The nightmare
2 Cristina
Passaram-se alguns dias, tudo estava normal, eu não tinha tido mais nenhum sonho maluco, no trabalho o tédio continuava a predominar, em casa não tinha nada de diferente e minhas noites continuavam a serem passadas em frente ao xbox. Eu não tinha uma vida social muito agitada, para falar a verdade eu mal saia de casa.
Tudo estava indo bem até eu receber uma ligação de Cristina. Ela disse que sentia saudade, que estava planejando fazer uma visita. Na verdade ela já tinha tudo pronto e chegaria amanhã pela manhã, queria saber se eu ficaria feliz em vê-la. É claro que eu ficaria feliz, só de imaginar que ela estava pensando em mim me deixava muito contente. Até que lembrei do sonho. Perguntei se havia acontecido alguma coisa, se ela estava bem. Aquele sonho não havia saído da minha cabeça, só de lembrar eu sentia uma coisa estranha, algo misturado a medo. Cristina me garantiu que estava tudo na mais perfeita ordem e que ela estava com saudade do amigo que não via há mais de quatro anos.
Na mesma noite que Cristina ligou voltei a ter o maldito pesadelo, mas diferente da última vez, não consegui voltar a dormir e fiquei pensando se a visita dela tinha algo a ver com isso. Contudo, não fazia sentido, o que o pesadelo poderia significar? Pensei em várias hipóteses, mas nada parecia se encaixar.
Levantei cedo, Cristina chegaria esta manhã e eu não queria me atrasar para ir buscá-la. Ajudei minha mãe a preparar o café da manhã e quando faltavam 20 minutos para as 8:00h fui até a rodoviária. O ônibus que Cristina pegou tinha chegada marcada para 8:05h. Ele atrasou chegar de 12 minutos, o que considero razoável, visto que já cheguei a esperar por mais de 40 minutos.
Quase não acreditei quando a vi descer do ônibus, ela estava ainda mais bonita do que da última vez que nos vimos, se isso for possível. Quando ela se aproximou pude notar algo diferente no seu olhar, em um primeiro momento eu não soube dizer o que poderia ser aquilo, mas era fato que ela estava muito feliz em ver, assim como eu.
O caminho entre a rodoviária e minha casa não era longo, em poucos minutos já havíamos chegado, mas antes passamos na pousada em que ela ficaria hospedada para que fizesse check-in e deixasse a bagagem. Insisti que ela ficasse na minha casa, mas Cristina não aceitou, resolveu que ficaria mesmo nesta pousada que ficava a duas quadras de onde moro. Conhecendo ela e sabendo o quanto é teimosa achei melhor não discutir.
Quando chegamos a minha casa, apenas minha mãe estava presente, meu pai havia saído para ir até um parque encontrar alguns amigos para jogar dominó, coisa de velho, eu acho. Minha mãe, ficou muito animada por rever Cristina e ficaram um bom tempo conversando até que ela se retirou para preparar o almoço.
Proseamos por horas, ela me falou da família, do trabalho, dos amigos, namorados. Eu mais ouvi do que falei. Cristina agora trabalha como paisagista, achei legal, ela sempre foi boa com isso. Pelo o que ela me contou, todos estavam muito bem, eu também sentia saudade dos pais de Cris e de sua irmã. Fui convidado para na próxima folga fazer uma visita e claro, eu aceitei.
Fazia algum tempo que Cristina saiu de um relacionamento, ela não me contou o motivo de terem terminado, mas deu para perceber. E pelo o que entendi, sua visita tinha a ver com isso também. Ela queria se manter distante, ele ainda a procurava tentando reatar. Se nome é Francisco, no começo do namoro ele pareceu ser um cara legal, tratava-a bem, sabia como agradá-la, até que mostrou sua verdadeira face. Francisco é um homem ciumento, possessivo e bastante violento quando bebe. O relacionamento durou dois anos, até que Cristina cansou dos maus tratos e terminou o namoro.
Ficamos tão distraídos com todo o falatório que não vimos as horas passarem. Como ela não aceitou de jeito nenhum o convite de ficar na minha casa, fui acompanhá-la até a pousada em que estava hospedada. Conversamos mais um pouco durante o caminho que fizemos a pé e chegando lá fui convidado a subir, mas como estava tarde achei melhor deixá-la descansar.
Enquanto nos despedimos senti como se alguém nos observasse e um arrepio percorreu minha espinha, algo me dizia que aquilo não era bom. Apressei-me para que Cris entrasse logo e pedi que ela trancasse bem a porta do quarto, aquilo estava ficando cada vez mais estranho. Durante todo o caminho de volta eu podia sentir que era observado.
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