The only treasure
6 Eu te avisei!
Notas iniciais
Em outra casa daquele condomínio, um telefone tocava incessantemente. O homem estendeu sua mão e tirou-o do gancho:
[?]-Estou no meio de um jogo. O que é tão importante assim, droga?
[Law]-Eu esperava mais carinho vindo do sogrão, sabe?
[?]-Eu já disse: Você precisa trazê-la até mim para dizer essa besteira. Ou prefere ter a língua queimada pelo meu charuto?
[Law]-Eu tenho boas notícias, senhor! Ao que tudo indica, eu mesmo já estive com ela. E devo dizer: Está tão linda quanto arte renascentista. Fico feliz em ter essa mulher como minha esposa. E quanto ao casamento?
[?]-Você parece querer me tirar do sério. Já lhe avisei que não dou crédito às suas palavras, enfermeiro. Quero provas, entendeu?
[Law]-Oe, não precisa falar assim comigo! Eu sou médico! O seu médico, Almirante.
Outro homem que estava à mesa de jogos ergueu o braço:
[?]-Uuuuuh, você vai correr do jogo assim?
[?]-Estou no telefone, não vê?
[Garp]-Bwahahahahahaha! Meninos, meninos, meninos... Vocês estão apanhando de uma dupla de velhos. Vão mesmo prolongar a derrota.
[Sengoku]-Cale a boca, Garp maldito! Toda vez que você vangloria o jogo nós começamos a perder.
[Garp]-Ah, e que diferença faz? Nós já vencemos as 4 anteriores! Vamos, largue esse telefone.
[Law]-Como é, vai querer me ouvir?
[Sakazuki]-Aaaah, inferno! Tá certo, venha pra cá. Qualquer coisa, avise que o próprio Sakazuki autorizou sua entrada. A segurança daqui gosta de perguntar.
[Law]-Eu já estou indo!
O homem desligou o telefone quase esmagando-o contra o criado do canto da sala:
[Sakazuki]-Eu me arrependo de ter falado com esse moleque. Sinceramente. -ele acendeu outro charuto- Borsalino, o que diabos está esperando?
[Borsalino]-A vez é sua. Quer que eu jogue como?
[Sakazuki]-Oh... É mesmo. Eu acabo desconcentrando quando o assunto é a minha filha.
Alguns bons minutos mais tarde, a porta correu e o jovem médico apareceu:
[Law]-Boa noite, nobres superiores. Desculpem a demora, estava chovendo muito.
[Sakazuki]-Eu dou 10 minutos de discurso livre. Depois disso, você será considerado um incômodo e será removido.
[Law]-Você não devia falar assim comigo. Eu cumpri a minha promessa!
O homem virou o boné para trás e fez a vistoria do exterior da casa:
[Sakazuki]-Eu não vejo nenhuma garota. Está tentando me passar a perna pela recompensa?
[Law]-Sogrão, eu já disse que a minha recompensa é o casamento.
Uma mão agarrou o pescoço do jovem e o ergueu do chão:
[Sakazuki]-"Sogrão" é o caralho. Mais respeito com seu chefe. Não abuse da minha boa vontade.
[Law]-Ei ei ei, calma! Toma aqui. -ele estendeu um envelope pardo- Tudo o que o senhor precisa saber está nesse envelope!
O jovem foi solto e o envelope, surrupiado. Com ânsia de uma criança faminta por doces, o homem de cavanhaque dilacerou o envelope para ver o conteúdo. Sua expressão, dividida entre alívio extremo e ódio mortal:
[Sakazuki]-Esse é o tal sequestrador?
[Law]-É. E ele ainda avançou em mim. Sugiro contensão quando for buscá-la.
[Sakazuki]-Eu conheço essa jovem. Acho que encontrei os dois há poucos dias na rua. Mas isso é ótimo! Excelente trabalho, pivete. Até que a recomendação daquele tal de Doflamingo serviu pra alguma coisa. Venha, tome um pouco de whisky conosco!
[Borsalino]-Você vai oferecer do seu whisky a um mero soldado?
[Sengoku]-Filhos... Tsh.
[Sakazuki]-Mas é claro! -ele estendeu as fotos na mesa- Esses dois. Eu os conheci. E esse pivete aqui é a cabeça que eu quero pendurar na lareira!
Garp engoliu em seco após ver a imagem:
[Sengoku]-Qual o problema, Garp?
[Garp]-Hein? Ah, é que eu devo ter engasgado com uma azeitona. -ele fingiu tossir
[Sengoku]-Velho idiota. Já disse que essas não eram sem caroço.
[Garp]-Você também é velho!
[Sengoku]-Mas eu não engasguei com uma azeitona!
[Sakazuki]-Vocês dois, chega. Não tolero brigas! Ainda mais num momento exímio como esse! Vamos brindar!
O então sorridente homem de cavanhaque serviu 5 copos do whisky da garrafa e cristal e eles brindaram:
[Sakazuki]-Finalmente eu a terei de volta, filha! E prometo não puni-la pela insolência de fugir de casa há quase 10 anos.
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Por volta das 7h, meu celular começou a vibrar. Decidi ignorá-lo, achando ser o alarme apenas. De tanta insistência:
[Bonney]-Amor, atende. -ela tentava dizer algo em seu "estado de coma"
[Ace]-Alô. Alô.
[Garp]-Eu sabia que a insistência ia funcionar. Você deixa a chamada no silencioso, não é?
[Ace]-Será que existe um acordo pra todo mundo me ligar logo de manhã? Agora é você, velhote... Diz aí.
[Garp]-Você está em casa?
[Ace]-Não. Mas devo ir hoje.
[Garp]-Excelente! Me diga: Você sabe onde fica a praça do condomínio do seu irmão?
[Ace]-Não, mas eu posso perguntar e....
[Garp]-NÃO! Não envolva ninguém nisso. É um assunto em particular.
[Ace]-Vai me dizer que é sobre a minha namorada?
[Garp]-S-s-s-s-s-s-sua namorada? Ace, ficou maluco?! Você não pode fazer isso. Mal a conheceu e já está nisso?
[Ace]-Oh, parece que eu vou passar por um túnel... bi bi... Oh, é um grande caminhão! Vou demorar muito... -debochei, apesar de sonolento
[Garp]-Moleque, pare de zoar com a minha cara! Eu estou tentando ajudar você. Tenho certeza que isso é uma das coisas que o Roger mesmo faria.
[Ace]-Eu sei lá o que meu pai faria.
[Garp]-Certo, você quer dormir. Mas pelo menos vá na praça 12h. E vá sozinho.
[Ace]-Vou verificar a agenda. Bom dia, velhote.
Desliguei. Bonney, quase caindo da cama, virou a cabeça:
[Bonney]-Era sobre mim?
[Ace]-Nah. Só o velhote mesmo. Deve estar caducando, como sempre.
E voltamos a dormir.
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Algumas horas depois, na cozinha:
[Sabo]-Eu estive pensando em retomarmos a luta do outro dia, Luffy. O que acha?
[Luffy]-Você quer que eu bata em vocês dois? Ótimo!
[Sabo]-Bater? Ha... Você vai ser eliminado de novo. E dessa vez, prometo não acertar a sua cabeça.
[Koala]-Por falar em cabeça... Amor da minha vida! -ela se virou sorrindo
[Sabo]-S-sim?
[Koala]-Me veio na cabeça uma coisa agora... Como o Ace sabia que a Bonney tava sendo procurada pelo pai?
[Sabo]-Ela contou pra ele, eu acho. -ele tentava sorrir
[Koala]-Ah, é mesmo? Mas ela estava aqui comigo.... Que estranho.
[Sabo]-Po-pode ter sido antes, quem sabe.
[Koala]-Você não ter nada a ver com isso, meu benzinho?
[Sabo]-N-não senhora, senhora.
[Luffy]-A Koala é assustadora! Mas você disse que...
Uma caneca de metal acertou a testa do Luffy:
[Sabo]-Eu não disse nada.
[Koala]-Você sabe de alguma coisa então, Luffy querido? -ela se voltou para o jovem com as mãos na testa
O sorriso quase assassino da curiosa Koala não afetava muito Luffy:
[Luffy]-Saber?
[Koala]-É. Seu irmão disse ao seu outro irmão algo que não deveria?
[Luffy]-S-sei de nada não. -sua boca formara um bico torto para a esquerda, os olhos desviaram para algum ponto perdido na mata fora da casa e ele assobiava
[Sabo]-V-viu só, amor? Nós somos inocentes.
A garota agarrou Sabo pela orelha esquerda e o entortou até sua altura:
[Koala]-Vocês falharam miseravelmente em me enganar, se é o que quer saber. -sua expressão mudara para algo tão tenebroso quanto o sorriso- Eu disse pra não falar.
[Sabo]-D-desculpa, Me-mestra! Por favor, tenha piedade da minha orelha esquerda! E-eu prometo não cometer esse erro de novo.
Apareci tão morto quando alguém acordado por mais de 24h:
[Ace]-Arregando, Sabo? A Dadan ficaria decepcionada com sua atitude. O que tá acontecendo?
[Koala]-Ah, nada! Oi cunhado, bom dia! Que cara é essa?
[Ace]-Que mudança de humor. Ah... Me acordaram de novo.
[Sabo]-Dessa vez, a culpa não é do Sabo. O Sabo é inocente!
[Ace]-Foi o velhote.
[Luffy]-O vovô? Ele tá aqui?
[Ace]-Sei lá. Ligou pra caducar comigo.
[Luffy]-O que ele quer?
[Ace]-Nada demais. "Garpear", como de costume...
[Koala]-Cadê a Bonney?
[Bonney]-Presente! -ela apareceu, toda arrumadinha- Que tem eu aqui?
[Koala]-Oi amiga! Precisa se arrumar assim pra tomar café?
[Sabo]-Hipócrita... -ele murmurou
Sabo foi silenciado por um tapa na nuca:
[Koala]-Vamos comer?
[Luffy]-FINALMENTEEEEEEEE!!!!! -o garoto ergueu os braços- Eu quero carne no pão!
E comemos. Depois de um tempo, fomos para a varanda jogar baralho. Assim que fui eliminado, fui trocar de roupa e beber mais café. Estava próximo do horário denominado pelo velhote. Apontei para o portão:
[Sabo]-Onde você vai?
[Ace]-Caminhar. -ajeitei o chapéu na cabeça
[Bonney]-Tome cuidado, tá? -seu sorriso era suave
[Ace]-Sim senhora.
Saí e fui andando pela estrada principal. Segui por uma estradinha até achar uma praça arborizada. E nela, um velho comendo biscoitos:
[Garp]-Ah, Ace!
[Ace]-Agradeça à minha boa vontade de vir até aqui. É realmente importante?
[Garp]-Claro, claro. Sente-se aí!
Me joguei no banco ao lado:
[Ace]-E...?
[Garp]-E o quê?
[Ace]-Você não tinha algo pra me falar?
[Garp]-Ah.... Ah! Você precisa largar aquela garota. O pai dela quer sua cabeça empalhada sobre a lareira dele. Já está acusando você de sequestrador e tudo mais.
[Ace]-Desistir? Eu não. Ele que venha estufar o peito na minha frente. Ela vai ficar comigo.
[Garp]-Você não entende quem é o cara em questão.
[Ace]-Que se dane quem quer que seja! Eu não vou deixar aquela garota sair de perto de mim. Prometi isso.
[Garp]-Será que você pode ser menos cabeça dura, Roger jr.?
[Ace]-Eu já disse que não sei como meu pai agiria!
O velho bufou:
[Garp]-Olha Ace... Se fosse qualquer pessoa a estar com a filha dele, eu daria total apoio às suas palavras. Mas é a minha família.... E com família, é diferente.
[Ace]-Não precisa se preocupar, velhote. Eu não vou morrer.
[Garp]-Se depender dele, vai.
[Ace]-Você conhece tão bem o cara assim pra dizer essas coisas?
[Garp]-Ah, finalmente você quis me ouvir! O pai dela é meu chefe.
[Ace]-O pai dela é um aposentado? Ah, já sei! É o cara de óculos que gerlamente ia pro bingo com você!
O soco da pesada mão do velho quase me fez cair do banco:
[Garp]-Seu idiota. Já tem um tempo que o Sengoku tá aposentado, assim como eu. Só que eu ajudo a treinar recrutas, então meio que trabalho ainda. E não estamos falando do Sengoku.
[Ace]-Quem é, então?
[Garp]-É o Sakazuki.
[Ace]-Hã...
[Garp]-O cara de boné e cavanhaque que nunca foi com a sua cara. Você o conhece, só não lembra.
[Ace]-Ah! O babaca que queimou a própria perna com um charuto? Sei.
[Garp]-Eu, se fosse você e estando nas circunstâncias atuais, não diria algo assim.
[Ace]-É só isso, velhote? Eu preciso ir andando.
[Garp]-É... Era isso. Mas depois não diga que não te avisei.
[Ace]-Sheeeesh. Eu já disse pra não se preocupar com isso.
Saí andando cabisbaixo e chutando algumas pedrinhas pelo caminho:
[Ace]-Tsh. Eu não ligo se esse cara bota o charuto na boca ou em qualquer outro lugar.... Ela não vai e pronto. Duvido que ele passe por cima de mim com essa facilidade toda... O velhote é um exagerado. Esse cara lá é imune às leis? Me matar...
[Sakazuki]-Você não é esperto o bastante pra debochar das pessoas em alto e bom som.
Ergui a cabeça e uma figure de boné branco a cavanhaque apareceu:
[Ace]-Ah, você é o cara do charuto.
[Sakazuki]-Errado. Eu vim pra avisar que você será levado para uma cela por sequestro.
[Ace]-Sequestrei quem?
[Sakazuki]-A minha filha.
[Ace]-Você demorou 9 anos pra ir atrás dela e agora quer jogar a culpa em mim pela sua preguiça?
[Sakazuki]-Não erga sua voz contra um oficial da Marinha!
[Ace]-E você vai fazer o quê? Não sou seu subordinado. Mal mal sou seu genro.
[Sakazuki]-Não repita essa palavra. Um merdinha como você não seria capaz de ter alguém boa como a minha filha. Ela só é problemática, mas isso pode ser corrigido.
[Ace]-Você tem razão, ela é problemática...
[Sakazuki]-E apesar disso, você ainda não é digno dela.
[Ace]-Quem é você pra dizer uma coisa dessas?
[Sakazuki]-Sou o pai dela.
[Ace]-Um pai que abandona a filha por bastante tempo.
[Sakazuki]-Isso não te diz respeito. Certo, eu tenho uma proposta pra você.
[Ace]-Eu nego. Pelo visto, aquele enfermeiro é seu poodle particular.
[Sakazuki]-Ah, ele sempre gostou dela. Acabei deixando ele procurá-la por mim, porque eu tenho várias ocupações no QG. E ele disse que a encontrou com você. É um seguinte... Eu ofereço o dinheiro da recompensa dela a você, agora, se deixar que eu a leve sem reagir.
Cruzei os braços e ajeitei o chapéu no rosto:
[Ace]-Você quer comprar um tesouro com migalhas de pão?
[Sakazuki]-Não é suficiente pra você? Muito bem, faça seu preço.
[Ace]-Meu preço é a maior peça de diamante que puder encontrar no espaço. Ah, espera! Ela precisa ser acinzentada e ser moldada com o meu rosto. E não esqueça de me arrumar a carta do Rei de Marte... Eu já disse: Eu nego. Não quero nada de você e você terá de passar por cima de mim se quiser pegá-la.
[Sakazuki]-Ah, então você quer que eu te mate pra poder ter a minha filha de volta?
[Ace]-É pior pra você se tentar me matar. Aí é que ela não vai querer mesmo ir.
[Sakazuki]-Posso fazer parecer um acidente. Quem vai julgar um Almirante? Ninguém! Tenho pena da burrice dela... Não a criei assim.
[Ace]-Você não a criou. E já chega com os insultos.
[Sakazuki]-Por que? Oh... Você está ameaçando me bater? Vamos lá! Posso lutar tanto quanto você.
Continuei andando até passar por ele:
[Ace]-Sabe de uma coisa... Isso soou como uma guerra.
[Sakazuki]-Um belo nome. Eu proponho uma guerra, nesse caso.
Eu comecei a rir e o encarei, ironicamente:
[Ace]-Só não chore quando eu chutar essa sua bunda idosa e miserável.
[Sakazuki]-Huh. Você é bem impetuoso, moleque. Prometo não humilhá-lo muito.
Continuei o meu caminho:
[Ace]-Ah, velhote.
[Sakazuki]-O que é?
[Ace]-Espero que você goste da alcunha de "Fracassalmirante." Vai ouvi-la até sua aposentadoria.
Alguns metros à frente, meu celular mais uma vez vibrou:
[Ace]-O que foi?
[Garp]-O Sakazuki apareceu bem puto da vida. O que você fez?
[Ace]-Ele queria fogo pra acender a churrasqueira. Só contribui pra que ele se queimasse.
[Garp]-Você declarou guerra a um dos homens mais poderosos da Marinha?
[Ace]-Sim.
[Garp]-Tsh... Seu pai estaria sorrindo de orgulho agora. Você é tão retardado quanto ele... Mas lembre-se: Eu te avisei!
[Ace]-Tá, tá.
E desliguei
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