The only treasure
10 Casar e.... Casar?!
Notas iniciais
Alguns dias mais tarde, resolvi ir deitar na grama da parte de trás da casa. Era um belo dia, o sol brilhava forte e o ventava bastante. Debaixo da mesma laranjeira, eu comecei a talhar um galho caído para passar o tédio. Não tinha nada na mente para ser talhado, apenas ia fazendo aleatoriamente rabiscos com a lâmina do canivete. Senti que alguém me chamasse, mas não dei muita ideia. A voz foi ficando mais próxima e próxima:
[Bonney]-Ace... Eu sei que pode me ouvir. Será que pelo menos poderia se virar pra eu ver você?
Tirei o chapéu da cara e a fitei por um pouco: Ela não parecia tão radiante. Parecia mais descuidada que o normal, como um jovem que fazia greve geral de birra dos pais:
[Ace]-O que é?
[Bonney]-Eu... Eu nem sei o que te dizer. Acho que eu sou um azar na vida de qualquer um. Por minha causa, meu pai quase te matou.... Me sinto mal por isso desde então.
[Ace]-É isso? -tentei soar indiferente
[Bonney]-Eu posso entrar?
[Ace]-Não.
[Bonney]-Você não vai agir normalmente comigo, não é?
[Ace]-Não pretendo.
Ela tentou um sorriso fraco. Mas nem forças para sorrir ela tinha:
[Bonney]-Se interessa a você, o Law nem sequer chega perto de mim...
[Ace]-Bom pra ele.
[Bonney]-Aqui. -ela me estendeu um envelope branco- Eu espero que você possa ir.
Peguei o envelope sem fazer muito caso do mesmo:
[Ace]-Já acabou?
[Bonney]-Já. Me desculpe por tomar seu tempo.
[Ace]-Tsh.
Ela se virou e foi embora. Tentei contar até 100 mentalmente, mas parei por volta dos 78 e me senti o ser humano mais odioso do planeta. Dobrei os joelhos e apoiei a testa neles, deixando as lágrimas caírem sobre as barras da minha bermuda. Ela não estava nada bem e eu não podia fazer absolutamente nada quanto a isso:
[Ace]-Meu tesouro... perdeu o brilho. Como eu pude deixar isso acontecer?
Eu queria poder gritar toda a minha raiva e tristeza pra fora, mas não conseguia por mera desolação:
[Koala]-Você não é discreto nem pra chorar, garoto? O que foi?
Sem dizer uma palavra, estendi o envelope branco a ela. O silêncio fora a melhor resposta de compreensão:
[Koala]-Ah... Ah. Ela esteve aqui. Quer que...
[Sabo]-O que houve?
[Koala]-Seu irmão. E esse envelope aqui.
O silêncio do meu irmão também valia mais que qualquer discurso que eu poderia receber:
[Sabo]-Eu cuido disso. Você pode fazer o que tem pra fazer.
[Koala]-Desde quando você é o psicólogo da casa, Sabo?
[Sabo]-Não é questão de ser psicólogo ou não. -ele sentou-se e cruzou as pernas- É conhecer esse idiota a tempo o suficiente pra saber como lidar com isso.
[Koala]-Ui, desculpa não ser graduada em "Fraternopsicologia" -ela sinalizou as aspas imaginárias- Tudo bem então, eu vou lá pra dentro. Mas não diga que não avisei se a situação fugir do controle
Assim que ela saiu, o único som audível era o dos meus soluços:
[Sabo]-Ace... Por que você vai ficar assim?
[Ace]-E eu preciso responder? Você sabe de tudo o que aconteceu. Eu sou o pior homem do planeta.
[Sabo]-Que convicto. Por que diz isso?
[Ace]-Nem mesmo quando eu tenho a mulher mais perfeita do mundo nos braços sou capaz de mantê-la ao meu lado. Eu não presto...
[Sabo]-Eu não diria isso. Lembra-se quando você ficou assim pela garota da vila?
[Ace]-Mas foi a Dadan quem me animou, não você ou o pateta do Luffy.
[Sabo]-E você acha que a Dadan lá saberia sozinha como resolver isso? Aquela bruxa nunca se casou. Eu só disse a ela o que te faria responder qualquer coisa que ela perguntasse... O que ela falou já não é mérito ou culpa minha.
[Ace]-Sabo...
[Sabo]-Eu acredito saber o que você quer. Mas antes, eu quero que você me ouça. Eu preciso de uma última operação ASL.
[Ace]-Operação? -limpei a cara na blusa jogada ao meu lado
[Sabo]-Eu cansei de enrolar a Koala. Quero fazer a surpresa hoje a noite.
[Ace]-Pera, você vai pedir ela em casamento? Hoje? Assim?
[Sabo]-Sim. Sim e sim. E eu vou precisar de vocês dois pra isso.
Com os olhos convictos e focados, Sabo detalhou seu plano parte a parte:
[Ace]-Nós vamos ser mortos.
[Sabo]-E daí? Vai funcionar!
[Ace]-E daí nada, eu tenho o que fazer.
[Sabo]-Espera, você não...
[Ace]-Aham.
[Sabo]-Você ficou louco? Você já levou um tiro na perna. Fazer isso pode custar um tiro um pouquinho mais pra cima.
[Ace]-E é por isso que eu preciso de você, meu irmão querido, e do bocó do Luffy também.
Incrédulo, Sabo me encarou por um tempo:
[Sabo]-Então... São duas operações?
[Ace]-Sim. Mas eu também vou precisar de mais gente.
[Sabo]-E como vai chamar?
[Ace]-Eu ainda não pensei num nome, mas isso está em progresso. Diga, quando vamos executar seu plano?
[Sabo]-Eu vou acordar vocês dois.
[Ace]-E como vai fazer a srta. Sono Leve não ser acordada?
[Sabo]-Um mago não revela seus truques.
Do alto da árvore, caiu um chapéu de palha:
[Luffy]-Ah! Meu chapéu! Ué, o que vocês dois estão fazendo aí?
[Ace]-Tricotando. O que parece?
[Luffy]-Eu tô com fome. Ei, o que é aquilo ali? -ele apontou para o envelope
[Sabo]-Você vai saber. Mas antes, desça aqui e fique calado.
Sabo repetiu parte a parte, dando ênfase ao que o Luffy faria e nos entregou um fone cada:
[Sabo]-Deixem conectados ao Bluetooth. Vamos precisar mais tarde.
Levantamos e, inocentemente, entramos em casa. A garota estranhou o silêncio por mais de quatro segundos e, da sala, bradou:
[Koala]-Que que cês fizeram de errado?
Encaramos fixamente o Luffy:
[Luffy]-Eu tava dormindo, e agora tô com fome.
[Koala]-E vocês dois?
[Sabo]- Dr. Sabo atendeu mais um paciente necessitado.
[Koala]-Ace?
[Ace]-Não foi grandes coisas. Você devia ter ficado lá.
Ganhei um tapa na nuca:
[Sabo]-Miserável.
O almoço estava pronto. Fui comer na varanda, perto da piscina. Minutos mais tarde:
[Koala]-Pronto, já despachei os dois. E eu tô curiosa.
Repeti o mesmo plano que contei ao Sabo, com um pouco mais de detalhes:
[Koala]-Você devia se tratar. Sério, olha o que você está propondo!
Eu apenas sorri. E foi o bastante para ela entender que eu estava falando sério.
Naquela noite, ficamos quietos. Fizemos uma rodinha de futebol no videogame e retomamos mais uma luta. Sabo, por sorte, venceu essa. Entramos, jantamos e fomos para a sala matar o tédio vendo um filme na TV. Por volta de 23h, todos já estávamos nos quartos. Dormi relativamente rápido.
Por volta de umas 3h, senti um incômodo que me fez atirar os cobertores no chão e rolar na cama. O incômodo não parava e acabou me fazendo abrir o olho esquerdo para ver um Sabo eletrizado e sorridente ao lado da cama:
[Sabo]-Booooooooooooom dia, irmãozão!
[Ace]-O que tem de bom? São 3h30, Sabo!
[Sabo]-É pra dar tempo de comermos alguma coisa pro Luffy não reclamar e avacalhar tudo.
[Ace]-Precisa de roupa especial?
[Sabo]-Hmmm... Deve estar uns 19ºC lá fora.
[Ace]-Ah glória, vou assim mesmo. Cadê o Luffy?
[Sabo]-Tá na sala. Eu tive o cuidado de acordá-lo primeiro. Vamos descer, porque quero fazer a revisão final. Cadê seu fone?
Apontei para o celular e o fone sobre a bancada amontoada de roupas:
[Sabo]-Perfeito! Pega e desce, eu tenho que mijar.
Desci e encontrei meu irmão mais novo dormindo em pé. Joguei uma almofada nas costas dele:
[Ace]-Guarda baixa.
[Luffy]-Uaaaaaah! Que sono... Eu quero carne. Carne e suco de uva. Mas mais carne. Sabo, tem carne?
[Ace]-Ele tá na casinha.
[Luffy]-Eu vou acordar a Ko... Ah é, não pode. Aaaaaaah....
Sabo apareceu com uma caixa de papelão nas mãos:
[Sabo]-Muito bem, senhores. Eu vou repetir mais uma vez tudo, pra ficar bem claro sobre o que vamos fazer. Aqui está o alvo para "proteção". -ele abriu a caixinha de veludo vermelha com duas alianças de ouro reluzentes- Isso vai ficar sobre as pranchas na piscina, assim como eu tinha falado. Luffy, você vai pegar e encher os balões no quartinho e colocar na piscina com os saquinhos de areia que estão lá. Depois disso, você vai voltar pra cá e esperar no sótão.
[Luffy]-Tá.
[Sabo]-Ace, é a sua vez. Eu preciso de você pra um trabalho mais sorrateiro: Você vai cortar a energia da casa na hora certa, mas antes vai acordar a Koala com isso. Tome aqui. -ele me deu uma vela de citronela- Ela odeia essa vela verde. A janela do seu quarto dá para o telhado. Desligue o painel, acenda a vela e fique no telhado. Você vai descer pela escada perto do meu banheiro. Eu vou estar lá. Vamos usar aquelas lanternas de pesca do Dragon. Assim que eu apontá-la para o céu, ligue a energia da casa.
[Ace]-Certo.
[Sabo]-Luffy, deixe o interruptor da piscina virado para cima quando terminar de mexer com os balões.
[Luffy]-Ela vai acordar com o barulho de água, não vai?
[Sabo]-Não se acorda a fera só assim. Ela está levemente impossibilitada de nos ouvir. Tem uma calça seca e uma toalha na pontinha da varanda. Troque antes de subir. Você vai monitorar a Koala pra gente, assim que o Ace acender a vela.
[Luffy]-Tá. Cara, isso vai ser foda!
[Sabo]-Muito bem, estamos preparados?
[Ace e Luffy]-Vamo nessa!
E assim teve início a operação. Ligamos os fones e nos mantivemos conectados por eles. Fui para o painel de força, enquanto o Luffy desceu para o quartinho e o Sabo desapareceu na névoa:
[Sabo]-Chama, aqui é Dragão. Responda!
[Ace]-Que diabo de codinome é esse?
[Sabo]-Eu inventei. Borracha, tá na linha?
[Luffy]-Sou eu, né?
[Sabo]-Ótimo. Relatório.
[Luffy]-Falta mais um só e já coloco tudo na piscina.
[Ace]-Tô esperando o Luffy entrar na água e sair pra apagar a energia.
[Sabo]-Perfeito. Ace, eu já adiantei sua vida. Já estou posicionado para colocar a vela pra funcionar. No meu sinal, assim que o Luffy subir, você apaga e fica de prontidão na lanterna direita, ok?
[Ace]-Positivo.
Ouvi barulho de água, movimentos e outro barulho de água. Esperei uns três minutos para falar:
[Ace]-Oe, borracha.
[Luffy]-Já está em posição. Estou no sótão. Dragão, sua vez!
[Sabo]-Perfeita sincronia.
Puxei a alavanca e a energia se foi:
[Ace]-Dragão.
[Sabo]-Excelente trabalho, Chama! A vela já foi acesa. Borracha, volta pra você.
[Luffy]-Eu vou ser ouvido se falar?
[Sabo]-Só fala se ela fizer algo muito incomum. E recolha a escada do sótão.
[Luffy]-Já fiz.
[Sabo]-Eu deixei uma "trilha" pra ela. Chama, lanterna esquerda preparada!
[Ace]-A direita está funcional.
Lá dentro, no quarto dos dois:
[Koala]-Hmmm... Hmmmm.... Amor. Sabo. Sabinho. Fofucho.... Eu tô falando com você, seu puto! -ela bateu num travesseiro vago- Ué? Cadê meu marido?
Ela levantou e tentou acender as luzes:
[Koala]-Ai meu Deus, é sério que eles saíram sorrateiramente pra beber? Quando os três voltarem, vão dormir lá fora.
Ela pegou seu lampião e saiu, com calma:
[Koala]-Ace! Ace, eu sei que você está... Hã, batatinhas? Ah, eu não acredito que eles deixaram cair comida no carpete...
[Ace]-Você é muito original...
[Luffy]-Até eu reconheço.
[Sabo]-Obrigado, obrigado. É um prazer atender às suas expectativas!
[Koala]-Eles saíram e largaram a porta aberta...
[Luffy]-Ela está na escada. Vocês dois, preparem-se as luzes. Agora!
Acendemos os canhões de luz carinhosamente chamados de "lanternas de pescaria" pelo Sabo e os apontamos para o portão:
[Sabo]-Borracha, vai pro painel agora!
[Luffy]-Já estou a caminho.
Fizemos graça com os canhões para chamar a atenção:
[Koala]-Que diabos...? O que tá acontecendo?
Apontamos os canhões para o céu:
[Sabo]-Agora!
A luz voltou rapidamente e a parte da piscina tinha sido um sucesso:
[Koala]-Eu não acredito... -ela caiu de joelhos na varanda
[Sabo]-O que mais eu preciso falar, se já deixo bem claro todo dia o quanto eu a amo, o quanto sou grato por ter uma fofurinha como você só pra mim, o quão louca você é por aguentar nós três e principalmente eu... Sério, eu não tenho ideia de discurso, amor. Então, vou partir pro final de uma vez: Você quer casar comigo?
[Koala]-Tudo isso...
[Luffy]-Foi ideia do Sabo. -o garoto veio da porta dos fundos
[Ace]-É, ele arquitetou tudo. -sentei na grade da varanda
Sabo foi até a piscina para pegar a caixinha, quando foi surpreendido por algo que o empurrou até o fundo. Era a Koala, chorosa e sorridente:
[Koala]-E tem como eu não querer você, Sabo? Eu não merecia todo esse trabalho pra pedir uma coisa óbvia dessas.
[Sabo]-Merece sim. Eu dou trabalho todo dia... Você merece uma recompensa de vez em quando. E por que diabos você pulou na piscina?
[Koala]-Ah... Ah é, eu tô de pijama! -ela sorriu, sem graça
[Ace]-Luffy, eu tô com fome. Vamos comer alguma coisa?
[Luffy]-Uhuuuuu!!!! Dá tempo de fazer bolinho de chuva, Ace?
[Ace]-Eu vou tentar.
Nos afastamos para dar espaço aos dois:
[Koala]-Ainda tem problema?
[Sabo]-Não tinha desde o início. Eu só queria que eles saíssem mesmo.
[Koala]-Seu tarado. Me dá logo a aliança, tô doida pra ver isso na minhã mão!
Eles trocaram as alianças e fizeram seus votos, fechando-os com um beijo. Da cozinha, assistíamos à cena felizes:
[Ace]-É... Um já foi. Faltam dois.
[Luffy]-Eu não vou me casar com a Hancock.
[Ace]-Pensa bem Luffy... Carne grátis diariamente, na hora que você bem entender.
[Luffy]-Mas isso eu tenho. É só pular o muro.
[Ace]-... sem precisar pular o muro. Em qualquer lugar.
[Luffy]-Hmmm... -ele cruzou os braços e entortou a cabeça- Tentador.
[Ace]-Então...
[Luffy]-Eu vou pensar. Você jogou sujo agora, Ace. Carne não é um preço!
[Ace]-Heh, eu sei. Mas você sempre cai nas graças quando o preço é esse. E por último... Eu vou invadir aquele casamento e roubar ela de lá.
Os olhos do meu irmão quase saltaram das órbitas:
[Luffy]-Cê vai fazer isso mesmo?!
[Ace]-Eu tenho que fazer. O estado dela está fazendo meu coração definhar aos poucos como sacrifício indígena... Meu tesouro não brilha tanto quanto brilhava.
[Sabo]-Eu apoio essa ideia. Ela mudou você radicalmente... Acho que ela merece um salvamento das garras dos malvados bocós. -surgiu ele, de repente
[Koala]-Dá pra escrever um livro desses dois. Eu assino embaixo do que ele disse!
Encarei os três e sorri:
[Ace]-A esperança, de fato, deve ser a última a morrer. Aquela garota reacendeu a chama da vida dentro de mim. Ela... Ela não é qualquer pessoa. Algo nela chama a minha atenção desde aquele dia na pizzaria... Estamos ligados de alguma forma, como polos magnéticos. Se é pra ela casar com alguém, que esse alguém seja eu. Não aquele enfermeiro de casinha de bonecas...
[Sabo]-O que quer fazer, então?
[Ace]-Heh... Amanhã, vou chamar o Oyaji e o Marco aqui. Vamos discutir tudo e eu vou falar o que quero fazer. Temos dois meses pra fazer tudo.
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