The (my) Bodyguard

6 #6. Machucados.


Notas iniciais
Oiii povo! Olha quem está aqui?! Quero dedicar esse capitulo a Erika Torres e Pietra por terem recomendado a fic! Sério, eu amei, adorei, chorei tudo de uma vez! ♥ Obrigada, obrigada e obrigada! Quero dedicar também a lindona da Laydes Storys que eu sou super fã! Minhas leitoras lindas eu amo vocês de coração! E sim, eu já vou indo responder os reviews divos! Ahhhh como eu estou feliz. Aqui está o capitulo! Boa leitura Amo vocês! ♥

Tris

Tobias dirigia em silêncio e eu não ousaria abrir minha boca por nada. Eu tenho certeza de que forcei a barra demais. Pelo seu tom, quando ele disse seu verdadeiro nome, ele estava mais do que puto. Contudo, as minhas suspeitas de que ele está escondendo algo só aumentaram.

Droga, eu tinha me exposto demais mostrando minha angustia por não saber seu verdadeiro nome. É claro, tudo o que eu dissera foi verdade, mas ele precisava saber?

Não Tris, ele não precisava.

Soltei um suspiro angustiante e olhei de relance para Tobias, que olhava para frente com sua carranca habitual e os nós das suas mãos já brancos de tanta força que ele segurava o volante.

Tobias. Eu nem mesmo tinha pronunciado seu nome ainda, mas é um nome tão natural, tão familiar, que eu sinto como se sempre soubesse o nome do meu guarda-costas e pronunciado diversas vezes.

Olhei para a rua, perdida em pensamentos — perdida em Tobias, na verdade, já que eu não parava mais de pensar nele — e me dei conta de que ele não sabia onde Christina morava e que ele estava dirigindo em círculos. Suguei o ar e apertei minhas mãos na minha bolsa, torcendo para não levar uma bronca ou um vácuo de Tobias.

– Então, Tobias, — Pigarreei. — Chris mora no lado sul da cidade.

– Tudo bem. — Foi tudo o que ele disse, mas pude notar que suas mãos relaxaram no volante.

– Sabe, este silêncio está ficando ridículo. — Comentei, me lembrando do café da manhã, quando Tobias me perguntou se eu sabia como ele foi parar no tapete e eu menti que não, totalmente incapaz de falar com ele só de cueca. Ontem estava escuro, então era bem mais fácil, mas de manhã quando tudo está claro, quando eu sou capaz de ver todos os seus músculos se contraindo quando ele está de costas fazendo ovos e achocolatado? Nem pensar!

– Tris? Volte para a terra, baixinha.

– Oi? — Olhei para Tobias atordoada, estava tão perdida em meus pensamentos que nem ouvi ele me chamar.

– Direita ou esquerda? — Ele perguntou.

– Direita, a casa de Chris é na próxima rua. — Respondi, esfregando as mãos no rosto morta de sono.

– Pensando em que, baixinha?

– Oi? Não era você quem não queria conversar? — Rebati por impulso.

– Não era você quem acabou de dizer que nosso silêncio está ficando ridículo?

Bufei. Ele tinha razão, pelo menos estava se esforçando para conversar, mas não significa que ele podia jogar minhas próprias palavras na minha cara.

– Foi, mas não estou pensando em nada. É só o sono. — Respondi, bocejando. — E você? Está tudo bem?

– Sim. — Ele assentiu.

– Que bom, comecei a pensar que você iria me bater. — Brinquei. — Sorrir é bom às vezes, sabe.

– Eu não sou covarde, Tris. Eu jamais iria encostar a mão em uma mulher indefesa.

– Tobias, eu estava brincando. — Revirei os olhos. — Eu sei que você não faria isso.

– Não, você não sabe.

– Então me conta.

– Acho que chegamos. — Tobias freou o carro violentamente, e como eu estava sem o cinto fui direto para frente, batendo minha cabeça no painel com força.

– SEU IDIOTA! — Gritei, abrindo a porta do carro. Raiva escorrendo por minhas veias.

– Tris, espera pelo amor de Deus! — Tobias também saiu do carro, correndo até mim.

– SAI DE PERTO DE MIM! — Me afastei, procurando pela casa de Chris. — Tobias, essa não é a rua da Christina! NÃO É ESSA RUA!

– FODA-SE, VOCÊ ESTÁ SANGRANDO, CARALHO! — Ele agarrou meu braço.

– O QUE?!

– A PORRA DA SUA TESTA! — Ele gritou também, tentando me virar para ele.

– ME SOLTA, FOI VOCÊ QUEM ME MACHUCOU! — Me contorci tentando sair de seu aperto forte, mas ele piorou a situação segurando meu queixo. — EU VOU GRITAR, QUATRO!

– Não seja imbecil, você já está gritando e estou pouco me fodendo para quem está passando na rua. — Ele respirou fundo. — Se você não ficar parada, Tris, eu vou ser obrigado a te imobilizar e as pessoas não vão poder fazer nada sabe por quê? Porque eu tenho uma porra de um documento constando tudo isso.

Parei de tentar lutar contra Tobias e fiquei de frente à ele. Agora pude sentir minha cabeça latejando e notei que meu braço direito estava vermelho com a marca dos dedos de Tobias. Queria gritar, queria chorar de raiva, mas não iria fazer, não iria ser fraca perto de Tobias.

Eu nem mesmo sabia onde estava. Queria bater em Tobias até machuca-lo de volta, pois foi ele quem parou a porra do carro e me machucou.

– Caralho, Tris. Está sangrando. — Tobias murmurou, analisando minha testa e ainda segurando meu queixo com força. Tenho certeza que iria ficar com hematomas.

– Você está me machucando. — Grunhi. Ele soltou meu queixo, mas colocou as mãos em meus ombros, apesar da circunstancia eu não pude deixar de revirar os olhos.

– Preciso de um pedaço de tecido. — Ele murmurou novamente. — Tem alguma coisa no carro?

– No porta-luvas. — Respondi, sendo obrigada a olhar seu semblante preocupado. Ele finalmente me soltou, mas me lançou dois olhares de aviso. Como se eu tivesse condições de sair correndo com esses saltos e quase caindo de tontura.

Tobias entrou no carro e saiu com um pedaço de pano velho que mamãe sempre usava para limpar o retrovisor.

– Nós precisamos ir à uma farmácia antes que isso infeccione. — Ele se aproximou de novo, levantando minha cabeça para pressionar o pano em minha testa. Tentei ignorar a dor me concentrando em seu rosto. — Dói?

– Imagina. — Respondi sarcástica. Ele balançou a cabeça em desaprovação.

– Qual é seu problema, Tobias?– Ele murmurou para si mesmo, mas eu ouvi.

– Você tem problemas, Tobias. — Não pude deixar de rir.

– Eu sei, agora não se mexa. — Ele pediu, forçando seu aperto em meus ombros. — Acho que você vai ter que levar pontos.

– Droga. — Foi minha vez de murmurar. Tobias me soltou e empurrou meus ombros desajeitadamente até o carro.

– Coloque o cinto, irresponsável. — Ele mandou.

– Vai se foder, Tobias. Foi você quem parou o carro, seu problemático! — Gritei, enquanto ele atravessava o carro.

– Porque você não calava a boca! — Ele retrucou, entrando no carro e o ligando. Coloquei o cinto só por precaução.

– Eu não vou discutir com você, Tobias. Não vou. — Encostei minha cabeça na janela, exausta. Queria apenas dormir, acho que daria para tirar um cochilo até o médico, a farmácia ou sei lá onde raios Tobias iria me levar.

– Tris, você não vai dormir. — Tobias balançou meu ombro esquerdo. — Você acabou de bater a cabeça.

– Caralho, Quatro. Me deixa em paz. — Me sentei ereta novamente. Pequei meu celular e mandei uma mensagem para Christina dizendo que não iria mais em sua casa.

– Se eu te disse a porra do meu nome, por que você ainda continua me chamando de Quatro? — Ele bateu no volante e eu quase pulei de susto.

– Me erra, Tobias. — Inclinei minha cabeça para o lado, meus olhos se fechando contra minha vontade.

– Beatrice...

***

Quatro

– Tris, acorda agora. — Chamei a loira pela terceira vez. Eu disse para ela não dormir, mas é claro que ela não me ouviu. — Tris, anda. — Cutuquei seu braço começando a ficar preocupado.

Desacelerei o carro e puxei Tris da janela, sua cabeça ainda sangrava um pouco e mesmo puxando seu corpo, ela não acordava.

Porra, Tris tinha desmaiado.

Pisei no acelerador e corri para a porra de um pronto-socorro mais próximo.

***

– Pela milésima vez, ela bateu a cabeça no painel do carro pois estava sem a porra do cinto!

– Sr. Eaton, se acalme. — A enfermeira pediu.

– Como diabos você quer que eu me acalme com essa garota nessa cama tomando soro?!

– Eu já expliquei ao senhor. Ela bateu a cabeça e ainda passou por estresse, como o senhor mesmo disse. Ela está bem. — Ela arrumou os tubos de Tris e voltou à sua ficha. — Ela se alimentou hoje?

– Sim. Há umas cinco horas atrás.

– Ela sofre de anemia, bulimia ou diabete?

– Não sei.

– Ela tem alergia a algum tipo de remédio?

– Porra, eu não sei! — Levantei da cadeira impaciente. Tris não acordava de tão fraca que estava, levou oito pontos na testa e eu era o responsável por isso. Foi tudo culpa minha. — Será que eu posso pelo menos ficar a sós com ela?

– Como o senhor quiser. — A enfermeira pegou suas coisas e sumiu dali em instantes. Esfreguei minhas mãos no rosto agoniado. Tris iria me bater, me esfolar e me matar, mas ela tinha todo o direito. Ela estava aqui por causa de mim.

Me aproximei e coloquei minha mão em sua testa agora limpa de todo aquele sangue. Afastei seus fios loiros de seu rosto e acariciei suas bochechas rosadas.

– Desculpa. Me desculpa, Tris. — Apertei minha mandíbula engolindo a raiva que sentia. Queria descontar tudo isso em alguém, queria quebrar esse quarto inteiro, queria socar a cara de algum palhaço, só assim minha raiva iria passar, mas acho que já fiz muita merda por hoje.

Respirei fundo e puxei uma cadeira perto da cama de Tris. Me sentei e afundei minha cabeça em suas mãos. Eu tinha que me controlar. Eu precisava me controlar para não fazer o que eu realmente queria fazer. Não é a primeira vez que machuco alguém que amo. E não será a ultima que irei me machucar. Eu precisava fazer isso, só assim iria me sentir aliviado.

Levantei novamente e fui procurar algo afiado. Eu não tinha escolhas, ou era isso ou era quebrar esse quarto inteiro. Há mais de dez anos eu não fazia isso, mas foi há mais de dez anos também que eu machucara alguém. Olhei para meus pulsos, os cortes já estavam todos cicatrizados, é claro, e eu queria vê-los ali de novo, todos visíveis, para me fazer lembrar de tudo de volta. Para me fazer lembrar de que sou um assassino e masoquista sem família.

Vasculhava tudo pelo quarto, qualquer coisa afiada serviria. Sem paciência, acabei jogando um dos potes de algodão no chão e cacos de vidro se espalharam. Agachei para pegar um e já estava pronto para aliviar a raiva que eu sentia.

– Tobias, o que você está fazendo, em nome de Deus?

Notas finais
Então, aqui pergunto eu novamente: Surpresas? Gostaram? Odiaram? Está confuso? Horroroso? Me digam, pelamor de Deus! '-' Até segunda, babes! *-*