Los Angeles

Amália estava adentrando em casa depois de passar algumas semanas na prisão por tentar matar a filha com uma faca de cozinha. Tinha ótimos advogados, em pouco tempo conseguiu um habeas corpus e estava livre, pelo menos até o julgamento.


Quando chegou em casa procurou pela filha que já não residia no ambiente domiciliar, claro que não esperava encontrar-la depois do que acontecera, mas tentou imaginar para onde sua prole iria. Ela nunca iria ficar com o pai, odiava ele por te-la deixado por outra família, com o avó, tampouco já que este vivia em um casa para velhos. "Onde será que ela está?", se perguntava sua progenitora.


Depois de tomado um banho quente e trocado de roupa, ligou a TV para assistir ao noticiário, pegou o notebook e pesquisou acontecimentos estranhos, pessoas especiais e claro, acessou blogs com teorias de conspiração e teses pouco confiáveis sobre os tais sons estranhos que vinham escutando nos últimos dias com pausa de dias entre um e outro. já ouviram-se três desses estranhos sons que tinham a semelhança com o cântico de trombeta, mas diferenças o distinguiam de um simples som gerado pelo instrumento. Era como um grito sussurrante criado por um ser não humano, ou talvez o fosse e, apenas estivesse utilizando um instrumento por demais incomum. Porém o problema não era o som em si, mas o porque era escutado em todo o mundo? Essa pergunta sem resposta foi o estopim para cada ser humano criar suas teorias, grupos religiosos se explanarem ainda mais como os únicos e salvadores, políticos aproveitavam o caos total para se auto-intitularem o ombro amigo do povo. O planeta estava uma desordem, na verdade sempre esteve.


Amália ficou bastante tempo na web pesquisando de tudo um pouco, até que encontrou dois vídeos no Youtube que estavam com mais de três milhões de visualizações. Um mostrava uma estranha luta entre uma coisa grande que poderia ser um homem musculoso se não fosse pelo tamanho e corpo ciclópico contra um rapaz franzino. O vídeo tinha a duração de cinco minutos, terminou exatamente na parte que o chão começou a se abrir... O segundo vídeo mostrava um homem e uma mulher lutando, na verdade só a mulher batia, o homem mais parecia um desorientado. Amália ficou intrigada na parte que a arma que a mulher segurava se transformou em uma especie de espada, era obvio que o pobre homem não teria a minima chance de derrota-la se não fosse o fato da multidão que ali os cercava em uma roda estraçalhar-lha por completo.


Sabia bem o que isso significava, ambos os videos eram luta de anciões, o tempo estava correndo e precisava se estabelecer e impor logo sua força antes que se torne mais uma fracassada. Já estava ciente de seu poder e o que representava. Era a VINGANÇA e sua habilidade a deixava por demais animada a encontrar a filha que sabia que também era uma anciã, soube disso no momento que acordou do sonho da coroação. Assim que abriu os olhos ouviu na mente "dois anciões se encontram, batalha formada, que vença o melhor". Não entendeu o que significava, mas foi só ao amanhecer que entendeu exatamente o que devia fazer, e quando viu a marca tatuada na mão da filha não lhe restou duvidas do que precisava fazer.


Amália era uma boa mãe, acreditem quando digo que ela amava a filha, mas percebeu de imediato que se não matasse a filha primeiro, ficaria impossível faze-lo depois, e se sua filha fosse morrer que fosse pelas suas mãos e não pela de um desconhecido. Ela se questionou de o porque não se sacrificar pela filha, no entanto essa duvida deixou seus pensamentos quando imaginou sendo a vitoriosa dessa épica batalha. A habilidade de Amália era a desorientação, conseguia causar no individuo a sensação de estar perdido, desorientando-a em um terror pavoroso de abandono. Foi na cela em que estava que descobriu como utilizar sua capacidade de controlar o poder que ganhara. Foi a forma também de se manter segura ante as demais criminosas.


Não sabia por onde começar a procurar a filha, mas parada em casa não ficaria, pegou sua bolsa e rumou para a rua, seu primeiro destino era a casa da melhor amiga de Dakota, Carla.


Estacionou o carro em frente a uma casa comum de L.A e foi até a porta da residência na qual bateu duas vezes, quem atendeu foi a Carla, amiga de sua filha desaparecida. Conversou com a garota por alguns minutos, descobriu que ela não sabia de nada, em seguida entrou em seu pageiro e rumou para a próxima peleja.

França


Ela repousava em um leito de hospital, não queria estar ali, mas não podia levantar suspeitas. Desde que foi resgatada dos escombros daquele hotel em Paris andava pensativa, perdida em um sentimento de ressentimento, mas ao mesmo tempo de paz. Não pretendia matar aquelas pessoas inocentes mesmo sendo duas delas aniões, sua habilidade a deixava por de mais aterrorizada. Um enfermeiro adentrou no recinto fechando a porta logo depois de entrar, era alto e possuía cabelos negros e pele esbranquiçada, porém Mary Ângela parou de prestar atenção nos traços belo do homem vestido de branco assim que escutou uma frase familiar na sua cabeça. "Dois anciões se encontram, batalha formada, que vença o melhor".


Mary Ângela se ergueu da cama com o objetivo de sair dali correndo, não pretendia lutar, pelo menos não se atacada. Seus olhos estavam arregalados demostrando pavor, porém quando se encontraram com a iris prateada do ancião diante de si sentiu tranquilidade e calmaria.


—Não quero lutar, então me deixe ir.—Mary Ângela esbravejou.
—Espere, também não pretendo lutar, temo pela minha vida.—disse o enfermeiro.
—Então receio que não devemos ficar no mesmo recinto por muito tempo.
—Compreendo seu medo,mas além dele também tenho curiosidade por entender o que se passa.—disse o homem.
Mary Ângela o escutava precavida, por isso começava a reunir calor na área fechada, concentrava uma exorbitante energia calorenta em sua volta energizando uma bolha invisível que começava a se potencializar cada vez mais.
—Sou Orlando e só quero que me escute, a alguns dias um rapaz chamado Christian veio conversar comigo, ele é como nós, e acho que ele tem razão no que disse.— tentou explicar Orlando começando a sentir calor.
—Ele está tentando reunir aqueles como nós de boa índole para tentarmos parar com isso.—disse ele com dificuldade de respirar.
—Não estou interessada em me juntar com ninguém— Mary Ângela temia confiar no desconhecido.
—Pelo menos o escute, ele chegará a qualquer momento, combinei com ele de nos encontrarmos aqui para te conhecer—Orlando agora sentia seu corpo transpirar— está usando sua habilidade?


Mary Ângela se pegou nervosa quando o escutou falar essa ultima frase acusativa, tentou diminuir um pouco a força que usava para concentrar o calor naquele ambiente que antes estava em temperatura ambiente. Porém não conseguiu, não tinha domínio sobre sua habilidade incomum e mortífera.


—Pare com isso, não me veja como inimigo, sou SATISFAÇÃO, minha habilidade não é párea para a sua.—Orlando estava sufocando, o ar ali ficou denso de mais.
—Não consigo controlar isso—Mary Ângela parecia temerosa—me ajude.


Orlando devagar se aproximou de sua oponente e tentou força-la olhar em seus olhos prateados, ela por sua vez quando se viu aprisionada naquele mar de metal derretido se acalmou em mansidão, se sentiu fraca, mas não de cansaço e sim de satisfação por ter conseguido controlar a bomba que em breve se tornaria levando todo aquele hospital a baixo como fizera com o hotel dias atrás. Quando se viu apaziguada se sentou na cama em que antes estava deitada.


Orlando se sentou ao seu lado com certa paciência que só um enfermeiro tem, ficou em silêncio por um tempo até que seu celular vibrou no bolso. Atendeu a ligação e falou com Christian, um rapaz que tinha lhe procurado dois dias atrás, propondo-lhe uma forma de ficar seguro até conseguirem resolver tal problema. Deu o número do quarto de onde estava e de repente como num passe de mágica um homem surgiu ali na sua frente segurando um celular na mão.


Mary Ângela assustada se protegeu atrás do seu novo amigo, por quem ficou encantada.


—Oi.
—Quem é ...


" Três anciões se encontram, batalha tripla formada, que vença o melhor."


Temerosa a pobre Mary Ângela começou a reunir uma nova concentração de energia a sua volta, porém dessa vez, ao invés de calor, foi frio em que pensou.

Orlando que estava praticamente preso pelo forte aperto dela sentiu o frio lhe arrepiar a pele.


—Sou Christian, não sou o inimigo aqui.
—Mary Ângela, calma, ele está do nosso lado, te falei dele mais cedo lembra.—Orlando a olhava nos olhos, fazendo-a se acalmar novamente.


Depois que o frio cessou, os três foram para o refeitório do hospital onde beberam um café e conversavam sobre muitas coisas. Orlando explicou que quando viu pela TV que Mary Ângela era a única sobrevivente do desabamento do prédio veio correndo para cobrir um plantão extra no serviço, para deixa-la protegida dos demais anciões que sabia que viriam caça-la, foi onde encontrou com Christian que mantinha certa vigília no local, ambos depois de uma luta rápida decidiram bater um papo onde descobriram o comum desejo de não querer matar ninguém. MA como Orlando passou a chamar Mary Ângela carinhosamente se sentiu ainda mais encantada por ele, que demonstrou-se preocupado com ela mesmo sem conhece-la. Depois de um debate acirrado MA e Orlando aceitaram se reunir com Christian ao grupo Anciões remanescentes que já contabilizava com eles dois cinco membros.


Ali perto deles, não o bastante para notarem, um homem escutava tudo do que falavam, debaixo do capuz esverdeado uma pele amarronzada se destacava em completa beleza. Seus olhos se mantinham fixos na mesa bem distante da sua, sua mente era capaz de captar altas ondas sonoras mesmo a longas distâncias, além disse esse ficaria logo mais conhecido como o Anulador. Concentrado começava a desfazer o que se formou naquela mesa, desconstruindo a pouca confiança que se gerou nos três anciões que pareciam tranquilos na presença um do outro.

Começando a gerar em Mary Ângela, Orlando e Christian o terror da desconfiança.


—Como posso saber se não está me levando para uma enorme teia de aranha?—disse Orlando.
—Não acredito que está pensando isso de mim.
—Acha que pode nos fazer acreditar em você assim, de cara?—Mary Ângela se exaltava.
—Pelo menos deviam me dar um voto de esforço por tentar ajuda-los.
—Ajudar, não pode proteger a si mesmo.—Orlando não demonstrava mais sua comum gentileza.


Os três começaram a se estranhar o que fez com que Mary Ângela se estressasse em escala temperamental, o que só fazia seu poder se elevar. Possuía o dom de controlar os polos de calor e frio do ambiente em que estava, Já Orlando por sua vez controlava os sentimentos das pessoas a sua volta, e fazia isso com MA, a enchia de receio e temor por estar perto de Christian.


Uma calota de temperatura glacial era o que estava prestes a ocorrer ali naquele momento, porém nenhum dos três parecia perceber.


O frio começava a castigar os inocentes ali presentes, médicos e seguranças tentavam descobrir a causa do problema, mas nunca encontrariam já que estavam prestes a morrer de hipotermia. Pequenas folhas de gelo se formavam por todos os lados, o café quente que preenchia as xícaras dos três seres humanos poderosos ali presente congelava como se estivesse em um freezer com temperatura abaixo de zero.


—Vocês são loucos, não devia tê-los procurado.—disse Christian pensando na Desert Eagle que possuía escondida na calça.
—Você não sabe que somos inimigos.—Mary Ângela demonstrava certa palidez em seu corpo, como se estivesse gripada.


Tosses e mais tosses se escutava por todos os lados, ninguém conseguia sair pelas portas que agora estavam emperradas pela camada de gelo que as colava. Tudo gerado pelo assassino poder da Anciã da PACIÊNCIA, aquela que deixa para atacar depois de um tempo esperar.
Orlando mantinha Christian ali preso manipulando seu sentimento de coragem e domínio da situação, pois se isso não fizesse ele com certeza fugiria com sua habilidade de teletransporte.

Aquele que logo mais ficaria conhecido como anulador percebeu que já tinha criado estranheza suficiente para que seus oponentes se matassem, então se foi pegando a saída de emergência, que ainda não tinha sido totalmente atingida pelo gelo que já dominava por completo o hospital.


—Querem lutar, então venham.—disse Christian sacando sua arma da cintura e apontando para Mary Ângela.


O gelo começava a tornar o lugar inabitável de tão frio que estava ficando, já passava de -10 °C. Os habitantes do hospital começavam a sentir a morte que já os espreitava se aproximar cada vez mas, de fato todos debaixo daquele teto não tardariam a morrer.


Orlando percebeu que tudo estava estranho, como se uma lembrança falsa dominasse seus pensamentos, tentou analisar esse ultimo momento de estresse no qual estavam e aos poucos recordava do objetivo verdadeiro de estarem ali. A névoa causada pelo homem encapuzado se dispersava vagarosamente, porém era tarde para um dos três.
—Se continuar aqui não me responsabilizarei pela sua morte.—falou MA.
—Tampouco eu pela sua.—disse Christian pondo o dedo no gatilho.


Orlando temendo a morte de Mary Ângela se jogou em sua frente protegendo-a da bala que penetrou fundo em seu peito. Seu corpo desfaleceu aos pés de MA agonizando a morte que já o beijava nos lábios finos.


Nesse trágico momento que se seguiu Christian e Mary Angela, ambos despertaram do que lhes foi impregnado na mente por aquele que logo mais batizariam de o anulador. Temerosos pela dor que sentia a SATISFAÇÃO, se viram culpados pela sua deterioração.


—O que fizemos?
—Isso é tudo culpa minha.—MA estava inconsolada.
—Me senti invadido, como se estivesse sendo controlado.—falou Christian.


O gelo já matara mais da metade dos humanos que ali pereciam moribundos de enfermidades. Christian percebeu que devia ir embora, se não se transformaria num sorvete humano.


—Sinto muito Orlando.—e se teletransportou para longe.


Mary Ângela pegou aquele que achava docemente atraente e o levou sobre suas pernas, deitou sua cabeça gentilmente e esperou que o ar se espreitasse para fora de seu ser. O que não demorou muito.


—Desculpe por isso.—disse ela em meio a lágrimas de culpa.
—Não foi sua culpa, e sim a minha—ele tinha dificuldade pra falar—manipulei o sentimento dos dois em minha vontade.
—Tudo bem, não importa mais nada agora, apenas relaxe, pense naquele lugar que te deixa mais alegre e se visualize nele.—disse ela triste.
—Não há lugar mais importante que o lugar no qual nascemos e morremos—um brilho estranho se a posou dos seus olhos prata— esse no qual estou.


Mary Ângela, não sabia se devia, mas beijou os lábios daquele que definhava em seu colo, admitia que o desejava, mesmo não o conhecendo, fazendo-a se questionar se não seria ele que a manipulava. Mais tarde descobriu que não.


Logo ao se afastar da boca de Orlando percebeu que o prateado do seu olhar era agora como cinzas de uma fogueira a muito apagada, não possuindo mais o brilho da vida.


SATISFAÇÃO morrerá.


Assim que MA abandonou o corpo de orlando e abandonou o prédio que se tornará uma enorme pedra de gelo, no qual uma nevasca sobrenatural se prolongou por mais cinco Km além do hospital, caminhou para longe, com o objetivo de vencer essa batalha, vontade que não tinha, mas que agora a lhe instigava.

Seis a menos, agora restam 18.