The zombie boy

1 Eu vejo você


Essa é história da minha adolescência. É incrível como a maldade pode reinar nesse mundo e sair impune.

Infelizmente, pode ser que não tenha um final feliz.

Eu, Diana Carter voltarei vinte anos atrás para relatar-lhes o que aconteceu.

20 anos atrás

Eu era jovem e popular em minha escola. Estava cursando o primeiro ano do ensino médio. Foi-nos dito que haveria um novo aluno na metade do semestre. Nós garotas tínhamos convicção de que ele com certeza seria lindo.

Eu estava em meu armário guardando meus materiais enquanto conversava com Klein, uma paixonite minha além de ser um dos caras mais populares e então, um rebuliço tomou conta dos meus colegas e professores. Eles corriam desesperadamente para a porta de entrada da escola com expressões chocadas. Pareciam que estavam vendo algo bizarro. E era talvez para aquela época onde os computadores ainda estavam começando a fazer fama.

Um corredor humano foi formado, eles estavam abrindo espaço para o que estava vindo e parecia estar vindo em minha direção.

Foi um grande choque a primeira vez que o vi. Ele era totalmente coberto, desconfio que não haja um espaço limpo em sua pele. Ele era coberto por tatuagens, mas não qualquer tatuagem, parecia um esqueleto humano bem desenhado na pele daquele rapaz.

Ele, que não se importava com o tanto de atenção que chamava para si mesmo, flutuou para o meu lado sem me olhar, afinal, seus olhos eram de um vazio imenso. Ele abriu seu armário e lá colocou suas coisas e seguiu seu caminho para sua primeira aula.

Eu ainda estava atordoada e o sinal toca. Rapidamente recolho minhas coisas e vou para a classe e adivinhem? O garoto misterioso estava lá, recebendo olhares de medo e horror por quase todos naquela sala.

Sentei-me atrás daquele rapaz que fingia ignorar totalmente minha presença.

— Oi, qual seu nome? – perguntei a ele, mas, acho que minha presença não era notória o suficiente.

Eu o cutuquei e ele não se importou. A professora tomou voz da situação.

— Pessoal se acalmem. Todos sentados, por favor. Este aqui é Mark Henkes. Mark por que não se apresenta aqui na frente?

Ele suspira impaciente, parecia estar entediado com aquela situação.

— Eu sou Mark Henkes. – ele nos observa de um jeito estranho e então se prepara para ir a sua carteira.

— Mark espera! – falou a professora. Ele novamente devolve o olhar impacientemente suspirando muito alto. – Esses desenhos são feitos com que tinta? É realmente impressionante! Você mesmo que os fez?

— Não são desenhos! – ele fala um pouco alto – A tinta usada aqui não é solúvel em água e nem se retira com banhos! Os pincéis foram várias agulhas entrando em minha pele que era branca e agora é praticamente negra.

— O que isso significa? – a professora estava assustada.

— Significa que vou morrer com isso aqui na minha pele! Agora, por favor, solte meu braço. – ele puxa violentamente seu braço e volta para sua carteira.

Aposto eu todos os meus colegas de classe tiveram uma péssima primeira impressão dele. Eu não.

A aula correu bem, no intervalo ele sentava-se sozinho era totalmente excluído socialmente, mas, continuava sendo o centro das atenções. Aquilo parecia mais um circo de horrores e a principal atração era ele.

Após esse dia, ele ficou uma semana sem ir para a escola. Eu perguntava-me o que se passava para aquilo ter acontecido. Eu sentia-me preocupada

Era segunda-feira e sol já brilhava forte. Despeço-me de minha mãe que me dá um beijo na bochecha e sigo lentamente pela calçada aproveitando os raios de calor.

Alguém passa apressado em minha frente e então encaro as costas do desconhecido. Ele trajava um casaco preto com capuz que estava bem posicionado em sua cabeça, jeans negros e coturno preto também. Da posição que eu estava, a única coisa descoberta eram suas mãos e eu as olhei atentamente. Era o Mark Henkes o garoto novo da minha escola.

Apressei meu passo para seguir o dele e o mesmo me olha horrorizado.

— Oi Mark. Bom dia! – falo com emoção demais e ele se assusta.

— B-bom dia. – ele fala gaguejando.

— Que bom que está de volta à escola! Senti sua falta.

— Sentiu? – ele pergunta mais horrorizado ainda. – Por que você que nem me conhece sentiria minha falta?

— Não sei. Acho que simpatizei com você.

— Ih, olha lá Klein – gritou um menino – aquela não é sua garota com o menino estranho?

— Ei Diana, o que faz com esse esquisitão? – O Klein era minha paixonite, mas, ele não tinha o direito de tratar alguém assim.

Mark avança o passo, mas Klein o segura pelo braço.

— Me solta. – Mark pede baixinho.

— E por que eu deveria? – Klein sorri perverso.

— Klein, solta ele!

— Qual é Diana! Tá me trocando por essa aberração é?

Eu puxei o braço do Mark que me olhava muito estranho.

— Sim Klein, estou te trocando por ele. – Falei enquanto puxava o Mark que estava sem reação.

Eu estava fula da vida com a reação do Klein sobre o Mark. Por que essas pessoas o tratavam com tanta indiferença?

Mark se solta da minha mão e novamente me encara.

— Por que você fez isso?

— Fiz o que?

— Por que me protegeu daquele cara? Eu não preciso da sua proteção.

— Você não merece que te tratem assim. E daí que você é todo tatuado? Eu não me importo com isso!

— Quem é você para dizer o que eu mereço? – ele saiu correndo e eu não tento alcança-lo.

Partiu-me o coração ver o olhar dele. Ele estava confuso e triste.

Mark não comparecera na escola esse dia o que me deixava preocupada. Klein me ignorou o dia todo.

Eu precisava ver o Mark e em quais condições minha atitude o deixou. Fui até a secretaria e pedi o endereço dele. Relutaram em me dar, mas, disse que era para um trabalho em dupla e que ele não havia comparecido em dias e o prazo do trabalho estava para estourar.

Finalmente cederam o endereço que coincidentemente, era perto da minha casa.

Saí da escola e mudei minha rota para a casa dele.

Meu coração saltava e com muito esforço tentei acalmá-lo, mas sem sucesso.

Eu estava na varanda da casa dele e meu corpo tremia. Sentia adrenalina correr por minhas veias.

Com as mãos trêmulas consigo alcançar a campainha e então estampo um sorriso no meu rosto.

Uma mulher que parecia estar bêbada tinha me atendido.

— O que você quer garota? – ela me pergunta sem a menor educação.

— Ah, olá senhora. Eu estou à procura do Mark, ele está?

— E para que você quer ver meu filho?

— Ah, um trabalho escolar senhora.

Ela me olha desconfiada.

— Ele não voltou ainda. Eu avisarei que você esteve aqui. – ela bate a porta sem ao menos perguntar meu nome.

Eu estava decepcionada comigo mesma. Esperava vê-lo e falhei miseravelmente em minha missão.

Desço as escadas da varanda de cabeça baixa até que trombo em alguém.

— Diana, o que faz aqui?