The life of Agatha Bianchi
1 Quem é Agatha Bianchi?
Notas iniciais
Olá, o meu nome é Agatha Bianchi, tenho 17 anos. Desde pequena gosto de historias, mas não aquelas que terminam com a típica frase “ e eles viveram felizes para sempre”. Nunca acreditei de verdade nessas. Na minha opinião, ninguém é feliz para sempre. Isso aqui ta parecendo um daqueles diários de adolescentes inúteis. Saiba que não é. Eu não sou uma dessas garotas de modinha. Eu moro com a minha avó à 8 anos, ela é uma mãe para mim. A minha mãe morreu quanto eu tinha uns 7 anos, foi assassinada a sangue frio por um cara que ate então eu odiava. Meu pai? Bom, ele esta preso. Por que? Vários anos atrás minha mãe estava me colocando pra dormir, quando o meu pai a golpeou na cabeça. Lembro que quando ela caiu, pegou o abajur que ficava sobre a minha cômoda e bateu na cabeça dele. Não foi uma coisa muito inteligente, ele golpeou minha mãe varias vezes. Foram socos e pontapés incontáveis. Eu fiquei espremida no canto da parede com medo, querendo proteger ela, mas sem ter forças para tal gesto. Ate que minha pobre mãezinha se entregou. Mas aquele monstro não sossegou, enquanto ela estava agonizando em meu quarto, ele foi ate a cozinha e voltou com uma faca em mãos. Eu fiquei com medo e me joguei em cima dela. Também sofri. Quem levou os primeiros golpes de faca foi eu. No braço, na perna e no rosto. Ate que me escondi embaixo da cama. Ainda consegui ver ele esfaqueando minha mãe que já tinha ido embora. Por um tempo eu ate fiquei estável. Não sabia o que pensar. Você me entende? É como se todos os seus esforços, não seriam necessários para isso. Os vizinhos começaram a perceber algo estranho, pois quando a minha amada lutara, havia derrubado muitos objetos. Ele correu dali imediatamente. Permaneci no meu refugio, vendo o sangue de minha querida, ir embora. Não demorou muito para que a minha avó fosse ate o meu quarto e enxergasse aquela cena terrível. A filha dela estava morta. Chorando fui ate os braços dela, e desmaiei. Passei muito tempo com aquela cena na minha cabeça. E as cicatrizes no meu corpo, que provavelmente sempre me lembrarão daquela noite. Por diversas vezes, perguntei a minha avó qual foi o motivo de tudo isso, mas eu era muito pequena, então ela nunca me respondia. Mas no dia do meu aniversario de 15 anos, ela me perguntou o que eu gostaria de ganhar, de presente. Respondi:“Nada além da verdade”. Bom. O meu pai naquela noite estava enfurecido porque, um de seus amigos “confessou” que tinha passado a noite com minha mãe. O que o levou a assassinar, também, este seu tal amigo. Duas pessoas assassinadas, porque um acreditou que era corno. Mas, outros amigos dele afirmaram que era só uma brincadeira e que não sabiam que chegaria a isso. Ao saber da existência da brincadeira, o meu pai ficou por um bom tempo em estado de choque. Ficou se perguntando qual era o motivo de uma brincadeira tão seria. Recebeu a visita de um deles, ele explicou que o cara que foi assassinado, o seu amigo, tinha perdido uma aposta. Então teve que mentir. Minha vida foi sempre conturbada. Quando eu fiz 6 anos, ganhei um cachorro lindo de presente de um tio meu. Era o meu melhor amigo, até que um dia, cheguei em casa da escola e ele havia sido envenenado. Outra coisa que fora embora de mim. Aos 12, ganhei outro cachorro. Vovó saiu e me deixou brincando com ele. Como era muito novinho, ele me mordeu. Eu o bati, assim como o meu pai havia feito com a minha mãe. Uma, duas, três vezes. Até que vi que, aquilo que eu estava fazendo não era certo. Chorei muito. E ele se levantou mancando, e gemendo. Veio ate mim. Fiquei impressionada em como os cachorros perdoam as pessoas que lhe machucam sem motivo algum. Com 13 anos, eu não pensava como as garotas da minha idade, eu refletia muito sobre tudo o que acontecia ao meu redor. Agora estou prestes a completar 18 anos, e fico pensando se devo perdoar o meu pai algum dia. Assim como o meu cachorro fez. Que por sinal vive comigo ate hoje. Meu fiel escudeiro Baron, um pastor alemão de 4 aninhos. Que durante todo o tempo comigo, Tio Jack, que é um dos melhores policiais da cidade, o levava para a delegacia. E hoje, ele é companheiro do meu tio. E meu protetor. Minha historia não é tão ruim... Apesar de eu ter começado a escrever a 5 ou 6 meses. Estou continuando agora. Com mais novidades. 4 meses atrás, vovó me levou para ver o meu pai. Eu pedi, vulgo, implorei. Queria olhar nos olhos dele. Quando ele me viu começou a chorar e me abraçou, eu o empurrei. Ele me pediu desculpa diversas vezes, eu só olhava para ele e reparava o quanto me pareço com ele. A pele bem branca, os cabelos exageradamente pretos e bem ondulados, os olhos azuis. Pensei: Como ele é bonito! Passamos um tempo conversando. O agente de condicional dele, disse que com sorte ele sairá dali a 6 meses, ou seja, daqui a 2 meses. Quando voltei para casa, pensei muito em nossa conversa. Ele disse que estava alcoolizado naquela noite. Disso eu não sabia, nessas condições o individuo fica completamente fora de si. Não digo que ele não tem culpa. Mas isso não é totalmente irrelevante. Ele viu a cicatriz no meu rosto, fica abaixo do meu olho direito, nas maças do rosto, tem mais ou menos 6 centímetros de comprimento. Perguntou se ele tinha feito aquilo e eu assenti. Mostrei as outras duas e ele se desculpou mais vezes. Depois disto, fui embora. 4 meses se passaram. E com isso muita coisa aconteceu. Como por exemplo, a velhice começa a dominar vovó. Eu estou cuidando dela, então é provável que demore a escrever agora.
[...] 2 meses, e 13 dias depois.
Olá, de novo.
Agora estou com tempo, vovó está melhor. Em um lugar melhor. Depois de algumas tonturas ela foi diagnosticada com problemas cardíacos, e não suportou. Ainda estou em estado de choque. Será que as pessoas nunca vão parar de me abandonar? Meu pai ainda não foi solto, mas esta semana quando fui visitar ele, um dos policiais disse para eu não me preocupar com o estado dele. Alguns detentos não admitem agressão a mulheres. Essa não havia sido a primeira vez. Ele disse que provavelmente sairá daqui a 1 mês. Não sei o que irei fazer quando isto acontecer. Estou morando sozinha. Somos só eu e Baron. Já chorei tanto. Me sinto tão só. Primeiro minha mãe, agora vovó. Tio Jack me fez o convite para morar com ele, mas não me sentiria a vontade. Todos os dias eu o vejo quando estou indo para o colégio e deixo Baron para trabalhar com ele na delegacia. Diante de tudo, alguns pensam que eu abandonei os estudos. Mas eu ainda freqüento aquele lugar onde todos me olham como a garota da mãe assassinada pelo pai. O colegial. Típico isso. Quero ser policial, assim como o meu tio. Mas para isso, preciso estudar. Sempre falei que isso não seria um diário onde eu escreveria coisas melosas, como, sobre um garoto.
Mas, tem um na minha sala... Bom, estudo com ele desde a primeira série. Na verdade, ele já havia sido o meu melhor amigo. Mas depois da cicatriz que eu ganhei, ele não falava mais comigo. James Clark.A única coisa que ele faz agora é olhar pra mim. Será por conta da minha cicatriz? Bom, chega de falar do passado não é? Vamos viver o presente.
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