The living game - A espada
5 A noite negra
Shawn se assustou com a aparição do lobo, mas logo que foi chamado, se esqueceu. A voz fez o mesmo procedimento, mas ele apareceu em um lugar diferente.
Quando viu, estava em um grande lago, reluzente. Era noite e a luz da lua refletia na água. O garoto se aproximou e um buraco enorme começou a se formar. A terra tremeu um pouco e um redemoinho se formou antes de uma escada aparecer.
Os degrais eram feitos de água e era possível ver vários peixes nadando. Shawn hesitou, pois poderia cair, mas resolveu ir. Ao chegar no fundo, lá havia uma grande cúpula, a água do mar estava ao redor dela. Olhou para frente e lá havia um bicho, parecido com um urso polar, mas era maior. Seus pelos estavam cheios de água e brilhavam com as gotas que estavam acumuladas. Era mais branco que a neve.
Como aconteceu com Amelia, o urso soprou algo para Shawn. O garoto avançou, observando o animal que o olhava nos olhos. Era estupendo!
– Sou Zyas.
– Quem?
– Sou uma parte de você.
– Por que estou aqui?
– Todos vocês vieram aqui por uma única razão, que é salvar os moradores de Aksi. Para isso, você deve encontrar uma espada. Ela foi forjada no fundo dos mares e é lá que irá encontrá-la.
– Como eu vou mergulhar no fundo do mar? É impossível.
– Você terá a mim.
O grande animal caminhou em sua direção. Shawn ficou um pouco confuso, mas ali estava ele com aquele grande urso. Segundos depois, havia retornado ao templo e Zyas estava ao seu lado.
Arthur recebeu um pequeno coelho e Cody uma águia. Todos ficaram curiosos para saberem o por que de cada animal e então Ig disse:
– Cada animal equivale à personalidade de vocês.
Os quatro jovens começaram a contar como foram suas pequenas viagens e acabaram descobrindo que deveriam encontrar quatro espadas. Uma forjada pelo fogo, outra feita na água, outra pela terra e a que seria mais difícil de encontrar seria a de ar. Cody começou a rir, pois cabia à ele encontrá-la.
– Ig! — A garota chamou-o — Como nós vamos encontrá-las?
O velho mexia em uma grande estante cheia de livros empoeirados, de lá, tirou uma rolo e colocou-o sobre uma pequena mesa.
– Aqui está. Esse mapa os guiará até onde vocês precisarem ir. Cada um de vocês deverá se separar em uma parte da jornada.
No mapa haviam um grande lago e depois um campo com árvores. Mais a frente havia um enorme vulcão e um espaço cheio de nuvens, não se sabia o que havia ali.
– Vocês ainda não podem partir. Devo lhes explicar o que é a noite negra. — Respirou e continuou — Todo mês, ela vêm e leva uma boa parte dos moradores de Aksi. Com ela a confusão e a morte vem. Essa noite, vocês não vão poder impedir, mas assim que ela passar, vocês devem correr contra o tempo e achar uma saída.
Os jovens concordaram e foram até a casa de Ig. Os moradores se assutaram um poucos com os animais que os acompanhavam, mas logo esqueciam e voltavam a fazer o que estavam fazendo.
– Achei estranho o fato de estarmos num jogo, que não deveria ser. — Arthur disse.
– Pois é. Essa maldição é muito estranha, além do fato de termos que encontrar espadas. Pra que? — Amelia acrescentou.
– É revoltante o fato de não podermos tomar banho. — Cody disse de cabeça baixa.
Todos o olharam e caíram na risada. Cody ainda estava incomodado. A noite atacava todos, sem exceção de ninguém, logo, ela poderia afetá-los também. E se todos tentassem se matar? O que fariam? A confusão já estava pairando no ar sem que eles percebessem.
– Por que é nosso dever salvá-los? Por que eles não salvam a si mesmos? Parecem ser bem capazes! E quem é aquele homem com véu, coisa ridícula! — Shawn se manifestou.
– Achei legal o fato de eles nos acharem os heróis da história. Não é todo dia que você pode salvar um povo. — Arthur disse.
– Tá, mas a gente pode se machucar.
– Deixa de ser egoísta Shawn, você não é assim! — Amelia afirmou.
– Estamos todos ferrados. — Cody sussurrou.
– O que? — Todos perguntaram.
– Estamos todos ferrados! Brigando por algo desnecessário. Vamos fazer algo bom e vocês estão dicutindo como se as pessoas daqui fossem simplesmente bonecos. Parem de pensar só nos seus umbigos, em serem heróis ou não serem. Se estamos aqui, vamos fazer o que é necessário! Mas sem vocês, não tem jeito de ajudá-los, temos que permanecer juntos, pois a confusão já está querendo nos levar. Estão sendo mais que ridículos!
Todos pararam e refletiram no que Cody havia dito. Ele estava certo. Na casa de Ig, todos permaneceram calados. Até que o clima quente se tornou frio e todos começaram a tremer. Uma névoa cobriu todo o local e escutavam barulhos de coisas se despedaçando no chão.
– Ela chegou. — Ig disse.
Todos se entreolharam, assutados. O que iria acontecer ali? Pessoas gritavam, enquanto outras corriam. Arthur tentou aproximar-se da janela, mas Ig a tampou.
– Não faça isso.
O garoto o olhou e sentou-se novamente. Seus olhos começaram a mudar.
– Arthur? — Amelia o chamou.
O garoto não respondia mais. Ele foi caminhando até a porta, e Ig o jogou no chão. O velho sabia lutar! Arthur permaneceu ali, até que alguém empurrou a porta e fez com que Ig caísse. O garoto e o homem começaram a lutar, com mãos e pés. Uma mulher puxou os dois para fora e entrou com uma garrafa na mão, ela a quebrou e ficou com a metade na mão direita.
Amelia, Shawn e Cody, saíram correndo pela porta de trás e lá haviam mais pessoas. Estavam cercados. Shawn partiu para a briga e a garota e Cody permaneceram quietos.
– Por que nós não fomos atingidos? — Cody perguntou.
– Não sei. Temos que ajudá-los! — Amy respondeu e saiu correndo para ajudar Shawn que estava quase cedendo.
E então, ao virar, o mundo de Amy parou de girar, o tempo parou de andar e a garota caiu de joelhos. Cody estava com ambas as mãos em sua barriga, onde sangue jorrava. O garoto caiu no chão e ela foi até ele. Colocou sua cabeça em seu colo e tentou estancar o ferimento que havia sido feito.
– Amy, eu sabia que algo iria acontecer.
– Não, você não. Isso não está acontecendo!
– Maninha.
– Não! — A garota gritou.
Rios de lágrimas escorriam, lavando o seu rosto e quanto mais tentava estancar o sangue, mais vermelha sua mão ficava. Amelia gritava consecutivamente entre soluços. Aquilo não podia ser verdade.
– Cody... Desculpe eu não ter dito antes, mas... Em uma noite, quando seu pai foi na minha casa falar com a minha mãe, eu ouvi eles dizendo que nós éramos irmãos. Sei que é bobo, mas tive medo de dizer pra você, pois não sabia se você me aceitaria. — Falou entre lágrimas e soluços.
– Teríamos sido bons irmãos.
Ao terminar a frase, o garoto fechou os olhos e a mão que segurava uma das mãos de Amelia com força, se soltou. Ele havia morrido. Ela segurou a mão dele e o balançou.
– Não! Cody, fale comigo!
E então, a névoa havia se dissipado e todos voltaram ao normal. Os moradores estavam acostumados com os acontecimentos e não se importaram muito com a morte de alguns. Mas quando Arthur e Shawn se aproximaram de Amelia, ambos caíram de joelhos. Shawn colocou as mãos sobre a cabeça e a encostou no chão, prostrado. Arthur, deixou com que lágrimas escorressem pelo seu rosto.
Amelia abraçou o irmão e se arrependeu amargamente de não ter dito antes. Ela não sabia o que fazer e ficou ali, por muito tempo. Os dois garotos tentaram a tirar dali, mas ela não saiu. Pediu um pano e limpou o rosto do garoto que estava com as marcas de sangue de sua mão.
Olhou para o rosto dele e agora, pequenas gotas caíam de seus olhos. Passou a mão em seu rosto e respirou fundo várias vezes, não crendo de todo que aquilo era verdade.
– Sinto muito...
A garota resolveu levantar-se e chamou Arthur e Shawn para enterrá-lo.
– Cody disse que devíamos fazer o certo e o certo é salvarmos esse povo!
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