Notas iniciais
E aí galera, beleza? Desculpa não ter postado esse capítulo a tempo! Acabei tendo de viajar mais cedo que o esperado :/ Mas tudo bem! Aí vai ele. Eu espero que vocês gostem dessa budega!

Cerca de dois meses se passaram desde o pior dia da minha vida. Eu havia voltado a ser o "velho Ace" (segundo Sabo e Luffy) desde então. E realmente, o meu modo desleixado de viver tinha voltado à tona: Ao invés de xingar o Luffy por bagunças, agora eu era o alvo da Koala. Ainda mais por estar morando lá até arrumar uma casa nova. Meu quarto era o mais anárquico possível.

Eu estava sentado na bancada da sala, desenhando quaisquer bobagens num caderno que eu havia comprado, enquanto Luffy e Sabo decidiam suas vidas num jogo de lutas. O dia era de calor infernal, e o ar condicionado chiava na temperatura mais baixa o possível:

[Koala]-Alguém pode me ajudar com a roupa no varal?

[Sabo]-Agora não dá, amor! Tô ensinando o Luffy a jogar como homem.

[Koala]-É sério que eu vou ter que catar esse tanto de coisa sozinha?

[Luffy]-É!

Ela não respondeu:

[Ace]-Cês vão rodar, seus otários.

[Sabo]-Que nada. É só depois limpar a cozinha ou o banheiro e a gente fica quite com a Koala. Já conheço minha moça tempo o suficiente pra fazer isso.

[Ace]-Sabo, é a Koala. Quer alguém mais imprevisível que ela?

[Luffy]-A Bo...

Sabo pausou a partida e tapou a boca do Luffy, sinalizando silêncio com a mão que segurava a manete. Respirei fundo:

[Ace]-Tsh. Eu vou pegar uma cerveja.

Desci as escadas e encontrei duas pernas atrás de uma montanha de roupas:

[Ace]-Pode soltar.

[Koala]-Ah, graças aos bons ventos! Obrigada, cunhado. Pode apanhar o resto?

[Ace]-Tá bem.

Ajudei-a a subir com a montanha, quando ela parou:

[Koala]-Ah, eu não acredito...

[Sabo]-Oi amorzão! Tá muito quente lá fora, por que não deixa isso pra depois?

[Koala]-O que é que os dois chimpanzés estão fazendo seminus na sala da minha casa? -ela estava furiosa, com a "face da Koala nº 14"

[Sabo]-É porque tá muito calor, né? -ele sorriu

[Koala]-Os dois, já pros quartos vestirem alguma coisa. Eu não mereço isso.

[Sabo]-Ah amor, qualé?! E o calor?

[Koala]-Sabo, bebê, você me vê andando pela casa desse jeito?

[Luffy]-De cueca? Eeeeeeergh, que medo.

Sabo encarou Luffy desesperado, clamando para que ele ficasse calado. A mão esquerda dela estalou e fechou-se num punho vermelho de tanta força:

[Sabo]-O-olha amor, eu não veria problemas em você andar assim... -ele sorriu maliciosamente

[Ace]-Atenção para a batida....

O pé esquerdo da garota afundou a cabeça do Sabo no sofá:

[Koala]-Eu. Disse. AGORA. -ela estava ainda mais irada

[Ace]-Goooooooooooooool.... -debochei baixinho

Os dois se levantaram e foram para os quartos cumprir as ordens. Assim que seu bom humor voltou, ela pediu para que eu deixasse a montanha no quarto de despejo. Feito isso, desci para finalmente beber minha cerveja. Nisso, meu celular tocou:

[Ace]-Emergência.

[Marco]-Yo, Ace!

[Ace]-Daê.

[Marco]-Você tem planos para hoje à noite?

[Ace]-Não.

[Marco]-Ótimo! Lembra-se do amigo do Oyaji, o tal Neptune?

[Ace]-É o cara do cassino?

[Marco]-Isso. Ele vai organizar um evento hoje, no cassino. Vamos?

[Ace]-Ah, tranquilo. E qual o traje?

[Marco]-Ha, eu sabia que você ia querer saber! Esportivo.

[Ace]-Temos que ser ingleses?

[Marco]-Sobre isso, o Oyaji não se manifestou. Então acho que não... Começa às 20h.

[Ace]-Tá certo. Até, irmão.

[Koala]-Você vai sair? -ela brotou assim que eu desliguei

[Ace]-Eeeeergh, vou. Por que quer saber?

[Koala]-Nada. -ela sorriu- Só curiosidade mesmo.

Bebi minha cerveja e voltei para a mesinha onde estava desenhando. O tempo passou rápido e já era hora de me arrumar. Tomei banho e me vesti: Calça e sapatos pretos, camisa vermelha e relógio prata. Peguei todo o necessário, desde minha carteira às chaves do carro. Assim que desci as escadas, fui abordado:

[Sabo]-Ih alá, é o garanhão da meia-noite!

[Luffy]-Chavoso, Ace. Chavosão!

[Koala]-Uau, que produção! Rei delas, hein?

[Ace]-Tsh. Tô de saída.

[Sabo]-Não dá pra levar o Luffy contigo?

Parei para entender a pergunta: Koala estava debruçada sobre a bancada da cozinha. Os dois estavam bebendo vinho e me olhando fixamente. Entendi o recado:

[Ace]-Não. Não dá não. -sorri, sacana

[Koala]-Não dá mesmo?

[Ace]-Eu vou ao cassino. Ele não tem idade pra estar lá. E não, não cola olhar pra cara dele e dizer que ele é maior de idade. Lamento.

[Sabo e Koala]- Ah...

[Ace]-Até...uma hora aí.

Abri o portão, tirei o carro e saí. Já na estrada, recebi uma ligação:

[Ace]-Portgas D. Ace, quem gostaria?

[Garp]-Ha, você me deve 500 berries! Ele me atendeu de primeira.

[Sengoku]-Droga...

[Ace]-Ah, oi velhote. Diga.

[Garp]-Oi Ace! Como você está?

[Ace]-Bem, eu acho. Por que a pergunta?

[Garp]-Só por saber mesmo. E ela também está bem.

[Ace]-Não me importo.

[Garp]-Que não se importa o quê! Eu conheço você há 20 anos e sei bem quando você está mentindo.

[Ace]-Você falhou então, porque eu estou sendo sincero.

[Garp]-Pff... De qualquer forma, continue bem assim. Agora, se me der licença, preciso cobrar minha grana e ganhar do Sengoku no truco de novo e...

[Ace]-Obrigado.... por se importar, velhote.

[Garp]-Não há de quê. Câmbio e desligo!

Desliguei e continuei a dedilhar o volante no ritmo da música que estava tocando na rádio. Tentei ao máximo me distrair com a música, mas minha mente era fraca demais para isso. Comecei a lembrar da voz dela me chamando:

[Bonney]-Ace!

Comecei a lembrar dos sorrisos sinceros dela, do calor, do carinho, do jeito dela... E sorri. Internamente, eu sabia que não deveria fazer aquilo. "Por que estou fazendo isso? Já aconteceu tudo..."-pensei, tentando focar na música e me distrair. Então, me lembrei das palavras dos meus pais:

[Ace]-É... Vocês dois são pirados. Já sei de onde foi que eu tirei meu jeito de ser.

Faltando poucos metros para chegar ao cassino, liguei para o Marco:

[Marco]-Primeira Divisão na linha.

[Ace]-Tá bem cheio, hein?

[Marco]-Ah, você chegou! Vai pro estacionamento dos fundos. Eu vou te encontrar lá.

O fiz. Lá estava ele, bancando o cara que auxilia aviões a taxiarem:

[Ace]-Isso aqui não é um avião.

[Marco]-Tenta parar sozinho nessa vaga microscópica, besta.

[Ace]-Tsh.

Parei o carro e o travei:

[Marco]-Veio pra arrasar as garotinhas?

[Ace]-Claro... Minha cara de metralhadora. -o encarei

[Marco]-Vamos logo. O Oyaji deve estar impaciente.

Entramos e fomos guiados ao camarote superior:

[Barba Branca]-Gurarararararara! Meus filhos!

[Marco]-Ué, que privilégio todo é esse?

[Barba Branca]-O Neptune quis esse tipo de coisa. Eu disse a ele que isso não era preciso...

[Neptune]-Velhos amigos, meu caro Newgate! Você merecia um pouco de destaque no meu show. Então esses aí são os tão bem falados Ace e Marco?

[Marco]-Yo!

[Ace]-Daê.

[Neptune]-Vocês querem um drink, rapazes?

[Marco]-Nah... Seeeeeem problemas. Podemos pegar depois.

[Neptune]-Bom, vocês que sabem. Ah, que grosseria a minha! Esqueci de apresentar-nos devidamente.

[Ace]-Apresentar-nos?

Ele arredou para a direita e, de trás dele, apareceu uma garota quase da nossa altura, com cabelos cor de salmão, olhos azuis e um caldeirão de vergonha:

[Neptune]-Eu sou Neptune, o Rei do Cassino Ryuugujou. Essa é a minha filhota e auxiliar, Shirahoshi. Tenho mais três filhos, mas eles estão por aí garantindo que tudo ocorra bem.

[Shirahoshi]-O-olá.

Nos sentamos e ela sentou conosco:

[Neptune]-Posso deixá-la aqui, Newgate?

[Barba Branca]-Mas é claro!

[Neptune]-Você se importa, filha?

Ela balançou a cabeça de forma negativa, ainda envergonhada. O redondo homem saiu rindo e cumprimentando todas as outras mesas com pessoas importantes:

[Barba Branca]-Fico feliz por ter saído de casa, Ace.

[Ace]-Não recusaria um convite seu, Oyaji.

[Barba Branca]-Se importaria de pegar mais um desses batidos com sak pra mim?

[Ace]-Nah, eu já volto.

[Marco]-Eu também quero!

[Ace]-Não fode, Marco. Vá buscar você.

Levantei e fui até a bancada do bar:

[Hachi]-O que vai querer, amigão?

[Ace]-Um batido desses de sakê para o meu pai.

Rapidamente, ele o fez e serviu:

[Hachi]-E você?

[Ace]- Vodka Martini. Batido, não mexido.

Ele me serviu. Voltei para a mesa e vi apenas a garota sentada lá. Deixei o batido do Oyaji em seu lugar e sentei para tomar meu Martini. Depois de um silêncio brutal:

[Shirahoshi]-V-você gostaria de conversar?

[Ace]-Hmm?

[Shirahoshi]-Comigo?

[Ace]-Claro, sem problemas. Do que quer falar?

[Shirahoshi]-Aqui n-não. Vamos para a varanda?

[Ace]-Sem problemas.

Segui a jovem de vestido vermelho até uma ampla varanda na frente do cassino. Sentei-me num banco no canto e continuei a beber:

[Shirahoshi]-Me desculpe, eu estou bastante envergonhada. O senhor Newgate falou muito sobre você, e eu fiquei curiosa.

[Ace]-Sobre mim? Sheesh... Tá perdendo tempo com isso.

[Shirahoshi]-N-não estou.

[Ace]-Sobre o que quer conversar?

[Shirahoshi]-V-você não tem vontade de conhecer o mundo?

Entendi o ponto da jovem. Decidi prolongar meu papo favorito: Viagens. Rendemos um bom tempo conversando, e pouco a pouco ela ia perdendo a vermelhidão do rosto, trocando-a por um sorriso fofo:

[Shirahoshi]-Não sabia que você gostava tanto assim de viajar.

[Ace]-Se eu pudesse, me perderia pelo mundo. -dei a última golada no Martini- Mas sozinho é sem graça demais.

[Shirahoshi]-Você gostaria de companhia?

[Ace]-Companhia é o ponto chave de uma boa viagem. Dividir experiências, passar aperto com alguém, divertir com essa mesma pessoa...

[Shirahoshi]-Entendo... -ela sorriu- Sabe, senhor...

[Ace]-Não é "senhor". É "Ace.".

[Shirahoshi]-Você está muito bonito, Ace. -ela virou o rosto

[Ace]-Obrigado. -eu sorri, me levantando para ir buscar outro drink

[Shirahoshi]-Aonde vai?

[Ace]-Buscar outro desses. Se quiser, pode vir.

Ela me acompanhou até lá e eu pedi outro Martini. Perguntei se ela gostaria de alguma coisa e ela negou. Voltamos para o mesmo lugar e continuamos a conversar. Com o passar das horas e das várias doses de Martini, eu já estava meio felizinho. E, ao que parece, ela também:

[Shirahoshi]-Você é o primeiro garoto que conversa tanto tempo comigo.

[Ace]-Hein?

[Shirahoshi]-É que eu morro de vergonha... Aí acabo estragando tudo.

[Ace]-Tsh. Você está bem soltinha pra quem é envergonhada tanto quanto você diz.

[Shirahoshi]-Eu gostei de você.

[Ace]-Já disse que você perde seu tempo dizendo essas coi...

Ela me puxou pela gola da camisa e me beijou. Beijou como se fosse a primeira vez fazendo isso. Eu fiquei inerte por um tempo, até poder afastá-la:

[Ace]-Oe, o que diabos você pensa que está fazendo?!

[Shirahoshi]-E-eu quis fazer isso... -ela sorriu

[Ace]-Tsh. Garota maluca.

Me levantei do banco e saí, ainda consciente dos meus passos. Voltei para a mesa:

[Barba Branca]-Gurarararararararara! Ace, você está usando batom vermelho?

[Ace]-A filha do cara tentou me beijar.

[Marco]-Eu diria que ela conseguiu, hein. Até sua camisa está aberta...

[Ace]-Hã?! -nisso eu não tinha reparado

[Barba Branca]-Garoto, os irmãos dela são ciumentos até dizer chega. Se eu fosse você, sumiria.

Distante dali:

[Fukaboshi]-Procurem o garoto de camisa vermelha que é da mesa do senhor Newgate. Quero a cabeça dele numa bandeja por ter feito minha irmãzinha chorar. Não acredito que ele fez isso com uma criança!

[Ace]-Cri-criança?

[Marco]-Ah é... Ela tem 16.

[Ace]-E só agora que vocês me falam, desgraçados? -comecei a ficar desesperado

[Barba Branca]-Ace...

[Ace]-Hora de vazar?

[Marco]-Seria ideal. Vai nessa, a gente cobre seu rastro.

Desci as escadas desgovernado, mas fui notado por um beiçudo alto:

[Ryuboshi]-Achei ele! Está nas escadas!

[Ace]-Merda.

Retrocedi e desci pelo outro lado, conseguindo evadir do sujeito. Procurei a saída, mas ela estava fechada por um baixinho cabeçudo. Entrei nos corredores adjacentes e procurei a cozinha. Assim que a encontrei, invadi de qualquer jeito e saí pela entrada dos funcionários:

[Ace]- Arf... Entrada dos... funcionários... arf... nunca falha.

Puxei as chaves do carro do bolso e o destravei. Arranquei rápido e saí do estacionamento, ganhando a marginal logo em seguida. Tentei ligar para o Luffy:

[Luffy]-Oi, aqui é o Monkey D. Luffy! No momento, eu devo estar dormindo ou comendo carne. Até!

[Ace]-Merda, Luffy! Quem sabe o Sabo...

[Sabo]-Esta linha é para assuntos sérios. Se você tem algo a dizer, prometo ouvir e ligar logo em seguida.

[Ace]-Será que é feriado do "não atenda o irmão mais velho no celular"?

Acelerei o carro e tentei chegar no condomínio o mais rápido possível. O dia já amanhecia e eu estava mergulhado no desespero. Assim que vi a entrada do condomínio, metralhei a buzina para que o porteiro puxasse a cancela. De alguma forma, ele entendeu e o fez. Passei como um raio pela portaria, já virando as ruas até a casa do Sabo. Deixei o carro na rua e entrei pelo portão menor. Me joguei na grama para acalmar um pouco o coração velocista. Assim que consegui me acalmar, tirei a camisa e comecei a limpar o suor do corpo. Quando cheguei na porta da sala, vi uma trilha de roupas pelo chão. Uma calça legging preta... Uma bermuda azul... A blusa branca de urso da Koala... A samba-canção verde lima do Sabo... "É... Eles despacharam o Luffy, de algum jeito.". Pude ouvir a risada histérica da Koala vinda da sala ministrada entre arfadas pesadas. Fui para a cozinha e namorei o painel do mal:

[Ace]-Eu amo a minha vida!

Pressionei o botão que dizia: "Água-Sala superior". A risada foi substituída por um grito estridente duplo:

[Sabo]-Aaaaaaaaaaaaaaah! Quem tá aí?

[Ace]-Bom dia, meus amores! Cês conhecem uma coisa chamada quarto?

[Koala]-Eu falei pra recolher, mas você não me ouviu...

[Sabo]-E eu ia perder tempo catando roupa com uma mulher dessas na minha frente? É ruim, hein.

Subi as escadas e passei direto:

[Sabo]-Vai ter volta, seu miserável.

Parei no corredor que levava aos quartos e me virei:

[Ace]-Volta? Heh... VOCÊ CAIU NA PEGADINHA! G!!!!!!!! -imitei um velho praticante de kung fu

Corri para o quarto antes que a Koala tivesse qualquer reação e tranquei a porta. Joguei minhas roupas num canto e fui tomar um banho gelado para esquecer o que tinha acontecido. Eu me sentia, de certa forma, incomodado e culpado pelo episódio...

Notas finais
Eu disse que colocaria uma coisinha mais espoleta :v Tá aí. Peço desculpas à garota em quem a Koala é inspirada.