Sinto uma delicada chuva caindo, o cheiro da mata molhada forma odores irresistivelmente maravilhosos, não há sol, o céu está nublado, mas a chuva é reconfortante. Por um minuto me sinto bem, mas no outro, uma sensação horrível toma conta do meu corpo, meus pulmões parecem estar vazios, mas eu estou respirando, meu coração está batendo, mas parece que meu sangue não bombeia. Isso é terrível, parece que nada está querendo coordenar. Posso dizer até que sinto que estou presa ao chão. Será que eu estou ficando maluca?

Quando um pingo de chuva cai exatamente no meu nariz, eu abro os olhos imediatamente, foi muito rápido pra quem estava se sentindo mal há talvez algumas horas.

Está passando cada coisa pela minha cabeça, sinto como se minha memória tivesse sido apagada, não me lembro de nada, quer dizer, de nada atualizado pelo menos. Espere aí, parece que uma agulha está espetando minha memória, “Bum” uma bomba em minha cabeça, “Bum” mais uma, parece que ela está querendo ligar, é desconfortável, mas é como se um poder maior não permitisse. Talvez se eu tentar lembrar das pequenas coisas ao meu redor essa bomba exploda e eu me lembre do resto.

Tudo bem, eu sei que conheço esse lugar pelo menos, bem aqui é a Floresta de Long Land, ela fica bem próxima à casa de campo do meu avô... James! Claro meu avô, o desnaturado do ano, ele mora em Las Vegas, porque é dono de um cassino, ou seja, se preocupa mais em mandar dinheiro pra mim, do que me ligar e dizer “Oi querida, está tudo bem?”. Ta legal, não é hora de pensar nos defeitos, olhando pelo lado bom pelo menos me lembro do lugar e de alguém, mas tem alguma coisa envolvendo esse lugar que me traz uma lembrança mais antiga... Talvez... Já sei, eu costumava brincar de fingir ser bruxa, mas quanta imaginação, com meu melhor amigo Willian, e desde criança eu o chamo de Will apesar dele achar idiota.

Beleza, agora vamos ver se eu lembro de mim. Meu nome é Bailey O’Connel, tenho 17 anos e estou no último ano da escola, graças a Deus. Sou uma caçadora, e mesmo tão jovem eu trabalho na... Delegacia? É, na autópsia, ajudo o delegado com alguns casos em especial. Moro aqui desde os 7 anos, com o meu tutor, Bob. Que voltou para o Texas quando fiz 14. É, pelos menos lembro de mim. Tá, agora onde que eu moro mesmo? Hun... A é, eu moro com o amigo da minha família, Jeremy Mc... Claro! Agora sim as coisas estão fazendo sentido, minha lembrança é bem resumida, mas tenho uma certeza que apareceu feito mágica na minha mente, como uma intuição, ou um instinto, eu vim aqui com o Will e dois velhos amigos Jeremy e Simon McCarey os irmãos mais cobiçados daqui de Black Diamond.

Espera, mas tinha mais alguém aqui, tenho certeza disso! Meus sentidos voltam ao nada, continuo imóvel desde que comecei a investigar minha própria mente, que até agora parece que quer funcionar, aquelas explosões em minha cabeça aconteceram e me estimularam a pensar, acho que preciso de mais uma dessas, apesar de desconfortáveis. Tem algo que impede minha cabeça de pensar, começo a testar outro jeito de me lembrar. Fecho os olhos por um minuto, e quando abro reparo uma névoa se formando ao meu redor, dessa névoa, forma-se uma silhueta fina, como de uma mulher, é isso, meu cérebro estava me dando uma pista! Minha imaginação correu solta é como se uma espécie de poder fizesse minha mente me levar até a verdade.

Havia uma garota lá, tenho uma vaga lembrança dela, mas não era recente, era mais antiga, e como por instinto eu sabia que era ela, essa memória vinha de um sonho, nesse sonho essa garota me reconfortava, dizendo que mesmo minha mãe não estando ao meu lado ela sempre me amaria. Nossa, isso faz mesmo um bom tempo. Fecho os olhos e abro novamente, reparo que lágrimas escorrem pelo meu rosto ao reviver esse sonho, o mais reconfortante que já tive, talvez o mais feliz.

Aquela garota me transmitia paz, como se eu pudesse confiar nela, ainda mais agora tendo certeza de que ela era real. Tudo bem, desabafo feito, preciso agora me lembrar de como ela era, bom... Com certeza uma garota linda, tinha cabelos ondulados e castanhos era alta, magra, com olhos pretos e brilhantes, sua pele parecia uma porcelana árabe, bronzeada, provavelmente por uma maquiagem bronzat, e com traços finos, talvez tivesse até uma boca com contornos leves. Uau até que me lembro dela, me sinto orgulhosa por isso. Agora o nome, como era mesmo? Katie? Ou talvez Amanda? Não, era... Tracie! Isso mesmo. Ela estava aqui, bem quieta.

Tudo isso em pelo menos uma meia hora, foi o tempo que levei para lembrar de tudo que minha mente permitiu, não movi um músculo sequer desde que acordei, continuo deitada em meio à relva úmida, uma coisa que sempre gostei de fazer.

Tento me levantar, mas não consigo, minhas pernas não me obedecem. Durante minha tentativa de sair daquele lugar começo a ouvir alguma coisa, parecem passos, mas são tão leves que quase não posso ouvi-los. Tento me levantar novamente, mas minha cabeça dói muito, quando consigo finalmente ficar em pé minhas pernas amolecem e quase caio de novo, mas alguém evita que isso aconteça. É aquela garota, a do meu sonho, Tracie, eu tinha razão ela era mesmo real! Ela me diz algo, mas não consigo ouvir direito, parece que meus sentidos ainda não voltaram ao normal.

— Hey, Bailey, vá devagar você não se alimentou, deve estar fraca, e pode se machucar!

Quando ela disse isso, apesar de parecer estranho uma garota que mal conheço saber o que passa pela minha cabeça, era verdade, eu sentia uma fome, mas era diferente; eu não queria comida, eu queria algo que ainda não sabia o que era, mas a necessidade era quase atordoante.

Ela me coloca sentada novamente, para que eu me recupere, se senta ao meu lado e me equilibra colocando a mão em minhas costas, evitando que eu caia. Em suas mãos ela trouxe um daqueles copos de fast-food, do maior que tem... Horrores passam pela minha cabeça, será que ela me envenenou e vai querer fazer isso de novo? Não era possível, eu confiava nela mesmo sem conhecê-la, aquele sonho permitiu isso!

— Bailey, preste atenção! – Nesse ponto ela estava praticamente gritando já que notava que eu estava perdendo a consciência – Você está em fase de transição, não pode ficar muito tempo sem sangue!

A última palavra saiu como uma bala disparada na minha cabeça, ela me fez acordar, minha fome era de sangue! O que? Mas como? E que transição é essa?

Talvez eu esteja tão fraca que nem ligo para as suposições, simplesmente pego aquele copo, e sinto o cheiro de seu líquido, era sangue, eu o bebo desesperadamente. É nojento e maligno, mas revitalizante, aquele gosto não era agradável para um humano normal, mas pra mim, era perfeito, aconteceu alguma coisa comigo, agora mais do que nunca, isso é um fato. Sinto-me forte, mas cansada fazer todo aquele esforço mental para me lembrar.

A história da tal transição me mantém acordada, mas por pouco tempo.

Vou deitando lentamente na relva, a mão de Tracie me guia delicadamente ao chão, como eu estava antes, deixo o copo de sangue ao meu lado, simplesmente desabo, em talvez, o sono mais profundo que tive.

Notas finais
Ae gente espero que tenham gostado, se houver aprovações eu posto o próximo capítulo que já esta prontinho. Obrigado
Beijos
Gabi