The virus of life
3 Waiting for the end
Notas iniciais
Minha boca, minha roupa e minhas mãos, completamente ensanguentadas. Com aquela visão horrível à minha frente, então ajoelho ao seu lado, e coloco sua cabeça entre meus joelhos, ainda segurava metade de minha blusa em seu pescoço tentando estancar o sangramento de Will. Lentamente eu tiro o tecido do ferimento e reparo que não há mais sangue escorrendo.
Como flashes em minha mente começo a lembrar daquela cena do ataque e reparo que esse não era o real problema, o pior era que aquele sangue, espalhado por todo lugar, era de Will, aquele garoto lindo e divertido de olhos profundos que fazia de tudo para tirar um sorriso do meu rosto.
Como eu pude ter feito aquilo com ele? Eu ataquei meu melhor amigo! Isso é loucura! Essa minha nova vida que vou ter de enfrentar é um loucura! Eu ter uma meio-irmã é uma loucura! E pra ajudar eu estou deixando meus novos instintos falarem mais alto, mas isso não pode e não vai se repetir! Eu prefiro morrer a ter de machucar, não só Will, mas qualquer um que é especial em minha vida.
Vejo meu melhor amigo desacordado no meu colo, e aos poucos eles vai recuperando uma fração de força que ele guarda, dentro de alguns instantes imóvel ele começa a ter uma leve convulsão na minha frente, é o que a falta de sangue no corpo proporciona. Como um gesto de ajuda, eu sustento sua cabeça em minhas mãos e a levanto devagar, para que ele possa encontrar esse oxigênio que tanto procura.
Agora o que estou tentando fazer é que ele consiga confiar em mim de novo, a expressão em seu rosto ainda é de medo, ele está assustado, e eu não o culpo. Fico parada segurando sua cabeça, esperando que ele relaxe um pouco e retome a consciência.
Após cerca de 5 minutos fixo meu olhar em seu rosto mais tranquilo e expressando menos dor... Como eu pude? Meu melhor amigo, com medo de MIM... Fico com vontade de sair correndo, e o mais longe que eu chegar vai ser pouco.
Mas não posso deixá-lo sozinho, além de errado e negligente da minha parte, se fosse o contrário ele jamais me abandonaria. Morrendo de vontade de chorar, levo minha cabeça e a aproximo de seu ouvido, em seguida sussurro:
– Me desculpe... Eu juro que não queria Will... – Uma lágrima escapa e rola pela minha bochecha
Olho para aqueles olhos verdes profundos que quase se ouvia gritarem de desconforto. Não consigo ser forte e desabo de vez no choro mais sincero que tive, os soluços aparecem para piorar ainda mais.
Deito ao seu lado na estrada de terra e o abraço tentando confortá-lo em meio ao caos. Sinto sua respiração ficar suave, como se estivesse poupando esforços, então ele se mexe e diz com toda energia que está disponível:
– Tudo bem... Com você aqui... A dor se torna um dos... Menores problemas... Baylinda
Solto um leve sorriso misturado com o meu choro que só aumenta vendo ele fraco e ao mesmo tempo tentando me tranquilizar.
Após alguns segundos apenas, Jeremy e Tracie aparecem. Jeremy vem em minha direção extremamente rápido, me carrega e me afasta de Will, ele vai se distanciando enquanto me segura muito firme e com uma força muito grande, mais que o normal até mesmo para um vampiro, e eu não consigo parar de gritar de desespero implorando pra não me tirarem de perto dele e sempre perguntando o que ele estava fazendo e pedindo para me colocar no chão. Mas o silêncio me toma quando vejo a pior cena da minha vida.
Tracie se agacha ao lado de Will, tira de seu bolso um canivete que ela segura com firmeza e corta seu ante braço. O sangue escorre e lentamente ela exerce uma pressão no ferimento, direcionando o sangue a boca dele, ele tenta se afastar daquilo, mas está muito fraco, e Tracie acaba forçando-o a beber o sangue, com minha visão aguçada de vampira consigo ver os olhos de Willian gritando “Estou confiando em você”, e ele o bebe desesperadamente como se soubesse que isso fosse sua última salvação. Espere, então Will também conhece Tracie... Será que só eu não sabia da existência dela? Balanço minha cabeça tentando deixar pra lá o que acabei de pensar e volto o olhar para eles.
Fico enojada com aquilo.
– O que você está fazendo? – Eu gritava – Já não basta ter ME transformado, vai transformar Will também? Sai de perto dele AGORA!
Como vampira que agora sou minhas emoções estão triplicadas, ou muito mais que isso. Explodo, choro, grito e chamo Tracie e Jeremy dos nomes mais terríveis que conheço, me debato entre os braços apertados e fortes de Jeremy, o que era inútil, afinal ele era muito mais velho, mais forte e experiente.
Exausta de tentar machucá-lo para alcançar Will, eu paro de me debater, fecho os olhos e respiro fundo, Jery sente que eu não aguento mais lutar e simplesmente me abraça com força e me da um beijo na testa, logo em seguida ele sussurra:
– Vai dar tudo certo Bay, confie em mim.
Como não confiar naquela voz segura, naqueles braços fortes e ao mesmo tempo suaves. Basicamente Jery era meu porto seguro, aquele que passou a vida inteira me protegendo e me guiando. Era com ele que eu sentia que alguém realmente se importava comigo e com o meu bem estar. Ele era como um irmão mais velho
Quando finalmente abro os olhos vejo Tracie lavando seu ferimento e o canivete em uma poça perto de uma vala da estrada, distante de todos. Logo direciono meu olhar para Will e o vejo virar sua cabeça em minha direção, fisicamente ele aparenta estar um pouco melhor. Com o pouco de força que lhe resta, ele me olha e faz um sinal positivo com a mão, acredito que finalmente tenha se recuperado, pelo menos o suficiente para conseguir respirar. Só não sei como.
Jery me solta eu olho fixamente em seus olhos ele faz um “sim” com a cabeça. Saio em direção a Will o mais rápido possível, mas sem correr na velocidade de um vampiro. Não quero ser essa “coisa” perto dele, então passo a agir como humana.
Mesmo fraco e quase inconsciente eu me ajoelho ao seu lado e o abraço, não faço nenhuma força, afinal ele está fraco, muito cansado, e dolorido. Toda sua energia foi embora enquanto ele se debatia para eu me afastar dele, ou mesmo quando eu retirava sua força vital, seu sangue.
Em meus braços ele é embalado pelo sono quando começo a cantar a música que ele mais gosta em trechos sinceros, ele acreditava que esse verso da música sempre faria parte da minha vida, só não me pergunte o porquê, mas no momento eu não conhecia outra música melhor para descrever o que estava acontecendo comigo.
Bom... O fato é que ele sempre gostou de me ouvir cantar, ainda mais sua música favorita, dizia que minha voz era digna de ganhar o The X Factor:
“I’m swimming in the smoke,
of bridge I have burn
so, don’t apologize
I’m lose and what I don’t deserve”
Quando acabo essa música reparo que há um suave sorriso em seu rosto, ele esta mais tranquilo, não está mais com medo de mim, o que é um ótimo sinal. Jeremy e Tracie, que estavam se aproximando agora, observam aquela cena com curiosidade, quem me visse daquele jeito acreditaria que eu e Will fossemos namorados, coisa que com certeza nunca passou pela minha mente.
Com aqueles olhos em minha direção, abaixo a cabeça e tiro meu casaco, fico somente com a minha blusa rasgada naquela chuvinha calma, porem gelada. Cubro seu corpo com o meu casaco de lã, e por consequência ele para de tremer um pouco.
Em meio a minha leve felicidade olho para Tracie, que com um simples olhar já sabe o que estou pensando
– Tudo bem Bay, eu devia essa a você.
Eu fiquei sem palavras para expressar minha alegria, e falo a única coisa que me veio à cabeça foi:
– O que você fez Tracie?
Jeremy passa no meio do caminho entre nós duas, para ao lado de Will, o levanta e o carrega de um jeito que ele não acorde, entra no meio da nossa conversa e diz com a maior sinceridade do mundo:
– O que importa? Ela o salvou
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