

Hades apenas me encarou e deu de ombros, como se já estivesse bem acostumado com aquele tipo de rebeldia.

E deveria estar. Afinal, eu não era o primeiro e nem seria o último filho de Hades infeliz.

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Ao retornar ao meu chalé eu carregava em mãos mais do que eu pretendia de início.

Minha mala e minha caixa de “necessários” eram grandes o suficiente para pensarem que eu ficaria ali por todo o verão.

A verdade é que eu talvez fosse um pouco mimado.

Bom, eu admito, eu sou bem mimado. No quesito conforto pelo menos.

Se fosse para ficar uma semana sequer naquele local eu precisava dos meus eletrônicos, dos meus cigarros, das minhas bebidas – mesmo que fossem proibidas – e acima de tudo, de Bonelord.

Não, eu não morria de amores pelo gato, mas ele começou a fazer muito barulho e arranhar minhas cuecas quando ameacei sair sem ele.

E assim eu descia a colina com uma mala gigante e uma caixa pesada sendo acompanhado de uma pilha de ossos capaz de ronronar. Habilidade que só me fora revelada no momento que pus os pés para fora do palácio de meu pai. Ainda fico confuso sobre essa funcionalidade biologicamente impossível.

No meio do caminho eu comecei a perceber os olhares curiosos dos semi-deuses.

Os novatos principalmente me encaravam como se eu fosse um fantasma – e talvez aparentasse mesmo ser um – e perguntavam nada discretamente aos seus seniores quem era a criatura emo que carregava um gato morto ao seu lado.

Apenas ignorei e segui meu caminho até meu chalé que mais aparentava um castelo medieval – tipo o castelo do Drácula? Eu particularmente adorava o aspecto físico do chalé –.

Dentro do recinto escuro comecei a organizar os meus pertences com pouca animação, mas me forcei a fazê-lo porque odiava bagunça, mesmo tendo muita má vontade de arrumar as coisas.

Bonelord me seguia pra lá e pra cá com seu rabo ossudo estalando e dando baixos miados para mim. Outra novidade. Meu gato morto miava. Mi-a-va, sem a presença de cordas vocais. Sim, aquele animal me surpreendia cada vez mais.

Fiquei preso na arrumação por quase três horas até me dar por satisfeito. Tudo estava limpo e à vista – porque eu tinha preguiça de procurar em gavetas – menos é claro, um certo álbum para “inspiração”. Não queria nenhum filho de Poseidon achando meu tesouro.

As boas-vindas aos semideuses deveria se iniciar em alguns minutos. Eu ainda não tinha certeza se deveria participar e me acomodar na grande mesa vazia para os filhos de Hades.

Porém... A ideia de pegar boas fotos de Percy naquele momento me incitava a ir. O problema é conseguir bater alguma foto sem que ninguém me notasse e espalhasse quão stalker eu era.

Por fim me convenci que se eu não participasse do jantar alguém apareceria para me importunar – como sempre – e que se eu levasse a câmera assustaria o pobre garoto.

Separei uma peça completa de roupa e me dirigi ao banheiro.

O melhor de se viver na solidão era o bônus de sempre ter seu próprio banheiro. Sem horário para banhos, graças aos deuses.

Debaixo da água com alguma temperatura que não me fazia diferença – provavelmente estava gelada – deixei que meus pensamentos se trancafiassem no fundo da minha consciência e me concentrei apenas no shampoo de morango – sim, do Barney; e sim, foi presente de Deméter – e na espuma do sabonete.

Após sair do banho e me enxugar cautelosamente – cautelosamente por que eu me lembrava claramente da ameaça de Deméter em me transformar num cabrito comedor de capim se eu relaxasse com minha saúde e ficasse gripado por ter pego friagem – me encaminhei até o dormitório fuçando o armário recém-abastecido. Demorou um tempo para que me recordasse que já havia separado as roupas previamente, o que é bem comum, eu geralmente esquecia coisas cotidianas… Até porque eu não possuía um cotidiano.

Botei minhas calças e calcei minhas botas. — Sacou a piadinha? Sim? Sim? Não...? Esquece. — Deixei a camisa por último passando um pouco de desodorante e perfume – Qual é, não posso cheirar bem? -.

Para questão de curiosidade eu vestia botina do exército, uma calça detonada escura – como de praxe – e uma camisa um pouco mais justa que meu usual com o símbolo dos Thunder Cats – um desenho animado que eu passei a gostar ao ver aleatoriamente pela internet.

Cruzei a porta saindo para o lado de fora depois de horas enfiado em meu chalé.

Não é como se eu me sentisse aliviado. Só ansioso para ver o motivo que me trouxera até aquele acampamento. Claro, vê-lo sem que ele me visse se possível.

Um pouco longe – na verdade longe pra caramba – do meu próprio chalé eu pude visualizar Percy deixando o seu próprio no mesmo momento que eu.

Desviei o olhar rapidamente depois de ver o quão bonito ele estava naquele momento. Olhei para baixo como se o magnetismo dos meus olhos na sua direção pudesse atrair os seus – o que era bem possível com semideuses.

Aos meus pés Bonelord ronronava tendo escapulido pela janela ainda aberta.

Agachei-me e cocei o crânio do animal. Ou cadáver, como queiram.

– Não acho que possa me acompanhar agora. — Murmurei para o gato.

Pode até te parecer normal conversar com animais, com certeza não com animais mortos, mas o que me dava uma sensação estranha no momento era exatamente o oposto.

O gato apenas miou agudo, o que eu tomei a liberdade de interpretar como um “Foda-se, eu vou aonde eu quiser”.

Cansando da posição agachada em que eu me encontrava, voltei a endireitar meu corpo já tendo certeza que Bonelord me seguiria e me traria problemas com o Sr. D.

Ao ficar ereto novamente, no entanto, tomei o susto de me deparar com duas orbes esmeralda me encarando divertidamente.

– Você tem um gato? — Perguntou meio risonho.

– Tinha. — Rebati brusco.

Percy me lançou um sorriso estranho, como de surpresa e arrependimento e eu me senti mais uma vez um babaca antissocial por ser tão capaz de constranger as pessoas com minha rudeza.

– Oh, o que houve?

– Os cães de Perséfone gostaram do cheiro de comida do meu gato.

Mais uma vez Percy me deu um sorriso estranho. Constrangido.

– Faz bastante tempo. — Revirei os olhos tentando amenizar a tensão. — Decidi que ele seria uma companhia menos barulhenta morto. Pelo visto me enganei.

Como que para me provocar o maldito do gato soltou um alto miado enquanto chacoalhava seu corpo esquelético provocando estalos altos o suficiente para chamar a atenção dos transeuntes mais próximos.

Suspirei.

– Um pouco mais de escândalo e te dou uma passagem direto pro Jardim de Perséfone. — Resmunguei. — Aposto que você vai se divertir muito com Tod e Mord.

Bonelord se encolheu por uns segundos. Adimito, fiquei com pena do animal. Com certeza ele não guardava as melhores lembranças dos cães infernais.

– Tod e Mord? — Percy se intrometeu.

– Os cães de Perséfone. Tod, a morte e Mord, o assassinato.

– Que... adorável. — Percy murmurou sarcástico.

– São umas gracinhas. — Revirei os olhos. — Completamente demoníacos. Adoram sumir com partes do esqueleto de Bonelord enquanto eu não estou por perto... E engolir minhas cuecas.

Percy parecia dividido entre rir e desejar suas condolências, mas sua dúvida não permaneceu consigo por muito tempo. Annabeth nos chamava a uma média distância.

– Como vai Nico? Algumas meninas do chalé de Afrodite estavam fofocando sobre sua chegada essa tarde com uma bagagem imensa. Vai ficar para o verão?

Malditas filhas de Afrodite e suas línguas compridas.

– Não sei. — Respondi desinteressado. — Gosto de me sentir confortável, independentemente do tempo em que permaneço em um local.

Annabeth assentiu com a cabeça uma vez, como se esperasse por essa resposta.

– Por que veio pro Acampamento esse ano? — Percy perguntou de repente, cessando o silêncio que se instaurara por alguns segundos.

Sua pergunta direta no entanto, era a última coisa que eu queria responder.

Incapaz de conter um leve rubor em minhas bochechas e amaldiçoando Percy por ser tão avoado como era com assunto delicados, procurei em meu cérebro por alguma explicação menos constrangedora que a real.

– Aaa... Hnmm... Eu... Sabe? Eu... Queria... Resolver umas coisas.

Excelente Nico. Você acaba de dizer nada com nada.

– Tipo o quê? — Ele pressionou.

– Tipo que não te interessam.

E aí está o motivo por eu não conversar com nenhum ser vivo. Se eu me sentia acuado, eu seria grosso e cruel.

Incapaz de voltar atrás com minhas palavras apenas virei meu rosto da expressão magoada de Percy.

– É, acho que eu não sou tão próximo a você para ser tão enxerido. — Percy riu constrangido.

Não respondi com medo de ser grosso novamente.

– Hnm, acho melhor irmos andando? — Annabeth questionou incerta. — Está quase na hora. Ooooh... — Ela se interrompeu em meio a fala — Esse gatinho é seu! — Não foi uma pergunta. A resposta era bem óbvia. — Que gracinha. — Sorriu.

Franzi a testa. Geralmente a filha da deusa da sabedoria seria um pouco mais esperta no quesito "desviar de conversas constrangedoras". Como assim um monte de ossos como Bonelord poderia ser classificado como "fofo"?

O gato pareceu gostar do elogio, pois logo se pôs a rodear as pernas da garota e ronronar.

Annabeth se agachou para acariciar o... crânio do animal.

Maldito gato interesseiro.

– Vou indo então. — Comuniquei-os.

Deixei Annabeth e Percy para trás com Bonelord, meu gato traidor, seguindo sozinho para as boas-vindas. Tão sozinho como sempre.

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Após as oferendas na fogueira e o jantar Sr. D e Quíron se adiantaram em frente a todos os campistas para divulgar alguns avisos e desejar-nos as boas vindas.

Nada mudou.

O tempo que passei afastado pareceu nem mesmo existir. Eu não fizera diferença nenhuma na vida de nenhum deles.

Eu já sabia disso, mas encarar a situação era completamente diferente.

Eu me encontrava cutucando a comida em meu prato enquanto ouvia as palavras de Quiron sem muito ânimo.

Bonelord se remexia ao meu lado tentando me chamar atenção, mas eu o ignorava, afinal, até mesmo para o pequeno monte de ossos eu parecia ser facilmente substituível.

Se ao menos eu fosse outra pessoa...

Um filho de Apolo talvez? Naturalmente galanteador e amigável. Bonito e talentoso.

Não um filho de Hades. Sombrio, tenebroso, antissocial e amargo.

As vezes eu me sentia tão desgastado com minha vida fracassada que pensava em desistir. No fim, a morte nunca me incomodara. Morrer não significa muito para um semideus... Menos ainda para um filho de Hades.

O medo irracional do humanos normais sempre foi com o que acontece "depois". O medo do desconhecido. Quando se é um semideus, a menos que você aborreça muito algum deus, não há muito com o que se preocupar.

A morte era ainda mais insignificante para um filho de Hades. Era como ganhar uma viagem nas sombras até o Mundo Inferior e não retornar mais à Terra.

Então, como seria se eu propositalmente me deixasse ser acolhido pelos braços da morte?

Não faria muita diferença para ninguém, eu tinha certeza.

Por que eu resistia?

O único motivo que aparecia em minha mente era ele. Percy.

Apenas para vê-lo de vez em quando, de longe. Apenas por isso. Não havia mais nenhum motivo realmente importante. Apenas desejos secundários que não me instigavam o suficiente.

Desistir parecia tão bom as vezes.

Deixar para trás qualquer preocupação com sexualidade, certo ou errado, lutas pelo mundo, essa vida complicada... Minhas tristezas, amarguras... Meu contínuo mergulho dentre os mortos... Os sentimentos que me envolviam... Tudo seria tão fácil... E depois... Deixar-me cair no Rio Lete. Como meu notebook, mas eu deixaria minha memória ser cem porcento limpa. Livre de tudo isso.

Seria bom demais. Bom demais.

Mas eu o esqueceria.

E isso era impossível. Imperdoável.

Percy era a memória mais profundamente gravada no meu coração.

Eu sentia seu nome amaldiçoando minhas células.

Meus pulmões trabalhavam em busca de seu cheiro, não oxigênio.

Meus sentidos eram desenvolvidos para reconhecê-lo... E apenas isso. Todo o resto era secundário.

Esse sentimento. Esse amor irrefreável e absurdo que eu sentia pelo filho de Poseidon era minha doença. E me matava tanto quanto me fazia viver.

Como o oxigênio que te permite viver enquanto aos poucos causa seu envelhecimento. Sua morte.

Percy me fazia viver. Fazia-me sentir vontade de estar nesse mundo, mas sua presença e o amor que eu nutria por ele me matava dentro de minha própria loucura. Minha quase adoração.

Uma droga. Aquilo que te faz bem, te leva a outros lugares, se torna necessária pra sua vida, o mais importante, te vicia, te endoece e te destrói.

Eu não conseguia ver o futuro. Eu via apenas o agora. E meu agora precisava de Percy. Eu nunca desistira enquanto pudesse tê-lo perto o suficiente para ver seu rosto.

Eu era, no final das contas meu pior inimigo.

O motivo pelo qual eu nunca teria o que queria. Incapaz de mudar. Incapaz de abandonar o passado. Incapaz de seguir em frente.

Eu estava agora tão preso quanto como quando eu estava no Cassino Lótus.

Não. Eu nem mesmo havia me libertado ainda.

– Nico...

Quem sabe nos meus sonhos... Quem sabe se eu fosse capaz de sonhar com algo bom, eu não sonharia com ele? Com um futuro impossível para nós dois?

– Nico...

Onde minha natureza torta ou minha personalidade doente não o pertubariam.

– Nico!

Acordei de meus devaneios quando alguém me chacoalhou com força.

– Os campistas estão se dirigindo para a fogueira. — Era Percy.

Encarei seu rosto sem absorver suas palavras completamente.

– Você vai?

– Onde?

– Conosco na fogueira! Francamente, você dormiu de olhos abertos?

– Ah... — Murmurei. — Desculpe, estava... pensando.

Percy continuou me encarando.

– Que foi? — Perguntei constrangido.

– Você estava pensando de novo que não é bem-vindo aqui... — Declarou tristonho.

Não respondi.

Percy suspirou.

– Sabe, eu fiquei bem feliz por vê-lo aqui. Mesmo que você se sinta mal com os outros campistas. E veja só, várias novatas vieram me perguntar hoje sobre você. — Riu. — As coisas não são tão negras quanto você enxerga Nico. Se você se desse a chance...

– Que chance? — Ri mórbido. — Eu já estraguei minhas chances anos atrás.

Percy franziu o cenho.

– Todos temos segundas, terceiras, quartas e zilhonésimas chances, Nico.

– Não. Eu não tenho mais nenhuma chance. — Declarei convicto.

A boca de Percy se contorceu em uma linha rígida. Seus olhos sempre tranquilos pareciam duas sólidas esmeraldas.

– Nunca diga isso. Eu estou aqui, e estou te oferecendo meus ouvidos, meus braços e pernas para te ajudar. Não me afaste como sempre fez. Não vire as costas para mim como sempre faz! — Percy gritou, era a primeira vez que eu o via tão irritado. — Como pode dizer coisas horríveis assim tão calmamente? Se você não se acha forte o suficiente, então que eu seja sua força! Que eu seja seu professor até que você possa andar com suas próprias pernas! Mas nunca, NUNCA desista, porque desistir é o mesmo que se tonar uma pedra emocional. Menos que um morto!

Calei-me. Menos que um morto? Então ainda havia um ponto mais fundo para mim.

Senti meus olhos arderem, mas me contive. As lágrimas não desceriam naquele momento.

– Eu não quero desistir. — Disse com a voz fraca. — Eu não quero, mas eu acho difícil encontrar motivos para continuar vivo. Quais são estes motivos, Percy? Eu tenho algum?

Percy encarou-me por uns instantes e tão rápido quanto um flash de câmera, pude sentir o calor de seu corpo me envolver em um abraço.

– Nenhum motivo é maior do que a si mesmo. Você tem que ser a prioridade da sua vida. A sua felicidade. Não importa o que os poetas dizem sobre viver para fazer outro feliz. Você só pode amar alguém quando ama a si mesmo. Como você pode dizer que ama alguém, se não aprendeu nem mesmo a amar a si próprio?

Meus olhos encaravam o chão enquanto suas palavras se cravavam fundo em minha mente.

Eu sempre soube que meu amor por Percy era errado. Não por ele ser homem — embora eu já tenha pensado isso -, mas sim porque eu não sabia como amar. Eu apenas sabia o que era obssessão.

Eu queria ser digno de amar Percy.

Talvez eu nunca fosse digno de receber seu amor, mas eu seria digno de suportar meus prórprios sentimentos. Esse seria meu propósito nessa vida.

Tornar-me alguém digno de sustentar o sentimentos mais puros pela pessoa que mais os merecia.

Timidamente, quase delicadamente demais para mim, separei-me de Percy que me encarou confuso.

– Eu vou me tornar alguém melhor. Capaz de amar... aqueles que eu quero.

Percy sorriu.

– Então vai me deixar te ajudar?

– Sim. — Respondi sem hesitação, o que aumentou o sorriso em seu rosto. — Faça-me sentir melhor, Percy.

– Eu vou. — Declarou prontamente.

Sorri.

Um sorriso mínimo e insignificante, mas o primeiro que eu dava em muitos anos.

– Quero ver mais desses sorrisos sinceros, Nico. Você merece ser feliz.

Com pequenas palavras como aquelas eu quase desabava em lágrimas.

Percy, você não faz ideia do bem que me faz.

Nem mesmo do mal que sobrecarrega meu coração.

Eu sentiria falta daqueles momentos no futuro.

Eu não imaginava que minha batalha seria tão árdua... Nem tão trágica.

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Do you know what it's like when you're scared to see yorself?
(Você sabe como é quando você tem medo de ver a si mesmo?)
Do you know what it's like when you wish you were someone else?
(Você sabe como é quando você deseja ser outra pessoa?)
Who didn't need your help to get by
(Que não precisa de sua ajuda pra sobreviver)
Do you know what it's like to wanna surrender?
(Você sabe como é querer se render?)

I don't wanna feel like this tomorrow
(Eu não quero me sentir assim amanhã)
I don't wanna live like this today
(Eu não quero viver assim hoje)
Make me feel better
(Faça-me sentir melhor)
I wanna feel better
(Eu quero me sentir melhor)
Stay with me here now and never surrender
(Fiquei comigo aqui e nunca se renda)

Do you know what it's like when you're not who you wanna be?
(Você sabe como é quando você não é quem você queria ser?)
Do you know what it's like to be your own worst enemy?
(Você sabe como é quando você é seu próprio pior inimigo?)
Who sees the things in me I can't hide
(Quem vê as coisas em mim que eu não posso esconder)
Do you know what it's like to wanna surrender?
(Você sabe como é querer se render?)

I don't wanna feel like this tomorrow
(Eu não quero me sentir assim amanhã)
I don't wanna live like this today
(Eu não quero viver assim hoje)
Make me feel better
(Faça-me sentir melhor)
I wanna feel better
(Eu quero me sentir melhor)
Stay with me here now and never surrender
(Fique comigo e nunca se renda)

Make me feel better
(Faça-me sentir melhor)
You make me feel better
(Você me faz sentir melhor)
You make me feel better
(Você me faz sentir melhor)
Put me back together
(Recomponha-me)

I don't wanna feel like this tomorrow
(Eu não quero me sentir assim amanhã)
I don't wanna live like this today
(Eu não quero viver assim hoje)
Make me feel better
(Faça-me sentir melhor)
I need to feel better
(Eu preciso me sentir melhor)
Stay with me here now and never surrender
(Fique comigo e nunca se renda)
Put me back together
(Recomponha-me)
Never surrender
(Nunca desista)
Make me feel better
(Faça-me sentir melhor)
You make me feel better
(Você me faz sentir melhor)
Stay with me here now and never surrender
(Fique comigo e nunca se renda)

Notas finais
O capítulo foi revisado rapidamente por mim, então qualquer errinho me avisem ou ignorem, como preferirem ^^ Well, não há muito o que comentar, só que eu estou com muita vontade de abraçar o Nico e nunca mais largá-lo Y^Y HEHE, e pretendo enviar flores pro Percy dar conselhos tão bons assim ;P Espero postar o próximo mais rapidamente, mas não prometo nada. Esse negócio de promessa comigo nunca funciona, então só resta esperar pacientemente pelo meu cérebro enrolado dar vida ao próximo capítulo XD Aé, o planejamento inicial são de 13 capítulos okay? Todos eles com temas de músicas. A de hoje é "Never Surrender" novamente do Skillet. Recomendo uma passadinha no youtube para ouvir a música... É absurdamente emotiva ;-; Beijinhos e até mais ;*