The lost
2 Capítulo 1 — Sem rodeios e floreios
Notas iniciais
Esperava pacientemente enquanto Kelvin acondicionava as vacinas, ele parecia estar fazendo seu trabalho mais vagaroso de propósito, puxando assunto sobre qualquer coisa. Kelvin sempre fora afim de mim, mas eu fingia nunca perceber suas investidas, o mantinha como um bom colega, meu par no laboratório nas aulas de química enquanto estudávamos juntos. O dia estava quente e ele limpou o suor da testa algumas vezes, eu tentava ignora-lo e não prestar atenção na veia de seu pescoço enquanto ele esvaziava algumas tabletes de gelo na caixa de isopor.
Aquela coceira na garganta, de novo. Eu tinha matado um novilho no domingo, era quarta-feira e já sentia a necessidade de drenar outro. Sentir-me assim me deixava preocupada, mais insegura perto de gente normal.
— Pronto — os olhos de avelã me sorriram enquanto ele me entregava a mercadoria. — A nota — estendeu-me.
Amigavelmente devolvi o sorriso, entregando-lhe o dinheiro e recebendo o troco. — Obrigada. Até qualquer dia desses, Kelvin.
Não esperei sua resposta e me afastei do balcão. Já ia descendo o primeiro degrau quando ouvi seu coração acelerar atrás de mim. Embora fosse bem bonito, Kelvin parecia sem jeito sempre que conversávamos — isso me deixava ligeiramente feliz.
— Hum... Wanessa... — ouvi-o chamar.
— Sim?
Ele passou as mãos pelos cabelos negros, e eu quase pensei que ele estivesse corando. — O pessoal está pensando em fazer uma festa, vai ser na casa da Anne... talvez você quisesse ir comigo. Vai ser na sexta.
— Sexta? Huuum... Obrigada por me convidar, mas minha irmã vem nos visitar e vai ser difícil sair nesse dia.
Ele sorriu, meio sem jeito. — Tudo bem. Fica para a próxima, então.
— Para a próxima — alguns segundos constrangedores sem saber o que dizer, abaixei a cabeça sentindo o rubor vir, inoportuno e sem motivo. — Até.
— Até.
Aquilo era o meu procedimento padrão: arrumar uma desculpa, convincente ou não, quando alguém me chamava pra sair. Eu já tinha me habituado à vida antissocial, nunca tive outra, mas eu gostaria de sair com o Kelvin e foi chato ter que recusar.
Acho que a maioria dos humanos da minha idade, ou a idade que eu parecia ter, dariam tudo para ter as capacidades que eu tinha. E tudo o que eu queria era ser um pouco mais normal. Nunca pude ter amigos ou um namorado — sempre com medo de usar a força que uma garota normal não teria, ou dizer ter ouvido ou visto algo que ninguém tinha notado. Ainda pior era o meu pequeno problema: a sede instintiva e avassaladora que sentia por sangue humano. Minha avó nunca ousou me classificar, mas a palavra estava lá, bem na minha testa — vampira.
Entrei no jipe e liguei o rádio. A viagem de volta à fazenda não demorava mais de quinze minutos, mas eu nunca conseguia dirigir sem o som da música. Foi abrir a porta do carro para logo ver Kiki e Rosie pulando em cima de mim, elas eram de raça Boiadeiro Australiano e foram compradas para nos ajudar com o gado, mas acabaram se apegando muito a mim.
Afaguei o dorso de ambas. — Estou de volta, meninas!
Tirei as ampolas da caixa de isopor e guardei-as na geladeira, voltando ao meu trabalho na horta. Eu iria sentir falta do contato com a natureza, da liberdade que sentia quando Robert e David, os empregados da fazenda, iam embora para suas casas. Nossa propriedade era pequena, eu ajudava e não demorava muito em fazer as coisas com a minha rapidez e força, por isso não era necessário mais que dois . Agora eu contava os dias para ir embora, a universidade e um mundo onde ninguém podia saber o que eu era me esperavam.
— Trouxe as vacinas contra Brucelose? — minha avó perguntou ao surgir na horta.
Ela estava novamente com a aparência cansada, mas era daquela maneira que se sentia feliz: no seu macacão jeans gasto, queimada de sol e cheirando a esterco de cavalo.
— Sim, como você pediu. Limpando o estábulo de novo? — perguntei, fazendo uma careta e tapando o nariz. Os cheiros eram sempre mais fortes para mim, principalmente os desagradáveis, embora cocô de cavalo não fosse a pior coisa que se pode cheirar em uma fazenda.
— Que outro remédio? David teve que sair mais cedo porque Maggie passou mal novamente — disse, lavando as mãos com uma mangueira.
Maggie era a mulher de David, estava grávida do segundo filho e era uma gestação complicada. Com o nascimento da primeira criança os médicos disseram que ela não poderia ter mais filhos. Maggie passar mal não era justificativa para minha avó, recém-operada de hérnia, ir limpar os estábulos... mas qualquer coisa servia para ela colocar a mão na massa.
Ergui a sobrancelha, ela sabia que não me enganava. — Ok, dona Laura, nós duas sabemos que a senhora não consegue ficar parada. Espero que ela e o bebê fiquem bem...
Terminei as covas de abóbora antes do anoitecer, logo viria o Halloween e elas tinham um bom preço na cidade, as pessoas de Timnath adoravam enfeitar suas casas com elas. Eu gostava de dar uma volta de carro durante a noite das bruxas para ver as decorações, me perguntava se isso tinha a ver com a minha condição... estranha. A minha relação com pessoas normais era maioritariamente de observação.
— Vou dar uma volta a cavalo — disse quando passamos pelo estábulo. Essa era a deixa, e minha avó entendia que, nessa noite, mais uma cabeça de gado desapareceria.
— Tome cuidado.
Eu ri. — Essa piada já é velha, vovó.
Eu realmente dava uma volta a cavalo quando precisava me alimentar, jogava o corpo do animal na carroça e enterrava-o na floresta. O gado era a minha reserva de sangue particular, os animais do bosque nos fundos de casa não eram suficientes para me saciar. Quando Robert e David perguntavam para onde tinha ido o bezerro, minha avó respondia evasivamente que o tinha vendido, sem dar muitos detalhes. Por mais que fosse discreta, não tinha como impedir que notassem alguns comportamentos estranhos.
Depois de me sentir saciada, sabia que só voltaria a ingerir alimentos na noite do dia seguinte. Era sempre assim, o sangue me sustentava mais que a comida, e embora o gosto não parecesse tão bom quanto apelava o sangue humano, me fazia ficar mais tranquila.
Levei a carcaça para o mato, peguei a pá e cavei uma vala funda. Depois de jogar terra em cima e cobrir com folhas e alguns galhos, era quase imperceptível a terra remexida. Aliviada, levei o cavalo novamente ao estábulo e voltei para casa. A roupa estava suja de terra e folhas, eu precisava de um banho.
Vovó já tinha jantado quando voltei, ela falava ao telefone e ouvi a voz afinada de Janelle do outro lado da linha. No fundo sonoro eu podia ouvir música, pessoas conversando e rindo, ela provavelmente estava dentro de um dos bares onde sua banda tocava.
— O que você disse? — minha avó perguntou, confusa entre os sons de fundo e a voz gritada da minha irmã. — Janelle, filha, não consigo ouvir você. Saia desse barulho todo.
— Eu estou indo trabalhar, vovó! Só liguei pra avisar que vou na quarta-feira, na segunda tenho que estar de volta a Denver. Diga a Nessie para me buscar em Timnath, vou pegar carona com um conhecido meu até lá.
— Mas você não vinha para ficar um mês?
— Não posso.
— Como assim, não pode?!
— Preciso ir. Até quarta, vovó!
— Espera, Janelle?!
Minha avó colocou o telefone no gancho, irritada. Minha irmã era meio difícil de lidar, era a vocalista de uma banda que tocava nas noites de Denver e passava semanas, até meses, sem ligar. Laura ficava louca de preocupação, até que ela aparecia em nossa casa com cara de paisagem, sem avisar. Era um milagre que tivesse informado que chegaria, provavelmente era porque precisava de alguém para busca-la.
— Carona? Ela está sem dinheiro de novo... — concluí em voz alta.
Como se só nesse momento tivesse notado a minha presença, virou-se sobressaltada. — Ouve bem Wanessa! Ouve bem — minha avó ordenou, fulminante de raiva. — Se você for para a faculdade, seja lá qual você escolher, e não me der notícias... fique sabendo que você e sua irmã são as causas da morte dessa velha!
Tentei embrulhar o riso, abraçando-a enquanto ela esperneava para se desenvencilhar.
— Hey, menina! Você está toda suja!
— Eu amo você vovó...
***
Eu corria na neve, o mais rápido que conseguia, enquanto a mulher de olhos vermelhos me perseguia. Ela tinha um ar perigoso, meio ameaçador, mas eu não tinha medo... sorria enquanto corria para ela não me pegar. Ela também sorria, sua pele era tão branca como a neve e seus olhos vermelho-sangue, os cabelos castanhos formando um incrível contraste com a sua tez.
— Te peguei! Minha pequena sapeca — ela disse quando me alcançou, enquanto me pegava em um abraço frio.
Estava tão frio no meio daquela neve toda, mas ao mesmo tempo eu me sentia muito feliz. Era criança, e sorria e gargalhava enquanto a mulher estranha me girava no ar, tão rápido que eu sentia o vento gélido cortando a pele do meu rosto.
— Para, mamãe! Estou ficando tonta — gritei entre risos.
Acordei com o corpo pesado, cansada pela noite cheia de sonhos. Mais uma vez eu não tinha tido a chamada “noite reparadora”, tranquila e silenciosa — felizmente isso pouco me afetava. Aqueles sonhos... era difícil eu me lembrar de todos quando acordava, mas o último nunca saía da minha memória, principalmente quando aquela mulher aparecia. Eu a chamava de mamãe, e gostava dela.
Todas as fotos dos meus pais foram queimadas no incêndio que os levou, não fazia a mínima ideia de como eram os rostos deles. Fui a única sobrevivente, mas uma viga de madeira acertou minha cabeça, foi uma sorte não ter ficado em baixo dos escombros, mas fiquei algum tempo em coma por causa do traumatismo, e ao acordar... não me lembrava de nada. As vezes sentia um pouco de inveja da Janelle, ela não estava em casa naquele dia, por isso se lembrava de tudo sobre papai e mamãe.
Toquei minha cicatriz, era uma maneira de me reconfortar quando sentia falta dos pais que eu nem me lembrava. Eu estava viva, tinha-os perdido, mas estava viva.
Tomei um banho quase frio para espantar a letargia. Troquei de roupa achando estar atrasada, mas quando olhei para a janela percebi o tom azulado da manhã — o sol tinha acabado de nascer. Abri as cortinas e deixei que o vento soprasse no meu rosto, ouvindo os sons dos bichos recém despertos, a realidade parecia finalmente se apossar de mim. E eu me sentia segura de novo.
Vovó já estava em seu macacão, colocando as coisas do café da manhã na mesa quando desci as escadas. Ela deu seu sorriso radiante e desperto, ao qual eu retribuí meio desajeitada.
— Bom dia, meu amor!
Dei um beijo em seu rosto. — Bom dia vovó. Dormiu bem?
— Sim, muito bem.
Ajudei-a a colocar as coisas em cima da mesa. Não tardaria nada para que o velho Robert se juntasse a nós, ele era viúvo e sempre chegava mais cedo para tomar café conosco. Laura e ele tinham uma pequena rixa, Janelle me disse que isso vinha desde quando ele a convidou para sair.
— Você parece cansada... — reparou enquanto colocava café em sua xícara.
— É, tive uma noite agitada novamente.
— Os sonhos de novo... — deduziu. — Você devia tomar café para despertar.
A maneira como ela mudava de assunto me irritava. Era como se ela soubesse o porquê das minhas noites mal dormidas e não quisesse dizer, mesmo que eu já houvesse perguntado a ela sobre minha mãe e o porquê de eu sonhar com ela daquela maneira.
— Vó, como era a minha mãe?
A xícara parou no caminho até à boca. — Isso de novo?
— Eu tenho a impressão de que você nunca responde com sinceridade. Ela era humana, ela era como você? Eu nunca sonho com ela como humana.
Laura suspirou, impaciente. — Eu já disse Wanessa. Sua mãe era uma humana, como eu e você — ela frisou o meu nome — somos. Pele clara, com os olhos da cor dos seus, os cabelos castanhos. São apenas sonhos, não condizem com a realidade.
— Humana... como eu. Porque você insiste em me dizer que eu sou humana? Eu sei que não sou — surpreendi-me ao perceber que estava gritando.
Laura me olhava assustada, trêmula, enquanto seu coração parecia querer sair pela boca. Tentei me acalmar, nem com a faca no pescoço ela me responderia, das outras vezes foi assim... não iria ser diferente.
— Tudo bem. Eu levantei um pouco alterada, vou sair para espairecer.
Passei por Robert com mais brusquidão do que queria, o nó na garganta não me permitindo dar sequer um bom dia. Senti seus olhos sobre mim enquanto me afastava em direção às árvores e ouvi-o perguntar o que tinha acontecido, minha avó não respondeu.
Eu amava Laura e Janelle de todo o meu coração, mas sempre houve algo que não se encaixava. Elas pareciam-se: a neta e a avó. Já eu, não possuía os olhos azuis da família nem os cabelos loiros, sem contar com as diferenças entre mim e os humanos em geral. Me sentia um peixe fora do aquário, e Laura teimava em insistir que não havia nada de errado. Eu é que não me encaixava.
Passei o dia inteiro fora de casa tentando colocar as ideias no lugar, tentando voltar a ser a Wanessa doce, como Laura se referia a mim. Logo eu iria para uma faculdade, e talvez conhecendo outras pessoas eu encontrasse um lugar para me encaixar. Duke, Harvard, Stanford... as minhas opções eram inúmeras mas não fazia muita diferença, eu apenas queria sair dali e ter a possibilidade de encontrar o meu lugar.
As coisas voltaram ao normal com minha avó, era sempre assim no final, nossas discussões não iam longe embora os problemas nunca fossem resolvidos. Ela estava muito feliz de ter Janelle em casa outra vez, não nos visitava há seis meses e entre seus sumiços, quase não nos falávamos. Embora tivessem menos motivos, Janelle discutia mais com Laura do que eu, mesmo morando fora e quase nunca aparecendo em casa, então eu tinha mesmo que ficar bem novamente, ou o clima ficaria pesado demais.
Na quarta-feira, na praça da cidade, sentada sobre a mala — lá estava Janelle Jenkins, com sua maquiagem pesada e sua jaqueta de couro. Ela automaticamente sorriu quando eu saltei o Jipe para encontra-la. Nos abraçamos por um bom tempo, e eu quase chorei de felicidade ao vê-la.
— Desculpe — ela disse rindo enquanto tentava desembaraçar a mecha do meu cabelo que havia enganchado em uma das tachas de sua roupa.
— Não sei como consegue usar isso tudo...
— É o meu estilo, baby, eu gosto. Então não é difícil — respondeu piscando o olho.
Colocamos sua mala e sua guitarra no Jipe, todas as pessoas nos olhando enquanto nos preparávamos para sair. Era sempre assim, eles ficavam reparando em mim quando vinha sozinha à cidade, mas nesse caso a esquisita era mesmo a Janelle. Minha estranheza havia se tornado familiar.
— Não vai perguntar pela vovó? — questionei enquanto íamos para casa.
Ela ia tranquilamente recostada com seus óculos escuros e o cigarro, irremediavelmente, soltando aquela fumaça fedorenta no meu carro.
Gargalhou. — Eu sei que a velha está bem, do contrário você já teria dito.
Ri, era a única coisa que eu podia fazer com o jeito dela, na verdade. — Grossa como sempre, hem?
— Sensível como sempre, hum, Nessie? — devolveu.
— Você não cansa de me comparar com o monstro do lago, não é? Noiva de Chucky!
Embora Janelle fosse irritante na maioria do tempo, eu gostava dela. Mesmo que fosse de uma maneira grosseira, ela dizia sempre tudo o que pensava, falava sempre a verdade “sem rodeios e floreios” — como ela mesma dizia. A maneira como lidava com a minha peculiaridade era muito mais confortável do que a de Laura, Janelle não fingia que isso não existia, ela zombava disso! Incrivelmente, me fazia sentir mais normal.
Vovó nos esperava com uma mesa farta. Ela adorava aquele tipo de ocasião para usar seu velho e amarelado caderno de culinária, cujas receitas ela afirmava serem do tempo de sua bisavó. De alguma maneira ela enfiou o velho Robert em um avental, e ele estava colocando pratos e talheres na mesa quando chegamos. Foi uma festa, tanto Laura quanto Janelle eram extremamente barulhentas quando estavam felizes. Almoçamos todos juntos, incluindo David e Robert, meio enfarruscado por ter colocado o avental.
Foi um dia divertido, e até tarde da noite Janelle nos presenteou com algumas de suas composições melancólicas — as que ela escrevia quando terminava com um namorado. Logo senti meu sono chegar e nem me vi chegar até à cama, desabando sem sequer tirar as botas.
Acordei com a garganta seca, toda suada. O quarto estava abafado e eu abri as janelas — foi quando escutei as vozes de Janelle e Laura lá em baixo no jardim, elas pareciam no meio de uma discussão. Eu não teria parado para ouvir se não tivesse escutado o meu nome no meio da conversa.
— A senhora não pode prender Wanessa aqui para sempre! Ela precisa viver, seja lá o que isso signifique para alguém como ela — Janelle dizia.
— Shhh! Ela pode acordar — minha avó brigou. — Eu sei disso, é claro que sei. Mas como acha que me sinto? Eu prometi a Alice, filha de meu velho amigo, que cuidaria dela. Algo assim já é muito complicado para uma humana, imagina somar a isso uma grande distância!
Janelle bufou, pude ouvir o som do isqueiro enquanto ela acendia outro cigarro. — Devia contar a verdade a ela, sabe? Eu mesma já teria feito isso há muito tempo, mas a senhora nunca me perdoaria. Acha que ela vai aceitar que lhe diga que deve ficar o resto da vida aqui? Escondida? Ela nem sabe que está escondida!
— Sou a única pessoa que...
— Não me venha com essa — Janelle cortou. — Ela tem alguém muito mais capaz de protegê-la do que a senhora. Eu não sei o que aquele pateta está fazendo em Washington que ainda não veio buscá-la.
Houve um silêncio. Em minha cabeça, um milhão de perguntas, o coração acelerado por ouvir a única pista que eu tinha para descobrir a verdade.
— É muito mais perigoso do que você imagina, não é apenas a vida dela que está em jogo — minha avó respondeu.
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