The zombie boy

2 Amigos, eu e você


Rapidamente levantei meu rosto.

— Diana o que você está fazendo aqui em frente a minha casa? – ele pergunta.

— Mark... Eu...

— Você está louca? Quer me meter em problemas por que está obcecada por mim?

— Eu só vim à sua casa saber como você está.

— Eu não preciso da sua preocupação, vá embora. – ele segue andando em passos pesados.

— Mark, eu quero ser sua amiga. Eu simpatizo com você. Estou curiosa sobre você. – ele imediatamente para.

— Minha... Amiga?

— Sim, sua amiga.

— E por que gostaria de ser amiga de uma aberração como eu?

Eu ando devagar em sua direção para não assustá-lo.

— Eu não te acho uma aberração. – posiciono-me em sua frente o encarando. – Por favor, deixe-me conhece-lo, deixe-me falar com você, saber mais sobre você.

— Não há nada para você saber sobre mim.

Retirei um papel da minha mochila e rapidamente anotei um endereço.

Puxei uma de suas mãos e depositei o papel lá.

— Quero que me encontre sexta-feira neste endereço no horário indicado. Caso você não compareça, eu virei procura-lo aqui na sua casa.

Ele olha bravo, mete o papel no bolso do jeans e continua seu caminho para sua casa.

Eu volto satisfeita e chocada pela minha ousadia. Andava sorrindo feito boba. Se eu não me conhecesse diria que estava apaixonada por ele.

O que eu tinha dito era realmente verdade. Eu queria poder ser sua amiga.

Como é de se esperar, ele novamente não compareceu as aulas. Eu preocupava-me por ele ser um aluno transferido e estar faltando tanto.

Finalmente saio do colégio na sexta-feira e vou correndo para casa para poder me arrumar.

Mamãe estava contente por eu estar saindo com alguém, principalmente por ser um garoto.

Meus pais naquela época tinham se divorciado, então, ele morava em outro estado.

Queria me produzir de uma forma que ele gostasse. Eu era bonita de rosto e de corpo apesar de ser baixinha.

Vesti um vestidinho solto preto com estampa branca de caveiras com um cinto de strass e nos pés calcei botas. Essa era a moda nos anos noventa.

Penteei meus cabelos loiros e preferi os deixar soltos. Perfumei-me e passei batom rosa. Eu me sentia bonita e sentia que ele me acharia bonita.

Abri meu cofrinho e retirei 50 dólares, o que naquela época era muito dinheiro para uma adolescente como eu estar carregando. Eu trabalhava meio período nos finais de semana.

Estava perto das sete e então resolvi ir ao local marcado por mim. Era uma praça tranquila, mas não deserta.

Quando estava chegando lá, vi um rapaz todo de preto. Jaqueta de couro preta, jeans e coturno preto também. Eu já havia assumido que era ele mesmo estando de costas.

Cutuquei seu ombro esquerdo e o mesmo virou-se para mim.

— Olá! Você tá bonitão! – falei sorrindo.

Ele não encara os meus olhos.

— Vo-você também. – ele fala e coça a nuca.

— Então, aonde quer ir primeiro?

— Pensei que você tinha escolhido... – ele fala encarando os pés.

— Hum, que tal cinema e depois jantar? – sim, nessa época dava para fazer as duas coisas com apenas cinquenta dólares.

— Eu pago o jantar. – ele disse.

— Tudo bem, vamos então.

Percorremos o caminho até o cinema em silêncio. Ele somente encarava os pés.

Escolhemos assistir Matrix que era um grande feito para um filme.

Sentamo-nos no fundo. Compramos pipocas e refrigerantes.

— Não acredito que nunca tenha assistido a esse filme!

— Ah, eu não sou muito chegado em artes cinematográficas...

O filme começa e eu o vejo maravilhado olhando fixamente para a tela.

Eu ainda me lembro do seu olhar. Não era mais vazio e aquilo me deixou feliz.

Teve uma hora no filme, que ambos pegamos a pipoca ao mesmo tempo. Foi um contato rápido entre as nossas mãos, pois ele a retirou rapidamente se desculpando logo em seguida.

Seguimos para o Mcdonald’s. Comemos sem dizer uma única palavra.

— Aonde é a sua casa?

— Um... É bem pertinho daqui. – eu respondo surpresa.

— Eu levo você lá. – ele sugeriu e eu respondi mexendo a cabeça.

Perto da minha casa tinha um parquinho e ele o encarava sem parar.

O puxei pela mão.

— Vem!

Ele simplesmente se deixou guiar.

— Eu tenho boas recordações daqui... Minha infância, meus pais antes de se divorciarem... – eu disse para ele – Dá para ver as estrelas também.

Ele continua encarando os pés.

— Mark... – parei na frente dele – Por que não consegue me olhar nos olhos?

— Não acho que deva...

Levo minhas mãos ao seu rosto e direciono seus olhos nos meus. – É claro que você deve. Quando falar comigo, me encare nos olhos. Eu gosto de vê-los. – Disse para ele que novamente parecia surpreso. – Você se surpreende com tudo! – Sorri.

— É a primeira vez que alguém me trata assim. – ele me olha por um momento e encara o céu. – Diana, não é que eu não queira ser seu amigo, mas tenho medo de me acostumar com a sua presença e depois te perder. Tenho medo de gostar de você.

— Quando eu digo que quero ser amiga de alguém é porque meu coração confia nessa pessoa. Só existem duas coisas que podem me afastar de você: Morte e traição.

— Não sei se você irá me ver assim depois de me conhecer melhor.

— Sim, eu posso ver você diferente Mark, eu posso amar você.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.