The living game - A espada
4 O passado de Aksi
A garota não sabia o que fazer. Sentia que estava fazendo a escolha errada sobre não contá-lo. Ficou quieta por muito tempo após o ocorrido, pensando em várias coisas, até que amanheceu.
O dia estava frio e algo estava pra acontecer. As nuvens haviam baixado e a medida que tentavam ver além, não podiam ver mais que duas palmas à sua frente.
– Vocês estão sentindo? — Perguntou Ig
– Ig... Por que nós estamos aqui? — A garota perguntou.
– Vocês devem visitar o templo.
Todos concordaram e foram até lá. Ao chegarem, novamente ficaram abismados com o que viam. Dentro, as flores tomavam conta e o ar puro que corria junto com a vertente, inundava. Lá, haviam várias estátuas de pedra e de ouro puro. Várias pedras preciosas, como rubis, safiras e outras estavam nas fendas do templo.
Andaram até se depararem com uma grande porta. Ela era feita de pedra como o resto do templo, mas parecia se mover tão facilmente que era estranho pensar que esse realmente era o seu material.
Ig entrou pela porta e aproximou-se de alguém. Não podiam ver quem era, não podiam ver sua aparência, só sabiam que era estranho olhando de trás. O velho disse que cada um deveria aproximar-se, individualmente.
Amelia se aproximou e ao chegar, não viu rosto, apenas um pano preto que cobria tudo. De dentro desse pano, uma estranha voz saiu. Era calma, um pouco rouca e baixa, quase um sopro.
– Seu nome. — A voz disse.
– Amelia.
Ao pronunciá-lo, ele levantou a cabeça com um movimento leve, sussurrou algo e a tocou. Ao tocá-la, ela sentiu como se estivesse saindo do templo e apareceu no topo de uma montanha.
Lá, avistou uma caverna escura. De dentro saía um vento forte e seus cabelos balançavam a medida que este soprava. Sentiu um impulso e resolveu entrar. Caminhou por um bom tempo, até que parou, quando viu que havia chegado em um grande abismo. Ao olhar para cima, várias pedras verdes iluminavam toda a caverna e foram elas que fizeram com que a garota não caísse na grande fenda.
Ao olhar para baixo, sentiu algo a chamando. Sentia como se alguém estivesse a convidando para testar sua coragem. O vento soprava cada vez mais forte e não havia jeito de atravessar. Até que olhou para o lado e viu um pedaço de pedra quase caindo. Se ele caísse, ela poderia atravessar para o outro lado, mas parecia ser muito perigoso. Parecia que estava em um tipo de teste e sentia que deveria fazer aquilo. Então, empurrou a pedra com o pé e se afastou da beirada, olhando o que iria acontecer.
A pedra caiu no lugar exato onde ela havia calculado e isso a deixou feliz. Mas então as paredes da caverna começaram a se mexer quando um estranho som saiu das entranhas da montanha. A fenda era muito funda e parecia ir até o começo da grande montanha. Quando tudo parou de tremer, ela colocou um pé antes do outro para ver se realmente seria seguro continuar. Quando chegou do outro lado, voltou a respirar e chegou a ficar um pouco tonta.
Ela não tinha nenhuma ideia do que estava acontecendo ou do por que de estar ali. Apenas se lembrava que o velho havia sussurrado algo para ela antes de aparecer ali. "este será o seu teste", e então, ali estava ela.
A garota avançou um pouco mais e escutou novamente o mesmo barulho. O vento aumentou consideravelmente e ela pôde ouvir claramente o rufar de asas. Quando olhou para trás, lá havia um enorme bicho com grandes asas magníficas que batiam lentamente, mas que aguentavam seu peso. Era preto e possuía uma enorme cauda e patas grosseiras com garras brilhantes e afiadas. Era um dragão. Que criatura magnífica!
Lá estava a enorme criatura, batendo as asas sem parar a olhando dentro de seus olhos. Era como se pudessem ler a mente um do outro, como se entendessem um ao outro. O grande animal se aproximou e a garota não pôde se segurar, quando viu, já estava com a pequena mão no enorme focinho dele.
Ouviu uma voz soprada em sua mente. Um nome, "Darthaen". E na mesma frequência que usou para ouvir, tentou responder. O grande dragão concordou e soprou mais uma vez. A garota agora escutava tudo claramente. Então ele disse:
– Darthaen é seu. Sempre que precisar, estarei lá.
Ela sentiu como se ele fosse uma parte dela que estava fora de seu corpo, uma parte que a conhecia melhor que ninguém. Sem precisar dizer muito, já haviam se tornado mais íntimos do que você e eu podemos sequer imaginar.
– Vou lhe contar a história de tudo.
Amelia sentou-se e observou o grande animal se tornar um lobo que andou calmamente até ela e sentou-se na sua frente, apoiando a cabeça em seu colo.
– Aksi, não fazia parte de um jogo, ela era apenas uma cidade onde vários acontecimentos históricos que ainda são contados, aconteceram. Muitos anos atrás um homem chamado Shiway, cometeu o pior erro de sua vida e condenou a si mesmo e a cidade de Aksi a ruína. Vocês foram chamados aqui para nos livrarem dessa terrível maldição. Todos são usados como fantoches, como em um jogo, mas com a diferença de que aqui, os personagens são pessoas vivas. A razão do jogo se chamar The living game é que realmente é um jogo onde tudo está vivo. Você precisa encontrar a espada, com ela você poderá passar pela noite negra e assim, terá encontrado um dos itens que os ajudará a sair desse jogo.
– Quem é você?
– Sou uma parte sua.
– Terei você comigo quando voltar?
– Sim. Quando voltar para lá, eu estarei ao seu lado.
– Mas... Por que um jogo?
– Shiway era um homem que achava que poderia dominar todos e usar quem quisesse, como fantoches. Até que um dia achou alguém que devolveu tudo em dobro.
– Shiway... Ele é o homem que está sentando no templo?
– Não. Este é apenas um viajante da floresta, enviado pelo autor, que teve misericórdia de nos dar uma saída.
– Autor?
– Esta é uma outra história. No momento o que você deve saber é que, é necessário encontrar a espada. E que deve livrá-los deste horrível punimento.
Após o término da frase, a garota voltou para o templo. Quando olhou para o lado, lá estava o lobo preto a olhando.
Ninguém entendeu de onde ele havia aparecido, mas sabiam que ali ele estava e que Amelia havia descoberto algo, pois seus olhos brilhavam como a lua iluminando o mar.
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