The mine word: Fire Gates.
38 Capítulo 36: A brisa do mar.
Notas iniciais
O navio chacoalhou de um lado a outro durante todo percurso que já fizemos. Estamos à quatro dias de nosso destino é as previsões é de que cheguemos com certo atraso.
Pompo parece tão indiferente com essa viagem assim como foi com a outra, ao contrário da Gisele, que praticamente não saiu da cabine desde que embarcados. Ela está com medo do mar, é evidente isso.
—Não sei mais o que dizer. Do que está com medo, querida? O mar não irá lhe ferir.
—Eu não vou sair daqui! —Gritou ela, agarrando o travesseiro.
—Tudo bem. —Digo ao me levantar. —Quer comer alguma coisa?
Ela balançou a cabeça timidamente por detrás do travesseiro. Apenas concordei e segui até a porta, dei uma última olhada e sai do quarto.
Não podíamos comer toda hora, afinal isso é um navio e a comida é compartilhada com todos, mas posso pegar parte da minha porção de mais tarde e dar pra Gisele.
A cozinha ficava perto da nossa cabine. Era feita de madeira assim como a maior parte do navio, sendo composta apenas por lareiras de pedra e bancadas de pedra polida. Entrei e pedi pela comida. Um rapaz jovem me atendeu, seus cabelos eram brancos como os do Skel, mas longos e mal cuidados. O chefe de cozinha preparava alguma coisa no fundo da cozinha.
—Você sabe que a comida é só mais tarde, cara. —Disse o rapaz.
—Quebra essa, cara. É pra minha filha. Ela está com medo.
O rapaz suspirou e olhou pro cozinheiro atrás de si. O homem era grande, talvez menor que o Ponto, mas ainda grande, tinha uma longa barba amarelada devido aos anos na cozinha e um cabelo longo amarrando em um rabo de cavalo. —Perdoe o meu aprendiz. Ele raramente tem compaixão. —Disse o cozinheiro.
—Vai me dar a comida?
—A você? Não. A sua filha? Sim. Traga ela aqui e poderá comer minhas porções.
—Senhor. —Reagiu o rapaz.
—Sabe melhor do que ninguém que eu nunca comi nesse navio desde que você foi enviado a mim. —Ele tosse. —Os idiotas insistem em mandar junto uma porção pra mim e eu insisto em dá-la a algum coitado que vejo. Traga sua filha e receberá a comida.
Sai da cozinha deveras desapontado. Sabia que Gisele não sairia do quarto a menos que o navio estivesse afundando.
Entrei no quarto e a encontrei quase que do mesmo jeito que a deixei, agarrada ao travesseiro.
Ela me encarou e desviou o olhar. —Não ía trazer comida? —Perguntou ela com uma voz baixa.
—A comida está esperando você na cozinha. Por que não sai dessa cama e vai comer?
—Não quero! E-E-E se eu cair no mar?!
—Estará tudo bem, Gisele, você não cairá do navio. Só sairemos por aquela porta, daremos alguns passos e chegaremos a cozinha. Será fácil como quando caminhamos pelo bosque.
Ela ergueu a cabeça, com receio. Seus olhos estavam grandes como lâmpadas. —Você segura minha mão?
—Seguro. —Disse, estendendo minha mão em sua direção. —Vem.
Gisele se levantou desajeitadamente, com as roupas de dormir amassadas e com cheiro de suor. Ela cambaleia em minha direção e segura em minha mão com certa força.
A levei até cozinha, caminhando lentamente com um passo de cada vez. Gisele se agarrava a mim sempre que o navio balançava. O cozinheiro a encarou, a olhando de cima a baixo.
—Quem é esse, Steve? —Perguntou ela.
—É o homem que irá preparar a sua comida. —Olho pro homem. —Não é?
—Promessa é dívida. Pegue. —Ele estende uma tigela com caldo pra Gisele. —É caldo de coelho, minha especialidade. Aqui estão uns pedaços de pão também. —Ele sorriu, mostrando dentes amarelados e alguns buracos em sua boca.
Gisele segurou a comida e recuou, talvez com medo do homem. Ela segurou a colher de madeira que acompanhava a tigela e a colocou na boca. O sorriso que ela deu naquele momento foi inesquecível. Após a refeição nós retornamos ao quarto. Gisele já não parecia mais tão assustada como antes.
A coloquei na cama e me sentei ao seu lado.—Viu como você não caiu no mar?
—Pois é. —Disse ela com um riso. —Ainda tenho medo.
—Você pode e deve ter medo, Gisele, mas não pode deixá-lo te dominar. Podemos ir ao convés se você quiser. Não gostaria de ver o que a Atie e a Adreu estão fazendo com a Kabi?
—Sim...
—Quando estiver pronta é só me avisar.
—Obrigada, Steve.
—De nada, querida.
Visão da Pompo:
O dia estava ensolarado e uma refrescante brisa soprava do mar. Estava sentada no convés, com minhas pernas crusadas e olhando para a disputa entra Kabi e Adreu.
Ambas se moviam rápido, mas era evidente que a Adreu tinha mais velocidade. Seus ataques eram calculados e precisos, quase nunca errando o golpe. Enquanto isso, Atie assistia, imóvel, sentada sobre seus joelhos.
—As lâminas gêmeas do punho de vento. —Pensei. Foi necessária a permissão da Gisele pra que as duas treinassem com a Kabi, mas não por ordem da própria Gisele e sim pelo desejo de Atie e Adreu. Aparentemente, ambas não podem tomar uma ação sem uma ordem de seu mestre.
—Você morreu, garota de gelo. —Pronunciou Adreu ao enfiar seu braço direito transformado em lâmina na garganta da Kabi.
—É... impossível ganhar... de vocês. —Disse Kabi gaguejando enquanto sua garganta era reconstruída.
—Você é enganado pelo seu adversário. —Disse Adreu.
—Precisa ler os nossos movimentos. —Disse Atie.
—Só assim poderá nos derrotar.
—Não faz tanta diferença assim, afinal eu sou imortal.
—Correção, garota de gelo.
—Nós somos imortais. Disse Atie.
—Se precisar defender o seu mestre e falhar nisso você morre
As palavras pareceram abalar um pouco a Kabi. —Não haja como se eu não soubesse disso. Sei que preciso melhorar.
—Então aprenda a ler os movimentos. Sua vez, irmã. —Disse Adreu, chamando Atie e se sentando onde ela estava.
Desviei os olhos pras ondas que se formavam no horizonte. Me distraí por um ou talvez dois segundos, voltando a realidade em seguida. Minha mão massageava carinhosamente minha barriga, pensando em mil coisas diferentes. Sinto que fiquei muito mais fraca nessas últimas semanas.
O capitão se encontrava acimada de minha cabeça, controlando o leme do navio e dando ordens a três subordinados.
—Steve e o meu pai são dois idiotas. Por que nenhum dos dois sai pro convés? —Mal havia visto meu pai durante esses dias. Steve? Apenas a noite e durante algumas refeições. Ele realmente parece preocupado com a Gisele.
Dei por mim já franzindo a testa de raiva. Respirei fundo e me controlei. Como meu pai sempre disse: "Nós Creepers temos um forte temperamento". Mas eu não sou só uma Creepers, também sou uma Zumbi e não poderia me deixar ser controlada pela raiva.
—Devo ser eu a idiota aqui. —Disse com um certo tom irônico na voz. Uma pontada de energia correu pelo meu corpo, me dando calafrios. Afaguei novamente minha barriga carinhosamente. —Não se assuste, pequeno. Está tudo bem com a mamãe.
Só então que me toquei de que meus enjôos pararam de ocorrer.
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