Notas iniciais
Bom achei justo postar o capítulo dois hoje porque ele vai dar o complemento que falta no um e deixar vocês com vontade de ler o três ashuashuashuashu Aproveitem e comentem Beijo

Consigo sentir uma respiração, um pouco forte, mas ao mesmo tempo doce, era mais como uma proteção. Com a cabeça ainda doendo vou abrindo os olhos devagar até encontrar o rosto de Jeremy ao meu lado sentado em um banquinho e segurando a minha mão. Com seus olhos castanhos e sinceros fixos ao meu rosto, dava para sentir sua preocupação atravessar sua pele. Ele tentava me contar algo, mas assim que ele suspirou para começar a conversa eu o interrompi

– Jery, estou com fome.

Ele para, me observa com curiosidade, deve desconfiar que já sei o que está acontecendo, logo em seguida me responde

– Tudo bem, deve ter alguma bolsa de sangue em algum lugar por aqui.

Jeremy se levanta, e vai com passos largos até o freezer, que fica a mais ou menos uns quatro metros de distância do lugar em que estávamos, assim que ele sai do meu lado reconheço onde estou deitada, é a casa de campo do meu avô, estou no sofá da varanda pra ser exata, onde é coberto, bem à frente encontra-se o jardim de entrada, reparo que continua caindo a mesma chuva fraca que me manteve confortável na floresta, muita água, pouca força.

Ele volta com um saquinho de sangue em mãos, o abre. Sinto que ele vai contar o que aconteceu, mas estou com medo de enfrentar a notícia, estou desconfortável, não quero ouvir, mas ele respira fundo novamente, e já é tarde demais.

– Bailey, você está mesmo bem? – Ele começa sendo gentil, talvez seja para me tranquilizar, depois coloca o saquinho em minhas mãos

– Eu não sei, nem entendo o que está acontecendo! – Pego o saquinho e despejo o líquido vermelho e grosso em um copo que estava no chão ao lado do sofá, tomo um bom gole, olho torto pra ele, sinceramente eu sei o que aconteceu, mas preciso ouvir da boca de alguém que eu possa mesmo confiar.

– Bay... Você é uma vampira agora...

Dou uma pausa, droga aquilo não era um sonho, muito menos a minha imaginação, me desestabilizo após receber a notícia, cruzo as pernas e apoio meus cotovelos em meu joelho levando minhas mãos até a minha cabeça, começo a sentir uma leve tontura. Quando estou prestes a cair, Jery me segura pelos ombros e me coloca deitada novamente no sofá.

– O que? Vampira? – O sangue em minhas mãos não me assustava mais, eu já sabia daquilo, mas precisava ter fé de que não era real, eu preferia me transformar em qualquer criatura, mas um vampiro, era triste demais. Mas como um relâmpago as coisas começaram a se juntar em minha cabeça, e notei que eu nem precisava do sangue pra descobrir a verdade. Era por isso que eu estava na floresta, onde não tinha sol, caía aquela chuva perfeita, e por isso agora consigo ficar aqui fora, onde essa mesma chuva continua caindo, assim eu não vou me machucar! Tudo fez sentido. Pego fôlego novamente e em meio a lágrimas e soluços concluo — É isso? Eu me tornei o que passei a vida inteira caçando?

– Não tinha outra alternativa, era inevitável, isso ía acontecer, você querendo ou não! — Jeremy lança um olhar impaciente como se eu já devesse saber daquilo

Minha mente ficou confusa de novo. Em silêncio, fiz o que passei a vida inteira evitando, autopiedade. Eu, uma garota que cresceu caçando vampiros, me tornei um deles. Bob, aquele meu tutor, me ensinou sobre esse mundo, como caçá-los, torturá-los para recolher informações sobre os seus ninhos, suas fraquezas e forças, e o principal, diferenciar o vampiro mal, do bom. As vezes, nem todos mereciam morrer.

É estranho ouvir isso ainda mais de uma caçadora, mas era a verdade, enquanto alguns vampiros saem matando humanos por puro prazer, outros seguem suas vidas, constroem uma carreira, família, e se alimentam de bolsas de sangue, como eu estou fazendo nesse momento, ou de sangue de animais que era praticamente a mesma coisa, mas diversos vampiros que eu conheço que se alimentam desse maneira me dizem que o gosto e a sensação de sacies não se compara ao sangue humano

Como era possível acontecer algo assim comigo, e que história é essa que Jery me contou, que era inevitável, que eu iria me transformar querendo ou não? Parece coisa do destino, mas ele nunca acreditou nessas coisas. E ainda havia fatos que ainda não tinha me explicado, como ela. Seguro o choro, dou uma forte suspiro e a pergunta sai automática

– Jery, quem é aquela garota... A... — Estalo os dedos como se o som me ajudasse a recordar o nome novamente — A Tracie?! E quando ela se encaixa nessa história?

Ao mesmo tempo, a garota apareceu na varanda, vestindo uma calça jeans escura e uma camiseta vermelha, uma cor ideal pra situação, toda molhada por causa da chuva, trazendo algumas bolsas de sangue, passou pela nossa frente, nós ficamos em silêncio enquanto ela guardava as bolsas no freezer. Provavelmente ouviu minha última pergunta, então logo para bem em minha frente e entra na conversa.

– Jeremy, nos dê licença que eu mesma conto à ela. – Ele olha pra mim com um olhar estranho como se estivesse incomodado com a presença dela, então concorda com a cabeça, sai da varanda e vai para dentro da casa, ela se sentou ao meu lado no sofá, respirou fundo como se finalmente pudesse desabafar – Bailey, eu sei que é estranho, confuso e provavelmente um pouco assustador o que eu vou falar, mas você se lembra que durante a sua infância, você devia ter uns seis ou sete anos, uma vez sua mãe lhe disse que você nunca ficaria sozinha, porque sua protetora sempre estaria por perto?

Bem que ela avisou que a informação seria assustadora, porque realmente é, principalmente com o fato de ela saber disso, era algo que minha mãe me disse há muito tempo. Com a cabeça cheia de dados novos, e latejando de dor, respondi quase com um sussurro

– Sim, eu me lembro. – Ainda sussurrando conclui — Mas isso foi há dez anos...

– Isso mesmo! Bom... EU sou sua protetora Bay...

– E como VOCÊ pode ser a minha protetora? Eu nem te conheço, nem sei de onde você surgiu... – Vejo que ela ficou um pouco triste com o modo e a palavras que eu usei, então vou tentar me corrigir – Desculpe, mas única coisa que lembro de você é que ACHO que te vi em um sonho...

– Bem... – Lá vem mais uma bomba, aposto – Porque eu sou... sua... irmã.

Paralisei. O que? Para tudo! O que ela ta falando? Eu não tenho irmã, sou filha única... Pelo visto até onde eu sabia. Hãn... Isso não é possível, por que minha mãe nunca me disse isso? Ficamos um tempo em silêncio, eu tento me lembrar nessas vezes em que me senti sozinha, mas parecia que uma energia não permitia isso, será que poderia ser ela? Mas Tracie não aparenta exatamente o estilo de irmã protetora que ela tanto fala, parece mais uma, que horrível falar isso da própria “irmã”, mas ela lembra muito aquelas metidas do filme Garotas Malvadas. Ela começa a falar de novo, e minha viagem absurda é interrompida.

– Bay, eu queria te contar, mas a sua mãe não deixou! Ela me convenceu que você jamais aceitaria a ideia de ter uma irmã vampira.

– Espera, por que você se refere a ela por “sua mãe”, se você é minha irmã ela é sua mãe também.

– Bom, no meio politicamente correto de dizer, não somos IRMÃS, somos MEIO-IRMÃS. Na verdade dividimos apenas os genes do nosso pai.

– Ah, meio-irmãs... E você também é uma vampira? – Penso novamente no que vou dizer e escolho as palavras certas, devido as circunstâncias atuais – Bom... No momento isso é o menor dos nossos problemas, e como assim eu “jamais aceitaria”? Simon e Jeremy são vampiros e eu não me importo – Ás vezes eu achava que era necessário matá-los porque a quantidade de merdas que já tive que limpar por causa deles se torna um pouco grande e pelo acordo com The Circle, especialmente quando o Simon fazia essas merda, quase sempre era ele que eu achava que devia morrer, mas nós três éramos amigos demais, eu e ele principalmente, isso seria injusto, e essa idéia sempre ia embora – Então era por isso que você aparecia só nos meus sonhos!

– Sim, era por isso, como vampira e você como caçadora, deve saber que cada vampiro acaba ganhando uma qualidade em especial, eu consigo invadir sonhos e emanar energia deles, e os seus sempre foram mais fáceis por causa da nossa linhagem. – Ela da uma leve pausa e recomeça — Bailey, sua mãe acreditava ser difícil pra você saber de mim, ela não sabia, e acredito que até hoje não saiba que Jeremy e Simon te contaram que são vampiros... Bom, mas o fato é que eles são seus amigos, eu sou sua irmã, somos do mesmo sangue, quer dizer, metade, e ela acreditava que iria ser complicado você entender

Eu ia responder, mas minha fome estava aumentando, bolsas de sangue não me sustentavam muito bem, pelo menos não uma só, no começo da transformação é mais difícil ainda, se torna complicado controlar nossas vontades e nossos desejos. Mais difícil ainda era saber diferenciar vítimas de amigos. A certa distância de mim um cheiro de sangue penetrava os meus pensamentos, esse odor era como droga, me causava êxtase, por que esse cheiro faz isso? Por que ele era diferente? As bolsas de sangue não me deixavam assim... Mas esse cheiro era perfeito, eu sentia a pulsação desse sangue a metros, quase quilômetros de mim, o cheiro era muito melhor, era sangue fresco e pulsante. Tracie me olhou com curiosidade, mas logo notou minha mudança de atitude.

Me sentei no sofá, e fiquei paralisada prestando atenção somente no som daquele sangue que estava sendo bombeado. Minha visão ficou aguçada, eu não tinha uma visão lateral, somente frontal, como se meus olhos estivessem dizendo “Siga em frente”, meus reflexos ficaram muito mais rápidos dava pra sentir o universo todo ao meu redor, meus músculos enrijeceram e dentes muito afiados surgiram em minha boca.

Respirei fundo para tentar entender o que estava acontecendo, mas foi insignificante a minha tentativa. Como um raio eu saí correndo em uma velocidade anormal, Tracie tentou me impedir, mas a peguei desprevenida e eu acabei a empurrando para bem longe de mim. Logo encontrei o motivo de toda aquela hesitação. Paro no meio da estrada de terra que leva até o portão da casa de campo, isso dava cerca de quinhentos metros da casa, logo vejo Will, ele estava vindo pela estrada a pé, praticamente correndo, vejo que ele carrega uma mochila. Eu fiquei ali, parada na estrada, só o observava chegando cada vez mais próximo de mim. Na verdade quem olhasse pra mim daquele jeito iria acreditar que eu era um zumbi, mexendo a cabeça levemente para cada direção, tentando sentir toda a energia em volta.

– BAILEY? – O grito de Will chamou minha atenção de volta pra ele – O que você está fazendo aqui?

A chuva molhava seu rosto e seus braços definidos, eu nunca tinha reparado o quanto ele era lindo, cabelo castanho liso e bagunçado, com seus olhos verdes profundos, mas no momento a maior perfeição que ele tinha era seu sangue com um cheiro férrico delicioso. Após mais alguns passos não consegui me segurar.

Avancei rápido demais em sua direção, ele se assustou e não conseguiu me acompanhar, quando me dei conta eu estava puxando seu cabelo para trás e imobilizando um de seus braços com a outra mão, e assim que reparei que ele não conseguia me acompanhar, mordi seu pescoço branco e macio. O sangue saía de sua pele e tocava minha boca de uma maneira que deixava meu paladar ainda mais satisfeito, aquele líquido vermelho e tentador tinha o mesmo sabor daquele cheiro maravilhoso que eu sentia lá na varanda, o sabor fresco e metálico me deixava excitada a ponto de querer matá-lo.

Porém, e por sorte, a razão falou mais alto. Assim que Willian demonstrou o primeiro sinal de fraqueza ele caiu de joelho no chão, eu consegui segura-lo e ele caiu digamos que com mais delicadeza. Como se eu sofresse um impulso elétrico no meu cérebro, largo seu pescoço, e assim que ele cai de frente para o chão, algo que estragaria aquele nariz tão simétrico, eu pego o ombro dele com uma das mãos e o coloco lentamente de bruços. Eu me levanto e olho para ele jogado no chão, o sangue sai de seu pescoço não tão rápido quanto eu imaginava, acredito que não alcancei nenhuma artéria, mas o suficiente para me fazer entrar em pânico. Eu o viro de costas para o chão dessa vez, coloco a cabeça em seu peito e sinto o bater de seu coração, aquele som me fazia querer mais, porém eu aguentei, foi torturante, mas me segurei. Ele estava vivo. Mas seu pescoço continuava sangrando.

Com minha força consegui rasgar metade da minha blusa, a parte que cobre a minha barriga, e coloco em seu ferimento, o sangramento foi diminuindo e a vontade de atacá-lo foi junto, olhar para ele naquela situação que eu o deixei fazia qualquer vontade por sangue cessar.

Mal me transformei em vampira e já estou fazendo essas merdas clássicas, como atacar seu melhor amigo. O sangue de Will escorria pela minha mão e mesmo com o sangramento diminuído era sangue pra todo lugar, em minhas mãos, roupas, boca e na estrada de terra.

Eu me segurei e muito. Se arrancassem meu braço a sensação não seria tão torturante, é como ter o que quer em suas mãos, mas não poder obtê-la por completo.

Só a lógica me fazia raciocinar corretamente, me fazia ver a verdade, não podia acreditar naquilo, eu ataquei meu melhor amigo, o pobre, doce e gentil Will, aquele cara que não faria mal nem a uma formiga, meu Deus o que eu tinha na cabeça?! Agora eu tinha noção das coisas terríveis que eu poderia fazer, não só aos meus amigos mas a qualquer pessoa. Mas somente uma frase tilintava em minha mente:

Agora é oficial, eu sou um monstro.

Notas finais
Espero que tenham gostado Não esqueçam de comentar e acompanhar Beijos Gabi