The life of Agatha Bianchi

2 Cure o passado. Viva o presente. Dane-se o futuro.


12 de Agosto.

Acordei um pouco indisposta hoje. Na noite passada, Baron não parou de latir. Estava assustado com alguma coisa do lado de fora de casa. Depois de umas duas horas em intervalos que eu consegui, ao menos cochilar, ele aquietou-se. Se não fosse por ele, não teria me acordado agora de manhã, esqueci de por o despertador. Fiquei sentada por uns minutos na cama, olhando em volta do quarto. Era a mesma coisa de tantos anos atrás. A mesma casa. A mesma coisa. Desci até a cozinha para tomar o café da manhã, liguei a TV da Sala, e coloquei um pouco de ração para Baron. Preparei ovos mexidos, bacon e torradas para mim. E sentei-me na bancada da cozinha. Dei uma olhada para o relógio, que ficava ao lado de um retrato grande, éramos eu, mamãe, vovó e Sr. Vincent Johnson. O meu pai.

─ Nossa Baron, muito obrigada por me acordar 1h mais cedo! ─ disse enquanto ia para o sofá. Baron começou a latir para a porta de vidro na lateral da casa.

─ Serio? Vai começar de novo? ─ resmunguei ao me levantar para ver o porque de tanto barulho. Arrastei as cortinas das janelas da frente, e vi dois carros de policia estacionados na casa da frente. Alguns vizinhos estavam na frente da casa. Tio Jack estava lá. Subi o mais rápido possível para trocar de roupa e ver o que estava acontecendo. Acorrentei Baron e sai. Tio logo me avistou e deu um leve sorriso para mim.

─ Bom dia Tio, o que houve?

─ Olá querida, bom, pelo que parece. Uma gangue de mascarados invadiu a casa dos Jefferson, e os torturaram ate não haver mais forças. ─ ele disse enquanto me mostrava uma mascara de gorila.

─ Meu Deus, Baron não parou de latir a noite inteira. Eles ainda estão ai?

─ Quem, os Jefferson? ─ perguntou, assenti com a cabeça. ─ Sim, estamos esperando os especialista virem retirar o corpo. Estava entrando agora.

─ Eu posso?

─ Acho melhor não querida, a situação não está bonita. Nem as crianças escaparam. Todos estão com expressões terríveis!

─ Tio, eu já vi coisa pior, e o senhor sabe disso. Até já me levou pra varias cenas de crimes!

─ Sim, eu sei. Mas... Tudo bem, você é quase uma policial mesmo. ─ disse com um sorrisinho. Haviam vários policias na porta da casa. Todos já me conhecem, me cumprimentaram.

─ Posso dar uma volta pela casa com ele, Agatha? ─ Carl, um dos ajudantes do meu tio, perguntou apontando para Baron. devo confessar que ele é bem gatinho, e tem 18 anos. Olhei para Tio JK ( é como alguns o chamam), e ele assentiu. Entreguei a coleira para ele.

─ Te devolvo em, 15 minutos? ─ perguntou.

─ Pode ser. ─ Sorri.

─ Bom, pode se preparar. Aqui na sala, é onde esta a primeira das três crianças! ─ Tio Jack disse. Os moveis estavam revirados, dei alguns passos e vi a criança. Ela estava de bruços, com o pescoço meio torto, e uma chave de fendas nas costas. Os Jefferson não gostavam de mim, então não sabia nada sobre eles, nem que eles tinham três filhos.

─ Cara, quem mata uma criança com uma chave de fenda? ─ perguntei indignada.

─ A gangue mascarada. ─ respondeu sorrindo. ─ Bom, acha que consegue? ─ perguntou.

─ Consigo o que?

─ Dizer a idade e a situação no momento de sua trágica morte? ─ lançou o desafio. Nós sempre brincávamos com isso. Dizemos que é a identificação de morte da vitima (IDM). É sem sentido, mas quando criança funcionava, porque agora não funcionaria?!

─ IDM? Hm... ─ examinei de longe um pouco a criança. ─ É um garoto de 6 anos,que escorregou da escada e o seu assassino o levantou pelo pescoço, quebrou o próprio e o jogou no chão. Depois pegou a chave de fenda e a cravou em suas costas. Certo?

─ Um garoto de 7 anos, como sabe que ele escorregou na escada? ─ perguntou cruzando os braços.

─ Bom, ele foi o ultimo a morrer, está com os pés sujos de sangue e no carpete, estas manchas marcam como um escorregão! ─ respondi, identificando as marcas.

─ Também pensei nisso quando vi! ─ Carl disse logo atrás de mim.

─ Não ia voltar em 15 minutos? ─ sorri.

─ Ia (riso), mas Baron correu para sua casa e tive de ir atrás dele. Encontrei algumas marcas lá.

─ Marcas? Que tipo de marcas? ─ Tio JK perguntou.

─ Precisam ver! ─ respondeu enquanto assenti com a cabeça em direção a porta. Saímos dali e fomos até a minha casa.

─ Bom, vê aqui? Bem nesta área consegue ver mancha de sangue? ─ perguntou, apontando para o desnível entre o jardim e o caminho de pedras.

─ Mais ou menos, sim, porem quase nada! ─ respondi chegando um pouco mais perto. Quase de joelhos.

─ Você ta bonita! ─ Carl disse sorrindo.

─ Claro que não Carl! ─ respondi levantando. ─ Acordei agora, estou todas descabelada.

─ Me desculpe, não quis ser inconveniente!

─ Não foi. Obrigada! ─ respondi colocando o cabelo atrás da orelha.

─ Vamos ao que interessa? ─ Tio Jack disse.

─ Claro. Enfim, aqui tem uma pequena mancha de sangue, quase imperceptível por conta do jardim. Mas, se pegarmos a luz apropriada, apesar de está muito claro, podemos ver uma mancha muito maior! ─ respondeu.

─ O que isso quer dizer? ─ perguntei.

─ Que aqui pode ter 150ml de sangue, ou mais que isso. ─ tio Jack disse intrigado.

─ Exatamente, e não é só isso. Você viu a sua porta dos fundos hoje? Por fora. ─ perguntou

─ P-por fora? Não! ─ respondi, gaguejando um pouco.

─ Venham comigo! ─ Carl nos chamou. Ao darmos a volta, encontramos manchas de sangue na porta, na maçaneta e no chão.

─ Ai meu deus! ─ disse colocando a mão na boca.

─ Parece que alguém tentou entrar na sua casa Agatha! ─ Carl disse. ─ Você não ouviu nada a noite querida? ─ Tio perguntou.

─ Já disse, Só ouvi Baron latindo. Incomodado com algo de vinha... De fora da casa. ─ disse diminuindo o tom de voz.

─ Vamos entrar! ─ disse tio Jack. Sentei no sofá, Carl sentou na poltrona. Tio estava andando pela casa, a procura de alguma coisa.

─ O que é isso? ─ disse com uma carta em mãos. ─ Posso?

─ Abra logo. Onde encontrou? ─ Perguntei.

─ Perto da porta dos fundos! ─ disse ao sentar-se do meu lado.

“ Olá querida Agatha, acho que atrapalhamos o sono de seus vizinhos. Pensando bem, eles agora ficarão melhor não é? Terão sono eterno, no inferno. Você deveria prestar mais atenção nos avisos que seu animal lhe dar. Idiota. Me parece que sua segurança é muito boa. E é. Quem sabe eu possa fazer uma visitinha a sua adorável vizinhança nesta próxima noite? Será que a sua segurança continuará como está? A este ponto, você já deve está ligando para o seu tio ridículo e ter contado o que está escrito aqui. Mas, querida, somos como a neblina, chega aos poucos, sem você reparar, e quando isso acontece, já dominamos o espaço. É melhor ter cuidado hein? Temos brincadeiras perigosas. Alguém pode se machucar!”

─ Não pode ficar aqui sozinha Agatha! ─ disse Carl levantando-se.

─ Ele tem razão, tem de vir pra minha casa! ─ disse Tio JK

─ Não posso tio, a casa é a única coisa que me faz lembrar bem da minha mãe!

─ Agatha, Nicole não iria querer que você sem prendesse tanto a esta casa!

─ Minha mãe morreu na minha frente. E a única coisa que eu quero é que eu continue na casa onde cresci!

─ Tudo bem, mas vou chamar quatro policiais para ficarem aqui com você! ─ respondeu.

─ Quatro?? ─ perguntei assustada

─ Com o que pensa que está lidando? Não são crianças Agatha, são assassinos. E se não quer morar comigo, a Susan e seus primos, policiais virão até você. Estamos entendidos?

─ Sim tio, estamos entendidos! ─ respondi de cabeça baixa.

─ Senhor, pode contar comigo pra proteção dela! ─ Carl afirmou.

─ Sei que posso Carl! ─ Tio sorriu. ─ Vai pra aula hoje?

─ Sim!

─ Então é melhor se arrumar logo, ou vai chegar muito atrasada.