The lost
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu observava as últimas fotografias que recebi. Eram sempre as mesmas emoções, mesmo que já tivesse olhado para elas milhões de vezes — tantas vezes quanto pensei nela durante aqueles anos —, era sempre aquele maldito nó na garganta por não estar por perto e ao mesmo tempo aquela felicidade inexplicável por ver aquele rosto. Não eram as fotografias e os e-mails, eu podia sentir na minha pele que ela estava bem, não precisava de mim para ser feliz... E saber que ela estava feliz era tudo o que eu precisava para estar feliz também, porque essa era a minha condição de existência.
A maneira vaga de Laura dar notícias me irritava, e aquilo parecia proposital porque ela nunca respondia às perguntas que eu fazia. No último e-mail ela dizia que Wanessa, o novo nome de Renesmee em sua vida como (quase) humana, havia sido aceita em todas as faculdades para onde mandou inscrições.
Ela nunca desmontava a fachada humana que demos a Nessie. Como ela se alimentava, se havia lembrado de alguma coisa do seu passado, como lidava com a sua condição sobrenatural... Eu não sabia de nada! E não podia xingar aquela velha, tinha medo que ela não mandasse sequer mais um e-mail daqueles, que só serviam pra me deixar louco de saudades. E nem o endereço eu tinha, sabia que elas viviam em uma fazenda no Colorado. Alice tinha sido bem cuidadosa quando armou tudo, assegurando que ninguém soubesse ao certo de seu paradeiro, e me deixando no fundo do poço quando vi aquele helicóptero levantar.
Eu nunca poderia me esquecer daquele dia. As capas escuras voando para cima de nós, os olhos vermelhos sedentos de morte, e o grito horrorizado de Nessie no meu dorso enquanto fugíamos para longe dali. Foi doloroso ignorar a mente dos meus irmãos enquanto lutavam, eu era obrigado a focar na fuga, em Renesmee chorando em cima de mim e nos vampiros em nosso encalço. Tive que lutar sozinho com eles e por causa disso coloquei a segurança da criança em risco, ver Nessie sendo arremessada contra uma pedra foi o momento mais angustiante da minha vida. Eu desejava esquecer esses segundos e as horas que se seguiam enquanto ela sangrava, desacordada, no caminho que fizemos até ao ponto onde nos encontraríamos com Laura assim como Renesmee esqueceu o seu passado. Pior que aquilo, apenas voltar do Alasca sem Nessie, saber das nossas baixas e a terrível notícia que os Cullen haviam sido capturados por Aro.
— O que importa é que ela está viva. Viva e feliz — repetia para mim mesmo. Era o que me conformava.
Coloquei papel de fotografia na impressora e fechei os olhos enquanto a máquina trabalhava para imprimir a última foto que recebi. Nos últimos anos, aquele barulho era a música mais legal que eu ouvia. E lá estava ela: com suas bochechas rosadas, o olhar distante e o queixo apoiado na mão — pega desprevenida, eram essas fotos que eu mais gostava. Ela tinha deixado o cabelo crescer de novo, mas tinha alisado os fios. Porque as mulheres gostam de passar o cabelo a ferro? Eu nunca iria entender.
Só ouvi a cadeira de rodas do meu pai quando ele teve que parar e empurrar a porta para poder passar. Ele olhou para o computador na minha frente e soube o que eu estava fazendo — não era difícil adivinhar, checava o e-mail todas as noites.
— Como ela está?
Suspirei. Sempre a mesma pergunta, sempre a mesma resposta. — Parece feliz.
— Alguma novidade?
— Ela vai para a Universidade, ainda não decidiu para onde mas tem muitas escolhas, foi aceita em todas em que se inscreveu, acredita? — sorri e olhei para a foto de novo.
Não era nada demais, ela era sobre-humana, é claro que entraria facilmente em qualquer faculdade, mas eu não podia deixar de me sentir orgulhoso. Billy sorriu e estendeu a mão, eu recortei o excesso de papel e lhe entreguei a fotografia.
Assentiu de leve enquanto olhava a foto, nos olhos a expressão triste. Billy também sofria com a ideia de Nessie poder nunca mais voltar, ele sabia que eu nunca iria me casar com ninguém, e para a nossa tribo um homem sem descendentes era digno de pena. Além do mais, embora segundo Laura, Nessie tivesse parado de envelhecer, ainda havia a dúvida de quanto tempo ela tinha de vida. Se a vida dela estava contada, a minha também estava, assim que ela morresse eu iria também.
— Bela moça. Quantos anos se passaram? Dez?
— Oito, vai completar nove neste inverno.
Billy me devolveu a fotografia, a esperança nos olhos dele já adiantavam o que ele ia dizer. — Talvez ela possa voltar, Jacob, talvez eles não a procurem mais.
Suspirei, meu pai e seus sonhos. Foi assim com o acidente da minha mãe, levou meses até que ele aceitasse a sua morte cerebral e autorizasse a retirada dos aparelhos. Achar que as coisas podiam mudar só provocava mais dor, decepção.
— Não, pai, é perigoso demais. O lugar dela é onde está, com a nova família e onde ninguém a pode encontrar.
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